quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Como vamos lidar com o Islamismo?

Como vamos lidar com o Islamismo?

mulher-muçulmanaA Europa vive um clima de tensão constante. A entrada massiva de imigrantes muçulmanos tem levado ao recrudescimento do choque de culturas entre estes e os nativos. E não é só isso. Os atentados terroristas nos últimos anos têm aumentado a xenofobia e o discurso nacionalista de alguns partidos. Esse inclusive foi um motivo apontado por alguns analistas para a saída do Reino Unido da União Europeia. Esses elementos parecem formar o fermento de algo muito desagradável prestes a surgir.
O islã ainda não é um problema para nós, no Brasil, embora seja uma religião que tem crescido no país nos últimos anos. Mas por que deveríamos nos preocupar com o islã mais do que com outros credos ou, não deveríamos nos preocupar apenas com o radicalismo islâmico? Já escrevi outros textos aqui sobre as origens do radicalismo islâmico (confira link ao final) e a questão que pretendo levantar aqui é de outra ordem.
Não há como fazer uma distinção clara entre o radicalismo islâmico e o islã enquanto fé religiosa. É claro que nem todos os muçulmanos são homens-bomba ou terroristas, a questão não é essa. A questão está no fato de que o islã não conhece separação entre vida civil e política e vida religiosa e isso o coloca em posição de confronto com os valores da civilização ocidental.
A doutrina islâmica contém preceitos que regulam toda a vida do fiel: sua conduta em casa, na empresa, na rua, suas convicções políticas, seu modo de vestir, sua percepção sobre outras religiões e outras filosofias de vida, sua forma de se relacionar com outras pessoas, dentro e fora da fé; ela regula as relações entre homens e mulheres, a poligamia, que atitudes devem tomar para com os fiéis de outras religiões, há regras para testamento, cobrança de juros – nada foge à regulação da religião. Além disso, a doutrina islâmica só reconhece a legitimidade de um estado teocrático: suas noções de igualdade, comunidade, participação política estão todas relacionadas a isso.
Então, que riscos a religião islâmica pode oferecer ao Ocidente? Alguns exemplo que podemos mencionar: o Alcorão diz (Sura 2, versículo 228) que as mulheres divorciadas devem observar o prazo de três menstruações e que “seus maridos podem retomá-las de volta se desejarem a reconciliação”. Além disso, o livro afirma a superioridade dos homens sobre as mulheres e recomenda que os maridos podem bater nelas se temerem sua rebelião (Sura 4, versículo 34). O Alcorão também permite a poligamia, desde que o homem tenha condições de sustentar as mulheres (Sura 4, versículo 02). Tudo isso pode vir a representar um problema para mulheres muçulmanas que vivem sob nossa Constituição, uma vez que para permanecerem na comunidade (ummah) e não se tornarem infiéis, devem se submeter a essas leis. Seu silêncio, portanto, torna difícil a punição para casos de violência doméstica. Além disso, homossexuais, descrentes e minorias religiosas sofrem forte discriminação na maior parte do mundo muçulmano. Nossas discussões e avanços em temas como direitos das mulheres e dos homossexuais e liberdade de consciência são estranhos à doutrina islâmica.
Nossas leis civis garantem a liberdade de culto desde que eles não atentem contra a vida. O islã não é a única religião que tem problemas com isso. Outro exemplo são as Testemunhas de Jeová. Sua religião não permite transfusão de sangue. Já houve casos em que juízes ordenaram a transfusão para crianças em risco de morte e que são filhas de testemunhas de Jeová sob o princípio de que o direito à vida está acima da liberdade religiosa.
Em relação ao islã, há muitas questões que precisam ser pontuadas. Algumas delas vêm da perspectiva multiculturalista que considera problemática a imposição de valores ocidentais para outras culturas e grupos minoritários em nossas sociedades. As políticas imperialistas dos séculos XIX e XX e as guerras do Ocidente em países orientais jamais levaram em conta princípios de direito à vida, autonomia, respeito ao outro, etc. Em muitos casos, a religião se tornou um elemento de reforço de uma identidade frente à violência e às políticas desagregadoras dos conquistadores europeus. Essas práticas de sujeição política e moral da alteridade foram muito bem abordadas por autores como Edward Said, Homi Bhabha e Stuart Hall.
Em grande parte, as migrações que hoje vemos para a Europa são resultado desses conflitos e da destruição provocadas por eles no Oriente Médio. Isso tem levado muitos intelectuais ocidentais a adotarem uma posição de cautela antes de tecerem qualquer crítica a formas de violência ligadas ao islã. Nesses casos, uma questão fica sempre no ar: qual o limite entre uma visão de mundo eurocêntrica e ocidentalizante e a construção de uma crítica que possa ser pertinente sobre o islã?
Alguém que pode nos ajudar a pensar isso vem uma sociedade não europeia e não cristã: Ayaan Hirsi Ali. Ayaan é somali, foi criada como muçulmana, saiu ainda jovem de sua terra natal, viveu um tempo na Holanda, onde estudou e hoje mora nos Estados Unidos, onde é professora em Harvard. Antes de ir para a Europa, ela ainda viveu em Meca e foi estudante e professora da doutrina islâmica. Ayaan teve uma vasta experiência como muçulmana, o que lhe dá um importante cabedal para criticar a religião que professou por quase toda a vida. Em uma autobiografia, relatou sua dolorosa trajetória pessoal e intelectual, até o momento em que teve coragem de abandonar sua fé. Ela tem se destacado como uma das vozes mais críticas ao Islamismo, ao termo islamofobia e à intolerância subjacente a essa religião.
Em um de seus livros, Herege: por que o islã precisa de uma reforma imediata (editora Companhia das Letras, 2015), ela começa afirmando que o islã não é uma religião pacífica, não porque transforme todos os seus adeptos em pessoas violentas, o que obviamente não acontece, mas porque sanciona e legitima a violência em nome de Deus, algo que ela chama de uma “licença teológica” para a intolerância e a violência presente nos textos religiosos.
Ela compara o islã hoje com o que fora a religião hebraica na Antiguidade e o Cristianismo na Idade Média e era moderna, contextos em que essas religiões também permitiam a violência em nome de Deus. Ela argumenta como o Ocidente desconstruiu isso através da Reforma, do Iluminismo e outros movimentos, e afirma que o maior desafio para o islã hoje é debater e rejeitar os elementos violentos da religião.
Ayaan identificou pelo menos cinco elementos que tornaram o islã resistente à mudança histórica e à adaptação: (1) a crença na infalibilidade de Maomé; (2) a supervalorização da vida após a morte em detrimento desta; (3) a sharia (lei sagrada) e o hadith (palavra que significa “tradição: são os relatos documentados dos ensinamentos e ações de Maomé não constam no Alcorão); (4) a prática de ordenar o certo e proibir o errado e (5) a jihad. Ela diz enfaticamente que esses princípios devem ser reformados ou descartados, que temos que parar de pensar que o exame crítico do islã é apenas “racista” e deixar bem claro para os muçulmanos que as liberdades democráticas que defendemos no Ocidente não são opcionais.
Depois ela disserta como, ao dividir a humanidade em crentes e descrentes, o islã não deixa espaço cognitivo para outras formas de pensamento, como o agnosticismo, e que qualquer iniciativa para relativizar a fé é considerada um pecado tão grave como assassinato e apostasia. Quando um clérigo defende a separação entre Mesquita e Estado é neutralizado declarado como herege e seus livros tirados de circulação.
Ayaan passa pela história da religião para mostrar como as reformas sempre foram evitadas e que a base disso está na crença de que a geração de Maomé foi a melhor que existiu. Por conseguinte, como todas as gerações posteriores seriam piores, a única mudança possível para o islã seria um retorno aos princípios do século VII, à época do Profeta. Para ela, os movimentos de fermentação política dos últimos anos, como a Primavera Árabe, não eram apenas movimentos contra o despotismo, mas o seu fracasso expressa principalmente a incompatibilidade do islã com a modernidade e que isso não poderá ser mudado enquanto os muçulmanos não aprenderem a ver Maomé como um personagem histórico e seu livro sagrado como livro historicamente construído, um livro humano, ao invés de um manual divino com regras atemporais.
Em uma passagem marcante, ela afirma: “Não é de modo algum convincente pôr a culpa no imperialismo ocidental por essa estagnação; afinal de contas, o mundo islâmico teve seus próprios impérios, o Mughal, o Otomano e o Safávida. Embora não seja de bom-tom mencionar, o fatalismo islâmico é uma explicação mais plausível para a falta de inovação no mundo muçulmano” (p. 129).
A abordagem de Ayaan é importante para qualquer discussão histórica que queiramos levantar sobre o tema. Longe de se limitar a uma perspectiva ocidentalizante, ela levanta questões pertinentes para se pensar a integração dos muçulmanos em nossas sociedades, e terrorismo e a difícil relação do islã com a modernidade. Um ponto na obra a que podemos fazer objeção é sua insistência de que o mundo muçulmano precisa de algo como foi a Reforma Protestante no Ocidente. Talvez essas sociedades não precisem de uma mudança no sentido do protestantismo, mas do Iluminismo. Embora o protestantismo tenha contribuído para o surgimento do pensamento liberal no Ocidente, essa, contudo, foi uma consequência tardia e não planejada da Reforma. Por outro lado, vem do Iluminismo nossos ideais de separação entre Igreja e Estado, direitos individuais e direitos humanos.
O islã ainda não é um problema político para nós e não sabemos se um dia virá a ser. Mas pensar sua doutrina, seus valores, sua história é algo que não podemos nos furtar de fazer.


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Islamismo e intolerância

Islamismo e intolerância

islamDesde os atentados de 11 de Setembro 2001 contra as Torres Gêmeas e o Pentágono, o Islã se tornou um tema permanente nas mídias ocidentais. Muito se falou sobre Al Qaeda, terrorismo, jihad, homens bomba. Os atentados colocaram em evidência o radicalismo islâmico de uma forma até então inédita no Ocidente, mas de forma alguma esse radicalismo era recente.
O fundamentalismo islâmico remonta à fundação da Sociedade dos Irmãos Muçulmanos em 1928, no Egito, uma organização que considera que apenas um Estado Islâmico pautado na sharia (lei sagrada derivada do Alcorão, da Suna e dos hadith – relatos documentados dos ensinamentos e ações de Maomé que não constam no Alcorão e que foram registrados por seus companheiros e familiares) é a única ordem política válida. Além do Egito, essa organização teve importantes ramificações e atuações no Paquistão, na Argélia, no Sudão e no Afeganistão, onde o êxito da resistência contra a ocupação soviética foi essencial para a difusão de suas ações para outros lugares do mundo, incluindo a Europa.  
De vez em quando, alguns eventos contribuem para aumentar as tensões entre o mundo islâmico e o Ocidente, como a declaração de morte proclamada em 1989 pelo Aiatolá Khomeini contra Salman Rushdie pela publicação de “Os Versos Satânicos” e os recentes protestos por um curta-metragem norte-americano que satirizava Maomé, ou a exigência de retratação do ex-papa Bento XVI quando, em discurso, mencionou o uso da violência  para promover conversões por parte de muçulmanos. Esses fatos evidenciam que o Islã não consegue lidar com a crítica, seja interna ou externa, e não há perspectiva de que isso possa mudar.
Mas, afinal, que religião é essa e por que a concórdia parece ser algo tão distante entre os dois hemisférios? Muito já se escreveu acerca das contribuições da civilização islâmica ao mundo ocidental, sua filosofia, suas pesquisas em medicina, alquimia, astronomia e a tolerância religiosa na Península Ibérica sob seu domínio. Mas os episódios das cruzadas e as colonizações dos séculos 19 e 20 alteraram de forma significativa e irreversível esse quadro.
O pioneirismo do Ocidente com a modernidade e os elementos que lhe são intrínsecos (racionalização, desencantamento, autonomização das esferas de valor), magistralmente analisados por Weber, não apenas projetaram a superioridade política e militar da Europa sobre o restante do mundo, como também colocaram as civilizações islâmicas diante do espelho e do dilema entre a adesão à modernidade e o fechamento a ela por meio do fundamentalismo religioso. Ao fracasso resultante da primeira opção seguiu-se o inevitável degringolar à segunda.
Mas, além das vicissitudes históricas, há algo que precisa ser dito. Infelizmente, a imagem criada do Islã de uma religião violenta e intolerante é, não apenas verdadeira, como também se constitui no cerne de sua doutrina. Tomemos como exemplo inicial o Alcorão. Escrito no estilo do Antigo Testamento hebraico, o livro apresenta um Deus da guerra e vingativo, está eivado de juras de maldições a quem não vive de acordo com sua doutrina (genericamente chamados de descrentes), prescreve a lei de talião, incentiva a violência contra mulheres, permite a escravidão e contém ameaças constantes ao fogo eterno.
Não existe princípio de não-resistência no Alcorão: recomenda-se a agressão e a guerra contra aqueles que a praticarem primeiro, considera blasfêmia não reconhecer o livro como sagrado e prescreve sérios castigos para quem criticar Maomé. Descrentes são repetidamente considerados ameaças e colocados na condição de “piores criaturas”. Ameaças ao inferno estão presentes em quase todos os 114 capítulos (suratas) do livro. Questionamentos à doutrina são terminantemente proibidos como pecados graves e passíveis da ira de Deus. O Alcorão é não apenas um manual de regulação da conduta, mas também da vida social e política. O Islã se expandiu pela violência e foi através dela que pôde unificar as tribos beduínas da Península Arábica, depois recrutadas para conquistarem a Síria, a Palestina, o Egito e a Pérsia.
Há episódios da história islâmica sobre os quais há um inexplicável silêncio na historiografia. Um deles é o tema da escravidão africana. Há poucas referências a isso em língua portuguesa. Entre essas está o seguinte comentário de Marc Ferro no livro “A História Vigiada”:
Em terras do Islão, por exemplo, os historiadores, sempre prontos a estabelecer o inventário de todos os delitos e crimes do imperialismo e do colonialismo, omitem o tráfico negreiro organizado pelos árabes durante mais de oito séculos. Tanto que, nas obras aí escritas, não há uma única palavra sobre a grande revolta dos escravos negros no Iraque, por volta de 950. Aliás, na África negra, atualmente, a mão dos historiadores ainda treme quando falam da islamização, do papel dos árabes. […] Assim, pouco se fala desse tráfico que, no entanto, despovoou a África e transformou em eunucos, privando-os de descendência, milhares de cativos arrancados do Sudão, de Gana, e transportados para o Cairo, Bagdá, Isfahan. Segundo B. Lewis, isso e a intensa mortalidade que acompanhou esse tráfico explicam o desaparecimento quase total dos guetos de negros em terras árabes ou persas. Assim, esse martirológio não deixou testemunhas, ao passo que na América, onde sofreram as sevícias conhecidas por todos, esses negros sobreviveram e ainda relatam a lembrança de seu desespero.
Mais adiante, no mesmo livro, falando sobre o filme como agente da história, o renomado historiador francês novamente observa: “Há outros lugares onde o filme constitui uma forma privilegiada de contra-história: a África negra. Ali, a mão dos historiadores treme de medo antes de ousar evocar as perversidades perpetradas não pela colonização, o que é comum, mas pelo Islão e pela escravidão árabe em particular. No entanto, a mão do cineasta Sembene Ousmane não tremeu quando sua câmara assimilou o Islão triunfante do século XVIII a uma espécie particular de totalitarismo, contra o qual lutam e morrem os ceddo [grupo nativo que lutava contra o comércio de escravos]”.
O termo “história vigiada” que intitula o livro de Ferro é um conceito que levanta a questão da importância do silêncio enquanto história. Para ele, os silêncios e lacunas da história são resultado da consciência do poder que reproduz determinada versão do passado. Suas poucas palavras demonstram como a escravidão islâmica foi mais longa e mais terrível do que a europeia. Trata-se de algo que não foi um “acidente histórico” ou práticas isoladas, mas um evento de longa duração a respeito do qual o silêncio e o medo compactuam de forma temerosa nesses países ou mesmo no Ocidente.
Mas a violência islâmica não se resume apenas “aos outros”, mas a seus próprios concidadãos. Esse é o exemplo da teocracia instituída no Irã em 1979.  No livro “Perseguições Religiosas”, James Haught escreveu:
Torturas e execuções se tornaram desenfreadas. Os diplomatas estrangeiros que viviam perto de um centro de detenção em Teerã disseram que suas noites eram atormentadas por gritos insuportáveis e tiros frequentes. Em 1983, a Anistia Internacional, organização mundial de direitos humanos, computou relatos de 5.195  execuções nos quatro primeiros anos do regime religioso. O programa noticioso “60 minutos” relatou que, como a lei islâmica proíbe a execução de virgens, algumas jovens condenadas eram estupradas pelos guardas antes de serem fuziladas. […] A matança mais puramente religiosa foi a execução em massa de baha’is que recusaram se converter ao islã. Grupos, inclusive mulheres e adolescentes, eram enforcados em público. […] O Comitê para Refugiados dos Estados Unidos citou um juiz xiita iraniano que justificou as mortes com base em uma oração do Corão: “Senhor, não deixai sobre a Terra uma única família de infiéis”.
Junto com toda essa matança, o Irã também declarou guerra à sexualidade. As mulheres foram obrigadas a se cobrir tão inteiramente que nenhuma mecha de cabelo aparecesse. Patrulhas da moralidade percorriam as ruas em jipes brancos, prendendo mulheres por estarem “malcobertas” e enviando-as a prisões-acampamento para cursos de reabilitação de três meses. As revistas ocidentais que entravam no Irã iam primeiro para os censores, que cuidadosamente cobriam de preto todas as fotos de mulheres, deixando apenas seus olhos.
O mesmo autor menciona que, inflamados pela revolução iraniana, milícias armadas promoveram atentados e mortes no Egito, Arábia Saudita, Afeganistão, Nigéria e outros países. Outros exemplos poderiam ser mencionados, como as ações militares de grupos radicais na Argélia, no Sudão e no Egito, especialmente a partir da década de 1980, contra aqueles que não seguem os princípios da lei islâmica, ou contra estrangeiros ou minorias de outras religiões. Obviamente, a violência e a intolerância não são apanágio do Islã, existindo também em outras religiões ou mesmo em sociedades seculares. Mas os dados mencionados pelo autor acima mostram, por exemplo, que em apenas quatro anos de regime teocrático o número de vítimas foi maior do que os da ditadura militar brasileira em duas décadas.
Culpar o Ocidente pelas atrocidades que o Islã comete contra suas próprias populações não parece ser uma atitude sensata. Historicamente o Islã é uma religião beligerante, em que liberdades individuais são privilégios de poucos. Mesmo a tão aclamada “primavera árabe” não conduziu a uma revisão radical dos princípios da lei islâmica nem a considerações sérias sobre a importância da separação entre religião e política. Além dos estupros e outros tipos de violência entre os próprios manifestantes que chocaram o mundo durante aqueles eventos, a “primavera árabe” logo tornou-se outono e evaporou-se nas brumas do radicalismo religioso.
Confrontadas durante séculos com a superioridade econômica e tecnológica ocidental, as sociedades muçulmanas refugiaram-se numa retomada de suas tradições religiosas sob a forma de um radicalismo fundamentalista visceralmente anti-ocidental. Incapazes de separar Estado e religião e de garantir direitos civis e liberdade religiosa, essas sociedades se tornaram nichos de crescimento de grupos terroristas que se apoiam em seu livro sagrado e nas tradições para justificar a perseguição e morte de virtualmente todos os não-muçulmanos. Entre elas, a Turquia permanece como único exemplo de sociedade que conseguiu manter-se laica, mas ao custo da imposição dessa laicidade por meio de várias reviravoltas militares.
Os muçulmanos desejam as tecnologias ocidentais, especialmente mísseis e metralhadoras, mas não os valores das democracias seculares e pluralistas do Ocidente, os quais rechaçam em nome de uma fé excludente e persecutória. O Islã não é apenas uma religião, mas uma religião política universalista de feições fascistas que deve representar, neste século 21, a maior ameaça mundial à democracia e às liberdades individuais.
Em 2011, quando a imprensa fez várias reportagens sobre os dez anos do atentado de onze de setembro, o historiador Jaime Pinsky, em entrevista à Record News, falava da necessidade de as sociedades islâmicas separarem religião de política e de que o Islã precisa de um “Iluminismo”. De fato, o Ocidente conseguiu criar mecanismos de regulação do poder e Estados constitucionais que são realizações singulares na história, além das noções de direitos humanos e direitos individuais e de minorias, noções completamente alheias ao Islã.
Embora a transposição desses ideais para algumas nações do Oriente em muitos casos tenha sido dificultada pelo próprio Ocidente, já não é mais por causa das Cruzadas ou do colonialismo que as nações muçulmanas não conseguem modernizar-se, pois no caso do Islamismo, a intolerância religiosa e o uso da violência são incentivadas por seu próprio livro sagrado e por sua lei religiosa, a sharia; por isso não será possível a essas sociedades tornar-se democráticas e garantir direitos civis a minorias sem abandonar muitos princípios de sua religião. E entre suas sociedades há exemplos que, apesar das dificuldades, mostram que é possível fazer reformas políticas nesse sentido. Além da Turquia, já mencionada, Indonésia e Marrocos empreenderam importantes mudanças no sentido de uma democratização.
No entanto, em muitos casos, essa democratização não é impedida apenas pela religião, mas especialmente pelas próprias elites locais que se utilizam de princípios religiosos para se perpetuarem no poder. E como diz o historiador francês Gilles Kepel, é na abertura para o mundo e para a democracia que as sociedades muçulmanas deverão construir seu futuro – embora para algumas, esse futuro ainda pareça muito distante.


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terça-feira, 29 de agosto de 2017

A indústria das multas ! ABSURDO !



Caminhoneiro é multado dirigindo a 396 km/h no Paraná

(Foto: Divulgação) - Caminhoneiro é multado dirigindo a 396 km/h no Paraná
(Foto: Divulgação)
Um caminhoneiro do município de Toledo, no Paraná, levou um grande susto ao receber uma multa que teria levado no centro da cidade. Um radar instalado na Avenida Ministro Cirne Lima multou o seu caminhão, um Ford Cargo 1618. O que chamou a atenção do proprietário é que a medição realizada pelo radar foi de 396 km/h em um trecho em que o limite é 60 km/h. A multa foi registrada no dia 2 deste mês, porém somente nos últimos dias que o proprietário do caminhão recebeu o "presentinho".
O valor da multa é de R$880,00. Além disso são somados 7 pontos na carteira de habilitação e suspensão do direito de dirigir. 
O proprietário do caminhão vai recorrer da multa.




Ligação de neurônios no cérebro pode chegar até 11 dimensões


Ligação de neurônios no cérebro pode chegar até 11 dimensões

Cientistas suíços conseguiram mapear o órgão de maneira mais detalhada para descobrir novidades impressionantes


  (Foto: Pixabay)





Cientistas suíços conseguiram obter uma das mais complexas visões do neocórtex cerebral. O grupo utilizou a técnica matemática da topologia algébrica para conseguir mapear as dimensões do órgão e descobriu que ele é composto por estruturas geométricas que estendem-se em até 11 dimensões diferentes.O neocortex é a parte mais desenvolvida do cérebro, responsável por nossa razão e discernimento.
O objetivo dos pesquisadores da Blue Brain Project é montar uma reconstrução completa do cérebro humano utilizando um supercomputador. Para isso, eles fazem uso da topologia algébrica, uma técnica matemática que permite calcular as propriedades de um objeto ou espaço independente do seu formato.
Segundo os matemáticos, o método consegue discernir os detalhes do sistema neurológico cerebral ao mesmo tempo em que é capaz de capturá-lo em sua totalidade.  "Nós encontramos um grande número e variedade de conexões diretas entre neurônios e cavidades entre eles, algo que nunca foi visto antes em redes neurológicas, tanto biológicas quanto artificiais", explicou a equipe em artigo publicado no periódico Frontiers of Computational Neuroscience.
Acredita-se que no interior do cérebro exista uma média de 86 bilhões de neurônios, todos com múltiplas ligações entre si. Foi observando a complexidade dessas ligações que os pesquisadores notaram a variedade de dimensões e formas geométricas formadas por eles.
De acordo com os cientistas, as associações neurais podem formar desde hastes (figura em uma dimensão) a pranchas (duas dimensões), cubos (três dimensões), caminhando para figuras cada vez mais complexas em quatro, cinco e até onze dimensões.
Apesar da conquista, os neurologistas explicam que ainda há muito trabalho pela frente. É preciso entender a correlação entre essas conexões e as tarefas cognitivas realizadas pelo cérebro, além do processo por trás da formação dessas formas tão complexas.
(com informações de ScienceAlert)

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Entenda por que a CEEE corre risco de entrar em colapso

Entenda por que a CEEE corre risco de entrar em colapso

Responsável por distribuir energia a um terço do Rio Grande do Sul, a CEEE-D tem dívidas que superam seu patrimônio em R$ 1,3 bilhão


Por: Caio Cigana
27/08/2017 - 22h00min | Atualizada em 27/08/2017 - 22h00min
Entenda por que a CEEE corre risco de entrar em colapso Félix Zucco/Agencia RBS
CEEE-D encerrou o segundo trimestre com prejuízo de R$ 215 milhõesFoto: Félix Zucco / Agencia RBS 
O grupo CEEE é dividido em duas empresas: a CEEE-D, que cuida da distribuição da energia, ou seja, é responsável por levar energia até o consumidor final, e a CEEE-GT, que tem a incumbência de gerar a eletricidade nas usinas e depois transportá-la por meio de linhas de transmissão. Embora distribua luz para cerca de um terço da população do Rio Grande do Sul (incluindo Porto Alegre, Litoral e regiões Metropolitana, Sul e Campanha), a CEEE-D tem a situação financeira mais problemática. 
No segundo trimestre, a empresa registrou prejuízo de R$ 215 milhões. No semestre, ficou R$ 92 milhões no vermelho. O passivo da empresa é R$ 1,3 bilhão superior ao seu patrimônio. Em melhor situação, a CEEE-GT lucrou R$ 51,8 milhões entre abril e junho. Nos seis primeiros meses do ano, R$ 109 milhões.
Diante dessa situação complicada, a CEEE-D corre o risco de ter o direito de vender energia retirado pela Aneel. A concessão é o único ativo valioso da empresa. A possibilidade de perda se deve a regras estabelecidas em 2015 pelo governo federal que condicionam a continuidade do direito ao equilíbrio financeiro das distribuidoras e índices mínimos de qualidade do serviço. Do ponto de vista financeiro, as empresas não podem fechar dois anos seguidos no vermelho em uma conta que inclui geração de caixa positiva (entre receitas e despesas operacionais), investimentos mínimos exigidos no contrato de concessão e pagamento dos juros da dívida.
Quanto vale a CEEE?
Ainda não está pronto um levantamento contratado pela companhia para avaliar seu valor. A intenção inicial era de que o trabalho fosse concluído neste mês.
Por enquanto, foi feito o cálculo apenas para as sociedades de propósito específico (SPEs) da CEEE-GT, como usinas e linhas de transmissão. Um dos problemas é o alto endividamento do grupo, de cerca de R$ 3 bilhões.
Sem consenso para solução
A CEEE-D, que tem o maior número de funcionários, é o foco de maior tensão. As correntes contrárias à privatização da empresa avaliam que a salvação da distribuidora estaria na CEEE-GT, com a vendas das SPEs. Assim, o dinheiro seria jogado na distribuidora.
A lógica de sacrificar a CEEE-GT para manter a CEEE-D seria manter a concessão. Ou seja, continuar com o direito de distribuir energia a um terço do Estado por mais 29 anos. Para o governo, no entanto, a manobra seria apenas um paliativo porque não resolveria os problemas estruturais da concessionária. 


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