Prezado Reinaldo: Não sou um "seguidor do deputado Bolsonaro" e, é óbvio, jamais assinaria qualquer petição para tirar você da Veja, mas peço que você preste atenção a estas explicações:
(1) Ao chamar o seu colega de "estuprador", sem a menor provocação, a deputada Maria do Rosário lhe imputou caluniosamente uma conduta criminosa; SIM OU NÃO?
(2) Ela não o fez no calor de uma discussão, mas por iniciativa unilateral; SIM OU NÃO?
(3) Ela repetiu a acusação calma e friamente, ao responder "É sim" quando o deputado lhe perguntou "Agora sou eu o estuprador?". SIM OU NÃO?
Isso denota conduta deliberada. SIM OU NÃO?
Em resposta, tudo o que o ofendido fez foi uma piada de mau gosto. SIM OU NÃO?
Interpretar a coisa como apologia do estupro é logicamente inviável. Não creio ser necessário lembrar que ele não disse que a colega MERECIA ser estuprada, o que seria, sim, apologia do crime (aliás cometida pelo sr. Paulo Ghiraldelli impunemente contra a apresentadora Raquel Scheherazade), mas disse que ela NÃO O MERECIA, o que é uma observação sarcástica de ordem estética e nada mais -- injusta, no meu entender, já que a sra. Maria do Rosário não é tão feia assim. SIM OU NÃO?
O ato do sr. Bolsonaro inclui-se claramente nos dois tipos de atenuantes que a lei brasileira admite para o crime de injúria (a) se a ofensa é emitida EM REVIDE a uma ofensa anterior; (b) se é emitida IMEDIATAMENTE após a ofensa. SIM OU NÃO?
A conduta da sra. Maria do Rosário não tem atenuante nenhum, tem os agravantes de deliberação e da ausência de provocação. SIM OU NÃO?
Não há o menor senso das proporções em nivelar a conduta dos dois, muito menos em enxergar maior gravidade nas palavras do sr. Bolsonaro que nas da sra. Maria do Rosário. SIM OU NÃO?
A inversão da escala de julgamento torna-se ainda mais intolerável quando se conhece o contexto da discussão. O sr. Bolsonaro estava apresentando um projeto de lei que pedia punições mais graves para os estupradores e reduzia o prazo de maioridade penal de modo a que a punição pudesse atingir tipos como o Champinha, um dos estupradores e assassinos mais cruéis que este país já conheceu. A sra. Maria do Rosário, em contraposição, defendia privilégios legais para os Champinhas da vida. As palavras que ela disse ao sr. Bolsonaro revelam um esforço perverso de INVERTER o sentido dos acontecimentos, fazendo do sr. Bolsonaro um apologista daquilo que ele combatia e ela protegia. SIM OU NÃO?
Sob qualquer ângulo que se examine, a investida geral da mídia contra o sr. Bolsonaro está acobertando a conduta criminosa da sra. Maria do Rosário e falsificando a realidade do que se passou. SIM OU NÃO?
P. S. - Dar às palavras do deputado Bolsonaro o sentido de que "estupro é matéria de merecimento" é trasmutar um sarcasmo em afirmação literal e expressão formal de um juízo de valor. Se aceitamos esse tipo de manipulação da linguagem e ainda queremos fazer dele a base para uma condenação judicial, então fica difícil criticar o mesmo expediente quando usado pelos petistas. SIM OU NÃO?
5 provas de que a Rede Globo ajuda a esquerda brasileira
A Rede Globo, tão duramente atacada pela esquerda brasileira, chamada de "direita" e de "golpista", é de longe a emissora que mais ajuda esta mesma esquerda, reforçando diversas de suas bandeiras através de novelas ou mesmo pelo seu telejornalismo. Inclusive, muitos daqueles que são chamados de "extrema-direita", como o crítico e comentarista Arnaldo Jabor, são verdadeiros fanáticos na defesa de ideais de esquerda e até de partidos como o Partido Democrata. O próprio Jabor é defensor ferrenho de Barack Obama e crítico do Partido Republicano, além de ter feito duras críticas ao Papa Bento XVI, considerado por muitos como um representante da fé tradicional católica (nada menos que o desejado para quem segue a fé católica, aliás).
Agora, vamos aos fatos.
Apoio irrestrito e constante ao desarmamentismo.
Em virtude do Massacre de Orlando, na Flórida, a esquerda brasileira já aproveita o gancho para defender mais uma vez o desarmamento civil. Isso, é claro, a despeito do fato de que vivemos no país em que portar arma de fogo é algo quase impossível para civis - exceto para aqueles que desrespeitam a lei, no caso são os criminosos mesmo. Só que a esquerda possui uma aliada, e uma aliada forte, que é a Rede Globo.
Apesar de seu amiguinho da faculdade chamar a Globo de mídia golpista, a verdade mesmo é que organizações como a ONG Viva Rio, provavelmente a maior defensora do desarmamento civil no país, são financiadas diretamente pela Fundação Roberto Marinho. A Rede Globo patrocina há muitos anos essa bandeira. Se você procurar na internet não será difícil achar vídeos da época do referendo em que atores globais (alguns obrigados por meio de contrato, aliás) apareciam na campanha "contra as armas".
A começar, o ator e comediante Leandro Hassum, no programa do Faustão exibido ontem, dia 12, disse que a Flórida (local do atentado) é o estado mais armado dos EUA. Mentira, é claro. A Flórida é o 39º estado americano no ranking de armas per capita. Não bastasse isso, o próprio crime aconteceu em uma chamada "gun free zone", um local em que armas não são permitidas. Ainda sobre o atentado, o grupo Globo, através da Globo News, fez por conta própria trazer a questão do desarmamento novamente à tona, sem que tenha sofrido qualquer pressão da militância. E de quebra ainda ignoraram que o ataque foi feito por um muçulmano filiado ao Partido Democrata (a esquerda americana), fingindo que foi apenas um caso de "homofobia" e, é claro, tentando culpar "a direita".
Outra coisa que a mídia brasileira oculta, por razões puramente ideológicas, é que o estado americano com o menor índice de criminalidade é ao mesmo tempo o que tem maior concentração de armas de fogo, e o contrário é inversamente proporcional. DC é o estado menos armado, com maior rigor no controle, e é o estado com maior taxa de homicídios por armas de fogo, chegando a um número que é cinco vezes acima da média nacional.
Porém, se você não está convencido disso, esta matéria abjeta do Profissão Repórter provavelmente encerrará a questão:
Defesa do feminismo de esquerda.
O feminismo, que surgiu como uma bandeira liberal, há bastante tempo foi usurpado pela extrema-esquerda. Hoje quase todo o movimento é composto por radicais, e a Globo faz questão de dar espaço justamente para este nicho, sem nem mesmo pensar em procurar outras vertentes menos extremistas do movimento. Um exemplo disso, mais uma vez, foi a matéria do Profissão Repórter, feita em dezembro do ano passado. Os "jornalistas" foram atrás de ninguém menos do que Cynara Menezes, a infame Socialista Morena, e procuraram Lola Aronovich, uma extremista pseudo-famosa por um blog chamado "Escreva, Lola, Escreva".
O que ambas têm em comum? São de esquerda, são radicais, defendem o PT e são basicamente conhecidas por suas postagens absurdamente esdrúxulas sobre economia e temas sociais. No geral apenas repetem jargões da extrema-esquerda e não se importam muito em defender a mulher, mas em defender o feminismo radical e pregar misandria.
No último sábado, dia 11, o programa Altas Horas convidou um conhecida feminista de esquerda, uma garota que faz vídeos no Youtube sobre o cotidiano feminino e que frequentemente defende o feminismo radical, a também infame "Jout Jout".
Novelas com personagens caricatos para atacar "a direita".
Uma das últimas novelas das nove que a Rede Globo exibiu tinha em seu elenco Marcos Palmeira, conhecido ator global. Na tela ele interpretava um personagem que reunia algumas características peculiares, a começar por ser aberta e declaradamente homofóbico. Ele também fazia comentários racistas, falava mal de mães solteiras, era um político corrupto e de quebra ainda traía a esposa. Ah! Ele era evangélico também. A novela era "Babilônia", e o personagem, Aderbal, interpretado por Marcos, era a personificação do espantalho da direita brasileira.
Em toda a trama era possível ver os padrões. Aderbal frequentemente falava jargões como "temos que defender a família tradicional" ou "esses gays são uma aberração". A mãe de Aderbal era interpretada pela excelente atriz Arlete Salles, e ela era comparsa do filho. Ambos chegavam a se declarar conservadores em diversos momentos da novela, e toda essa imagem era associada a muita corrupção e discriminações de toda espécie. Basicamente, o personagem reunia todos os defeitos possíveis e era tratado como um exemplo da "direita conservadora".
Infelizmente, este não foi o único caso em que novelas da Globo retrataram personagens desta maneira. A novela "Amor à vida", que tinha em seu elenco Mateus Solano como o personagem Félix, também era recheada de esterótipos semelhantes. E o mesmo pode ser observado em outra novela intitulada "Em família", cuja personagem principal foi interpretada por Bruna Marquezine. Isso, é claro, para citar algumas entre as últimas.
Malhação e a forçação de barra
A última versão da eterna novela Malhação conta com algumas bizarrices e forçações de barra no mínimo hilárias. Um exemplo disso foi, logo no início da trama, uma sistemática abordagem sobre o tema das doenças sexualmente transmissíveis. Claro, não há problema algum que uma novela voltada para adolescentes fale sobre esse assunto, exceto se o roteiro em questãobanalizar a AIDS como se fosse um resfriado qualquer e não uma das doenças mais perigosas do mundo!
Em episódios já passados da novela, dois personagens contraem HIV de uma forma, digamos, "inusitada", que é durante um jogo de basquete. Eles esbarram um no outro e pimba! HIV na veia, literalmente. Isso gera todo um enredo mirabolante em que professores e pais de alunos sugerem proibir os alunos com o vírus de praticarem aulas de educação física, o que é um tremendo exagero dada a absurda falta de realismo no caso. Como reação, professores que são aparentemente pró-HIV ficam contra estes pais, mas não por eles estarem exagerando, o que seria normal, e sim porque segundo estes professores o HIV "não é assim tão ruim".
Ok. Sabemos que algumas pessoas hoje em dia conseguem ter uma vida relativamente normal com o vírus, mas tratá-lo com tamanha banalização e sequer mencionar que a "melhor" forma de pegar a doença é através de sexo desprotegido, qual é? Só mesmo pessoas inebriadas por uma ideologia estúpida seriam capazes de tamanha atrocidade moral.
Outra das grandes palhaçadas contidas na novela foram os episódios referentes ao fechamento de uma escola. No roteiro, a escola seria fechada pelo governo do estado e os alunos se uniram para impedir o fechamento, chegando a ocupar o espaço para evitar o encerramento das atividades. Em um capítulo os alunos chegaram até a enfrentar a polícia. Isso fez você lembrar de algo similar ao que tem acontecido em São Paulo desde o ano passado?
Pois é. O roteirista da novelinha não tentou esconder o viés político. Ali, os jovens são heróis retratados como vítimas de um governo tirânico que fecha escolas por pura maldade. A referência clara de uma propaganda anti-Alckmin, tido por eles como "extrema-direita", não deixa muita dúvida sobre a inclinação ideológica do sujeito.
Cobertura jornalística baseada em eufemismos e manchetes incompletas ou desnecessárias.
Quem leu meu artigo sobre a presidente Dilma Rousseff e a morte do jornalismo pode ter uma boa noção do que digo. A Globo e seus veículos de jornalismo fazem coberturas no mínimo suspeitas dos eventos políticos do país. A começar, temos o caso bizarro de uma matéria sobre Michel Temer, no dia seguinte a sua posse, cujo título foi "Na escola, Temer tinha dificuldades com matemática", seguida por um subtítulo que dizia: "Presidente interino tem, hoje, desafio de recuperar economia."
Não é preciso ser nenhum gênio para entender a tentativa do "jornalista" em questão, que era simplesmente tentar induzir o leitor a conclusão de que Temer jamais poderia cumprir seu desafio por ser "ruim em matemática". Isso, é claro, a despeito do fato de termos um ex-presidente semi-analfabeto que com certeza era tão ruim em matemática quanto em qualquer outra coisa.
No artigo sobre a morte do jornalismo também coloquei algumas manchetes que amenizavam a barra de Dilma, como esta:
O que esta manchete visa ocultar é que na realidade Dilma, nossa quase ex-presidente, foi quem definitivamente gastou abusivamente com os cartões corporativos. Citar o "Planalto" da a impressão de que foram muitas pessoas, enquanto a verdade é que a presidente torrou só no último mês mais de R$ 60 mil só em comida, o que basicamente significa que ela passou o mês a base de vinho importado, caviar e champanhe, pois nem se eu comesse picanha no almoço e no jantar conseguiria gastar sequer a metade disso.
Outra coisa no mínimo interessante é que o Jornal Nacional, no dia 18 de março deste ano, quando Lula foi levado coercitivamente para depor, mostrou na íntegra todo o discurso do ex-presidente feito no Instituto Lula. O detalhe é que não era necessário mostrar tudo, apenas uns trechos necessários ao entendimento. O editorial do JN optou por mostrar o discurso completo, além de mostrar a nota publicada pelo instituto e a declaração que Lula deu à imprensa. Nunca vi tanto direito de defesa concedido assim, gratuitamente.
A verdade, no fim, é que a programação da Rede Globo e seus veículos possui uma clara inclinação pela agenda de grupos de esquerda. E não é de hoje. Este artigo trouxe cinco evidências disso, mas poderia trazer outras dez se necessário. Por enquanto vamos manter assim para não deixar o artigo longo demais.
Uma visão politicamente incorreta da história, ciência e economia
SOBRE
Jornalista, foi editor da revista Superinteressante e repórter de ciência de Veja. Escreveu o bestseller Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, entre outros. É mestre em filosofia pela Universidade de Londres.
Quatro coisas que as feministas
precisam entender sobre evolução
da natureza humana
Não há motivo para feministas rejeitarem argumentos baseados na biologia, pois nada na natureza mostra que as mulheres estão fadadas a uma posição inferior
Por: Leandro Narloch
1. Quando alguém diz que existe natureza humana, que homens e mulheres por natureza tendem a certos comportamentos, não está necessariamente dizendo que o natural é melhor. Isso seria cair na falácia naturalista. Constatar, por exemplo, que mulheres em geral se apegam mais a crianças pequenas é bem diferente de afirmar que “por isso as mulheres devem ficar em casa cuidado dos filhos”. A pessoa tem todo o direito de ignorar ou tentar contrariar pressões evolutivas.
2. Quando alguém diz que existe natureza humana, não está dizendo que instinto é destino. Rotweilers e pitbulls tendem obviamente à violência, mas não é difícil encontrar rotweilers e pitbulls mansos. O comportamento é um livro escrito pela metade. Nascemos com todos os capítulos um pouco escritos pela genética; o ambiente se incumbe de completá-los.
3. Quando alguém diz que existe natureza humana, não está entrando numa conversa conveniente aos homens. Pois em diversos pontos a seleção natural favoreceu as mulheres. Homens pagam mais no seguro de carro, sofrem mais quedas e acidentes e em qualquer tribo ou civilização que pingou pela história cometeram a maioria dos assassinatos. Também são a imensa maioria dos presidiários. Pois são naturalmente mais violentos, têm menor tolerância a injustiça e pouca aversão ao perigo.
4. Quando alguém diz que existe natureza humana, não está necessariamente utilizando esse discurso para justificar uma ou outra posição política. A liberdade científica exige que cientistas estudem e tracem conclusões sem ter de pensar nas implicações políticas de suas descobertas. Do mesmo modo, feministas não devem rejeitar a psicologia evolutiva por acreditam que ela seja inconivente ao feminismo. O final do trecho abaixo, retirado do livro The Evolution of Morality, do filósofo Richard Joyce, resume bem essa história:
Suponha que a psicologia evolutiva revele que a mente humana é adaptada para viver num grupo familiar estendido. Por si só essa descoberta não justificaria esse comportamento, não mostraria que ele é inevitável, e sequer mostraria que esse modo de vida tem mais chances de nos fazer felizes. (Quem disse que a seleção natural prefere organismos felizes?) E mesmo que a psicologia evolutiva acabasse tendo implicações políticas, então que assim seja! O costume de deixar preferências políticas determinarem nossa aceitação a teorias científicas, de recusar uma teoria independentemente de sua base empírica só por causa do incômodo de suas implicações políticas, nunca mereceu, até agora, que eu saiba, um lugar entre as virtudes da investigação intelectual.
Quando se irritam com argumentos biológicos sobre o comportamento humano, feministas pensam dos teóricos racialistas do século 19. De lá para cá, no entanto, o debate avançou um bocado. Vale a pena se atualizar.
“É uma guerra, tem sido uma guerra”, disse o presidente interino, Michel Temer, à Folha de S. Paulo, ao fazer um balanço sobre seu primeiro mês de governo, que se completa neste domingo (12).
A frase revela seu estado de espírito por enfrentar mais dificuldades do que antecipava. Em 30 dias, perdeu dois ministros, recuou em decisões e encontrou situação fiscal pior que imaginava.
Alojado no gabinete presidencial, dando sinais de cansaço diante de mais uma noite de poucas horas de sono, Temer diz não se incomodar com as batalhas diárias. “Apesar de todas as turbulências, críticas e pressões, foi um mês de sucesso”, afirmou o peemedebista.
Faz questão de enumerar o que classifica de “saldo positivo”, listando as medidas aprovadas no Congresso que a “Dilma não conseguia”, como a mudança da meta fiscal, a prorrogação da DRU (mecanismo que desvincula receitas da União) e a aprovação do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.
“Restabelecemos a interlocução com o Congresso, votamos projetos com ampla maioria e estamos retomando a confiança no país, não é pouca coisa para um começo de governo”, afirmou, buscando rechaçar as críticas de início de administração marcado por idas e vindas.
Criticado por montar um ministério sem mulheres e integrado por políticos citados na Lava Jato, o peemedebista prefere dizer que “montei um time de primeira grandeza na área econômica”, citando Henrique Meirelles (Fazenda), Pedro Parente (Petrobras), Maria Silvia Bastos Marques (BNDES) e Goldfajn.
Ele gosta de repetir que, numa hipótese de não permanecer no governo, o país estará “salvo” se a equipe econômica for mantida. Indagado se seucomentário revela temor de volta de afastada Dilma Rousseff, ele diz preferir não avaliar: “Eu não tenho feito nenhum gesto contra ela. Respeito quem passou”.
A interlocutores, contudo, demonstra confiança na permanência. Nem mesmo as ameaças de senadores nos últimos dias de mudar de lado e votar contra o impeachment abalam a crença de Temer de que ficará até 2018.
Sobre a tese de plebiscito para convocar novas eleições, encampada pela petista como estratégia para tentar ganhar o julgamento do impeachment no Senado, Temer, antes de tudo, lembra: “Primeiro, eu preciso renunciar”. Em seguida, diz. “Depois, digo com toda tranquilidade, temos tido mais de 300 votos, às vezes mais de 340 na Câmara. Isto reflete confiança neste governo. Nossas vitórias no Congresso mostram que não tem espaço para a Dilma voltar.”Provocado a citar a maior surpresa negativa neste primeiro mês de governo, ele não aponta as demissões de ministros provocadas pela delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, mas a situação fiscal do país.
“Foi surpreendente, de forma negativa, o que encontramos aqui. As contas muito piores do imaginávamos, a Petrobras quebrada, os Correios quebrados, a Eletrobras quebrada. E eles ainda ficam numa campanha agressiva contra mim”, diz, em tom de desabafo.
Uma monarquia parlamentarista com religião oficial de Estado e uma das sociedades mais liberais da Europa. Parece improvável, mas essa é a Suécia que ganhou o posto de modelo da esquerda democrática no mundo (e da nem tão democrática assim em menor grau). O sucesso do Estado de bem-estar social na Suécia é uma prova, segundo muitos, de que a intervenção estatal é parte fundamental no desenvolvimento de um país. Mas, como de costume, a história é sempre contada pela metade.
O modelo de desenvolvimento sueco vai muito além da concessão de enormes benefícios sociais à população em troca de pesadíssimos impostos sobre a renda, que podem chegar a 59% na alíquota máxima (número que já foi de 102% em 1975), ou 44% na média de toda a população. Com uma longa tradição liberal na economia, a Suécia desfrutou de um dos mais longos períodos de crescimento já registrados na história mundial. Foram nada menos do que 100 anos, entre 1850 e 1950, com tarifas de importação zeradas, adoção do padrão ouro e uma das economias mais abertas da Europa. Durante o período, a economia do país registrou umcrescimento médio de 1,64% no PIB per capita, contra 0,89% da média mundial. A Suécia enriqueceu.
A mudança de rumo, porém, teve início nos anos 50, quando o então Partido Social Democrata, SAP na sigla sueca, mudou os rumos da economia para a adoção de um modelo inspirado nas políticas fiscais e de pleno emprego do new deal, o plano americano adotado após a crise de 1929. Quarto país mais rico da Europa em 1950, a Suécia assistiu a ascensão de um modelo baseado em pleno emprego e no suprimento de demandas da Europa do pós guerra. A economia sueca, porém, que até então crescia 60% acima da média europeia, passou a crescer 15% menos durante as 2 décadas que se seguiram.
O período de 1970 a 1990 é amplamente conhecido como o apogeu do Estado de bem estar social. Durante este período, ocorreu o ápice da taxação sobre a renda (os tais 102% de alíquota máxima), além do aumento de benefícios sociais que cobriam literalmente do berço ao túmulo. O governo sueco passou a agir diretamente na distribuição dos lucros das empresas, em uma mal sucedida política que previa transformar parte dos lucros em ações das empresas – que acabariam detidas por fundos controlados por sindicatos. Pela proposta, em 20 anos os sindicatos deteriam nada menos que 52% do capital das empresas do país.
Todo o processo, entretanto, foi interrompido com a chamada “Grande Depressão Sueca”, com causas que variam da excessiva dívida pública do país, que vinha de déficits constantes, à explosão no crédito, promovida pelo Banco Central e um claro desgaste em mercados antes puxadores do crescimento, como o setor imobiliário. Ao longo de 3 anos o país entrou em uma profunda recessão. O resultado que se segue a esta quebra, porém, é pouco divulgado. Abaixo listamos 7 exemplos de políticas adotadas que levaram a Suécia a rever boa parte do que nos contaram sobre o país até então.
1. A CARGA TRIBUTÁRIA ESTÁ CAINDO, AO CONTRÁRIO DOS DEMAIS PAÍSES RICOS.
Para financiar a expansão dos gastos sociais, os governos sociais democratas se especializam em expandir a carga de impostos para além da cobrança tradicional de imposto sobre a renda. Ao contrário destes, os impostos sobre o consumo, que são maioria em países como o Brasil, apresentam menor rejeição pela população. Aumentar impostos específicos requer menos desgaste político do que elevar uma única alíquota de imposto de renda.
Com base nisso, a carga tributária da Suécia cresceu a partir dos anos 70, saindo de 31,4% para expressivos 53% em menos de 2 décadas. Apesar disto, os déficits do país continuarem crescendo. A solução encontrada, tal qual no Brasil, foi delimitar em lei o limite do gasto público. Mas, ao contrário do Brasil, onde a lei só se aplica aos estados e municípios, na Suécia, o governo federal foi duramente afetado.
Entre 2000 e 2013, a Suécia registrou uma redução de nada menos do que 7 pontos percentuais, saindo de 49,5% para atuais 42,8%. Para efeito de comparação, a carga brasileira cresceu de 30,3% para 35,95% no mesmo período.
2. O NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS É O MENOR EM DÉCADAS.
Um dos efeitos mais notáveis da ampliação do sistema de bem-estar social foi justamente a elevação do percentual de funcionários públicos no país. Entre 1970 e 1990, o número de funcionários públicos para cada empregado do setor privado saiu de 0,386 para 1,51.
Como ressalta o Le Monde, a redução do número de funcionários públicos foi encarada pelos governos suecos como uma forma de reativar a economia. O número de funcionários públicos caiu de 1,7 milhões para 1,3 milhões entre 1990 e 2013, enquanto no mesmo período, os trabalhadores do setor privado saíram de 2,8 milhões para 3,25 milhões. Ainda de acordo com a OCDE, os gastos do país com funcionalismo não se distinguem de nenhuma das economias consideradas menos intervencionistas – de fato, gasta-se menos do orçamento com o funcionalismo do que, por exemplo, nos Estados Unidos.
3. A RELAÇÃO DÍVIDA/PIB É MENOR QUE A BRASILEIRA.
Após ver sua dívida decuplicar (crescer impressionantes 10 vezes) entre 1975 e 1990, a Suécia aproveitou os anos de profunda recessão para repensar por inteiro sua gestão. Em 1991, os juros da dívida pública consumiam 29% da arrecadação de impostos do país, contra 6% do Brasil em 2013.
Assim como o Brasil, os suecos criaram sua Lei de Responsabilidade Fiscal e trataram de amarrar o crescimento do governo pelos anos seguintes. Constantes superávits fiscais levaram o país a reduzir drasticamente o peso da dívida, que saiu de 71% em 1991 para 38% atuais (contra 64,6% do governo brasileiro). Quando analisamos a dívida líquida, aquela que inclui os ativos do governo, como reservas internacionais, os suecos são de fato devedores de apenas 10% de seu PIB, contra 35% do governo brasileiro.
4. GRANDES CORPORAÇÕES PAGAM MENOS IMPOSTOS NA SUÉCIA DO QUE NO BRASIL OU NOS ESTADOS UNIDOS.
Ao contrário do que possa parecer, os suecos tributam menos grandes empresas do que os demais países europeus. Apenas 6% da arrecadação do país vem de imposto sobre empresas, contra 9% na média da OCDE. Os impostos sobre consumo também possuem maior peso no país nórdico do que nos demais países da OCDE – são $29 em cada $100 arrecadados, contra $23 na média dos países.
A redução do imposto sobre grandes corporações tem sido uma prática constante no país, como parte da integração econômica com a União Europeia. Empresas como a brasileira Évora escolhem a Suécia como sede europeia justamente pelos baixos impostos. As taxas sobre pessoa jurídica se encontram hoje em 22%, contra 34% no Brasil (podendo chegar a 45% em bancos) e 40% nos Estados Unidos. A redução de impostos corporativos tem sido uma constante na OCDE, para escapar de grandes empresas que abusam de táticas contábeis para reduzir impostos pagos. Os Estados Unidos são neste aspecto um ponto fora da curva, com uma taxa maior que todos os demais. O fato, porém, não elimina o destaque sueco neste caso, conseguindo manter taxas menores que França, Reino Unido, Alemanha e Espanha.
5. AS PRIVATIZAÇÕES ESTÃO NA MODA NA SUÉCIA.
Ao contrário de países como o Brasil, onde o tema se tornou um tabu, os sucessivos governos social democratas e conservadores que sucederam a grande depressão do país, encontraram na venda de empresas estatais uma forma de garantir o cumprimento de metas fiscais e reduzir a dívida pública.
Os processos são contínuos e incluem de fabricantes de bebidas a bancos. Em um dos casos mais recentes, a Suécia privatizou suas farmácias, que até 2011 eram estatais. O país era um dos 3 no mundo a ter este setor sob controle do Estado – junto a Cuba e Coréia do Norte. A venda da Apoteket terminou com o monopólio estatal no setor, e sem resultar num monopólio privado. Cerca de 1/3 dos estabelecimentos foram revendidos aos funcionários que operavam as lojas.
O governo sueco promoveu a privatização do Nordea, banco com presença em todos os países nórdicos, além da Finlândia, Polônia e outros países europeus. A bolsa do país, antes também estatal, foi privatizada, levantando US$ 4 bilhões. Dentre as privatizações planejadas, se encontram ainda a companhia aérea detida em conjunto com países da região, além de uma companhia telefônica, na qual o Estado ainda é acionista. Ao contrário do que possa parecer, defender as privatizações não foi um fator negativo na política do país. Pela primeira vez desde o pós guerra um governo conservador se reelegeu, permanecendo 8 anos no cargo. Antes dele, o último conservador a comandar o país havia sido o responsável por gerir a Suécia na sua grande depressão, entre 1991 e 1994.
6. E ELES ESTÃO PRIVATIZANDO SAÚDE E EDUCAÇÃO.
Apesar de financiada pelo Estado, a saúde e a educação na Suécia têm sido, nas palavras do jornal inglês “The Guardian”, um laboratório para a implementação do setor privado no país, conhecido pelo sistema de saúde socializado. Governos conservadores e trabalhistas, de direita e esquerda, promoveram durante os últimos 15 anos um prolongado ajuste sobre ambos os setores. Atualmente a Suécia conta com 30% dos atendimentos médicos e 1 em cada 8 escolas sendo geridas pela iniciativa privada.
O debate no país tem se centrado, entretanto, na possibilidade das empresas obterem lucro. Como no Brasil, inúmeros provedores de saúde e educação são entidades sem fins lucrativos, com a diferença de que lá, como no Chile, o governo financia a aquisição de ambos os serviços por meio dos chamados ‘vouchers’, cheques com destinação certa.
A abertura no país tem servido de exemplo, como relatou a The Economist, também britânica, para reformar a saúde inglesa. Como aponta a revista, os suecos tem feito aquilo que Thatcher não conseguiu fazer – reduzir o peso do Estado na gestão de saúde. Além de servir de base para outros países, o modelo permite o surgimento de grandes empresas no setor, como aCapio, que administra um dos maiores hospitais do país e possui 11 mil funcionários.
Os resultados têm sido expressivos, em especial no tempo de atendimento. Ainda segundo oThe Guardian, o tempo médio de espera em uma emergência de um destes hospitais tem sido de meia hora, contra uma média de 4 horas em emergências de hospitais ingleses.
7. É MAIS FÁCIL FAZER NEGÓCIOS NA SUÉCIA DO QUE NA ALEMANHA.
A abertura comercial, marca da Suécia liberal do século XIX, tem se mantido intocada pelo país ao longo das últimas décadas. A ausência de uma lei de salário mínimo, flexibilidade trabalhista e um baixo peso de impostos sobre os salários (na média os números são aproximadamente metade dos brasileiros – ou seja, enquanto no Brasil para cada R$ 1 em salário, paga-se R$ 1,03 em impostos, na Suécia a taxa é de $ 0,44).
O país possui uma colaboração de destaque no ranking da Doing Business, organização que mede os padrões internacionais de burocracia e outras dificuldades para implementação de um negócio.
Assim como a Noruega, onde fazer negócios é mais fácil do que nos Estados Unidos, a Suécia se destaca como a 11ª colocada no ranking, à frente de países como Alemanha, Suíça e Holanda (respectivamente a maior economia da Europa, o país com maior facilidades para o setor financeiro e o país com o maior porto do continente).
O que torna a Suécia tão atraente, porém, é justamente sua posição em um 4º lugar no ranking de países com maiores tratados comerciais. A Suécia – ao contrário do Brasil, que nos últimos 12 anos realizou apenas 3 acordos bilaterais – especializou-se em firmar acordos de livre comércio.
A transformação da Suécia de uma utopia de esquerda em um dos países mais culturalmente e economicamente abertos do continente, tem sido uma experiência notável, com certo destaque para a importância de suas instituições. O tal socialismo sueco convive mais na mentalidade apaixonada de pessoas incapazes de correlacionar fatos e eventos do que na prática. O país, ao contrário do que se pensa, não adquiriu sua riqueza graças à distribuição de renda – em suma, os suecos aprenderam na prática algo que os brasileiros ainda relutam em aceitar: a criação de riqueza é um passo fundamental para aqueles que sonham em dividi-la.