quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Física Termodinâmica Entropia

Física Termodinâmica
Entropia

A variação de entalpia não é suficiente para prever a espontaneidade de um processo.
A entropia é uma medida do grau de desordem de um sistema


NOTA DESTE BLOG : VER IMAGENS NA FONTE , http://www.fisica-interessante.com/fisica-termodinamica-entropia.html 

Termodinâmica - Entropia - bagunça
Termodinâmica - Entropia - bagunça
afirmando, ainda que a bagunça só tende a aumentar, como a charge abaixo retrata.
Termodinâmica - Entropia - desordem
Embora divertida, esta associação entre entropia e o sentido de senso comum da palavra 'desordem' pode prejudicar a compreensão do conceito e ao uso incorreto da 2ª Lei da Termodinâmica. Uma relação correta cientificamente mais correta será vista abaixo.

Definição quantitativa de Entropia

A variação de entropia de um processo reversível, em função do calor trocado, Q, e da temperatura, T, do sistema, é calculada como
Termodinâmica - Entropia - definição
No entanto, se o processo for isotérmico, isto é, ocorrer à temperatura constante, sua variação de entropia pode ser calculada por
Termodinâmica - Entropia - temperatura constante
Note que, sendo a temperatura, T, constante, o calor recebido ou dado, Q, vai ser utilizado para alterar a estrutura do sistema, não para aquecer ou resfriar o sistema. 
Por exemplo, no caso do gelo derretendo-se esponteneamente, sabemos que a temperatura se mantém constante e igual à temperatura de fusão do gelo, a qual, em condições ideais, é de 0°C. Com isso, todo o calor fornecido pelo meio ambiente envolvente será utilizado para alterar as ligações entre as moléculas de água no gelo, de forma que elas passem do arranjo mais ordenado e rígido do gelo para a forma mais desordenada e fluída da água.
Termodinâmica - Entropia - gelo derretendo
Observe, também, da equação acima para temperatura constante, que, se o sistema recebe calor, a entropia aumenta, enquanto que se ele fornece calor, sua entropia diminui.

A 2ª Lei da Termodinâmica

Talvez a entropia seja mais conhecida associada à 2ª Lei da Termodinâmica.
Um dos enunciados da 2ª Lei da Termodinâmica, em termos da entropia, a expressa como uma não-conservação: para sistemas fechados, a entropia não pode diminuir. Em termos quantitativos, Termodinâmica - Entropia - 2ª Lei
O sinal de igual aplica-se apenas a processos reversíveis, em equiíbrio.
Se um processo aumenta a entropia do sistema isolado, o processo inverso está vedado, pois levaria a uma diminuição da entropia, o que não é permitido, segundo essa lei. Consequentemente, um processo que aumente a entropia do sistema isolado é irreversível.

Irreversibilidade

Muitos fenômenos da Natureza são irreversíveis: uma pedra solta cai, não sobe; o café quente numa xícara esfria, não esquenta; etc. Os processos inversos só ocorreriam se energia externa fosse fornecida. 
Por outro lado, há processos irreversíveis em que a energia se conservaria: uma extremidade de um garfo poderia se esfriar ao mesmo tempo em que a outra extremidade se esquentasse, as moléculas de ar numa sala poderiam se acumular todas num canto, etc.
Essa direção preferencial da Natureza, como vimos acima, corresponde à 2ª Lei da Termodinâmica.
Sadi-Carnot - cicloIrreversibilidade significa a impossibilidade de um sistema, após ter ido de um estado A para um estado B, retornar ao seu estado inicial A, com seu meio ambiente envoltente também retornado ao seu estado inicial. Geralmente é possível retornar o sistema ao seu estado inicial A, às custas de nova alteração no seu meio ambiente envolvente. Assim funcionam, por exemplo, as máquinas térmicas, tal como vimos na aula A Crise da Ciência no início do século XX.
A irreversibilidade implica numa assimetria temporal do sistema, a existência de uma 'flecha do tempo'.
Termodinâmica - Flecha do tempo

Visão estatística da Entropia

Um sistema termodinâmico é, necessariamente, um sistema com um enorme número de partes, até para poder ser tratado estatisticamente.
Bernoulli - Teoria cinética dos gases
Todas as leis físicas são reversíveis em escala microscópica, para as partes individuais. Porém, uma mudança de estado em tal sistema, como um todo, significa uma mudança muito complicada no arranjo de todas essas partes, a qual inclui uma certa energia necessária para essa transformação, além de ocorrer alguma dissipação de energia em forma de calor, devido a colisões não perfeitamente elásticas e atrito entre as partes. Essa energia dissipada não pode ser recuperada e, portanto, não é possível trazer o sistema de volta à configuração inicial sem que o meio evolvente reponha essa energia.
Ludwig BoltzmannDesta forma, a irreversibilidade está associada à complexidade do sistema. Dito de outra forma, conforme Boltzmann demonstrou, em 1877, a entropia do sistema, S, cresce à medida que cresce o número de arranjos possíveis para os elementos do sistema, W, tal como está gravado em sua lápide
Ludwig Boltzmann - Equação da entropia
Quanto mais arranjos possíveis para os elementos do sistema, menor a probabilidade do sistema retornar espontaneamente ao estado inicial.
Desta forma, como há menos maneiras de ter o sistema 'ordenado' e muito mais maneiras de tê-lo desordenado, a entropia de um sistema num estado ordenado é menor do que a de um sistema desordenado. Esta é a ideia que está por trás do conceito de que Entropia é uma medida da 'bagunça' do sistema.
Jules Henri PoincaréAlém disso, o aumento da complexidade do sistema leva a uma maior sensibilidade do sistema às suas condições iniciais. Como vimos na aula A Revolução da Matemática, Poincaré demonstrou, em 1890, que pequenas perturbações no estado inicial, tais como um ligeira mudança na posição inicial do corpo, levariam a uma mudança radical em seu estado final, tornando impossível predizer a evolução e o estado final do sitema, antecipando a Teoria do Caos.

Entropia de sistemas abertos (neugentropia)

Note que, num sistema aberto, a entropia pode diminuir, 
Termodinâmica - Entropia - sistema_abertodesde que a entropia do meio envolvente aumente mais do que a do sistema diminuiu 
Termodinâmica - Entropia - meio ambientee a soma das duas variações resulte positiva! 
Termodinâmica - Entropia - total
Às vezes, para sistemas abertos, se designa a grandeza neguentropia, que é simplesmente o oposto de entropia, (-S). Esse conceito foi introduzido por Schrödinger, em seu livro What's life? (O que é a vida?), de 1943.
Por exemplo, imagine, nas figura abaixo, uma jazida de minério de ferro 
Termodinâmica - Entropia - jazida
e o próprio minério
Termodinâmica - Entropia - minério
Considere, conforme as figuras seguintes, que o minério é extraído e transformado em lingotes de aço
Termodinâmica - Entropia - lingote
Naturalmente, sua entropia será diminuída no processo
Os lingotes podem ser usados para construir algo ainda mais complexo e organizado, com entropia muito menor, como a Torre Eiffel, por exemplo.
Termodinâmica - Entropia - Torre Eiffel
No entanto, para a extração, o depósito de minério terá que ser muito alterado e sua entropia muito aumentada 
Termodinâmica - Entropia - rejeito
Seguramente, a variação total de entropia do minério mais seu meio ambiente será positiva, de acordo com a 2ª Lei da Termodinâmica.
Na verdade, é praticamente impossível que o Homem atue no seu meio ambiente sem causar um aumento irreversível de entropia. A 2ª Lei da Termodinâmica prevê isso!
Por outro lado, sistemas vivos evoluem para estruturas cada vez mais complexas. Consequentemente, a entropia dos seres vivos diminui! 
Como pode ser isso? 
Tal como no exemplo que vimos acima, como são sistemas abertos, trocando matéria e energia com o meio ambiente em que estão imersos, os seres vivos diminuem sua entropia à custa do aumento da entropia do meio ambiente!
Naturalmente, um ser vivo, quando morre, deixa de reduzir sua entropia; ao contrário, passa a se decompor, tal como os outros sistemas 'normais'.
Por outro lado, se for fechado, impedido de trocar matéria e energia com o seu meio ambiente envolvente, um ser vivo morre!
A compreensão dessa possibilidade de sistemas abertos reduzirem sua entropia à custa do meio envolvente valeu o Prêmio Nobel de Química de 1977 a Prigogine, conforme discutido na aula Complexidade e Transdisciplinaridade.

Entropia da Informação

O conceito de entropia pode ficar mais claro se o relacionarmos com o de entropia da informação.
Informação é um termo que vem sendo usado, a partir da década de 1950, por diferentes autores, significando mensagens, notícias, novidades, dados, conhecimento, literatura, símbolos, signos e, até mesmo, 'dicas' e sugestões. 
A quantidade de informação de uma mensagem é calculada, na Teoria da Informação, como sendo o menor número de bits, unidade de informação introduzida por Shannon (vide abaixo), necessários para conter todos os valores ou significados desta mensagem. Assim, por exemplo, para codificar uma das 23 letras do nosso alfabeto, bastam 4 bits, pois eles podem armazenar 24=32 valores diferentes, enquanto que 8 bits (1 byte) conseguem armazenar os 256 caracteres (28) da codificação ISO 8859-1 de caracteres do alfabeto latino, com seus diacríticos.
Termodinâmica - Informação - ISO 8859-1 (Latin1)
Em 1948, o matemático norte-americano Shannon introduziu o conceito de entropia da informação, a qual quantifica o grau de incerteza de uma informação. Segundo ele, sempre que uma mensagem passa por um canal de comunicação, ela sofre perturbações e chega com ruídos ao receptor. Shannon enxergou aí uma analogia entre os processos onde há perda de informação e os processos que ganham entropia.
Segundo Wiener, 
"a soma de informação em um sistema é a medida de seu grau de organização; a entropia é a medida de seu grau de desorganização; um é o negativo do outro".
Como um exemplo pitoresco, no processo abaixo, inicialmente, antes de se misturarem, teremos, no mínimo três informações:
  1. café quente;
  2. leite, eventualmente gelado;
  3. açúcar, à temperatura ambiente.
Termodinâmica - Entropia da informação
Após a mistura, teremos apenas uma informação: café-com-leite-adoçado-morno.
Com isso, o conceito de informação, isto é, de entropia negativa, pode ser aplicado para exprimir tanto a medida da ordem de um sistema nervoso quanto de um sistema social. Na verdade, a entropia de informação foi estendida às mais diversas áreas de conhecimento, tais como Ciência da Informação, Biologia, Medicina, Ecologia, Economia e Linguística, dentre outras.

Sistemas vivos

As ideias de irreversibilidade e complexidade tem um papel especial quando se referem a sistemas vivos.
Como vimos acima, os seres vivos conseguem diminuir sua entropia por serem sistemas abertos, eliminando-a no meio ambiente. 
No entanto, pode-se pensar como o ser vivo, em sendo aberto, não se desestrutura, não perde sua informação constutiva.
Humberto MaturanaSegundo os biólogos chilenos Humberto Maturana e Francisco Varela, um ser vivo é um sistema autopoiético, isto é, constitui-se numa rede fechada de processos, onde as moléculas produzidas geram a mesma rede de moléculas que as produziu, permitindo que ele, embora sempre mantendo interações com o meio, mantenha-se autônomo e constantemente se autorregulando e se autoproduzindo, no sentido de que seus elementos são produzidos a partir dessa mesma rede de interação circular e recursiva. Como vimos na aula Complexidade e Transdisciplinaridade, sistemas complexos podem manifestar uma auto-organização auto-referencial, 'emergindo' do sistema como um todo. 

Humor

Existem várias versões humorísticas das Leis da Termodinâmica. Uma delas, atribuída ao escritor e cientista inglês Charles Percy Snow, é a seguinte: 
  1. Você tem que entrar no jogo; 
  2. Você não consegue ganhar;
  3. Você não consegue empatar;
  4. Você não consegue parar de jogar.

Veja aqui minha aula sobre A crise da Ciência no inicio do século XX.
Veja aqui minha aula sobre Complexidade e Transdisciplinaridade.


Citar esta página:
dos SANTOS, Renato P. Física Termodinâmica - Entropia. In Física Interessante. 17 Nov. 2014. Disponível em: <http://www.fisica-interessante.com/fisica-termodinamica-entropia.html>. Acesso em: 05 de set. 2018. 


FONTE http://www.fisica-interessante.com/fisica-termodinamica-entropia.html

terça-feira, 31 de julho de 2018

0 efeito placebo

o efeito placebo

Efeito placebo é o efeito mensurável ou observável sobre uma pessoa ou grupo, ao qual tenha sido dado um tratamento placebo.
Um placebo é uma substância inerte, ou cirurgia ou terapia "de mentira", usada como controle em uma experiência, ou dada a um paciente pelo seu possível ou provável efeito benéfico. O por quê de uma substância inerte, uma assim chamada "pílula de açúcar," ou falsa cirurgia ou terapia fazerem efeito, não está completamente esclarecido.
a teoria psicológica: está tudo na sua cabeça
Muitos acreditam que o efeito placebo seja psicológico, devido a um efeito real causado pela crença ou por uma ilusão subjetiva. Se eu acreditar que a pílula ajuda, ela vai ajudar. Ou a minha condição física não muda, mas eu sinto que ela mudou. Por exemplo, Irving Kirsch, um psicólogo da Universidade de Connecticut, acredita que a eficácia do Prozac e drogas similares pode ser atribuída quase que inteiramente ao efeito placebo.
Em um estudo publicado [em junho de 1999], Kirsch e... Guy Sapirstein... analisaram 19 testes clínicos de antidepressivos e concluíram que a expectativa de melhora, e não ajustes na química do cérebro, foram responsáveis por 75 por cento da eficácia das drogas.*
"O fator crítico," afirma Kirsch, "são nossas crenças a respeito do que irá acontecer conosco. Você não precisa confiar nas drogas para ver uma profunda transformação." Em um estudo anterior, Sapirstein analisou 39 estudos, feitos entre 1974 e 1995, de pacientes depressivos tratados com drogas, psicoterapia, ou uma combinação de ambos. Ele descobriu que 50 por cento do efeito das drogas se deve à resposta placebo.
As crenças e esperanças de uma pessoa sobre um tratamento, combinadas com sua sugestibilidade, podem ter um efeito bioquímico significativo. Sabemos que a experiências sensoriais e pensamentos podem afetar a neuroquímica, e que o sistema neuroquímico do corpo afeta e é afetado por outros sistemas bioquímicos, inclusive o hormonal e o imunológico. Assim, há provavelmente uma boa dose de verdade na afirmação de que a atitude esperançosa e as crenças de uma pessoa são muito importantes para o seu bem estar físico e sua recuperação de lesões ou doenças.
Entretanto, pode ser que muito do efeito placebo não seja uma questão da mente controlando moléculas, mas sim controlando o comportamento. Uma parte do comportamento de uma pessoa "doente" é aprendida. Assim como o é parte do comportamento de uma pessoa que sente dor. Em resumo, há uma certa quantidade de representação de papéis pelas pessoas doentes ou feridas. Representação de papéis não é o mesmo que falsidade, é claro. Não estamos falando de fingimento. O comportamento de pessoas doentes ou com lesões tem bases, até certo ponto, sociais e culturais. O efeito placebo pode ser uma medida da alteração do comportamento, afetado por uma crença no tratamento. A mudança no comportamento inclui uma mudança na atitude, na qual uma pessoa diz como se sente, ou como esta pessoa age. Ela também pode afetar a química do corpo da pessoa.
A explicação psicológica parece ser aquela em que as pessoas mais acreditam. Talvez seja por isso que muitas pessoas fiquem consternadas quando são informadas de que a droga eficiente que estão tomando é um placebo. Isso a faz pensar que o problema está "todo em sua cabeça" e que não há nada realmente errado com elas. Além disso, há muitos estudos que descobriram melhoras objetivas na saúde com o uso de placebos para apoiar a noção de que o efeito placebo é inteiramente psicológico.
Médicos em um estudo eliminaram verrugas com sucesso, pintando-as com uma tinta colorida e inerte, e prometendo aos pacientes que as verrugas desapareceriam quando a cor se desgastasse. Em um estudo de asmáticos, pesquisadores descobriram que podiam produzir a dilatação das vias aéreas simplesmente dizendo às pessoas que elas estavam inalando um broncodilatador, mesmo quando não estavam. Pacientes sofrendo dores após a extração dos dentes sisos tiveram exatamente tanto alívio com uma falsa aplicação de ultrassom quanto com uma verdadeira, quando tanto o paciente quanto o terapeuta pensavam que a máquina estava ligada. Cinqüenta e dois por cento dos pacientes com colite tratados com placebos em 11 diferentes testes, relataram sentir-se melhor -- e 50 por cento dos intestinos inflamados realmente pareciam melhores quando avaliados com um sigmoidoscópio.*
Claramente, tais efeitos não são puramente psicológicos.
a teoria da natureza-seguindo-seu-curso
Alguns acreditam que pelo menos parte do efeito placebo se deve a uma doença ou lesão seguindo seu curso natural. Nós muitas vezes nos curamos com o tempo, mesmo se não fizermos nada para tratar uma doença ou lesão. O placebo é às vezes erroneamente considerado como eficaz quando, na verdade, o corpo está se curando espontaneamente.
Entretanto, curas espontâneas e remissão espontânea de doenças não podem explicar todas as curas ou melhoras que ocorrem devido a placebos, ou devido a medicamentos ou tratamentos ativos, por sinal. As pessoas a quem não é dado nenhum tratamento freqüentemente não se saem tão bem quanto aquelas a quem são dados placebos ou remédios e tratamento reais.
a teoria do processo-de-tratamento
Outra teoria que está ganhando popularidade é a de que um processo de tratamento que envolva atenção, cuidado, afeição, etc. para o paciente, um processo que seja encorajador e que alimente esperanças, pode por si só disparar reações físicas no corpo, que promovem a cura.
Certamente há dados que sugerem que o simples fato de estar em situação de tratamento consegue alguma coisa. Pacientes deprimidos que são puramente colocados em uma lista de espera por tratamento não se saem tão bem quanto aqueles a quem são dados placebos. E -- isto é muito sugestivo, eu acho -- quando os placebos são dados para controle da dor, o curso do alívio da dor segue o mesmo que se teria com uma droga ativa. O pico do alívio vem aproximadamente uma hora após eles serem administrados, assim como vem com a droga real, e assim por diante. Se a analgesia por placebo fosse o equivalente a não dar nada, seria de se esperar um padrão mais aleatório. (Dr. Walter A. Brown, psiquiatra, Brown University)
Dr. Brown e outros acreditam que o efeito placebo é principalmente ou puramente físico e se deve a mudanças físicas que promovem a cura ou o bem estar.
As mudanças físicas obviamente não são causadas pela substância inerte em si, então qual é o mecanismo que explicaria o efeito placebo? Alguns pensam que é o processo de administrá-lo. Pensa-se que o toque, o cuidado, a atenção e outras comunicações interpessoais que fazem parte do processo do estudo controlado (ou das característica terapêuticas), além da esperança e encorajamento dados pelo experimentador/terapeuta, afetam o humor da pessoa testada, que por sua vez dispara mudanças físicas, como a liberação de endorfinas. O processo reduz o stress por dar esperanças ou reduzir a incerteza sobre que tratamento adotar ou qual será o resultado. A redução no stress previne, ou desacelera a ocorrência de futuras mudanças físicas prejudiciais.
A hipótese do processo-de-tratamento explicaria como remédios homeopáticos inertes e as terapias questionáveis de muitos dos praticantes da saúde "alternativa" são muitas vezes eficazes, ou tidos como eficazes. Ela explicaria também por quê pílulas ou procedimentos usados pela medicina tradicional funcionam, até que seja demonstrado que não possuem valor.
Há quarenta anos atrás, um jovem cardiologista de Seattle chamado Leonard Cobb, conduziu um teste singular de um procedimento então comumente usado para a angina, no qual os médicos faziam pequenas incisões no peito e atavam nós em duas artérias para tentar aumentar o fluxo do sangue para o coração. Era uma técnica popular -- 90 por cento dos pacientes relatavam melhoras -- mas quando Cobb a comparou com a cirurgia placebo, na qual se fazia incisões mas não atava as artérias, as operações falsas se mostravam igualmente bem sucedidas. O procedimento, conhecido como ligação mamária interna, foi logo abandonado.*
Se o efeito placebo é principalmente psicológico, ou cura espontânea mal interpretada, ou devido a um processo caracterizado por demonstrar cuidado e atenção, ou devido a alguma combinação dos três, pode não ser conhecido com completa confiança. Mas não há dúvidas sobre o poderoso efeito do placebo.
eficácia do placebo
H. K. Beecher avaliou duas dúzias de estudos e calculou que aproximadamente um terço dos pacientes nos estudos melhorou devido ao efeito placebo ("The Powerful Placebo," O Poderoso Placebo, 1955). Outros estudos calculam que o efeito seja ainda maior do que afirmou Beecher. Por exemplo, estudos demonstraram que os placebos são eficazes em 50 a 60 por cento dos pacientes com determinadas condições, por exemplo, "dores, depressão, algumas indisposições cardíacas, úlceras gástricas e outras queixas estomacais."* E tão eficazes como as novas drogas psicotrópicas parecem ser, no tratamento de vários distúrbios mentais. Alguns pesquisadores sustentam que não há evidências adequadas a partir de estudos que provem que as novas drogas sejam mais eficazes que os placebos.
Os placebos já chegaram a ser mostrados causando efeitos colaterais desagradáveis. Existem até relatos de pessoas se tornando viciadas em placebos.
o dilema ético
O poder do efeito placebo levou a um dilema ético. Um médico não deve enganar as pessoas, mas deve aliviar a dor e sofrimento dos seus pacientes. Deveria alguém usar a enganação para o benefício de seus pacientes? Seria anti-ético para um médico conscientemente prescrever um placebo sem informar ao paciente? Se informar ao paciente reduz a eficácia do placebo, seria justificável algum tipo de mentira com o objetivo de beneficiá-lo? Alguns médicos acham justo usar o placebo nos casos em que foi demonstrado um forte efeito placebo, e onde o sofrimento é um fator agravante.* Outros acham que é sempre errado enganar o paciente, e que o consentimento informado exige que se conte ao paciente que o tratamento é um tratamento placebo. Outros, especialmente os praticantes da medicina "alternativa", nem sequer querem saber se um tratamento é um placebo ou não. Sua atitude é a de que, contanto que o tratamento seja eficaz, quem se importa se ele é um placebo?
os placebos são perigosos?
Ao mesmo tempo em que os céticos talvez rejeitem a fé, a oração e as práticas médicas "alternativas" como bioharmônicos, quiroprática e homeopatia, estas práticas talvez não deixem de ter seus efeitos benéficos. Claramente, elas não curam o câncer ou reparam um pulmão perfurado, mas poderiam prolongar a vida ao dar esperanças e aliviar o sofrimento, e pela interação com o paciente em uma forma cuidadosa e atenciosa. No entanto, para aqueles que dizem "que diferença faz por que alguma coisa funciona, contanto que funcione" eu respondo que é provável que haja algo que funcione ainda melhor, algo para os outros dois terços ou metade da humanidade que, por uma razão qualquer, não podem ser curadas ou ajudadas por placebos. Além disso, placebos podem nem sempre ser benéficos ou inofensivos. Em acréscimo aos efeitos colaterais adversos, mencionados acima, John Dodes observa que
Pacientes podem se tornar dependentes de praticantes não científicos que empregam terapias de placebos. Tais pacientes podem ser levados a acreditar que estão sofrendo de uma hipoglicemia "reativa" imaginária, alergias ou micoses inexistentes, "intoxicação" por amálgama de restaurações dentais, ou que estão sob os poderes do Qi ou de extraterrestres. E os pacientes podem ser levados a acreditar que as doenças respondem somente a um tipo específico de tratamento feito por um praticante específico.*
Em outras palavras, o placebo pode ser uma porta aberta para o charlatanismo.
Para finalizar, a esperança dada por muitos praticantes "alternativos" é uma esperança falsa. É verdade que o tratamento cuidadoso e humano de uma pessoa que está morrendo pode prolongar a sua vida e pode melhorar a qualidade do que restar de vida para o paciente. Mas dar aos pais esperanças de que sua garotinha com um tumor no cérebro "poderia" responder ao tratamento com antineoplastos, sobreviver e crescer para se tornar uma adolescente e adulta saudável, quando se sabe que a probabilidade disto acontecer é praticamente zero, parece cruel e desumano. A atenção e o tratamento constante poderiam ajudar a criança a viver e sofrer por mais tempo, e os pais poderiam ficar eternamente gratos pelo tempo extra que tiveram com sua criança amada, mas no fim das contas estes tratamentos são como um abuso dos indefesos.
Por outro lado, se um adulto que está morrendo de alguma coisa como câncer pancreático, e não recebeu nenhuma esperança de recuperação por parte dos praticantes da medicina tradicional, quisesse tratar-se com antineoplastos em um procedimento clínico onde a esperança e o cuidado são mais abundantes que o sucesso ou o conhecimento, pareceria cruel e desumano negar-lhe isso. Nós não temos nenhuma obrigação de oferecer tal tratamento, mas se ele estiver disponível e o paciente puder pagar por ele, será que é da nossa conta interferir? Podemos achar que este homem é tolo e está apenas desperdiçando seu dinheiro porque está desesperado. Podemos achar que aqueles que fornecem tais tratamentos questionáveis são charlatães e estão cruelmente enchendo as pessoas com falsas esperanças. Podemos achar que não é nada além do efeito placebo que é responsável pelo apoio do paciente a continuar o tratamento. Mas até que possa ser demonstrado sem sombra de dúvidas que o tratamento é fraudulento, potencialmente prejudicial ou completamente e absolutamente inútil, será que temos o direito de evitar que ele seja fornecido?
Nas segundas, quartas e sextas eu digo "sim". Nas terças, quintas e sábados eu digo "não". Nos domingos eu digo "eu não sei".
Veja verbetes relacionados sobre hipótese ad hoc, leitura fria, vício da confirmação, estudos de controle, reforço comunal, navalha de Occam, a falácia post hoc, pensamento seletivo, auto ilusão, validação subjetiva, testemunhos, e wishful thinking.
Para exemplos de crenças profundamente afetadas pelo efeito placebo, veja os seguintes:
acupuntura
práticas de saúde "alternativas"
aromaterapia
bioharmônicos

poder dos cristais
homeopatia e
reflexologia

leitura adicional
Harrington, Anne. ed. The Placebo Effect : An Interdisciplinary Exploration (O Efeito Placebo: Uma Exploração Interdisciplinar)(Harvard University Press, 1999) $19.95
Hartwick, Joseph J. Placebo Effects in health and Disease: Index of new Information with Authors, Subjects, and References (Efeitos Placebo na Saúde e na Doença: Índice de novas Informações com Autores, Assuntos e Referências) (Washington, D.C.: ABBE Publications Association, 1996).
Ogelsby, Dr. Paul. The Caring Physician : The Life of Dr. Francis W. Peabody (O Médico Atencioso: A Vida do Dr. Francis W. Peabody)(Harvard University Press, 1991). $24.95
Shapiro, Arthur K. e Elaine. The Powerful Placebo: From Ancient Priest to Modern Physician (O Poderoso Placebo: Do Antigo Sacerdote ao Moderno Médico) (Johns Hopkins University Press, 1997). $39.95
Stanovich, Keith E. How to Think Straight About Psychology (Como Pensar Corretamente Sobre a Psicologia), 3a. ed., (New York: Harper Collins, 1992).
Sternberg, Esther M. e Philip W. Gold. "The Mind-Body Interaction in Disease," (A Interação Mente-Corpo na Doença) Scientific American, edição especial "Mistérios da Mente," (Janeiro 1997). 
White, Leonard, Bernard Tursky and Gary Schwartz. Placebo: Theory Research, and Mechanisms (Placebo: Pesquisa da Teoria e Mecanismos), ed.  (New York: Guilford Press, 1985).
©copyright 2000
Robert Todd Carroll
Traduzido por
Ronaldo Cordeiro 



fonte http://brazil.skepdic.com/placebo.html
Última atualização: 2001-06-24

5 Diferenças entre Psicopatas e Sociopatas

As pessoas muitas vezes confundem os sociopatas com psicopatas, o que não é surpreendente, já que os dois compartilham características de transtorno de personalidade antissocial. De acordo com o DSM-5, os principais sinais de transtorno de personalidade antissocial são o egocentrismo, falta de empatia, espírito de manipulação, hostilidade e impulsividade (American Psychiatric Association, 2013).
Apesar dessas semelhanças, no entanto, existem algumas diferenças entre a sociopatia e psicopatia:

1. Os psicopatas não têm uma consciência
Esta é sem dúvida a principal diferença entre psicopatas e sociopatas. Enquanto os sociopatas são capazes de sentir remorso e culpa, traços psicopáticos incluem a falta de empatia e falta de culpa e remorso.
2. Os psicopatas são manipuladores e calculistas
Com seu charme e carisma, psicopatas podem ser extremamente manipuladores e calculistas. Eles são muito bons em manter o controle emocional e físico, de modo a organizar o seu comportamento (criminoso). Sociopatas, por outro lado, são menos organizados e são mais propensos a cometer crimes espontaneamente. Neste sentido, sociopatas são mais “normais” em comparação com psicopatas.
3. Os sociopatas são capazes de formar relacionamentos com os outros
Já que sociopatas são capazes de sentir remorso, eles também são capazes de formar ligações emocionais profundas, como com amigos e familiares. Psicopatas não são capazes de fazer isso por causa de sua falta de empatia.
4. O cérebro de um psicopata é diferente do cérebro de outras pessoas
Curiosamente, o cérebro de um psicopata é diferente do de outras pessoas (Robinson, 2014). Como você pode ver na foto da tomografia do cérebro, o córtex pré-frontal (a parte frontal do cérebro), que é responsável pela tomada de decisão, comportamento social e expressão da personalidade, e a amígdala (pequena área no meio), que é responsável pelas emoções, não se acendem na varredura do cérebro de um psicopata, o que significa que há pouca ou nenhuma atividade nessas regiões.
Isto significa que quando as pessoas “normais” encontram a violência, a frequência cardíaca aumenta e suas mãos começam a suar. Um psicopata tem uma reação oposta em que ele fica mais calmo. Isso ajuda psicopatas a se envolverem em comportamentos de risco, e às vezes criminosos, já que eles não temem consequências.
5. A psicopatia é uma forma mais grave da sociopatia
Em suma, a psicopatia é uma forma muito mais severa da sociopatia. Assim, pode-se dizer que todos os psicopatas são sociopatas, mas sociopatas não são necessariamente psicopatas.
Referências
American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed.). Arlington, VA: American Psychiatric Publishing.
Robinson, K. M. (2014, August 24). Sociopath vs. Psychopath: What’s the Difference? WebMD. Retrieved from http://www.webmd.com/mental-health/features/sociopath-psychopath-difference#2
Tracy, N. (n.d.). Psychopath vs. Sociopath: What’s the Difference? HealthyPlace.com. Retrieved from http://www.healthyplace.com/personality-disorders/psychopath/psychopath-vs-sociopath-what-s-the-difference/

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Parasita em fezes de gatos torna pessoas mais empreendedoras



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A toxoplasmose é uma doença provocada por um parasita presente nas fezes do gato, o Toxoplasma gondii. Apesar de poder ser fatal para pessoas com um sistema imunitário débil - como o caso da personagem seropositiva Tommy, no livro e filme Trainspotting -, também tem benefícios: torna os infectados mais empreendedores. 

Um novo estudo publicado na revista científica britânica Proceedings of the Royal Society B revela que estudantes infectados com o parasita tinham 40% mais de hipótese de acabarem o curso universitário de gestão e eram 70% mais capazes a nível de "gestão e empreendedorismo" a nível dos estudos, arriscando mais do que os restantes.

Numa outra amostragem, verificou-se que pessoas infectadas com o Toxoplasma gondii tinham 80% de maior probabilidade de iniciar um negócio (um dos primeiros passos a dar rumo à riqueza). O estudo demonstrou ainda que os alunos infectados eram mais empreendedores e tinham um espírito mais aventureiro.

O estudo mostra ainda que nos países "em que o nível de infecção é superior existe uma menor quantidade de pessoas a citar o 'medo de falhar' como justificação para não avançar com novas iniciativas de negócio".

Os humanos podem ser infectados com este parasita se consumirem carne contaminada que não esteja devidamente cozinhada, ao beberem água contaminada ou se contactarem com fezes de gatos.

A Toxoplasmosis gondii, organismo unicelular, é ainda fascinante para centenas de biólogos pela forma como se propaga e pelos efeitos que tem na evolução dos organismos contaminados e assegura a sua transmissão. É que, quando os ratos ficam infectados com este parasita, perdem o medo dos seus predadores naturais, os gatos, tal como os humanos podem perder o medo de falhar. Assim, sendo, aventuram-se mais perto deste predador, sendo comidos, o que leva o parasita a voltar ao interior do animal, dentro do qual se pode reproduzir.

Mas nem tudo é bom, já que cientistas acreditam haver uma ligação entre o contacto humano com Toxoplasmosis gondii e o desenvolvimento de esquizofrenia e complexo bipolar, podendo ainda influenciar a inibição dos indivíduos.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

O que é Premissa:

O que é Premissa:

Premissa significa a proposição, o conteúdo, às informações essenciais que servem de base para um raciocínio, para um estudo que levará a uma conclusão. Em lógica a premissa significa cada uma das proposições de um silogismo.
Premissa em lógica é um conjunto de uma ou mais de uma sentença declarativa que é acompanhada de uma outra frase declarativa que é a conclusão. A verdade da conclusão é uma consequência lógica das premissas que a antecederam. Toda premissa, pode ser verdadeira ou falsa, bem como a conclusão, não aceitando jamais a ambiguidade. Portanto, as frases que apresentam uma premissa são referidas como verdadeiras ou falsas válidas ou inválidas, portanto, devem ser portadoras da verdade.
No âmbito jurídico, uma premissa é à base da petição inicial de qualquer processo jurídico. Nela irão constar os fatos que constituem a causa do pedido; os fundamentos do direito, isto é, o direito ameaçado ou violado que é a própria causa do pedido, e por último é feito o pedido que é considerado a premissa maior em que é o bem da vida, por exemplo, a pensão, a indenização, o reconhecimento etc.
As premissas são os fundamentos de fato, e os fundamentos de direito, que são os pressupostos lógicos do pedido. As premissas serão as responsáveis pela conclusão.

Premissa maior e premissa menor

Uma premissa é uma proposição presente em um silogismo e que permite chegar a uma determinada conclusão através de uma dedução. Existe a premissa maior, que contém o termo maior, que culminará na conclusão; e a premissa menor, que contém o sujeito da conclusão.
Premissa maior: Todos os seres humanos são mamíferos.
Premissa menor: O Pedro é um ser humano.
Conclusão: Logo, o Pedro é um mamífero.
Neste caso, "mamífero" é o termo maior, "seres humanos" é o termo médio e "Pedro" é o termo menor.