segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O PARADOXO DE OLBERS – POR QUE A NOITE É ESCURA?


Resultado de imagem para Universo








O PARADOXO DE OLBERS – POR QUE A NOITE É ESCURA?

por Renato da Silva Oliveira
 
Este texto foi desenvolvido a partir de anotações utilizadas numa palestra proferida por mim na Escola Municipal de Astrofísica de São Paulo, em meados dos anos 80. Procurei não evocar considerações matemáticas na parte principal do texto. Para os interessados, há apêndices com resumos de desenvolvimentos matemáticos que permitem justificar as afirmações do texto principal.
 
olb00A
“E Deus disse:  — Faça-se a luz!
E a luz se fez.
E Deus viu a luz, que era boa;
e Deus separou a luz das trevas.
E Deus chamou a luz de dia e
as trevas de noite.
E a tarde e a manhã foram do 1º dia.”
Gênesis

Olbers2
Heirich Wilhelm Olbers nasceu em 1758 na pequena cidade de Arbergen, na Alemanha.
Seus trabalhos como astrônomo incluem a elaboração de um novo método para a determinação das órbitas de cometas; a descoberta de 6 cometas, um dos quais leva seu nome; vários estudos sobre os planetas e a descoberta de 2 dos maiores asteróides: Palas e Vesta.
Nada mal para um astrônomo de sua época!
Mas o que o tornou mais conhecido não foi a difícil observação dos asteróides ou os sistemáticos estudos dos planetas. Nem a descoberta de cometas ou seu elaborado método para calcular-lhes as órbitas.
O que fez Olbers um nome conhecido até nossos dias entre os astrônomos foi uma singela pergunta que ele fez a si mesmo e para a qual nunca obteve uma resposta satisfatória:
Por quê a noite é escura?
UM UNIVERSO INFINITO E IMUTÁVEL
Nos tempos de Olbers era ideia corrente que o Universo fosse infinito e que fossem também infinitas as estrelas.
Espalhadas de maneira uniforme por todo o espaço, elas permaneceriam estáticas e imutáveis por toda a eternidade.
ViaLactea1
Imagem fotográfica de uma região da Via-Láctea.
Olbers, ao tentar responder a pergunta que se havia feito, percebeu que havia algo errado com essa idealização de Universo.
Se ele fosse infinito e imutável, as noites deveriam ser claras… muito… muito claras!
Infinitamente claras!
E, mais do que isso: Os dias também deveriam ser infinitamente claros!
Através de cálculos muito simples, Olbers concluiu que tanto as noites quanto os dias eram demasiadamente “escuros”.
Em suas tentativas para explicar a enorme discrepância entre seus cálculos e suas observações, Olbers fez várias suposições que, mais tarde se mostraram errôneas.
Por exemplo, ele imaginou que a luz da maioria das estrelas era absorvida por outras estrelas ou por matéria opaca existente entre as estrelas, e que, por isso, não chegava até nós. Isso não resolvia a questão, como chegou a pensar Olbers. Se assim fosse, as estrelas e a matéria opaca estariam recebendo energia luminosa e também iriam se aquecer até irradiarem, elas mesmas, tanta luz quanto estivessem recebendo. E, nesse caso, o céu inteiro deveria ser tão ou mais luminoso que a superfície do Sol!
Parte da Via-Láctea observada através de
um pequeno telescópio.
Havia um mistério muito mais profundo do que Olbers imaginava no fato de as noites e os dias serem tão “escuros”.
O UNIVERSO DE OLBERS
No início do século XIX era comum imaginar o Universo com as 7 características enumeradas abaixo. Nem sempre elas eram explicitadas, mas estavam sempre presentes, implícitas nas conjecturas dos astrônomos da época. Para eles, o Universo:
  • 1. Era INFINITO em extensão;
  • 2. Era ESTÁTICO, sem grandes movimentos em grande escala;
  • 3. Era HOMOGÊNEO, com infinitas estrelas distribuídas uniformemente por todo o espaço;
  • 4. Era ISOTRÓPICO, isto é, suas estrelas tinham brilhos parecidos em todas as regiões e para onde quer que olhássemos, o aspecto geral do Universo seria o mesmo.
  • 5. Era IMUTÁVEL, tendo suas características gerais inalteradas com o passar do tempo;
  • 6. Era EUCLIDIANO, isto é, em todos os lugares a geometria euclidiana seria válida: o Teorema de Pitágoras poderia ser aplicado em qualquer porção do espaço;
  • 7. Era FÍSICO, e não metafísico: as leis da Física valeriam em todo o Universo (e não apenas na Terra) e seriam sempre válidas, em quaisquer circunstâncias.
Mas, se existem infinitas estrelas espalhadas uniformemente pelo espaço, nós, aqui na Terra, deveríamos estar, a cada instante, recebendo a luz de todas elas simultaneamente!
Com esse modelo de Universo em mente, era absolutamente necessária uma oitava e indesejada característica: os dias e as noites deveriam ser infinitamente luminosos.
Como as noites são escuras e os dias são apenas suportavelmente claros, o modelo deveria estar errado.
Herman Bondi, um grande físico do século XX, chamou a essa inconsistência de “Paradoxo de Olbers” e mostrou que, até então, ele ainda não estava completamente solucionado.
É surpreendente como uma pergunta tão “infantil” pôde suscitar tantas outras questões e como a singela observação de que existem as noites e os dias pôde nos dar tantas respostas. Nesta, com em inúmeras outras vezes na história da Ciência, foi muito mais importante fazer a pergunta certa que encontrar a resposta para ela.
Vamos ver o que podemos mudar no modelo de Universo de Olbers para tentar deixá-lo coerente, eliminado o “paradoxo”.
UM UNIVERSO FINITO
Num Universo finito teremos uma quantidade finita de estrelas, de modo que, no máximo, estaríamos recebendo aqui na Terra a luz procedente de todas elas, mas não de infinitas estrelas.
Se supusermos que o Universo é finito, ele terá que ser muito pequeno para explicar a escuridão das noites e a fraca claridade dos dias.
Atualmente, acredita-se que o Universo é finito, mas não tão pequeno a ponto de justificar e explicar completamente o “paradoxo” de Olbers.
UM UNIVERSO (QUASE) VAZIO (NÃO HOMOGÊNEO)
Independentemente de o Universo ser finito ou infinito, se supusermos que a quantidade de estrelas é bem pequena, podemos resolver o “paradoxo”. Entretanto, a quantidade de estrelas teria que ser muito… muito pequena mesmo!
Os modelos de Universo atuais preveem que existam cerca de 10 bilhões de trilhões de estrelas irradiando energia sob forma luminosa. Só com isso, o céu deveria ser bem mais claro do que é.
UM UNIVERSO HIERÁRQUICO (NÃO HOMOGÊNEO)
Se a maioria das estrelas estiverem concentradas numa região do espaço, podemos explicar as noites e os dias. Nesse caso, a homogeneidade do Universo tem que ser abandonada, mas todas as observações já realizadas indicam que o Universo é, efetivamente, homogêneo em larga escala.
UM UNIVERSO CURVO (NÃO EUCLIDIANO)
Mesmo que não consideremos o Teorema de Pitágoras válido e o substituamos por outra regra, de outra geometria, o “paradoxo” não é eliminado. De nada adianta mudar a geometria do espaço.
UM UNIVERSO DINÂMICO (NÃO ESTÁTICO)
Na época de Olbers, a suposição de movimentos globais, em larga escala, no Universo, não implicava na solução do “paradoxo”.
Em 1848, Armand Hippolyte L. Fizeau (1819-1896) aplicou à Óptica os princípios que Christian Doppler (1803-1853) usara na acústica para explicar a mudança na freqüência do som emitido por corpos em movimento. O Efeito Doppler, aplicável ao som, podia ser, então, aplicado à luz.
Usando o Efeito Doppler-Fizeau podemos explicar a escuridão das noites supondo que a maioria das estrelas estão se afastando muito rapidamente de nós, de modo que a energia que elas emitem em nossa direção fica cada vez mais fraca.
UM UNIVERSO DE ESTRELAS ESTRANHAS (NÃO ISOTRÓPICO)
Se supusermos que a grande maioria das estrelas têm brilho muito menor que o do Sol, podemos ajeitar as coisas para que o céu seja escuro como o observamos.
Entretanto, o Sol é considerado pelos físicos com uma estrela típica. Isto é, se pudéssemos determinar as características de todas as estrelas, tirar uma média e fazer uma estrela com as características médias, ela seria muito parecida com o Sol.
Tanto os modelos teóricos quanto as observações indicam que as estrelas não são muito estranhas.
UM UNIVERSO JOVEM (NÃO IMUTÁVEL)
Se todas as estrelas forem muito jovens, pode ser que a luz das que estão mais distantes ainda não tenha chegado até nós.
O “paradoxo” poderia ser resolvido com esta suposição, porém as teorias sobre a evolução das estrelas mostra que a maioria delas é velha o suficiente para que já as vejamos brilhando no céu.
O Universo teria que ser muito mais jovem do que parece ser, com seus 15 bilhões de anos.
UM UNIVERSO METAFÍSICO
Talvez a maneira mais simples e mais eficiente de resolver o “paradoxo” de Olbers seja imaginar que as leis da física têm validade restrita à uma certa porção de espaço e num certo intervalo de tempo.
Qualquer coisa seria possível e natural. Nada seria de estranhar.
Apesar de ser muito mais eficiente, abrangente e completa essa forma de “driblar” o “paradoxo” de Olbers (e todos os demais paradoxos) é descartada pelos cientistas. Ela explica qualquer coisa; está de acordo com todas as observações já realizadas e com todas as que ainda serão feitas. Pena que não possamos tirar proveito dela.
A EXPLICAÇÃO “OFICIAL”
Os modernos modelos de Universo explicam a existência dos dias e das noites a partir de 3 pressupostos:
  • 1. Existe um número finito de estrelas no Universo;
  • 2. As estrelas “vivem” por um tempo limitado, isto é, elas não emitem radiação para sempre;
  • 3. Todo o Universo está se expandindo e a luz da maioria das estrelas sofre uma significativa perda de energia antes de chegar à Terra.
Este último pressuposto parece ser o principal responsável pela escuridão do céu noturno.
A solução para o “paradoxo” de Olbers só foi possível através dos modernos modelos cosmológicos. Entretanto, antes de obter respostas satisfatórias, foi preciso formular as perguntas certas.
Olbers não foi o primeiro a questionar-se sobre a escuridão da noite. Antes dele, vários outros físicos e astrônomos pensaram a respeito desse assunto: Thomas Digges (1576), William Gilbert (1600), Johannes Keppler (1610), Otto von Guericke (por volta de 1640), Edmund Halley (1721), Jean-Philip Loys de Cheseux (1744), e muitos outros.
Às vezes, o limite está bem ali, diante de nós, à nossa frente. Quase tropeçamos nele, mas é preciso saber olhar para poder vê-lo.
APÊNDICES
ESFERA CELESTE
Na Antiguidade, observando o céu, os povos Mesopotâmicos e Gregos imaginaram que a as estrelas se encontravam fixadas numa gigantesca esfera cristalina, a qual denominaram ESFERA CELESTE. Atualmente, apesar de sabermos que as estrelas estão a distâncias diversas de nós, podemos utilizar o conceito de Esfera Celeste dos antigos Gregos com pequenas modificações, tornando-o numa útil ferramenta matemática para representarmos as estrelas no céu.
olb Esfera Celeste
A Esfera Celeste é uma abstração muito simples, mas muito útil.
Assim, podemos definir Esfera Celeste (EC) como sendo uma esfera qualquer, de raio unitário e centro coincidente com o centro da Terra (EC Geocêntrica) ou com o olho do observador (EC Topocêntrica) na qual estão projetados radialmente todos os astros.
Para objetos celestes próximos, como a Lua ou mesmo os planetas, há diferenças significativas entre a EC Geocêntrica e a EC Topocêntrica (paralaxe).
Para as estrelas e demais objetos celestes distantes, ambas se identificam.
O conceito de Esfera Celeste pode ser útil a análise do Paradoxo de Olbers.
FLUXO LUMINOSO DE UMA ESTRELA
Uma estrela qualquer irradia uma certa quantidade E de energia luminosa num determinado intervalo de tempo Δt.
Define-se a Luminosidade (L) da estrela como sendo a razão entre E e Δt. A Luminosidade de uma estrela é, então, a quantidade total de energia irradiada por ela numa unidade de tempo.
olb fluxo-distancia
Define-se o Fluxo Luminoso (φ) de uma estrela a uma determinada distância (d) como sendo a quantidade de radiação que ela emite na unidade de tempo e que atravessa perpendicularmente uma área unitária.
O fluxo luminoso de uma estrela decai, portanto, com o quadrado da distância à estrela.
Se, a uma distância d o fluxo é φ1, a uma distância 2d o fluxo será φ2 = φ1/4, uma vez que a área a ser atravessada aumenta com o quadrado da distância.
Assim, por exemplo, o fluxo na superfície de uma estrela é, simplesmente, a sua luminosidade dividida pela sua área superficial.
A uma dada distância d da estrela, o fluxo φd será a a luminosidade L dividida pela área de uma esfera de raio d, que é a área total 4πd² a ser atravessada pela energia irradiada pela estrela.
DISTRIBUIÇÃO DE ESTRELAS
Num Universo homogêneo, em larga escala, a quantidade de estrelas (Nd) a uma distância d da Terra é proporcional ao quadrado dessa distância.
olb estrelas-distancias1
Assim, podemos imaginar que, se:
  • a uma distância d existe uma camada esférica com N estrelas,
  • a uma distância 2d existe outra camada com 4N estrelas, e
  • a uma distância 3d existe outra camada com 9N estrelas, etc.
olb estrelas-distancias0
FLUXO DE UMA CAMADA DE ESTRELAS E FLUXO TOTAL NA TERRA
Cada camada concêntrica de estrelas irradia uma certa quantidade de radiação em direção à Terra.
O fluxo φ de cada estrela é inversamente proporcional ao quadrado da distância d da camada à Terra.
A quantidade n de estrelas em cada camada é diretamente proporcional ao quadrado dessa mesma distância d.
olb estrelas-distancias2
Supondo que as estrelas, em larga escala, sejam estrelas médias (isto é, assumindo que as características reais das estrelas possam ser substituídas por características médias, de uma estrela média hipotética), podemos assumir suas luminosidades como equivalentes entre si.
olb estrelas-distancias3
Assumindo que o Sol seja uma estrela típica, com características semelhantes à estrela média hipotética, podemos considerar a luminosidade LΘ do Sol como sendo a luminosidade média das estrelas.
Assumindo, ainda, que a distribuição espacial das estrelas seja homogênea, em larga escala, podemos expressa a quantidade de estrelas em cada casca esférica em função da densidade média volumétrica de estrelas no espaço, ρ*.
A partir disso, fica fácil calcular o fluxo total de cada casca esférica de estrelas e o fluxo total de todas as estrelas, de todas as cascas, sobre a Terra.
UNIVERSO FINITO DE RAIO r
O fluxo total ΦT de todas as camadas de estrelas sobre a Terra é dado pela somatória do fluxo de cada camada. Assim, num Universo de raio finito r, o fluxo ΦT é, também, finito e é dado simplesmente pelo produto da luminosidade média das estrelas (luminosidade do Sol, LΘ), pela densidade volumétrica média de estrelas no espaço, e pelo raio r.
OlbersFormula1
ESPAÇO NÃO EUCLIDIANO
Num espaço não euclidiano, o Teorema de Pitágoras original não é válido. A área da casca esférica não é dada por 4.π.r², mas sim por uma outra função A=f(r) que depende do raio r . Assim, as equações para o fluxo luminoso de uma estrela, para o volume de uma casca esférica de estrelas e para a quantidade de estrelas em cada casca têm que ser alteradas para:
OlbersFormula2
Reescrevendo, também, as equações para o fluxo de cada casca e para o fluxo total de todas as estrelas, de todas as cascas, sobre a Terra, vemos que elas não se alteram:
OlbersFormula3
OlbersFormula4
OlbersFormula5
PRINCÍPIO COSMOLÓGICO NÃO VÁLIDO
Se ele for, ao menos, localmente válido (e isso é observado!), então temos uma situação análoga à de um Universo finito de raio r. De qualquer forma, assim a Terra fica numa situação muito singular (Princípio Antrópico)!
EXISTE UM TEMPO UNIVERSAL
Supondo a existência de uma escala de tempo universal, podemos reescrever as equações vistas até aqui como funções do tempo, nessa escala.
OlbersFormula6
Imaginando um instante t0 , inicial, atualmente temos:
OlbersFormula7
OlbersFormula8
Assim, mesmo num Universo de raio r infinito, supondo que a idade do Universo (intervalo entre t0 e tatual) seja muito pequena (muito menor do que, acreditamos, de fato é) podemos ter um fluxo total sobre a Terra finito e compatível com o observado. Entretanto, a idade assumida paro o Universo é muito maior do que a necessária para evitar-se o Paradoxo de Olbers por este caminho.
UNIVERSO NÃO ESTACIONÁRIO (EXISTÊNCIA DE MOVIMENTO UNIVERSAL)
Supondo que todo o Universo seja dotado de movimento de expansão, todas as radiações eletromagnéticas são afetadas de modo a terem sua energia intrínseca reduzida. Supondo que as estrelas irradiem com uma freqüência média ν, a luminosidade média das estrelas pode ser reescrita como:
OlbersFormula9
Na equação acima, h é a constante de Planck.
Se todas as estrelas afastam-se da Terra a grandes velocidades, o desvio Doppler-Fizeau é significativo:
OlbersFormulaA
Nas equações acima, se v é a velocidade de expansão do Universo, o fluxo total sobre a Terra pode ser reescrito como:
OlbersFormulaB
Se ,  OlbersFormulaC  , então pode-se explicar o fluxo total observado e evitar o paradoxo.

FONTE http://www.asterdomus.com.br/asterdomus/o-paradoxo-de-olbers-por-que-a-noite-e-escura/







sábado, 13 de janeiro de 2018

João Amoêdo: “2018 é uma oportunidade única de renovação”




Entrevista | João Amoêdo: “2018 é uma oportunidade única de renovação”



Felipe Moura Brasil entrevistou hoje em nosso estúdio o pré-candidato do Partido Novo à Presidência da República, João Amoêdo. Assista à íntegra:
https://player.vimeo.com/external/250667667.sd.mp4?s=1c438df55e605be8eb5d817f3721dbe73c5650c0&profile_id=164&oauth2_token_id=1014658262


Entrevista | João Amoedo: "2018 é uma oportunidade única de renovação" 43:01


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Uma Aula de História - O Futuro do PT

A história do PT

Fernando_SilvaFernando_Silva Administrator, Moderator
 editado 2:58PM em Religião é veneno Sinalizar
Uma Aula de História - O Futuro do PT

Lúcia Hippólito

"Nascimento" do PT:
O PT nasceu de cesariana, há 29 anos. O pai foi o movimento
sindical, e a mãe, a Igreja Católica, através das Comunidades
Eclesiais de Base.

Outros orgulhosos padrinhos foram os intelectuais, basicamente
paulistas e cariocas, felizes de poder participar do crescimento e um
partido puro, nascido na mais nobre das classes sociais, segundo eles: o
proletariado.

"Crescimento" do PT:
O PT cresceu como criança mimada, manhosa, voluntariosa e
birrenta. Não gostava do capitalismo, preferia o socialismo. Era
revolucionário. Dizia que não queria chegar ao poder, mas denunciar os
erros das elites brasileiras.

O PT lançava e elegia candidatos, mas não "dançava conforme a
música". Não fazia acordos, não participava de coalizões, não
gostava de alianças. Era uma gente pura, ética, que não se misturava
com picaretas.

O PT entrou na juventude como muitos outros jovens: mimado, chato
e brigando com o mundo adulto.

Mas, nos estados, o partido começava a ganhar prefeituras e
governos, fruto de alianças, conversas e conchavos. E assim os petistas
passaram a se relacionar com empresários, empreiteiros, banqueiros.
Tudo muito chique, conforme o figurino.

"Maioridade" do PT:
E m 2002, o PT ingressou finalmente na maioridade. Ganhou a
presidência da República. Para isso, teve que se livrar de antigos
companheiros, amizades problemáticas. Teve que abrir mão de
convicções, amigos de fé, irmãos camaradas.

Pessoas honestas e de princípios se afastam do PT
A primeira desilusão se deu entre intelectuais. Gente da mais
alta estirpe, como Francisco de Oliveira, Leandro Konder e Carlos Nelson
Coutinho se afastou do partido, seguida de um grupo liderado por Plínio
de Arruda Sampaio Junior.

Em seguida, foi a vez da esquerda. A expulsão de Heloisa Helena
em 2004 levou junto Luciana Genro e Chico Alencar, entre outros, que
fundaram o PSOL.

Os militantes ligados à Igreja Católica também começaram a se
afastar, primeiro aqueles ligados ao deputado Chico Alencar e, em seguida,
Frei Betto.

E agora, bem mais recentemente, o senador Flávio Arns, de
fortíssimas ligações familiares com a Igreja Católica.

Ambientalistas, por sua vez, começam a se retirar a partir do
desligamento da senadora Marina Silva do partido.

Quem ficou no PT?
Afinal, quem do grupo fundador ficará no PT? Os sindicalistas.
Por isso é que se diz que o PT está cada vez mais parecido com
o velho PTB de antes de 64.

Controlado pelos pelegos, todos aboletados nos ministérios, nas
diretorias e nos conselhos das estatais, sempre nas proximidades do
presidente da República.

Recebendo polpudos salários, mantendo relações delicadas com o
empresariado. Cavando benefícios para os seus. Aliando-se ao
coronelismo mais arcaico, o novo PT não vai desaparecer, porque está
fortemente enraizado na administração pública dos estados e
municípios. Além do governo federal, naturalmente.

É o triunfo da pelegada.

Lúcia Hippólito

​Lúcia Hippólito é uma jornalista da área política,
econômica e social. Ela é a "decana" dos jornalistas, recentemente
teve sérios problemas de saúde, mas parece que se recuperou.
​Seu trabalho é de total seriedade.
 0  0  0  New

  • Fernando_SilvaFernando_Silva Administrator, Moderator
     editado 3:07PM Sinalizar
    Quadro comparativo:

    Diamantina, Interior de Minas Gerais, 1914
    O jovem 'Juscelino Kubitschek', de 12 anos, ganha seu primeiro
    par de sapatos. Passou fome. Jurou estudar e ser alguém. Com inúmeras
    dificuldades, concluiu o curso de Medicina e se especializou em Paris.
    Como Presidente, modernizou o Brasil.
    Legou um rol impressionante de obras; humilde e obstinado, era
    (E AINDA É) querido por todos.

    Brasília, 2003
    Lula assume a presidência. Arrogante, se vangloria de não haver
    estudado. Acha bobagem falar inglês. 'Tenho diploma da vida', afirma. E
    para ele basta. Meses depois, diz que 'ler é um hábito chato'.
    Quando era 'sindicalista', percebeu que poderia ganhar sem
    estudar e sem trabalhar - sua meta até hoje.

    ===============
    Londres, 1940

    Os bombardeios são diários, e uma invasão aeronaval nazista é
    iminente. O primeiro-ministro W. Churchill pede ao rei George VI que vá
    para o Canadá. Tranqüilo, o rei avisa que não vai.
    Churchill insiste: então que, ao menos, vá a rainha com as
    filhas. Elas não aceitam e a filha entra no exército britânico; como
    'Tenente-Enfermeira', e, sua função é recolher feridos nos
    bombardeios. Hoje ela é a 'Rainha Elizabeth II'.

    Brasília, 2005
    A primeira-dama (que nada faz para justificar o título) Marisa
    Letícia, requer 'cidadania italiana' - e consegue.
    Explica, candidamente, que quer 'um futuro melhor para seus
    filhos'.

    E O FUTURO DOS NOSSOS FILHOS, CIDADÃOS E TRABALHADORES
    BRASILEIROS?

    ================
    Washington, 1974

    A imprensa americana descobre que o presidente Richard Nixon
    está envolvido até o pescoço no caso Watergate. Ele nega, mas jornais
    e o Congresso o encostam contra a parede, e ele acaba confessando.
    Renuncia nesse mesmo ano, pedindo desculpas ao povo.

    Brasília, 2005
    Flagrado no maior escândalo de corrupção da história do
    País, e tentando disfarçar o desvio de dinheiro público em caixa 2,
    Lula é instado a se explicar. Ante as muitas provas, Lula repete o
    'eu não sabia de nada', e ainda acusa a imprensa de persegui-lo.
    Disse que foi 'traído', mas não conta por quem.

    ==================
    Londres, 2001
    O filho mais velho do primeiro-ministro Tony Blair é detido,
    embriagado, pela polícia. Sem saber quem ele é, avisam que
    vão ligar para seu pai buscá-lo. Com medo de envolver o pai
    num escândalo, o adolescente dá um nome falso.
    A polícia descobre e chama Blair,' que vai sozinho à delegacia
    buscar o filho'. Pediu desculpas ao povo pelos erros do filho.

    Brasília, 2005
    O filho mais velho de Lula é descoberto recebendo R$ 5 milhões
    de uma empresa, financiada com dinheiro público. Alega que recebeu a
    fortuna vendendo sua empresa, de fundo de quintal, que não valia nem um
    décimo disso. O pai, raivoso, o defende e diz que não admite que envolvam
    seu 'filhinho nessa sujeira'

    ==================
    Nova Délhi, 2003
    O primeiro-ministro indiano pretende comprar um avião novo para
    suas viagens. Adquire um excelente, brasileiríssimo 'EMB-195', da 'Embraer',
    por US$ 10 milhões.

    Brasília, 2003
    Lula quer um avião novo para a presidência. Fabricado no Brasil
    não serve. Quer um dos caros, de um consórcio franco-alemão.
    Gasta US$ 57 milhões e, AINDA, manda decorar a aeronave de
    luxo nos EUA. 'DO BRASIL NÃO SERVE'.