segunda-feira, 14 de março de 2016

As manifestações de 13 de março em todo o Brasil

manifestação na avenida Paulista, no dia 13 de março. (Foto: Ricardo Nogueira/ Epoca)
TEMPO

As manifestações de 13 de março em todo o Brasil

Mais de 3,3 milhões de pessoas foram às ruas em pelo menos 250 cidades brasileiras. Brasileiros protestaram contra o governo da presidente Dilma

REDAÇÃO ÉPOCA
13/03/2016 - 10h09 - Atualizado 13/03/2016 23h43
Milhões de manifestantes foram às ruas neste domingo (13) nas maiores manifestações contra o governo Dilma Rousseff. As estimativas da Polícia Militar em diferentes Estados totalizam mais de 3,3 milhões de pessoas nos protestos ocorridos em pelo menos 250 cidades. O maior ato ocorreu na Avenida Paulista, em São Paulo. De acordo com o Datafolha, 500 mil pessoas participaram da manifestação na Paulista. A Polícia Militar calcula público de 1,4 milhão. 
Apesar da multidão, não foram registradas ocorrências graves, segundo a PM de SP. Apenas uma mulher foi detida por desacato e levada à delegacia depois de ter arremessado garrafas de espumante contra policiais e causado pequeno tumulto em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp).
A presidente Dilma passou o dia no Palácio da Alvorada, em Brasília. Não fez pronunciamento nem apareceu em público. No fim do dia, reuniu ministros do núcleo duro do governo para avaliar como foi o 13 de março pelo país. E continuou em silêncio. À noite, o Palácio do Planalto divulgou nota: "A liberdade de manifestação é própria das democracias e por todos deve ser respeitada".
As manifestações deste domingo só pioram a situação da presidente. O governo é fustigado pela lei, atravessa uma situação econômica dramática, não tem apoio político e, neste 13 de março, foi lembrado que a parte da população que o rejeita é significativa e faz barulho. Pior de tudo, mostra análise do editor-executivo de ÉPOCA Leandro Loyola, a gritaria chega no início da semana em que o processo de impeachment será retomado na Câmara. Momento mais delicado, impossível. 
Acompanhe, abaixo, como foi a movimentação pelo Brasil ao longo deste domingo (dos acontecimentos mais recentes aos mais antigos).
23h - "Vamos derrubar o PT, minha gente!", diz Caiado – e ganha beijos e elogios. No dia em que a classe política entregou-se aos manifestantes pró-impeachment, senador discursou em dois carros de som e se empolgou. Leia a reportagem aqui.
22h53 - Timeplapse da manifestação de 13 março na Paulista: 10 horas em dois minutos. Vídeo mostra a chegada do público, das 9h às 19h. Assista aqui
A movimentação na Avenida Paulista em 13 de março, das 9h às 19h (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)
22h - A manifestação de 13 de março em São Paulo não foi só a maior da história em adesão popular, mas também a mais notável no quesito presença política. Os políticos, pela primeira vez, estão declaradamente articulados com os movimentos pró-impeachment. Leia a reportagem aqui.
21h45 - Em infográfico, ÉPOCA mostra o tamanho das manifestações de 13 de março. De acordo com estatísticas da PM em diferentes Estados, mais de 3,3 milhões de pessoas participaram de protestos contra o governo em ao menos 256 cidades.
Manifestação na Paulista, 13 de março. (Foto: Ricardo Nogueira/ Epoca)
21h10 - De acordo com a coluna EXPRESSO, a presidente Dilma Rousseff admite perder significativa parte do poder para permanecer no cargo. Dilma aceita, inclusive, a alternativa de terminar o governo sob um regime de semiparlamentarismo. Ela permaneceria presidente, mas o poder real para administrar o país seria exercido por um primeiro-ministro.
A presidente Dilma Rousseff durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)
20h57 - O presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI), disse que situação do governo é preocupante. Seu comentário foi feito após as manifestações ocorridas em vários estados e que levaram milhões de pessoas às ruas. Leia mais na coluna EXPRESSO
20h45 - Nas manifestações deste domingo, chamava a atenção a mobilização pela autonomia da Polícia Federal. A defesa da autonomia da PF foi feita em discursos de militantes nos caminhões de som de pelo menos dois movimentos, o Vem pra Rua e o Nas Ruas. Leia a reportagem completa aqui.
Manifestantes em São Paulo defenderam a autonomia da Polícia Federal  (Foto: Marcos Coronato/ÉPOCA)
20h39 - Público deixou a Avenida Paulista. Via já está liberada para veículos. 
20h30 - O editor-executivo conversa a partir de agora com o professor do Insper Carlos Melo sobre as manifestações deste domingo. Acompanhe o Facebook Live na página de ÉPOCA
20h10 - Fundador do PT e autor do pedido de impeachment contra Dilma, o advogado Hélio Bicudo foi para a Avenida Paulista neste domingo (13). Aos 94 anos, discursou em cima do carro de som do movimento Vem pra rua e posou para fotos em meio à multidão. Em entrevista a ÉPOCA, ele diz: "Não quero a democracia de fachada que o Brasil tem hoje". Assista ao vídeo aqui.
Hélio Bicudo com manifestantes contra o governo Dilma, na Avenida Paulista (Foto: Thaís Lazzeri)
19h38 - A presidente Dilma Rousseff passou o dia no Palácio da Alvorada, onde conversou com ministros do núcleo duro do governo. No fim da noite, o Palácio do Planalto divulgou nota sobre as manifestações: "A liberdade de manifestação deve ser respeitada". Saiba mais aqui.
19h24 - A manifestação deste domingo (13) é considerada a maior de cunho político que já aconteceu na cidade de São Paulo. O Instituto DataFolha dizque 500 mil pessoas participaram do ato na Avenida Paulista. Segundo a PM, foram 1,4 milhão. Para os organizadores, 2,5 milhões. 
19h18 - Procurada por ÉPOCA para comentar as manifestações deste domingo pelo país, a ex-deputada federal do PSOL Luciana Genro, que foi candidata à Presidência em 2014, enviou somente um link de um comentário seu no Facebook. Na postagem, ela reproduzia uma reportagem sobre os tucanosAécio Neves e Geraldo Alckmin sendo hostilizados na Avenida Paulista, com o comentário: “Parece que o povo está mais na linha ‘que se vayan todos’. Ainda bem! Se a Lava Jato continuar, e for a fundo mesmo, a casta política não para em pé!”. Luciana Genro acrescentou, em seguida: “Não tenho nada a declarar além disso agora”.
Comentário postado na página da ex-deputada federal do PSOL Luciana Genro sobre as manifestações de 13 de março (Foto: reprodução/facebook)
19h14 - Manifestantes usaram a criatividade para ir às ruas neste domingo. Na Avenida Paulista, o "japonês da federal" – conhecido pelas operações da Lava Jato –, chamou a atenção de fãs. Houve fila pra tirar fotos com ele. 
"Japonês da federal" também foi para a Paulista neste 13 de março (Foto: Thais Lazzeri/ÉPOCA)
19h01 - Facebook LIVE: estamos ao vivo a partir de agora com o sociólogo Brasilio Sallum, professor da USP, comentando o significado dos protestos deste domingo. Acompanhe na página de ÉPOCA no Facebook
18h50 - Lollapalooza 2016: quem deixou de ir à manifestação mostra que também tem opinião. Longe da região da Paulista, o festival em SP também virou palco para os protestos contra o governo Dilma. Leia mais aqui
Lollapalooza Pixuleco (Foto: Nina Finco)
18h41 - PMDB considera impeachment de Dilma inevitável. Chefes do partido combinam como acelerar o processo na Câmara. Entenda aqui.
18h04 - Um passeio aéreo pela manifestação de 13 de março na Paulista. O protesto foi marcado para as 15h, mas as pessoas começaram a chegar bem antes. Às 13h, a via em São Paulo já estava tomada. Assista.
Imagens feitas por drone mostram o protesto na Avenida Paulista (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)
17h53 - Porto Alegre tem protestos pró e contra PT. Atos foram pacíficos. Polícia estima 100 mil pessoas em manifestação pelo impeachment de Dilma. Leia aqui.
Manifestantes pró-impeachment em Porto Alegre (Foto: Paula Soprana)
17h34 - Na Paulista, fila para fazer selfie em carro blindado da PM. Policiais posam para fotos, em manifestação sem tumulto.Saiba mais.
17h31 - Em São Paulo, manifestantes abandonam carros no meio da rua. Batalhão de choque da PM precisou interditar ruas nos arredores da Avenida Paulista. Leia mais.
Carros parados em meio a manifestação em São Paulo neste 13 de março (Foto: Época)
17h03 - Ju Isen, a "Musa do Impeachment": "Venho protestar, chamar a atenção da mídia para a falta de oportunidades para todos os brasileiros. Cada vez mais a Dilma e a corja dela estão se sentindo pressionadas."
Ju Isen, "Musa do Impeachment", nas manifestações de 13 de março (Foto: Bruno Ferrari / ÉPOCA)
17h00 - Timelapse: a manifestação de 13 de março em Brasília. Vídeo de um minuto e meio mostra a multidão na manhã deste domingo na capital. Segundo a PM, 100 mil pessoas participaram. Assista.
16h51 - Aécio Neves já deixou manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo. Comitiva do PSDB subiria no caminhão do MBL, o que não aconteceu. Motivo seriam vaias e xingamentos. Saiba mais.
16h24 - O senador José Serra, do PSDB de São Paulo, subiu a Rua Pamplona em direção à Avenida Paulista acompanhado de três seguranças. Ao longo da caminhada, Serra foi aclamado com gritos de “Presidente!” e “Prefeito!”. Também ouviu de alguns: “Finalmente, Serra, o PSDB desceu do muro!”. Chegando na Paulista, o senador optou por não subir no caminhão do Vem pra Rua e ficar no meio da multidão.
Manifestação na Paulista, 13 de março. (Foto: Ricardo Nogueira/ Epoca)
16h23 - "Fico muito feliz em avisar que passamos, com folga, de 1 milhão de pessoas na Paulista. O governo Dilma acabou. Desde 2002 a gente espera esse dia chegar", dizem manifestantes em um carro. Depois eles entoam as marchinhas: "Brasil não é Venezuela, pé na bunda dela" e "Ai que bom seria, se petista entendesse de economia". E mais: "Não é mole, não. Socialista de iPhone e de carrão".
16h22 - Linha verde com velocidade reduzida. Cada veículo fica parado, em média, dez minutos. Com todas as estações até a Avenida Paulista lotadas – e ninguém descendo –, começam as negociações entre quem está dentro do vagão lotado e quem está fora. "Vai a pé, meu amigo. Aqui é o Paraíso", diz um rapaz para uma família, num trocadilho com o nome da estação.
16h13 - Artistas participam dos protestos contra a corrupção. Susana Vieira, Márcio Garcia, Marcelo Serrado, Juliana Paes e Viviane Araújo foram às ruas. Na coluna de Bruno Astuto.
Marcelo Serrado, Márcio Garcia, Susana Vieira e amigos no ônibus que alugaram para ir até Copacabana (Foto: Reprodução Instagram)
15h56 - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, ambos do PSDB, estão na manifestação na Avenida Paulista contra o governo. Alckmin falou com o repórter de ÉPOCA Bruno Ferrari. "É uma surpresa o tamanho da manifestação, o entusiasmo da população, e sem incidentes, uma manifestação pacífica". Confira no vídeo abaixo.
Antes de ir para a Paulista, Aécio publicou no Twitter uma foto com outras lideranças do PSDB e da oposição. 
Aloysio Nunes, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e Paulinho da Força em "vã do PSDB" nas manifestações de 13 de março (Foto: Reprodução / Twitter)
15h47 - A imprensa estrangeira destaca manifestações contra Dilma Rousseff de 13 de março. Os veículos europeus e americanos citam escândalos de corrupção e economia em baixa para justificar 'raiva' com a presidente. Saiba mais.
Wall Street Journal repercute manifestações de 13 de março (Foto: Reprodução)
15h42 - O jurista Hélio Bicudo, autor do pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, também participa dos protestos contra o governo. Bicudo deverá discursar em um dos carros de som dos movimentos pró-impeachment.
O jurista Hélio Bicudo comparece à manifestação contra o governo na Avenida Paulista, em São Paulo (Foto: ÉPOCA)
15h30 - "Processo de impeachment acaba antes de julho", diz Ronaldo Caiado. Antes da manifestação em São Paulo, o senador do DEM disse que o movimento é da sociedade brasileira, não de partidos. Leia mais.
15h30 - Uma manifestante levou, para o protesto na Avenida Paulista, em São Paulo, um cachorro com o focinho pintado de verde e amarelo. 
Manifestante leva cão com focinho pintado de verde e amarelo para a manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo (Foto: Thais Lazzeri/ÉPOCA)
15h25 - No início da tarde deste domingo (13), Marina Silva compartilhou em sua página no Twitter um texto da Rede, seu partido, no qual afirma que as manifestações são um direito garantido pela Constituição. Confira nota completa no EXPRESSO.
15h16 - Em Porto Alegre, ocorre, desde as 12h, o "Coxinhaço". Um grupo pró-governo assa coxinhas. O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, afirma que o protesto é contra "o golpe em curso contra a presidente Dilma". A repórter Paula Sopranainforma, de Porto Alegre.
15h07 - Empresários de marcas de luxo criaram o 'guarda-chuva do impeachment'. Na manifestação na Avenida Paulista, enquanto o editor Bruno Ferrari conversava com o empresário Roberto Miranda, do grupo Basta, a entrevista foi interrompida algumas vezes por pessoas que queriam comprar o item. Mas o produto não está à venda.
Grupo de empresários do Basta, que criou guarda-chuva para manifestações de 13 de março (Foto: Bruno Ferrari / ÉPOCA)
15h02 - A Polícia Militar divulgou números sobre a quantidade de manifestantes nas cidades em que os protestos começaram nesta manhã. Segundo a PM, a manifestação em Brasília reuniu100 mil pessoas. Em Belo Horizonte, o número é de 30 milpessoas. Maceió atraiu 25 mil pessoas e Salvador20 mil. No Rio, até o momento, não há estimativa oficial. Os organizadores no protesto em Copacabana, entretanto, falam que atraíram entre700 mil e 1 milhão de pessoas.
14h58 - Crise? Venda de "pixuleco" é o único negócio que prospera no Brasil, brincam manifestantes. Confira na coluna Expresso.
14h50 - A manifestação na Avenida Paulista está marcada para 15h, mas a aglomeração começou bem antes. O esquenta na Paulista teve samba-enredo, topless e jararaca, segundo relato dos repórteres Bruno Ferrari e Beatriz Morrone.
14h42 - Partido Novo, criado em setembro, aproveita manifestação em São Paulo para buscar apoiadores. A legenda diz ser o primeiro partido completamente liberal do país. O Partido Novo se diz contra "políticos profissionais". "Nomes ilustres já tentaram entrar no Novo, mas nós não deixamos", afirma o médico Paulo Lázaro – um dos membros do partido que, vestido de laranja e com uma prancheta na mão , tentava coletar dados de possíveis apoiadores, conta o repórter Rafael Ciscati.
14h40 - Nota de Dilma Rousseff sai em defesa da UNE, após a sede da entidade em São Paulo ser pichada por vândalos. A presidente não se manifestou ainda sobre os protestos em todo país. 
13h56 - Em frente à sede da Fiesp, na Avenida Paulista, o presidente da federação, Paulo Skaf (PMDB), conversou com jornalistas no início da tarde deste domingo (13): "O PMDB já deveria ter rompido com o governo e retirado todos os seus ministros". Leia o texto de Rafael Ciscati aqui.
13h50 - No início da manifestação na avenida Paulista, em São Paulo, uma mulher desafiou a polícia. Carregando uma garrafa de espumante, ela provocou a equipe de choque da polícia. Jogou a garrafa em direção ao caminhão da polícia. Depois, levantou a blusa e mostrou alguma coisa escrita no corpo, com letras vermelhas. Visivelmente alterada, bateu boca com outros manifestantes presentes. A polícia acabou conduzindo a mulher para um canto, fora do meio da avenida, para evitar maiores confusões.
13h36 - Aproveitando a onda de protestos deste domingo (13), a  Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) espalhou mais de 30 patos infláveis, utilizados na campanha "Não vou pagar o pato", contra a alta carga tributária brasileira.Leia na coluna EXPRESSO.
Pato da "Fiesp"em Belo Horizonte (Foto: Reprodução )
12h57 - Brasília: PM atualiza o número de manifestantes para 100 mil. Houve apenas uma ocorrência de confusão, de uma pessoa que tentou rasgar um cartaz de um manifestante. Devido ao calor, os manifestantes em Brasília começam a se dispersar - o Corpo de Bombeiros foi acionado quando algumas pessoas passaram mal por causa do calor.
12h30 - Um dos carros de som que participam da manifestação no Rio toca a música "Eu te amo, meu Brasil", da dupla Dom e Ravel. No início dos anos 1970 a música se tornou uma espécie de hino do regime militar.
12h26 - A manifestação no Rio ocupa, de forma compacta, oito quarteirões da avenida Atlântica --pouco mais de 1,5 quilômetros-- e, diferentemente da manifestação de 13 de dezembro do ano passado, esta ocupou completamente a segunda pista da orla, próxima aos prédios. A Polícia Militar do Rio informou que não vai divulgar estimativas do número de participantes do ato. Os organizadores da manifestação ainda não informaram quantas pessoas, em sua estimativa, participaram do ato.
12h20 - Sobrou para a jararaca. "Ele [Lula] disse que acertaram o rabo da jararaca. Hoje é dia de acertar a cabeça", diz o padeiro Leci Soares, 38, morador de valparaíso de Goiás, entorno do DF. Ele participa da manifestação em Brasília.
"Hoje é dia de acertar a cabeça", disse, o padeiro Leci Soares com um boneco que faz alusão ao discurso de Lula  (Foto: Filipe Coutinho)
12h16 - O empresário Rodrigo Brasil, de 26 anos, ligado ao movimento Revoltados Online, e o mecânico de carros Rogério Ramos, de34 anos, fazem sucesso na manifestação da Praia de Copacabana com um carro conversível guiado por controle remoto. Os dois desenvolvem o projeto do carro há dois anos e tiveram a ideia de levá-lo para a manifestação há duas semanas. Gastaram R$ 600 para pintar o veículo de amarelo. Durante o ato, um homem  com máscara reproduzindo o rosto do ex-presidente Lula e vestido como presidiário subiu no carro. Rodrigo e Rogério afirmam não saber quem é o homem, que não se identificou.
Manifestação do dia 13 de março no Rio de Janeiro (Foto: ÉPOCA)
12h15 - Silas Malafaia começa a discursar em carro de som emBrasília e manifestação se divide. Parte aplaude, mas há também muitas vaias e gritos de "Fora, Malafaia!" (Ricardo Coleta)
12h10 - No Rio, grupos gritam palavras de ordem variadas: "A nossa bandeira jamais será vermelha", "Pé na bunda dela, aqui é Brasil, não é Venezuela" e "Eu vim de graça". No meio da passeata, um carro conversível amarelo chamava a atenção. Controlado remotamente pelo técnico em mecatrônica Rogério Ramos, tinha como "passageiro", no banco traseiro, um homem vestido como o ex-presidente Lula. "O Brasil anda como esse carro: sem motorista", dizia uma faixa.
Há também paródias de músicas conhecidas. Em um delas, que se tornou conhecida ao ser entoada por torcedores argentinos na Copa do Mundo, os manifestantes cantam: "Petista, me diz como se sente/depois da campanha eleitora/ votou na Dilma/ mas foi enganado no final".
Outra usa o tema do filme "Tropa de Elite", do grupo Tihuana: "Polícia Federal/osso duro de roer/pega um, pega geral/ também vai pegar você/Lula".
Manifestação no Rio (Foto: Macelo Bortoloti/ÉPOCA)
12h08 - Algumas cidades contam com manifestações pró-governo. Em Porto Alegre, militantes do PT se reúnem no Parque Farroupilha por um ato batizado de "coxinhaço". Em Fortaleza, cerca de 300 pessoas defendem Lula no Polo de Lazer da Parangaba.
12h06 - Rio: Ambulante vende bonecos de Dilma Rousseff vestida de presidiária. No início do ato, eram vendidos a R$ 10, mas com a grande procura o preço já subiu para R$ 15.
12h02 - Para reforçar o policiamento nas ruas de Belém, por conta das manifestações, 550 homens da PM estão circulando pelos locais de maiores movimentos. Segundo os organizadores, 10 mil pessoas estão na manifestação que deve ir até o bairro de Umarizal.
12h00 - Manifestações se espalham por várias cidades do país:
Maceió: 6 mil manifestantes, segundo a PM
Juiz de Fora (MG): Mil manifestantes, segundo organizadores
Governador Valadares (MG): Mil manifestantes, segundo a PM
Belo Horizonte:  30 mil pessoas, segundo a PM
11h46 - Em São Bernardo (SP), partidários do PT e apoiadores do ex-presidente Lula se manifestam em defesa do governo. Confira fotos:

GALERIA

"Lula é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo", diz faixa feita por manifestantes em apoio ao ex-presidenteFoto: Agência O Globo
11h40 - PM atualizou de 20 mil para 50 mil o número de manifestantes na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Ainda tem gente chegando na manifestação, enquanto outras pessoas já começam a se dispersar. (Thiago Bronzatto)
11h20 - Só tem uma pessoa que é citada tanto quanto Dilma: Sérgio Moro. O carro de som exalta o juiz da Lava Jato (Filipe Coutinho)
11h15 - PM do Distrito Federal estima que 20 mil manifestantes estão na Esplanada dos Ministérios, em protesto contra o governo Dilma Rousseff. A contagem é feito a partir de imagens feitas de helicópteros e dos prédios ao redor do local. Segundo a PM, há um grande número de pessoas ainda em deslocamento e a estimativa deve ser atualizada em breve. (Ricardo Coleta)
11h10 - Maria Lúcia Bicudo, uma das sete filhas do jurista Hélio Bicudo, fundador do PT e autor do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, discursou neste domingo (13) em Brasília. “Nós, cidadãos brasileiros, vivemos hoje escravizados. Escravizados pela corrupção, pelas mentiras, pelo ultrajante salário mínimo, pelo desemprego, pelos altíssimos impostos e juros escorchantes. Temos o direito e o dever de abolir esse estado de coisas”, disse. Maria Lúcia costuma falar em nome do pai por causa do estado de saúde e da idade dele, 93 anos.Hélio Bicudo já conversou com ÉPOCA sobre o pedido de impeachment.
Maria Lúcia Bicudo, uma das sete filhas do jurista Hélio Bicudo, leu um discurso escrito por seu pai e pela advogada Janaína Conceição Paschoal (Foto: ÉPOCA)
11h00 - Rio: Quatro carros de som puxam palavras de ordem  e músicas –uma delas, “Eu to saudando a mandioca”, uma sátira à fala da presidente em discurso. Um dos carros de som pediu aos manifestantes que se unissem em um minuto de silêncio e depois rezassem um Pai Nosso. De um dos carros de som, o orador pediu também uma salva de palmas para Jesus Cristo. Em seguida, foi tocado o hino nacional, começando a caminhada, lentamente. (Samantha Lima)
10h45 - Enquanto manifestantes favoráveis ao afastamento da presidente Dilma Rousseff  e às ações da Operação Lava Jato se concentravam na avenida Atlântica, na orla de Copacabana, um pequeno avião, daqueles que costumam sobrevoar as praias cariocas com faixas de propaganda, passava sobre a multidão carregando a faixa “Não vai ter golpe”. Até as 10h30, o solitário avião era o único indício dissonante na manifestação.
Manifestação em Copacabana, Rio de Janeiro. Em foco, o "Pixuleco", boneco anti-governo mostrando o ex-presidente Lula vestido de presidiário. Ao fundo, um avião mostra a faixa "Não vai ter golpe", slogan de grupos pró-governo (Foto: Samantha Lima/ÉPOCA)
10h41 - Brasíla: manifestantes levantam as mãos para o alto e começam a rezar o "Pai nosso". (Thiago Bronzatto)
10h30 - No Rio de Janeiro, a manifestação começou as 10h. Quatro carros de som puxam os protestos. Dos quatro, um pede intervenção militar. A repórter Samantha Lima está em Copacabana e envia fotos do protesto.
Manifestação do dia 13 de março no Rio de Janeiro (Foto: ÉPOCA)
Manifestação do dia 13 de março no Rio de Janeiro (Foto: ÉPOCA)
10h06 - A manifestação em Brasília começou às 10h05 com um minuto de silêncio em protesto contra a corrupção. Em seguida, todos cantaram o hino nacional. (Thiago Bronzatto)
10h00 - O repórter de ÉPOCA Thiago Bronzatto, que está emBrasília acompanhando a manifestação, envia as primeiras fotos do protesto na capital federal.
Manifestação do dia 13 de março em Brasília (Foto: ÉPOCA)
Manifestação do dia 13 de março em Brasília. Apoio a Sergio Moro (Foto: ÉPOCA)
Manifestação do dia 13 de março em Brasília. Manifestante vestido de Lula (Foto: ÉPOCA)
09h45 - O fotógrafo Adriano Machado, de ÉPOCA, está publicando no Twitter imagens vídeos da manifestação em Brasília. Acompanhe.
09h30 - Em algumas cidades, como Brasília,  Belém, Rio de Janeiro, Salvador e São Luís, as manifestações começam ainda de manhã, as 10h.
09h10 - Ainda no sábado, a presidente Dilma fez um apelo para que as manifestações não sejam violentas. “Para mim é muito importante a democracia no nosso país. Então, eu acredito que o ato de amanhã deve ser tratado com todo respeito. Não acho que seja cabível, e acho que é um desserviço para o Brasil qualquer ação que constitua provocação, violência e atos de vandalismo de qualquer espécie”, disse Dilma. 
09h00 - Bom dia! Estamos começando a cobertura em tempo real da jornada de protestos contra o governo em todo o país. O clima é de incerteza para a presidente Dilma. No sábado (12), a convenção nacional do PMDB - o maior partido da base aliada do governo - foi marcada pro protestes, incluindo gritos de "fora PT" e fortes críticas da ex-petista Marta Suplicy, que classificou o governo de "corrupto e incompetente". Apesar da pressão, o vice-presidente Michel Temer fez um discurso de união e o PMDB acabou adiando a principal decisão: daqui a 30 dias os peemedebistas decidirão se continuam ou abandonam o governo Dilma. Confira a reportagem completa sobre a convenção do PMDB.
http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2016/03/manifestacoes-de-13-de-marco-em-todo-o-brasil-acompanhe.html

Estatística

AGLOMERAÇÕES HUMANAS


Quando um evento reúne uma multidão, surge logo a estimativa do número de pessoas presentes. Quase sempre, quem promove o evento superestima o público presente, se não existir controle de bilheteria ou de portaria.
A suspeita de números inflacionados fez-me desenvolver estudo da área ocupada por uma pessoa adulta, em formação semelhante à do desenho abaixo:


Verifica-se que cada um ocupa 0,184m² (0,36m x 0,51m). Uma simples divisão da área (em m²) por 0,184 nos indicará o limite da ocupação, em formação militar ou de passeata.
No extremo da compactação, como no desenho a seguir, cada um ocupa 0,070m² (0,18m x 0,39m). Uma simples divisão da área (em m²) por 0,070 nos indicará o limite da ocupação.
A grosso modo, pode-se dizer que, em formação de desfile militar ou de passeata, acomodam-se 6 pessoas por metro quadrado e, em formação compacta (no corredor de um ônibus lotado, por exemplo), 14 pessoas por metro quadrado.



Um estudo de caso
Promotores de uma aglomeração carnavalesca alardeavam que estavam reunindo 20.000 foliões na entrequadra da 203-204 Sul, em Brasília. Fui conferir, com a ajuda de foto de satélite, graças ao Google Earth, que a área tem 2.945m² (veja a ilustração abaixo) e que, totalmente tomada, não suportaria além de 16.000 pessoas (2.945÷0,184). As imagens do evento e as observações "in loco" fizeram-me concluir que em nenhum momento a concentração de público atingiu um quarto disso (4.000 pessoas). É bem verdade que, a julgar pela destruição e sujeira deixadas na área, poder-se-ia imaginar que por ali passou uma horda de cinqüenta mil hunos!
Outro caso a estudar
Organizadores de eventos na Avenida Paulista, em São Paulo, insistem em alardear números milionários de manifestantes, como nos encontros religiosos e nos movimentos ideológicos. Na última Parada Gay, por exemplo (10/06/2007), promotores e imprensa paulistana cravaram 4 milhões de manifestantes. Na Parada do ano passado, conseguiram cravar no Livro Guinness de Recordes o impressionante número de 2,5 milhões de participantes. Ora, a avenida, com seus 117.000 metros quadrados (2.600m de extensão e 45m de largura disponíveis para passeatas), ocupada inteiramente, numa compactação de 6 pessoas por metro quadrado (nunca se viu isso ali), abrangeria 702.000 manifestantes. Para comportar 4 milhões de pessoas, elas teriam de ser imprensadas na avenida à razão de 34 por metro quadrado. Se isso fosse possível (não é), estaríamos diante da maior carnificina da história da humanidade! No limite do suportável – 14 pessoas imóveis, espremidas em cada metro quadrado, em toda a extensão da avenida – teríamos o número assustador de 1,6 milhões de manifestantes. Eu não quereria estar ali no meio, ainda que eu fosse o maior simpatizante do evento no mundo.
Fiquemos com a estimativa generosa que a avenida recebeu, na última Parada Gay, 300 mil manifestantes. E que, na proporção de público registrada pelos próprios organizadores do evento (2,5 milhões em 2006 para 4 milhões em 2007), foram 180 mil os participantes da Parada do ano anterior. Sirvam esses parâmetros também para outros eventos na avenida, ou seja, 270 mil pessoas, no máximo, para cada quilômetro inteiramente tomado. A divulgação de números superiores a isso, pela imprensa paulistana ou pelo Guinness, sem os correspondentes registros fotográficos aéreos que o demonstrem (onde estão as tomadas panorâmicas dos dois eventos em questão?), vai cheirar bairrismo, afago a anunciantes ou interesse de vender livros de recordes. Se a fotografia panorâmica é inviável (não sei por que o seria), o que impediu que algum órgão de imprensa fizesse a medição visual dos limites da ocupação, no auge da festa, extraísse amostra da densidade de concentração por metro quadrado e realizasse a simples conta de multiplicar comprimento x largura x densidade do tapete humano, para cumprir o seu dever de bem informar o público? É irritante quando a imprensa, que devia ser essencialmente informativa, lava as mãos e preguiçosamente proclama: "...na avaliação dos organizadores eram 4 milhões de manifestantes, nas contas de Romário são mil gols...", insinuando que não endossa as informações. Por que os repórteres não vão à luta e não apuram a realidade dos fatos, para bem infomar?
Cinco dias depois que publiquei o texto acima, o "ombudsman" da Folha de S. Paulo lavou a minha alma, publicando a matéria abaixo. É uma pena que o "ombudsman", via de regra, seja solenemente ignorado por seus patrões. Nunca vi conselho de "ombudsman" repercutir na redação do jornal. É mais fácil o "ombudsman" perder o emprego do que a equipe da redação reconhecer erros e mudar linhas editoriais.


A volta do "chutômetro"
É compreensível que organizadores de eventos, como a Parada Gay em São Paulo, batalhem por seus números; o errado é a Folha adotá-los
Mário Magalhães, Ombudsman da Folha, 17/06/07
Antes que a chuva desabasse, no fim da tarde de 18 de setembro de 1992, os animadores do comício pelo impeachment do presidente Fernando Collor alardearam a presença de quase 1 milhão de manifestantes no Anhangabaú.
Para a Polícia Militar, a audiência era de 650 mil. A Folha cravaria a marca de 70 mil, fundamentada em levantamento do Datafolha.
O instituto mapeara o vale, em São Paulo, medira as áreas ocupadas e observara a densidade (de duas a seis pessoas por metro quadrado).
A estimativa de multidões exige rigor, preconiza o "Manual da Redação": "Em evento importante, usar método científico de medição do local, com assessoria do Datafolha".
O jornal desafiou o bom senso ao sustentar, na última segunda, que a Parada Gay mobilizou na capital paulista o equivalente a 50 atos como o do auge dos caras-pintadas.
Junto a uma fotografia mostrando um mar de gente, a primeira página anunciou: "Parada Gay em São Paulo tem público recorde". Complemento: "Segundo cálculos dos organizadores, o evento reuniu 3,5 milhões de participantes".
O Folha deu o crédito para a organização, mas aceitou a conta, ao confirmar o "recorde". Cotidiano abraçou o número: "Parada Gay cresce; diversão e problemas, também". Por que cresceu? Porque em 2006 a avaliação "oficial" foi de 3 milhões.
Leitores apontaram a inconsistência. Na terça, o "Painel do Leitor" publicou carta de Adelpho Ubaldo Longo. Ele considerou a extensão e a largura da av. Paulista, com seis indivíduos por metro quadrado. Resultado: presença máxima de 806.400 pessoas.
Não havia aquela concentração na Paulista. E, na verdade, a parada tomou também a rua da Consolação. Para a Folha, ela se estendeu por 3,2 km. Mas não há como afiançar os 3,5 milhões. Os promotores falam em somar o público circulante e o do entorno do trajeto, mas não empregam método científico. É compreensível que eles batalhem por seus números. O errado é a Folha adotá-los.
O diretor do Datafolha, Mauro Paulino, confirma as conclusões do leitor. Sobre o público total, ele diz: "Só poderia afirmar com certeza se tivesse aplicado o nosso método". As medições do Datafolha foram feitas de 1985 a 2000.
A Redação lembra que creditou aos organizadores a projeção. Diz que o testemunho de repórteres e a comparação de fotos "parecem dar razão a todos que afirmam que o evento de 2007 foi o maior". Ou seja: dispensou o procedimento determinado pelo "Manual". Por que a Folha o abandonou?
Responde a Redação: "Porque os custos de medição são muito altos. [...] Tal investimento só se justifica quando a precisão da estimativa se mostrar indispensável para a avaliação da importância jornalística de determinado evento".
Pois era o caso da parada, de repercussão mundial. O jornal deveria resgatar o Datafolha para medir multidões. Em um texto de 1989, a Folha chamou cálculos alheios de "chutômetro". Hoje pode assegurar que não divulga chutes?



Ainda em São Paulo
Os organizadores da Marcha Para Jesus foram bem menos modestos do que os promotores da Parada Gay: publicaram em sua página oficial que o evento do dia 07/06/2007 (dia de Corpus Christi) reuniu "mais de 6 milhões de pessoas" na Praça dos Heróis da FEB.
Mas foram mais honestos: publicaram fotos aéreas da concentração, como a abaixo, que, confrontada com foto de satélite, mostra uma mancha populacional circunscrita a um retângulo de 185m x 100m, equivalentes a l8.500 metros quadrados. Em uma avaliação superestimada de 6 pessoas por metro quadrado, teríamos ali 111 mil pessoas, no momento da foto. Não havia essa concentração; note-se o grande vazio no canto superior da área delineada. Pode-se afirmar que a aglomeração ali nunca atingiu 100 mil pessoas.
Ora, a área inteira daquele campo tem 30.000 metros quadrados. Se em algum momento ele tivesse sido inteiramente tomado pelos manifestantes (isso não está nas fotos), à razão de 6 pessoas por metro quadrado, isso representaria 180 mil pessoas! Para conter 6 milhões de pessoas na praça, seria necessário espremê-las ali à razão de 200 por metro quadrado! Algo para ser considerado à luz da Teologia, porque no âmbito da Física esbarraríamos no princípio inexorável da impenetrabilidade dos corpos.
Já a Parada Heterossexual...
Segundo os organizadores, reuniu, no vão do MASP, o número "oficial" de 30 manifestantes, neste domingo, 17/06/2007. E a Folha de S. Paulo, na contramão da complacência que demonstrou com a turma da Parada Gay, reporta que ali havia menos de 25 pessoas, num gesto de evidente má-vontade com as minorias. Todavia, temos de concordar com a Folha: a fotografia mostra claramente apenas 10 pessoas no evento, se computado aquele heterossexual enrustido, no segundo plano. Mania dos organizadores de sempre inflacionarem os números em suas passeatas!


E em São Joaquim (SC)...
Como no resto do país, sucede-se a superestimativa de público. Os promotores do evento Natal Família (21/12/2010), no centro da cidade, não se conformam com o levantamento reportado pelo noticioso São Joaquim Online, e insistem na estimativa de 15 mil pessoas na rua, enquanto as fotografias mostram uma aglomeração de 640m² (40x16m), que se estende somente até a esquina do restaurante Tomogaki (2.880 pessoas, à razão de 4,5 por metro quadrado). O público de 15 mil demandaria uma densidade de 6 pessoas por m², desde a praça até a esquina seguinte da quadra do restaurante, em uma aglomeração de 2.500m² (156x16m), coisa que não está nas fotografias:



Enfim uma medição profissional
Finalmente, na Parada Gay de 2012 (10 de junho), depois de cinco anos do puxão de orelhas do seu "ombudsman" (texto anterior, "A volta do chutômetro"), a Folha saiu do seu torpor e colocou sua equipe de reportagens na rua, para realizar "medição de público com caráter científico", a exemplo do que já havia feito no mês anterior, na 28ª Caminhada da Ressurreição. A Folha de S. Paulo publicou o resultado no dia seguinte (11/06/2012): 270 milpessoas, das quais apenas 65 mil teriam feito o percurso inteiro do evento. Eis aí um número sensato: 270 mil. Curiosamente eu mencionava esse mesmo número desde 2007, se a multidão tomasse 1km contínuo da Avenida Paulista, como teria sido o caso da Parada de 2012. Ainda acho muito generoso esse cálculo de 270 mil pessoas (teria de haver uma densidade de 6 pessoas por metro quadrado numa extensão contínua de 1km de avenida – situação que as fotografias não confirmam). Demos, todavia, o benefício da dúvida aos promotores do evento: 270 mil pessoas, em vez da estimativa delirante de 4 ou 5 milhões de pessoas, das quais a metade estaria sendo velada no dia seguinte, no maior sepultamento coletivo da história da humanidade, depois de se haver espremido à razão de100 pessoas por m², num desafio tresloucado e suicida ao princípio da impenetrabilidade dos corpos. A Folha fica nos devendo fotografias aéreas, no auge da festa, para permitir medição física e isenta e acabar de vez com as estimativas fantasiosas difundidas pelos promotores do evento.
Imagine espremer 100 pessoas em um cubículo de 1m²:
Na Parada Gay de 2013 (2 de junho) a Folha de S. Paulo voltou à Avenida Paulista com sua equipe de reportagens, para realizar medição criteriosa de público. Concluiu que foram 220 mil os participantes do desfile. Os organizadores do evento não concordam: proclamaram o número de 5 milhões de foliões! Isso equivaleria a espremer na Av. Paulista, do MASP à Consolação (45.000m²), 111 pessoas por m²! Deslumbramento, loucura ou cinismo!
Já na Parada Gay de 2014 (4 de maio) - que teve como tema "Um país sem homolesbotransfobia" - a Polícia Militar de São Paulo avaliou um público de 80 a 100 mil pessoas. E, surpreendentemente, os organizadores do evento não responderam com uma estimativa de 6 milhões, como seria de se esperar! Estranhamente eles se calaram e não apresentaram qualquer número! Parece que finalmente perceberam o ridículo das superavaliações e a insanidade da insistência na afirmação que eles conseguem espremer mais de 100 pessoas em um cubículo de 1m²!
E na Marcha Para Jesus de 2012 (14 de julho) a Folha voltou com a "medição de público com caráter científico", desmascarando as avaliações mirabolantes de público, proclamadas pelos cardeais do movimento evangélico, do alto dos carros de som. O número fantasioso de seis milhões de pessoas caiu para 335 mil ao longo do dia, 217 mil no momento de maior concentração e 28 mil participantes de todas as atividades da Marcha. Ainda bem. A Folha nos tranqüiliza. Eu ficava imaginando 6 milhões de fiéis correndo ao encontro da fé na Praça dos Heróis da FEB, que tem 30.000m². Espremer 6 milhões de pessoas na praça, à razão de 200 por m², teria sido o segundo morticínio em São Paulo, no espaço de 34 dias, ao lado da catástrofe da Avenida Paulista, se a Parada Gay tivesse tido 5 milhões de participantes! Fiquem os cardeais e os fiéis com sua fé e fiquemos nós com as informações isentas dos profissionais da imprensa. Para acabar de vez com a falsa polêmica, só falta a Folha providenciar, de futuro, uma fotografia aérea, no auge da festa, o que permitiria "contar as cabeças" com uma margem de acerto inquestionável.
Agora imagine espremer 200 pessoas no mesmo cubículo de 1m²:

Curiosidade
Sabendo que é possível espremer 14 pessoas em uma área de 1m², podemos imaginar que é teoricamente possível espremer a população mundial (7 bilhões de pessoas) em um quadrado pouco maior do que a cidade de Brasília, pois 7 bilhões ÷ 14 = 500 milhões de m², equivalentes a um quadrado com 22.360m de lado:

Alguém me perguntou se a população do planeta caberia no estado de Sergipe. A resposta está no item anterior: se a população mundial cabe na cidade de Brasília, muito mais folgadamente cabe no estado de Sergipe, que tem a superfície de 21.910km² = 21,91 bilhões de m². Os 7 bilhões de terráqueos se acomodariam em Sergipe à razão de 0,3195/m², ou pouco menos de 32 para cada 100m², o que significaria uma fileira em que as pessoas estariam a quase 2m de distância uma da outra:

Por ocasião do réveillon de 2013 (31/12/2012) e da visita do Papa Francisco ao Rio (julho/2013) perguntaram-me se a Praia de Copacabana comportaria 2 milhões ou 3 milhões de pessoas. Eu fui medir a extensão das areias de Copacabana e cheguei à área de 480.000m². E a resposta é sim. A área comporta a aglomeração de 3 milhões de pessoas, com uma densidade de pouco mais de 6 pessoas por m² (densidade de passeata). E, se a multidão tomar também as calçadas e o asfalto da orla, poderemos concentrar ali mais de 4 milhões de pessoas, considerando que a avenida inteira tem cerca de 240.000m² (algo próximo de 4.000m de comprimento x 60m de largura). O que perfaz a superfície de 720.000m² e a capacidade de 4.320.000 pessoas, à densidade de 6/m². Observe-se a ilustração do levantamento da superfície da praia e da avenida:

Vê-se pela reportagem da Folha de S. Paulo, que a aglomeração no dia da missa papal (28/07/2013) ocupou do altar (na altura da Av. Princesa Isabel) à Rua Miguel Lemos, numa extensão de cerca de 2.250m (ver na fotografia abaixo). Isso significa cerca de 286.000m² de praia mais 135.000m² de área pavimentada (2.250x60). Cerca de 421.000m², que resultariam 2.526.000 pessoas, à densidade de 6/m² (densidade de passeata). Essa é a grande incógnita: por que o Datafolha afirma que o público ficou no máximo em 1,2 milhão de pessoas? Está o jornal sugerindo que a densidade média da aglomeração não passou de 2,85 pessoas por m²?

Aliás, que conta fez o Datafolha para afirmar que "Em toda a extensão da praia, do Forte de Copacabana ao Leme, mais as vias de acesso, há espaço para no máximo 2,7 milhões de pessoas, considerando-se a concentração máxima de sete pessoas por metro quadrado"? Ora, eu meço e remeço a área da praia (480.000m²) mais a área pavimentada da Av. Atlântica (240.000m²) e chego a 720.000m² e capacidade de 5,04 milhões de pessoas, à razão de sete por m². O Datafolha faz a conta de 385.000m² de área total, para chegar aos 2,7 milhões de pessoas.

Intrigado com a disparidade dos números, eu esquadrinhei a área total, dividi-a em triângulos-retângulos e fiz o cálculo (extenuante - foram 95 triângulos), tomando por base que há exatamente 1km de distância entre as ruas Siqueira Campos e Belfort Roxo. Confirmei o número de 720.000m² (mais precisamente, 726.642,5m²):

A popularização das miniaeronaves radiocontroladas (drones) deve desfazer finalmente a polêmica em torno do público presente nas grandes concentrações. Poderemos ter fotografias aéreas definitivamente esclarecedoras sobre o número de pessoas, com baixíssimo custo e risco, em comparação com o uso de helicópteros ou aeronaves tripuladas. Não haverá mais desculpa para as reportagens omitirem as imagens ilustrativas de grandes eventos:



[ ]* As coordenadas geográficas são particularmente úteis para visualizar, no Google Maps, o mapa ou a imagem de satélite da região focalizada. Basta transpor esses dados para o campo "Search Maps" do programa.
HomeFonte http://ghiorzi.org/aglom.htm

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Raramente assisto TV, e hoje tive o desprazer de entrar no quarto de minha mãe enquanto ela assistia a uma manifestação na Av. Paulista, no momento em que o repórter anunciou que a polícia militar estimava em cerca de 1 milhão o número de pessoas. Pouco depois, revisaram os dados e disseram que alguns falavam em mais de 3 milhões. Mas quantas pessoas havia de fato?
A população inteira da cidade de São Paulo é pouco mais de 10 milhões, entre as quais boa parte são crianças com menos de 10 anos e idosos com mais de 60. Cerca de 5 milhões são adultos saudáveis e ativos. Seria bastante surpreendente se houvesse 2/3 da população inteira concentrada numa avenida. Além disso, quantas pessoas cabem de fato nesta avenida?
Numa estimativa preliminar, contei o número de pessoas alinhadas de um lado ao outro da avenida, numa foto, e depois medi a largura da avenida no Google Earth. Resultado: entre 30 e 40 pessoas de largura, numa avenida com 27 m de largura. Em média, pode-se assumir que houvesse cerca de 35 pessoas em 27 m. O comprimento da Av. paulista, segundo a Wikipedia, é 2700 m, portanto 27 m x 2700 m comportariam 35 x 3500 pessoas, mantendo a mesma densidade média observada no grupo da foto. Isso dá cerca de 120.000 pessoas, muito aquém dos milhões anunciados.
No entanto a orientação das pessoas na rua não é aleatória. A maioria está com o eixo direta-esquerda alinhado com o eixo transversal da rua, e este eixo é maior do que frente-trás, portanto se considerar no sentido longitudinal, a densidade linear de pessoas é maior. Além disso, a largura de 27 m é da rua, mas havia também pessoas nas calçadas. Por outro lado, havia muitas regiões menos ocupadas ou até vazias. Então decidi fazer um estudo mais detalhado do caso.
Pesquisando por agrupamentos de pessoas, encontrei algum material a respeito, com ênfase em um artigo do Dr. Dirk Oberhagemann em que ele faz um estudo detalhado sobre a quantidade de pessoas que podem ser reunidas em determinada área. Ele começa com uma estimativa teórica e depois verifica empiricamente o número de pessoas por unidade de área em fotografias de aglomerações em eventos.
No caso da Copa do Mundo de Futebol de 2006, verifica-se uma densidade média de 3,8 pessoas por metro quadrado. Este cenário é representado pela imagem abaixo:
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Em vagões de metrô de SP ou ônibus, em horário de pico, a densidade entre as pessoas que estão em pé chega a 8,2 pessoas por metro quadrado, mas isso se deve a uma situação peculiar em que as pessoas se espremem como sardinhas, otimizando o aproveitamento do espaço dentro do vagão e alocando cada parte de seu corpo para maximizar o número de pessoas por unidade de área, como na imagem abaixo:
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Mas em condições menos extremas, como em shows de Rock, a densidade máxima pode chegar a 5,5 pessoas por metro quadro, porque as pessoas se encostam e se esfregam umas nas outras.
Num ambiente em que haja um pouco mais de privacidade, em que as pessoas evitem encostar demasiadamente certas partes do corpo nas outras, o limite para pessoas predominantemente paradas é cerca de 3,5 a 4 pessoas por metro quadrado, que é consistente com o número observado na Copa do Mundo. Quando as pessoas estão em movimento, a densidade é inversamente proporcional à velocidade média do movimento.
No caso da manifestação na Paulista, a densidade observada era algo entre 1,5 e 3,5 pessoas por metro quadrado nas partes mais densamente preenchidas, chegando a 4 pessoas por metro quadrado em pequenos focos, mas na maioria das áreas estava com densidade entre 0 e 1,8 pessoas por metro quadrado. Em média, a julgar pelas fotos e vídeos, a densidade na Paulista era cerca de 0,8 a 1,0 pessoas por metro quadrado. A foto abaixo mostra a situação numas das regiões mais densas da Paulista. Compare-se com as fotos na Copa do Mundo, por exemplo:
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Além de haver muitas áreas vazias, mesmo quando se analisa as regiões mais densas, observa-se que há espaço para que as pessoas consigam passar umas entre as outras, além de a massa inteira ter mobilidade e grandes descontinuidades.  
Verifiquei a largura da Paulista em diferentes pontos, e ela tem largura média de 26,6 m desde o início até a esquina depois do metrô Consolação, então ela se alarga para 34,7 m. O comprimento da Paulista é 2.546 m, dos quais em 248 m tem largura 34,7 m e 2.298 m tem largura média 26,6 m. Portanto, no total, tem cerca de 69.700 m2. Se considerar também as calçadas, a largura média da avenida é 47,3 m, portanto a área total é 120.400 m2. A fração desta área ocupada por canteiros, postes, bancas de jornal e outras estruturas que dificultam a ocupação representa cerca de 2% da área total, portanto restam 118.000 m2 que podem ser preenchidos pelos manifestantes. Claro que também os manifestantes poderiam subir nos postes e nos tetos das bancas de jornal, nos canteiros e havia uma pessoa também dentro da água, mas eram exceções e a maior parte das áreas de mais difícil acesso permaneceram desocupadas.
Portanto, considerando a densidade observada nas fotos e vídeos, temos média de 0,9 pessoas por metro quadrado. Então havia, numa estimativa realista, bem fundamentada e razoavelmente acurada, algo entre 90.000 e 120.000 pessoas na Paulista.
Além disso, como a área total da Paulista é de 118.000 m2, mesmo que houvesse a maior concentração teórica possível ao longo da avenida inteira, ou seja, 8,2 pessoas por metro quadrado, todas paradas, se espremendo umas nas outras e ocupando totalmente as ruas e calçadas desde o início até o fim da avenida, uma massa totalmente imobilizada, sem espaço para que pudessem se mover umas entre as outras, caberia 970.000 pessoas. A única maneira de reunir milhões de pessoas na Paulista seria se ficassem em pé umas sobre as cabeças das outras.
Isso nos leva a concluir que a estimativa de 1 milhão de pessoas está completamente equivocada, e a estimativa de 3 milhões é praticamente impossível. 
  
  
Minha interpretação da matéria deste link é a seguinte: a Polícia Militar "chutou" sem critérios adequados. Datafolha calculou e encontrou um resultado consistente com o meu, já que eles consideraram o total de pessoas que compareceram ao evento, enquanto eu considerei o número presente em determinado momento perto do pico de ocupação. A PM, com vergonha de admitir que o número foi chutado, deu a explicação de que considerou adjacências e usou outra metodologia.

Mesmo somando adjacências, não há como alcançar um número muito maior que 100.000 para o número de pessoas presentes no momento de pico. E se o total de pessoas que compareceram ao longo do evento é cerca de 200.000, estas são as mesmas que passaram pelas adjacências e o número total de manifestantes não tem como ter sido muito maior.

O número citado pela Datafolha de 210.000 (com 2 algarismos significativos) quase poderia ser impróprio, porque não se tem muita segurança sequer sobre o primeiro algarismo, quanto menos sobre o segundo. No entanto quando o primeiro algarismo é "1" ou "2", é recomendado considerar também o algarismo seguinte.
 
A incerteza no número de pessoas no pico de ocupação era cerca de 15.000, sendo mais fácil esse cálculo e menos incerto do que o cálculo do número total que compareceu ao longo do evento, porque neste último caso precisaria monitorar continuamente o fluxo de pessoas que chegam e filtrar as redundâncias de pessoas que saem e retornam, para evitar que as mesmas pessoas fossem contadas mais de 1 vez. Duvido que a Datafolha tenha feito isso com a necessária diligência.
 
O número total não deve ter sido muito maior que o número estático no momento de pico, porque a massa tinha pouca mobilidade, e depois que atingiu o pico e começou a diminuir, o número de novos manifestantes que chegava foi cada vez menos expressivo. Além disso, os primeiros que chegaram provavelmente, em sua grande maioria, aguardaram até o momento de pico. Por isso estimo que o total que compareceu seja algo entre 150.000 e 200.000. Gostaria de saber mais detalhes sobre como a Datafolha chegou a 210.000, que me parece acurado e realista, mas esse segundo algarismo significativo me parece mais um "charme". 
Também é importante enfatizar que o repórter que anunciou a estimativa da PM foi bastante claro: "1 milhão de pessoas presentes no momento na Av. Paulista". Não falou de adjacências nem do total que compareceu ao longo do dia. 

http://www.saturnov.com/artigos/364-havia-de-fato-milhoes-de-pessoas-na-manifestacao-na-av-paulista

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HELIO GUROVITZ

Quantas pessoas cabem na Avenida Paulista?

HELIO GUROVITZ
22/03/2015 - 10h01 - Atualizado 22/03/2015 10h01
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Até a semana passada, a Sabesp, companhia de água paulista, informava diariamente o nível do sistema de abastecimento da Cantareira como um percentual sobre o volume útil, de 982 bilhões de litros. Volume útil é a água que fica acima das comportas de captação. Ao longo da seca, esse volume se esgotou e foi acrescido de duas reservas, conhecidas como “volume morto”, um total de 287,5 bilhões de litros de água situados abaixo da linha das comportas, captados por meio de bombas. Em 17 de março de 2014, incluindo essas duas reservas técnicas, havia 435 bilhões de litros ao todo no sistema. Como elas ainda não eram contadas, a Sabesp divulgava ter apenas 147 bilhões de litros, ou 15% do volume útil. Um ano depois, em 16 de março de 2015, havia algo como 150 bilhões de litros, também 15% do volume útil. Em um ano, portanto, São Paulo perdeu quase 300 bilhões de litros de água – mais que as duas reservas somadas, ou quase um terço da capacidade útil. Mas os percentuais divulgados pela Sabesp e repetidos de forma quase automática na imprensa eram os mesmos, os tais 15%. Até que uma ação do Ministério Público levou a Sabesp a divulgar uma comparação mais sensata, embora ainda imperfeita.

Tomemos outro exemplo. Na gigantesca mobilização popular do último dia 15 contra o governo Dilma Rousseff, a Polícia Militar de São Paulo estimou a multidão reunida na região da Avenida Paulista, no auge do protesto, em 1 milhão de pessoas. A Paulista tem aproximadamente 2,8 quilômetros de extensão e uma largura máxima de 47 metros, numa área total de uns 130.000 metros quadrados, incluindo aí canteiros, pontos de ônibus e trechos em obras. Em multidões concentradas, cientistas contam quatro pessoas por metro quadrado – sete equivalem ao aperto do metrô lotado. A PM informou que, para fazer suas contas, considerou cinco, na Paulista e em ruas adjacentes. Se a avenida estivesse realmente abarrotada em toda a sua extensão, como informou a PM, caberiam nela, no máximo, 650 mil. Para chegar ao milhão, seriam necessários ainda, por essas contas, mais 70.000 metros quadrados – ou mais de meia Paulista também abarrotada. A PM se recusou a divulgar as fotos aéreas com base nas quais fez sua estimativa, por isso é difícil avaliá-la. Há trechos mais abertos, gente chega, gente sai, gente anda. Ao levar isso em conta, o Instituto Datafolha calculou a multidão em 210 mil ao longo do protesto, ou 188 mil no auge. Seus critérios, explicados em seu site, deixam claro como é fácil subestimar ou superestimar a massa. Mas dá para engolir uma discrepância tão grande, de 800 mil pessoas?
LIVRO DA SEMANA Analfabetismo em matemática e suas consequências John Allen Paulos  Nova Fronteira 1988 (esgotado) 142 páginas R$ 37  (edição em inglês) (Foto: Divulgação)
Não se trata de condenar este ou aquele órgão por manipular seus números. Muito menos de reduzir a dimensão espetacular das manifestações contra Dilma, que o próprio governo federal reconheceu. A questão central não é política. É matemática. Como aceitamos – nós, a sociedade brasileira – números de tão baixa qualidade? Como podemos tomar decisões se nem questionamos uma diferença absurda, de 800 mil pessoas? Se toleramos mais de um ano de crise hídrica com percentuais que não deixam claro quão perto estivemos do fundo do poço? A resposta é a incidência assustadora, no Brasil, de um mal que os americanos chamam de “innumeracy”, e nós, na falta de tradução melhor, de “analfabetismo em matemática” – a incapacidade de lidar com números, grandezas, estatísticas e raciocínios triviais. Esse é o tema de um pequeno livro publicado em 1988 pelo matemático John Allen Paulos e até hoje atualíssimo, Analfabetismo em matemática e suas consequências.

Cometer erros de ortografia ou gramática é um embaraço, mas ninguém tem vergonha de dizer que “não tem jeito para números” – nem mesmo intelectuais sofisticados, comentaristas renomados, políticos ou presidentes da República. Pois deveriam ter. Não é à toa que nossas discussões sobre economia, água e energia sejam tão pedestres. Não se trata de problema só nosso. Egípcios estimaram a multidão reunida na Praça Tahrir, na Primavera Árabe, em até 34 milhões de pessoas, quando lá não cabem mais de 250 mil. Nem nações ricas como os Estados Unidos escapam. “Fico angustiado com uma sociedade que depende tão completamente de matemática e ciência e, contudo, parece tão indiferente ao analfabetismo matemático ou científico de tantos cidadãos”, escreve Paulos. Por que o analfabetismo em matemática está tão disseminado? Não é culpa do PT, do PSDB, da “mídia” ou do “sistema”. As razões, diz Paulos, são “educação fraca, bloqueios psicológicos e equívocos românticos sobre a natureza da matemática”. Ninguém precisa de doutorado para compreender absurdos como os descritos acima. Basta matemática básica. Como Paulos mostra com dezenas de exemplos didáticos e divertidos, ela é, além de acessível, essencial. 
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/helio-gurovitz/noticia/2015/03/quantas-pessoas-cabem-na-bavenida-paulistab.html