segunda-feira, 6 de novembro de 2017

'Nós fingimos ser muçulmanos para sobreviver': os meninos yazidis obrigados a lutar pelo Estado Islâmico



'Nós fingimos ser muçulmanos para sobreviver': os meninos yazidis obrigados a lutar pelo Estado Islâmico


Mão e silhueta dos dois meninos que fugiram do EI, durante entrevista à BBC
Image captionLevados à força para um acampamento do Estado Islâmico, dois garotos narram como aprenderam a seguir o islã e a matar quem se opõe ao grupo extremista

Essa é uma história de medo, violência e morte, envolvendo o grupo extremista autodenominado "Estado Islâmico" (EI) na Síria e dois garotos forçados a seguir o islã e a matar quem se opõe aos radicais muçulmanos.
"Nos levavam a umas fossas grandes, onde havia corpos de traidores muçulmanos que eram espiões ou usavam drogas. Nos diziam que tínhamos que atirar nos cadáveres para nos acostumar", relata Sabbah.
"Sabia que matavam todo mundo que não fosse muçulmano. Assim, fingi ser muçulmano para sobreviver", emenda Lovant.
Sabbah e Lovant são nomes fictícios, usados para proteger a identidade de dois adolescentes da etnia yazidi do norte do Iraque.
Em agosto de 2014, o EI atacou milhares de yazidis em Sinjar, região do norte do Iraque próxima a uma montanha de mesmo nome, deixando-os sem água e comida num calor insuportável.
A maior parte dos homens adultos foi assassinada. Os mais jovens, por sua vez, foram levados a uma cidade vizinha onde foram separados de suas famílias.
Sabbah e Lovant tinham 14 e 16 anos quando foram sequestrados e treinados para serem "lobinhos do califado", como são conhecidos os recrutas novatos do EI que atuam nas montanhas remotas da Síria.
Os dois narraram a própria história à BBC num centro de refugiados yazidis na Alemanha, onde estão abrigados desde que conseguiram fugir do acampamento jihadista.

"Lavagem cerebral"

Ninguém sabe quantos yazidis foram treinados nesses acampamentos do EI, mas um informe compilado pela Fundação Quilliam, que combate o extremismo, afirma que há centenas de jovens nessa situação, incluindo meninos de 8 anos de idade.
Sabbah e Lovant asseguram que eram parte de um grupo de cerca de 120 crianças. A maioria era da Síria e quase todos muçulmanos, segundo eles.
Diferente do que aconteceu com Sabbah, Lovant e os outros yazidis, muitos dos jovens recrutados foram enviados pelas próprias famílias para serem treinados e fazerem parte da próxima geração de combatentes jihadistas.

Imagem de um vídeo do Estado Islámico com crianças uniformizadas e empunhando armas
Image captionOs relatos de Sabbah e Lovant coincidem com vídeos divulgados pelo EI sobre o recrutamento de menores

Os dias dos recrutas do EI tinham atividades do começo ao fim. Pelas manhãs, recebiam lições religiosas e doutrinamento. Eram forçados a rezar, ler o Corão e a memorizar os textos do EI que eram cobrados em provas de conhecimento.
"Me fizeram uma lavagem cerebral. Os livros eram como magia. Trocam seu pensamento rapidamente, não só o meu, até a mente de um homem mudou", disse Sabbah.
O adolescente confessou que, depois de um ano nas mãos do grupo extremista, quase acreditou na ideologia radical defendida pelo EI. "Se eu tivesse ficado ali mais um mês, teria me convertido em um deles".
Os yazidis praticam uma religião de mais de 4 mil anos, que reúne elementos do zoroastrismo, judaísmo, cristianismo e islã. O EI os considera devotos do diabo.
Por isso, Sabbah e Lovant preferiram fingir ser muçulmanos para não serem mortos.

Mulheres e crianças yazidis sentadas no chãoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionEstima-se que cerca de 3.500 mulheres e crianças da etinia yazidis estejam nas mãos do Estado Islâmico

Treinamento rigoroso

Além do doutrinamento, tinham treinamento físico, realizados nos meses de calor intenso do verão. "O chão era muito quente e nos ensinavam a caminhar sobre ele para nos acostumarmos com isso nos preparando para a guerra", explicou Sabbah.
Também descreveu a cultura do medo, que dominava o acampamento. Os jovens recrutas eram forçados a atuarem como guardas noturnos. Os sequestradores puniam os que dormiam jogando neles água fria ou distribuindo golpes com um bastão de madeira.
A arma precisava ficar no ombro durante todo o tempo, até mesmo quando iam ao banheiro. Esquecê-la ou deixá-la cair era motivo para apanhar.
Os treinamentos de tiros, por sua vez, eram praticados contra cadáveres de homens executados por serem supostos traidores do EI.

Niños yazidíes en el refugio de Dohuk, IrakDireito de imagemAP
Image captionEnquanto yazidis são forçados a serem soldados do Estado Islâmico, algumas famílias sírias optam por mandar os filhos para os acampamentos militares do EI

Os recrutas eram forçados também a assistir vídeos sobre a guerra, com cenas explícitas de violência.
"Não nos atrevíamos a negar. Tínhamos muito medo", disse Sabbah, que diz sentir muita falta de casa. Ele emenda que a saudade apertava toda vez que via os garotos sírios indo para passar os finais de semana com a família. "Ficávamos muito chateados. Em momentos como esses, morríamos dez vezes".

A fuga

Lovant conta que, no início, Sabbah não queria escapar do acampamento mas conseguiu convencer o amigo que era um risco que deveriam correr.
"Sabia que era perigoso, mas não havia nada o que temer", avaliou Lovant. "Tínhamos visto a morte com nossos próprios olhos. Vimos como matavam. Quando você perde sua família, quando perde tudo já não tem nada. Não tínhamos nada a perder".
A BBC não pode revelar os detalhes da fuga por uma questão de segurança. Em resumo, Lovan conseguiu secretamente entrar em contato com uma terceira pessoa que, por sua vez, coordenou com um traficante de pessoas o resgate dos dois garotos num lugar específico.
Esse traficante levou Lovant e Sabbah de carro para a cidade de Raqqa, onde eles ficaram uns dias antes de dar início a um tenso trajeto até a fronteira.
Sabbah recorda o momento em que os dois abandonaram o território sírio e entraram no Iraque. "Dançamos na rua para comemorar. Fico feliz que meu amigo me convenceu a fugir, agora ele é como um irmão para mim", diz Sabbah.

O pesadelo yazidi

O relato dos dois garotos coincide com um vídeo publicado recentemente pelo EI, no qual duas crianças da etinia yazidi realizam um ataque suicida contra as forças iraquianas em Mosul.
Um informe diz que os garotos do vídeo têm 11 e 12 anos e foram capturados em Sinjar em 2014. As imagens mostram esses dois soldados falando que abandonaram a antiga religião. "Em Sinjar, adorávamos o satanás", dizem os meninos.
Antes do ataque, o vídeo mostra os dois jurando lealdade ao EI. Em seguida, eles entram em veículos carregados de explosivos.

Crianças yazidis em Baden-Wurttemberg, Alemania
Image captionSabbah e Lovant estão refugiados em Baden-Wurttemberg, na Alemanha, num centro que abriga 80 yazidis

Atualmente, Sabbah e Lovant estão refugiados em Baden-Wurttemberg, na Alemanha, longe do perigo de serem capturados novamente. Eles estão num albergue que abriga 80 yazidis.
Muitos dos que estão na Alemanha são mulheres e crianças que não sabem o destino de seus maridos e pais. Enquanto os meninos foram forçados a lutar pelo EI, as mulheres foram transformadas em escravas sexuais.
Apesar de se sentirem mais seguros, os que estão no albergue na Alemanha vivem atormentados pela incerteza sobre o destino de cerca de 3,5 mil mulheres e crianças yazidis que estariam sob o domínio do Estado Islâmico. 
FONTE http://www.bbc.com/portuguese/internacional-39216275

Paulo Freire e o assassinato do conhecimento

Paulo Freire e o assassinato do conhecimento

Paulo Freire. Filósofo, pedagogo, e educador, considerado o patrono da educação em nosso país, possui títulos de honoris causa em faculdades tarimbadas no mundo, como Oxford, Cambridge e Harvard, onde foi professor convidado. Sua teoria de educação é muito propagada no Brasil e os resultados do desenvolvimento educacional do Brasil não são dos melhores. Mas […]
PAULOFREIREPaulo Freire. Filósofo, pedagogo, e educador, considerado o patrono da educação em nosso país, possui títulos de honoris causa em faculdades tarimbadas no mundo, como Oxford, Cambridge e Harvard, onde foi professor convidado. Sua teoria de educação é muito propagada no Brasil e os resultados do desenvolvimento educacional do Brasil não são dos melhores. Mas por que a educação brasileira tem a ver com a teoria de Freire?
Paulo Freire era adepto da teoria marxista e a sua aplicação na educação, implantando a luta de classes no ambiente escolar, dizendo que o problema educacional era social, que os menos favorecidos tinham que ser introduzidos na política, com uma das suas teorias mais conhecidas, a Pedagogia da Libertação, onde incorpora-se que não existe educação neutra. Aí está uma das origens da nossa já conhecida doutrinação marxista nas escolas e universidades, que em vez de formar cidadãos e profissionais para o crescimento do país, forma soldados dispostos a defender com unhas e dentes o marxismo no meio acadêmico.
Na sua principal obra, Pedagogia do Oprimido, Freire exalta a teoria da Ação Antidialógica, onde centra-se a “ação dos dominadores”, que preferem manter a divisão, para poder continuar a opressão e manter a manipulação, deixando as classes menos favorecidas fracas e facilmente manipuladas. Nada mais que a luta de classes proposta pelo alemão Karl Marx, só que com outras palavras.
Paulo Freire participou da última grande reforma educacional brasileira, ocorrida em 1996 durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Tal reforma deu origem à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, cujos resultados estão aí para todos nós vermos. Nossa educação continua atrasada, doutrinária e fraca.
Contudo, a problemática da educação brasileira não vem de 1996, e sim do fim da década de 1950. Foi a época que as teorias de autores de esquerda ganharam força no Brasil e Paulo Freire estava nesse “pacotão” de autores, onde estavam na lista também Caio Prado Júnior, Nelson Werneck Sodré, Sérgio Buarque de Hollanda, Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro e Maria Yedda Linhares. Em vez de solucionar o problema, o “Método Paulo Freire” só agrava o problema da educação nacional. Além da suspeita de plágio do método, mostrado pelo site Mídia Sem Máscara em artigo escrito pelo historiador David Gueiros Vieira, mostrando que o mesmo foi criado na verdade pelo americano Frank Laubach em 1915.

Enquanto a educação brasileira for baseada no método freireano o resultado continuará sendo o mais desanimador possível, com o nosso país caindo ainda mais no ranking do PISA (Programa internacional de avaliação de alunos) com o desempenho pífio de nossos alunos, que em vez de priorizada uma educação formativa de fato e neutra, tem aulas de marxismo que corrompem a mente de nossas crianças e adolescentes em prol da revolução cultural e silenciosa que o italiano Antonio Gramsci propunha. Paulo Freire tem uma grande colaboração nesse resultado triste para o futuro de nosso país. Precisamos urgentemente de mais mentes pensantes no futuro para ajudar no crescimento de nosso país, não de mais soldados socialistas.

domingo, 5 de novembro de 2017

Com ascensão de paganismo nórdico, número de adoradores de Thor duplica na Islândia

Com ascensão de paganismo nórdico, número de adoradores de Thor duplica na Islândia


Procissão Asatru próxima a ReykjavikDireito de imagemWIKIMEDIA
Image captionPara representante mais conhecido do grupo, cerimônias coloridas atraem seguidores

Nos últimos anos, a Islândia tem registrado um aumento significativo no número de seguidores de um movimento pagão chamado Associação Asatru. Trata-se hoje da religião que mais cresce no país.
Segundo estatísticas do governo, a igreja Luterana continua sendo a dominante no país, com 237.938 fiéis - o equivalente a 70% da população, um número que se mantém estável há décadas.
Mas o número de islandeses que reverenciam Odin, Thor e a deusa Freyja teve um aumento de 50% desde 2014, chegando a 3.583 fiéis, o dobro em relação ao período anterior àquele ano, segundo o jornal local Morgunbladid.
Estatísticas do governo islandês indicam que havia apenas 879 fiéis em 2005.
A maior autoridade da Associação Asatru é o compositor Hilmar Orn Hilmarsson, que é conhecido no exterior pelo seu trabalho com bandas como a Sigur Rós.
De acordo ele, o aumento do número de seguidores tem a ver com a cobertura midiática das coloridas cerimônias da Asatru. "Mais pessoas estão vendo o que fazemos, e elas gostam disso", diz.
"Não recrutamos membros, apenas encorajamos as pessoas a participarem caso estejam interessadas. Nossas cerimônias são abertas a todos."

Templo pagão

Diferentemente de outras associações neopaganistas em outras partes da Escandinávia, a Asatru é aberta a todos independentemente de cor, sexualidade e gênero e trabalha com outros grupos para promover direitos civis e conscientização ambiental.
A última iniciativa do movimento foi iniciar a construção de um templo na montanha de Oskjuhlid, que fica perto da capital Reykjavik, onde vivem mais de um terço dos islandeses.

HilmarssonDireito de imagemSILKE SCHURACK
Image captionCompositor famoso, Hilmarsson lidera procissão pagã

Hilmarsson diz que o primeiro templo pagão no país em mil anos terá capacidade para 250 pessoas e será usado para realizar casamentos, cerimônias de batismo e funerais.
Construído por meio de doações em um terreno doado pelo governo local de Reykjavik, o templo deve ficar pronto até o começo de 2018. E não há dúvidas de que o líder da Associação garantirá uma intensa cobertura midiática da abertura.

Clandestinidade

O paganismo nórdico era a crença mais comum na Islândia até o ano 1000, quando o país acatou a exigência do Cristianismo de se tornar a religião oficial do país.
Esse acordo evitou uma guerra civil no país e a única condição por parte dos pagãos foi poder praticar sua religião de maneira independente.
Mas uma vez que o Cristianismo foi estabelecido no país, o paganismo acabou oprimido e levado à clandestinidade.
Mesmo assim, a mitologia nórdica foi preservada e a poesias pagãs épicas, mantidas como parte da cultura nacional.
A Asatru é uma religião politeísta com vários deuses e deusas - na Islândia, os mais populares são Thor, o deus dos céus e dos trovões, e Freyja, deusa do amor e da fertilidade. Seus princípios são não autoritários e descentralizados, sem um texto sagrado ou fundador oficial.
Sua filosofia promove a tolerância e liberdades individuais, e as principais celebrações acontecem nos solstícios de verão e de inverno e nos dois equinócios.