terça-feira, 13 de março de 2018

A devassidão e o poder dos Bórgia

A devassidão e o poder dos 

Bórgia

Traição, incesto e envenenamento. Entenda como a família 

Bórgia tomou o controle da Igreja com truculência

02:06 PM

Família Bórgia por Dante Gabriel Rossetti

Família Bórgia por Dante Gabriel Rossetti Foto:Wikimedia Commons

MAIS NOTÍCIAS DE


O momento político para os Bórgia era conturbado. Inimigos ameaçavam a soberania da família à frente da Igreja Católica e dos reinos por ela comandados. César Bórgia, espécie de líder da guerrilha papal, colocava em prática uma de suas habilidades preferidas: prender e assassinar adversários. Rodrigo Bórgia, àquela altura o papa Alexandre VI (outro que costumava eliminar quem se opunha ao seu poder), optou por também agir. Prendeu o rival, o cardeal Orsini, nas sombrias, isoladas e precárias masmorras do Castelo de Sant’Angelo, imponente construção erguida às margens do Rio Tibre.
Era para o Sant’Angelo que Alexandre VI se retirava nos momentos introspectivos. Era a partir de lá que começaria a acertar suas contas com Orsini. Deixou o cardeal preso até que definhasse e morresse. Depois, confiscou seus bens, prendeu alguns familiares e despejou outros. Em seguida, mandou César assassinar dois sobrinhos do inimigo. Com isso, a família Bórgia se reafirmava como a grande força daquelas regiões que mais tarde seriam transformadas num único país, a Itália, bem como de outras áreas católicas, como a Espanha e a França. Abençoado, Alexandre VI, o santo homem, o papa, nem sequer se dava ao trabalho limpar o sangue sempre quente que escorria pelas suas mãos antes de se deitar – não para dormir, mas, provavelmente, para se divertir com alguma mulher.

ESPANHA EM ROMA

A família Bórgia chegou ao cargo máximo da Igreja após a Espanha ganhar importância dentro do cenário político e econômico europeu, principalmente por causa das grandes navegações. O papa – um posto, então, essencialmente político – era escolhido de acordo com os interesses das famílias mais poderosas de cada região, e chegara a hora de um espanhol poder jogar conforme os interesses de seus conterrâneos.

O papa Alexandre VI sendo apresentado a São Pedro Wikimedia Commons

Após a morte do papa Nicolau V, o cardeal Afonso Borja, de 76 anos, assumiu como papa Calisto III. “A chegada dos Borja, que passariam a se chamar Bórgia, é a entrada da própria Espanha no Vaticano”, diz Oscar Luiz Brisolara, autor de Sancta Lucrezia dei Cattanei, obra de ficção sobre Lucrécia, peça-chave na família Bórgia.
Calisto III ficou pouco mais de três anos no poder, de 1455 a 1458. Durante o mandato, fortaleceu o nome de sua família nos reinos católicos e, mais importante, colocou parentes em alguns cargos importantes. Entre eles estava seu sobrinho Rodrigo Bórgia, que, aos 27 anos, já era um dos cardeais mais influentes de Roma – ele foi o responsável pela introdução da Inquisição na Espanha em seus tempos de cardeal em Valência, que levou a julgamento mais de 13 mil judeus convertidos entre 1480 e 1492.
“Em uma época em que cada família importante tinha um cardeal, principalmente para negociar impostos e fazer articulações políticas, Calisto III colocou Rodrigo no posto de cardeal e secretário do Estado. Ele fazia a administração financeira, mantinha relações com outros reinos e países e defendia os interesses da Espanha”, afirma Brisolara.

VAGA NO CÉU

A habilidade política de Rodrigo foi fundamental para que Pio II sucedesse seu tio. A Igreja ainda passou pelas mãos de Paulo II, Sisto IV e Inocêncio VIII antes de, finalmente, em 1492, o próprio Rodrigo Bórgia tornar-se o sumo pontífice. No posto, seria um dos principais responsáveis por transformar os Bórgia em uma das famílias mais famosas e temidas de todos os tempos. Como Alexandre VI, intensificou o nepotismo e nomeou familiares para dezenas de cargos próximos e importantes. Agindo como dono de toda a fortuna e propriedades da Igreja Católica, distribuía terras e dinheiro. Para seu filho Pedro (sim, filho, mesmo em uma época em que o celibato já era exigência da Igreja) comprou o ducado de Gandía, na Espanha. Também construiu um enorme palácio repleto de símbolos de ostentação em frente à Santa Sé para que tivesse uma residência à altura de seu poder. Apesar das fontes de receita da Igreja serem diversas e muito rentáveis, logo precisaram ser ampliadas para que seus gastos fossem cobertos. As vendas de indulgências dispararam – jamais foi tão fácil comprar uma vaga no céu.
“Alexandre VI passou a tratar os territórios pontifícios como sendo dos Bórgia, isso causou um choque com outras famílias poderosas. Ele também fez um uso muito grande da simonia, a venda dos cargos eclesiásticos. Nenhum cardeal foi nomeado sem ter comprado o posto. Esse dinheiro ajudava na contratação de exércitos mercenários, usados para incrementar ameaças com poderio militar, algo fundamental para se tecer a diplomacia”, diz Rui Luis Rodrigues, especialista em história moderna.
Antes mesmo de assumir o papado, Rodrigo começou a demonstrar sua força e dar indícios de como seria seu mandato. Durante o conclave que o elegeu, Roma vivia um período de extrema violência – os assassinatos chegavam à casa das centenas. Assim que foi eleito, resolveu dar uma resposta à situação. Mandou identificar os bandidos, ordenou a destruição de suas casas e que fossem enforcados no lugar em que moravam, para ficarem expostos e servir de exemplo para a população. No dia 26 de agosto, quando foi nomeado papa, tinha a cidade em paz e aos seus pés.
O tratamento dado aos assassinos seria muito parecido ao dispensado àqueles que tentavam se opor à família Bórgia. Se alguém se colocasse no meio dos interesses políticos, não havia pudor em matá-lo. Uma das práticas mais comuns era o envenenamento – normalmente uma substância letal colocada na comida ou na bebida do inimigo. Com a desculpa de proteger os cristãos dos muçulmanos, Alexandre VI criou a Santa Liga, um exército do cristianismo, e nomeou Giovani, seu filho mais velho, comandante. César, o rebento mais novo, destinado à vida na Igreja, não gostava do papel que lhe cabia. Após um jantar em família, matou Giovani e se desfez do corpo no Tibre. O pai descobriu que César assassinara o irmão e optou por findar as investigações para que o caso não se transformasse em escândalo. Antes de completar 18 anos, César Bórgia se tornou cardeal, chefe militar, líder das tropas papais – e um frio assassino. Na prática, o braço armado da Igreja virou um instrumento de conquista e intimidação e César despontou como líder sanguinário, que não titubeava em resolver qualquer pendência de maneira sinistra.

LASCÍVIA

A imagem da chamada, da série de quadrinhos de Milo Manara - o mais célebre quadrinista erótico do mundo -, não é por acaso.
Além de Pedro, Giovani e César, Rodrigo Bórgia já era pai de outros quatro filhos que moravam em Roma, de relacionamentos com mulheres diferentes. Para manter as amantes por perto, ordenava que casassem com funcionários da Igreja. Com isso, atenuava os boatos acerca da fama de mulherengo. Como Alexandre VI, manteve durante muito tempo uma relação com Giulia Farnese, amiga de sua filha Lucrécia, com quem começou a se engraçar quando a menina tinha 15 anos – os dois provavelmente tiveram uma filha. Os boatos diziam que o papa mantinha um grande leque de prostitutas à disposição para utilizar junto com os filhos, muitas vezes em orgias sob teto santo. As lascívias poderiam envolver até mesmo Lucrécia, que, num jogo incestuoso, manteria relações sexuais com seu pai e seu irmão César.
O que realmente se prova é como Lucrécia acabou utilizada como fantoche por César e Alexandre VI. Aos 13 anos, a garota foi obrigada a se casar. O marido era Giovanni Sforza, a princípio um aliado da família Bórgia. Logo ele se mostrou uma ameaça. Não demorou e surgiram pressões para que o casamento se encerrasse. Sforza até tentou resistir, mas, após César ameaçá-lo de morte, achou melhor aceitar a decisão. Alexandre VI garantiu que o casamento não havia sido consumado porque Sforza era impotente.
O segundo marido de Lucrécia não teve a mesma sorte. Quando a relação entre a menina e Alfonso de Aragão se tornou politicamente desinteressante, ele foi atacado por quatro homens na escadaria da Basílica de São Pedro. Conseguiu sobreviver, mas não por muito tempo. Enquanto se recuperava, foi estrangulado.

César Bórgia Wikimedia Commons

Todos sabiam que César Bórgia era o mandante do crime. Lucrécia ficou abalada, mas não havia espaço para lamúrias. As alianças e manobras políticas precisavam continuar. Aos 21 anos, a filha mais querida do papa estava indo para o seu terceiro casamento, com Alfonso d’Este, filho do Duque de Ferrara, com quem permaneceria pelo resto da vida.

PONDERAÇÃO

“Acredito que as orgias e os incestos façam parte das lendas que buscam atacar os Bórgia, vindas dos inimigos da família. O papa tinha uma vida sexual sabidamente intensa, e algumas fontes sugerem que César tinha, sim, fixação pela irmã, mas, quando olhamos a trajetória de Lucrécia, é difícil acreditar em incesto”, diz Rodrigues. O especialista da Unicamp faz uma importante ponderação sobre a família Bórgia: “Os valores morais eram outros, temos que ter isso em mente para não cometermos o anacronismo de julgarmos o que aconteceu com os olhos de hoje. Determinadas práticas, como o assassinato e o envenenamento, eram usados por todos os tiranos da região”, afirma Rodrigues. “No caso dos Bórgia, o agravante foi a concentração de poderes seculares e religiosos. Esses fatos, aliados a produções artísticas exageradas, sem pesquisa histórica séria, faz com que o imaginário no entorno da família cresça bastante. Acredito que, se dermos os devidos descontos, eles cometeram, sim, atos condenáveis, mas numa situação em que agir dessa maneira, matar rivais, dar filhas a casamentos de interesse, vender cargos eclesiásticos, não era estranho. Eles não eram uma aberração dentro da realidade do Renascimento.”
Brisolara reforça esse ponto de vista: “Os assassinatos políticos acontecem até hoje”. Com exageros e anacronismos históricos ou não, ironicamente, o veneno, uma das armas dos Bórgia, talvez tenha sido o motivo que os levou à queda. Alexandre VI faleceu em 18 de agosto de 1503, aos 73 anos. Há duas versões: uma defende que ele morreu em decorrência da malária, enquanto outra garante que foi vítima de envenenamento por arsênico. Na ocasião, César estava gravemente doente – há indícios de que o assassino tentou matar pai e filho, que sobreviveu por ser mais jovem. Ao se recuperar, César enfrentou articulações políticas contrárias aos Bórgia. Logo suas cidades foram tomadas e as fontes de renda secaram. César foi preso e levado à Espanha, de onde fugiu e retornou à península italiana. Mas a vida clandestina não duraria muito. Depois de matar inúmeros inimigos, foi assassinado em 1507, aos 31 anos. Foi-se com ele o último resquício do grande poder dos Bórgia dentro da Igreja Católica.
Além de sinônimo de traição, a história da família inspirou as obras do escritor chileno Alejandro Jodorowsky e as ilustrações do desenhista italiano Milo Manara. Entre 2006 e 2010 fizeram os quadrinhos eróticos I Borgia, que dividido em 4 volumes, retratam as histórias e lendas sobre a família Bórgia.

FAMÍLIA DO BARULHO

Rodrigo


 Wikimedia Commons

Rodrigo Bórgia nasceu em 1431, no reino de Aragão, na Espanha. Aos 18 anos foi mandado para a península italiana, onde estudou direito na Universidade de Bolonha. Aos 25, já era vice-chanceler do Vaticano, cargo que lhe rendeu muito dinheiro e onde se manteve até conseguir se eleger papa – na base de compra de votos. Teve provavelmente oito filhos com cinco mulheres diferentes. Como papa, coube a ele dividir as terras da América recém-descoberta entre Portugal e Espanha, por meio da Bula Inter Coetera.

César


 Wikimedia Commons

Para alcançar seus objetivos ou honrar a família, envenenava, assassinava e, se preciso, esquartejava a vítima para que o crime se tornasse mais cruel. Líder do exército de Alexandre VI e apaixonado por soluções bélicas inventivas, teve Leonardo da Vinci como funcionário. Um dos homens mais ricos da península italiana, casou-se com a princesa Charlotte, da França, e recebeu o título de duque de Valentinois. César serviu de inspiração para Nicolau Maquiavel escrever O Príncipe.

Lucrécia


 Wikimedia Commons

Filha de Rodrigo com Giovanna dei Cattanei, suposta dona de uma rede de prostíbulos, Lucrécia inspirou diversas manifestações artísticas. Pinturicchio a retratou como Santa Catarina de Alexandria. Depois de deixar de ser instrumento de manobra política de Alexandre VI e César, viveu com seu último marido e diversos amantes, algo comum às nobres do Renascimento. Lucrécia teve 11 filhos e morreu quando dava à luz o último deles, em 1519, aos 39 anos.

SAIBA MAIS

Alexandre VI – Bórgia, o Papa Sinistro, Volker Reinhardt, 2012
O Príncipe, Nicolau Maquiavel, 2001
Sancta Lucrezia dei Cattanei, Oscar Luiz Brisolara, 2013
Os Borgia, Milo Manara e Alejandro Jodorowsky, 2004-2017 

segunda-feira, 12 de março de 2018

Um dos últimos manuscritos sobre o Mar Morto foi decodificado

Um dos últimos manuscritos sobre o Mar Morto foi decodificado

25/01/2018 - 07H01/ ATUALIZADO 07H0101 / POR REDAÇÃO GALILEU

Grutas de Qumran (Foto: Wikicommus)
Depois de 70 anos intrigando arqueólogos, um dos últimos fragmentos de um dos manuscritos do Mar Morto que ainda não havia sido decodificado foi, finalmente, decifrado.
A conquista é de um grupo de pesquisadores da Universidade de Haifa, em Israel. Eles estudaram o documento ao longo de um ano para recompor e decifrar seus 60 pequenos fragmentos – alguns que mediam menos de um centímetro – que estavam escritos em um código secreto.


Leia mais:
+ Relíquias milenares de Egito e Roma são encontradas no fundo do mar
+ A maior pirâmide do mundo ficou escondida por séculos — e não é egípcia
As análises ao documento misterioso revelaram algumas tradições de uma antiga seita judaica, bem como a edição do documento por um segundo escriba, que decidiu corrigir os erros do primeiro autor do texto.

“O pergaminho foi escrito em códigos mas, na verdade, o conteúdo dele é bem simples e conhecido, não havia razão para ele estar em uma linguagem secreta”, explicou um dos pesquisadores da Universidade de Haifa. “Essa prática em ocultar informações simples com códigos é verificável em outros povos fora de Israel, que criptografavam conhecimentos universais”, escreveram os arqueólogos em artigo.

Ao optar por escrever com o linguajar secreto, o autor queria mostrar que estava familiarizado com o código, porém, essa não era bem a realidade. O documento estava cheio de erros e foram  as edições feitas por um segundo escriba que possibilitaram a descoberta do conteúdo do pergaminho. 

Os misteriosos pergaminhos
Os manuscritos do Mar Morto são documentos que foram encontrados entre as décadas de 1940 e 1950 em mais de dez cavernas remotas conhecidas por Grutas de Qumran, próximas ao Mar Morto e à Cisjordânia.
São cerca de 900 pergaminhos feitos de papiro, pele de animal e cobre que guardam relatos sobre as tradições, histórias e crenças dos Essênios, seita judaica que viveu no deserto há mais de 2.000 anos.
Depois de longa análise por arqueólogos e pesquisadores, os manuscritos foram classificados como cópias intactas da antiga Bíblia hebraica, datando o período do século 4 a.C. O estudo dos textos também levou os pesquisadores a descobrir que os escribas do documento seguiam um calendário desconhecido de 364 dias.

“O calendário lunar, seguido até hoje pelos judeus, requer ação humana: os indivíduos devem olhar para as estrelas e para a Lua e reportar suas observações e outra pessoa, que detém um certo poder, deve decidir o início de um novo mês e chegada de um ano bissexto. Ao contrário dele, ter um calendário de 364 dias seria perfeito, pois, como esse número é divisível por 4 e por 7, as ocasiões especiais acabam sempre caindo no mesmo dia. Isso evita a necessidade, por exemplo, de se decidir quando será o período sabático, como costuma acontecer no uso do calendário lunar”, adicionaram os pesquisadores ao artigo.

Curte o conteúdo da GALILEU? Tem mais de onde ele veio:baixe o app da Globo Mais para ver reportagens exclusivas e ficar por dentro de todas as publicações da Editora Globo. Você também pode assinar a revista, por R$ 4,90 e baixar o app da GALILEU.

terça-feira, 6 de março de 2018

William Waack nega acusação de racismo: “quem julga alguém por uma piada tem problema”


William Waack nega acusação de racismo: “quem julga alguém por uma piada tem problema”


Em entrevista ao “Programa do Porchat” desta segunda-feira, William Waack disse que o diálogo registrado nos bastidores do “Jornal da Globo” não é racista e ironizou o excesso de “caras certinhos” na internet.
“Quem julga alguém ou a vida de alguém por uma piada tem problema”, resumiu.

Petistas tentam reescrever a história. Míriam Leitão chama a atenção para os mestres da arte de mentir e enganar


Petistas tentam reescrever a história. Míriam Leitão chama a atenção para os mestres da arte de mentir e enganar



Única voz sensata no jornalismo da Globo atualmente, a jornalista Míriam Leitão desmascara "Mais uma tentativa de mentir e enganar" da esquerda brasileira, que tem contado com a ajuda da própria Rede Globo, de reescrever a história recente através de uma narrativa completamente falsa, permeada por interesses políticos obscuros.

Contrariando a linha editorial da Globo dos últimos meses, a jornalista lembra que "o buraco no qual caímos foi cavado nas administrações petistas, no segundo governo Lula e no período Dilma".

"Há uma tendência, politicamente motivada, de fomentar uma indignação seletiva. Isso ficou explícito no plenário da Câmara e faz parte do discurso que tenta aproveitar a intensidade da crise e a baixa popularidade do governo para construir uma versão de que os problemas do país surgiram agora. O risco desse raciocínio é que ele pretende pavimentar o caminho do mesmo grupo ao poder, sem que tenha sido precedido por qualquer reconhecimento dos erros cometidos.

Se tiverem sucesso no projeto, repetirão os mesmos equívocos, já que estão terceirizando todas as consequências desastrosas dos próprios atos. Partidos e grupos políticos, como as pessoas, avançam quando reconhecem seus erros e aprendem com eles. O que está em curso é mais uma tentativa de mentir e enganar."

A voz destoante do jornalismo da Globo vem justamente de uma profissional que tinha todas as razões para fazer coro com os socialistas que infestam o grupo de comunicação. Em 1972, quando estava grávida, Míriam Leitão foi presa e torturada física e psicologicamente pelo regime militar no Brasil por ser militante do Partido Comunista do Brasil. Entretanto, a lucidez e a honestidade intelectual da jornalista não permitem que suas afinidades ideológicas do passado contaminem a leitura fidedigna do momento atual vivido no país.

No artigo publicado no O GLOBO deste domingo, a coluna lembra que "os mesmos parlamentares, agora na oposição, não se escandalizaram quando houve uma farra de renúncia fiscal no governo Dilma que até hoje desequilibra as contas públicas brasileiras porque os benefícios foram concedidos por anos. Esses mesmos parlamentares acham que foi normal usar os bancos estatais através das pedaladas fiscais para mascarar despesas em ano eleitoral. O buraco no qual caímos foi cavado nas administrações petistas, no segundo governo Lula e no período Dilma.

A escalada do desemprego começou ao fim de 2014. O país entrou em déficit primário em 2015 por decisões tomadas nos anos anteriores. Estava claro durante a campanha eleitoral de 2014 que o país estava entrando em recessão como resultado dos erros grosseiros da política econômica comandada por Guido Mantega, da invencionice da “Nova Matriz” assinada por Mantega e Nelson Barbosa. E apesar dos sinais avançados de que a conta chegara, Dilma repetia o discurso preparado pelos seus marqueteiros, hoje réus condenados por corrupção, João Santana e Mônica Moura, de que não havia crise.

A estratégia da oposição agora é usar a alta rejeição ao governo Temer e fazer mais um trabalho de manipulação para que o país esqueça o que houve no passado recente. Um artigo na semana passada assinado pelo ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho é o exemplo desse esforço orwelliano de mudar a história recente. Ele passeia pelos pontos da crise, a dívida pública crescente, a recessão, como se fossem estrangeiras a ele. Parte do crescimento da dívida foi provocado pelas transferências extravagantes de meio trilhão de reais para o banco no período em que ele o dirigia.

Os erros passados devem ser registrados para que não se fique com a impressão de que era bom e ficou ruim. O que está em curso é mais uma tentativa de mentir e enganar"

domingo, 4 de março de 2018

Ciro Gomes culpa imprensa por "exacerbação moralista" da sociedade e diz que vai prender manifestantes, se for eleito



Ciro Gomes culpa imprensa por "exacerbação moralista" da sociedade e diz que vai prender manifestantes, se for eleito




O ex-ministro Ciro Gomes voltou a revelar traços de sua personalidade doentia e torpe durante entrevista ao site petista Brasil247, ao afirmar que a indignação da sociedade com a escalada na corrupção patrocinada pelo PT de Lula e Dilma ao longo dos últimos treze anos é uma "exacerbação moralista".

Ciro afirma que a revolta da sociedade com o desvio de bilhões do dinheiro do contribuinte é uma "passionalização" da situação, e atribui a onda de cidadania que varreu o Brasil nos últimos anos ao descuido de setores da imprensa em conter certas informações e chama de "fascistoides" os jornalistas que cobrem os escândalos de corrupção revelados pela Operação Lava Jato, outro alvo de críticas do político.

No mesmo trecho do vídeo abaixo, Ciro demonstra sua intolerância com a democracia e afirma que, caso se eleja presidente, mandará prender manifestantes. Segundo o ex-ministro, as manifestações democráticas tem que ser confrontadas de forma enérgica, e num eventual governo dele, "vai tudo pra cadeia". Companhe as declarações tresloucadas do sujeito cada vez mais estigmatizado por vocalizar bobagens: