quarta-feira, 6 de julho de 2016

A FARSA QUE É LEANDRO KARNAL

A FARSA QUE É LEANDRO KARNAL

Assisti ao programa Roda Viva em que o entrevistado da vez foi o famigerado professor da Unicamp, Leandro Karnal. O professor começa discutindo o problema da atual polarização do debate político, que faz com que as pessoas considerem inimigas as outras pessoas de pensamentos discordantes; Karnal diz que a “polarização não pensa, apenas adjetiva e rotula ao invés de discutir as ideias”. Toda polarização é burra, diz ele, e acrescenta que, mais que isso, ela vem acompanhada da vontade de eliminar o outro como oponente.
Não demora muito, porém, pra que o renomado professor comece a agir conforme este comportamento polarizado, apesar dele mesmo jurar que é superior a essa polarização e que não participa dela, com todo o seu ar de intelectual isento e imparcial. Mas é apenas pose. Ele não escapa dessa polarização entre esquerda x direita, na qual ele se encontra obviamente no polo à esquerda. Isso fica bastante nítido quando, questionado sobre a “nova direita” que começa a surgir, especialmente na internet, o ilustre Dr. Xavier da academia brasileira rapidamente liga a sua metralhadora de rotulagem odiosa. Ele rotula essa direita como sendo:
Conservadores fascistas; adeptos de intervenção militar e da diminuição de direitos sociais; extrema-direita; doença que estava controlada; figuras das sombras que a internet deu voz; nosferatus que rastejavam como ácaros e bolores; etc.
Karnal usa todos os rótulos sintomáticos de uma esquerda odiosa e altamente polarizada, que despreza a democracia (que ele diz defender) e a liberdade de pensamento. Ele simplesmente trata os que pensam fora da caixinha da esquerda política como inimigos a serem eliminados, exatamente o que ele acusava como sendo o comportamento dos outros. Esse desejo de eliminar o inimigo fica ainda mais nítido pelas vezes em que ele cita Bertolt Brecht durante o programa, teórico comunista adepto do fuzilamento de inimigos políticos. Karnal diz:
“Como disse Brecht: a cadela do fascismo está sempre no cio, sugerindo a intervenção militar, dizendo que a mulher apanhou porque merecia, e estuprada porque foi leviana.”
Veja como ele associa problemas criminais presentes em qualquer sociedade com “fascismo”, levianamente, usando o termo não de forma analítica, como se espera de um historiador, mas apenas como rótulo ou termo pejorativo para depreciar os que pediam a intervenção militar nas manifestações recentes. O truque é sujo: associar essas pessoas à um regime político nacional-socialista (vale lembrar) que foi extinto após a guerra não só pela derrota em si mas pela própria propaganda maciça soviética, que o rejeitou como o dejeto do horror, para se auto-limpar dos seus próprios horrores e salvar o movimento comunista internacional. Mais ainda, ele associa os manifestantes e o fascismo à violência contra as mulheres, sem demonstrar de forma minimamente científica qual a relação causal entre tais coisas. Karnal ignora propositalmente o fato óbvio de que nem todo regime militar é fascista, como não o foi o regime militar brasileiro, nem tampouco que pedir pela intervenção militar constitucional seja o mesmo que pedir um governo militar, além de fazer a associação infantil de que o fascismo é um regime político que se caracteriza pela agressão de mulheres. O fascismo é caracterizado por muitas coisas horríveis, mas, definitivamente, não é um regime político caracterizado por “agredir mulheres”.
Nos lembremos que outro professor, membro do Partido Comunista Brasileiro, Mauro Iasi, também citou recentemente Bertolt Brecht, enquanto esbravejava contra a “ofensiva conservadora”, causando espanto pela violência retórica da citação:
“Agora escuta: sabemos que és nosso inimigo. Por isso vamos encostar-te ao paredão. Mas tendo em conta os teus méritos e boas qualidades vamos encostar-te a um bom paredão e matar-te com uma boa bala de uma boa espingarda e enterrar-te com uma boa pá na boa terra.”
Esse é o teórico que Leandro Karnal adora citar, pra logo em seguida tratar do ódio das pessoas (sempre de direita, claro). Trata-se obviamente de um cínico psicopático.
*****
Ao longo do programa fui notando outras marcas nítidas do seu cinismo. Irei enumerá-las:
1 – Compara sutilmente a perseguição aos judeus no nazismo com a “perseguição” aos petistas pela Lava-Jato. Lastimável.
2 – Diversas vezes fala da maldade intrínseca dos nazistas, como se a maldade humana fosse exclusividade deles (ele nunca fala da maldade do comunismo, irmão mais velho do nazismo), fazendo associações indevidas com “linchamentos” da população, cansada da criminalidade extrema; esta é uma farsa comum das esquerdas em geral, que pintam sempre a “volta do fascismo” como fenômeno eminente que pode surpreender a todos a qualquer momento. É claro que esse é um discurso para amedrontar criancinhas, pra que elas não votem ou sequer pensem fora dos domínios da esquerda política; ele também faz associações indevidas do nazismo com crimes de racismo e homofobia mundo afora, como se todos esses crimes e maldades tivessem motivação política inspiradas nesta ideologia (o que quase nunca é verdade, diga-se de passagem).
3 – Não se posicionou com relação ao “golpe” contra Dilma Rousseff, pra não dar muito na cara a sua torcida pelo petismo; ficou vergonhosamente balançando em cima do muro, saindo pela tangente dizendo que o impeachment poderia ou não ser considerado um “golpe”, ficando a critério do gosto de cada um. Vergonha. Mais ainda, já sabendo que muito provavelmente Dilma não voltará, tenta igualar o curtíssimo governo Temer ao dela, jogando-o precocemente na mesma lama da petista, usando-se do relativismo abjeto de frases como “nada é bom ou ruim em si, tudo depende daquilo que eu interpreto”.
4 – Mente dizendo que fora privado de suas liberdades durante a ditadura militar. É bastante curioso pensar que uma criança (ele nasceu em 1963) fora privada de qualquer liberdade nesse período. Será que Leandro Karnal era um guerrilheiro, um terrorista ou um militante da luta armada infanto-juvenil? Pois esses foram, sem dúvida, os que tiveram suas “liberdades” (liberdade de explodir bombas, assassinar, fazer justiçamentos, torturar, assaltar, etc.) caçadas. Com exceção desses, no período do regime militar havia liberdades civis para o povo. Um grupelho de revolucionários comunistas e jornalistas colaboradores não representam a situação geral do povo, que passou incólume a essa “ditadura” (muitos nem sabem dizer, como a maioria dos nossos pais e avós, o que é que houve de tão “opressivo” nessa tal ditadura militar). Com a exceção do voto direto (apenas para presidente, pois haviam eleições para governadores e prefeitos), as pessoas exerciam seus plenos direitos, inclusive o direito de ir e vir, o que não se pode dizer de hoje, já que somos reféns da criminalidade brutal. Essa historinha do Leandro Karnal que ele era uma criança oprimida pela ditadura é obviamente tão falsa que serve como prova cabal de sua psicopatia.
5 – Reprova o projeto Escola Sem Partido, sem apresentar argumentos convincentes, mas ao contrário, polarizando (de novo) o tema com rotulagem odiosa: Escola Sem Partido é uma asneira, uma bobagem conservadora, coisa de gente inculta; é uma ideologia conservadora (ele usa “conservador”, assim como “fascismo”, como termo pejorativo, para fins de rotulagem, e não como termo analítico).
6 – Diz que é uma “crença fantasiosa de uma direita delirante e estúpida” a ideia de que a escola forme a cabeça das pessoas (argumentando aí que o projeto ESP seja desnecessário, ou pura “ilusão”). Isso é a coisa mais absurda que eu ouvi nos últimos tempos. Se a escola não forma a cabeça das pessoas, pra que é que estamos gastando rios de dinheiro nisso? E por que é que a esquerda luta tanto para dominá-la? É óbvio que isso é falso, e ele sabe que é. A escola e a universidade são talvez os maiores formadores de pensamento e opinião em qualquer sociedade civil, acompanhados pela mídia. Um chimpanzé devidamente treinado consegue entender isso. Mais uma prova do cinismo e da perfídia desse sujeito.
7 – Afirma que é impossível um professor não se posicionar politicamente diante dos variados assuntos, e afirma: “se um professor for militante de um partido de esquerda ou de centro não tem problema”; ele não cita a direita, para o espanto de todos. Ou seja, para Leandro Karnal, sequer existe a opção de um professor ser militante de um partido de direita. Ele deixa aí evidente a sua vontade eliminar o outro, comportamento que ele mesmo dizia condenar, imputando-o aos raivosos “polarizadores” do debate político.
8 – Coloca a culpa de praticamente todos os nossos problemas na ditadura militar, esse monstro ilusório que ele criou na cabeça depois de consumir pesadamente as drogas pesadas revisionistas que a esquerda costuma chamar de livros de história, mas que não passam de gibis que narram o período do regime militar em que heróis (os revolucionários que queriam implantar a ditadura cubano-brasileira) salvariam a democracia brasileira das garras dos terríveis torturadores sanguinários da direita, que torturavam pessoas pacíficas e boníssimas, cujo maior mal foi ler o Manifesto Comunista. Karnal diz que, além de matar seres humanos (ele ignora os que foram mortos pela esquerda), a ditadura militar causou um dano na educação brasileira. Qualquer um sabe, porém, que a educação brasileira era infinitamente melhor durante aquele período, e que hoje o analfabetismo funcional reina mesmo dentro das universidades (atingindo marcas de quase 50%), além de batermos recordes negativos sucessivos em testes internacionais. A educação do Brasil acabou, e a responsabilidade está em grande parte nas pedagogias ideológicas sub reptícias e criptocomunistas inseridas nos planos nacionais de educação. A esquerda destruiu a educação, ao mesmo tempo em que fez sua ampliação para que a imbecilização pretendida por eles abrangesse todo o contingente das novas gerações, criando legiões de zumbis semi-analfabetos, porém “politizados” e com “visão crítica”.
9 – Afirma, com absoluta certeza, que Deus não existe. O ateísmo convicto é, talvez, um dos mais fáceis diagnósticos de limitação de inteligência. Apesar de reconhecer a inteligência retórica do professor da Unicamp e o domínio que ele tem sobre suas teses, a inteligência metafísica é um ingrediente fundamental para o desenvolvimento pleno da inteligência humana. É o que talvez separa os homens dos meninos. Leandro Karnal é um menino apavorado diante da grandeza do universo de Deus, e, diante desse pavor, prefere se esconder debaixo do cobertor desse ateísmo extremo, que é a negação radical de Deus.
10- Em certo momento ele diz que, o fato de sermos sozinhos, apenas átomos num universo sem dono (andou consumindo ciência de terceira mão), nos dá toda a liberdade humana, o que acaba por lembrar a frase de Dostoiévski: “Se Deus não existe tudo é permitido”. De fato, Dostoiévski tinha toda razão. Para Karnal, tudo é permitido, inclusive ser um comunista disfarçadinho pela linguagem polidinha, acadêmica, que esconde sua raivinha da direita com seu tom e postura soberba, de superioridade olímpica, de onde observa todas as richas e brigas dos “polarizadores” com total campo de visão, soberano e intocável.
Leandro Karnal é, sem dúvida, um sujeito com qualidades intelectuais acima da média. Mas também é um mentiroso compulsivo, de um cinismo que beira a psicopatia. Leandro Karnal é mais um entre tantos outros. Nada de novo sob o sol.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Introdução à Lógica Aristotélica.


Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume out., Série 03/10, 2011, p.01-07.


A lógica é uma das partes da filosofia que, pertencendo também à matemática, objetiva determinar o conhecimento da verdade, através de operações intelectuais.
Neste sentido, a lógica é uma ciência autônoma que estuda conceitos, juízos e raciocínios visando demonstrar a validade ou ambigüidade, o duplo sentido dos termos e a falta de definições precisas.
A vinculação da lógica com a filosofia da ciência é, portanto, evidente, remetendo ao chamado processo decisório.
Assim, serve a formulação de raciocínios coerentes, tentando evitar erros de julgamento, ajudando a entender proposições com maior clareza e distinção.
A lógica constitui uma ferramenta para desenvolver cadeias de pensamento que, quando aplicadas ao contexto lingüístico, permitem reconhecer contradições e eliminar probabilidades de erro.
Nasceu na antiguidade e foi se desenvolvendo até atingir sua maturidade no século XIX, aplicando-se então a analise de terias e discursos no âmbito da ciência e da filosofia, bem como de outras inúmeras áreas.


Verdade e Validade.
A lógica pretende julgar a validade e verdade dos raciocínios, expressões, a firmações e operações intelectuais.
Entende por verdade a concordância entre o sentido e a realidade, entre os argumentos e a verificação da existência concreta dos elementos que fornecem sustentação à argumentação.
Já a validade, ao contrário, não mede a relação entre o discurso e a realidade, mas apenas o grau de correção, a coerência interna do raciocínio.


História do desenvolvimento da lógica.
A palavra lógica vem do grego “logos”, uma palavra que pode ser traduzida como razão, discurso ou linguagem.
A partir desta palavra deriva o verbo “leigein”, que significa colher, reunir, juntar, calcular ou ordenar.
É neste sentido que se insere a lógica, denotando uma relação entre a linguagem e o conhecimento, pensando o rigor e precisão do discurso lingüístico que expressa o conhecimento.
Para a história da filosofia, Aristóteles é considerado o pai da lógica, pois ocupou-se do tema nas obras “Organon” e “Metafísica”, embora não a designasse por este termo.
No século IV a.C., Aristóteles chamou de “analítica” o que ficaria conhecido como lógica séculos mais tarde.
O termo lógica só passou a ser utilizado no século II a.C., quando filósofos estóicos passaram a adotar a palavra como centro do seu pensamento.
Para o estoicismo, uma tendência latina de origem romana, o universo seria governado por um “logos”, uma razão universal que poderia ser definida como Deus, permitindo ao mundo atingir o “kosmos”, harmonia.
Um conceito, obviamente, influenciado pelo cristianismo que, por sua vez, fomentou o termo lógica aristotélica, nomeando todas as teorias na área até o aparecimento da lógica formal ou matemática.
Esta última apareceu no fim do século XIX, quando o filósofo alemão Friedrich Ludwing Gottlob Frege transformou a linguagem corrente em expressão matemática, para tentar analisar a verdade e validade dos argumentos.
Mais tarde, no inicio do século XX, o matemático inglês George Boole consolidou a linguagem da lógica moderna, trabalhando regras de inferência para analisar tautologias.
Além dele, também no século XX, Bertrand Russel, um britânico nascido no país de Gales, prestou grande contribuição ao desenvolvimento da lógica, convertendo argumentos lingüísticos em fórmulas matemáticas.
No entanto, a contribuição de Boole fez com que a lógica de predicados ficasse conhecida também como linguagem booleana.
Na década de 1960, a linguagem da lógica passou a ser empregada na programação de computadores e, atualmente, é utilizada no desenvolvimento de inteligência artificial, nomeada como álgebra booleana.


Regras básicas da lógica.
Desde Aristóteles, a lógica possui três regras básicas: o principio de identidade, o princípio de não contradição e o principio do terceiro excluído.

1. O Principio de Identidade expressa uma tautologia, demonstra que algo é idêntico a si mesmo, sendo sempre verdadeiro.
Por definição, a tautologia é um enunciado que é verdadeiro, independente dos valores de verdade, sendo, portanto, sempre verdadeira.
Assim, a identidade é uma tautologia.
Sendo, P = E, portanto E = P.

2. O Principio da Não-Contradição diz que uma proposição verdadeira não pode ser falsa e uma proposição falsa não pode ser verdadeira.
Portanto, nenhuma proposição pode ser os dois ao mesmo tempo.
O que é confirmado pelos contraditórios “Laura é psicóloga” e Laura não é psicóloga”.
Já que ela “é” ou “não é”, os dois ao mesmo tempo nunca, pois entraria em contradição.

3. O Principio do Terceiro Excluído afirma que toda proposição ou é verdadeira ou é falsa, e não há um terceiro caso possível.
O que confirma as tautologias e o principio da não-contradição, além dos chamados contingentes.
Os ditos contingentes, apesar de serem enunciados que dependem do valor de verdade de suas partes mais elementares, cabendo analisar cada valor obtido, tem como resultado final apenas duas possibilidades, verdadeiro ou falso, não existindo um terceiro caso.


Conceitos básicos da lógica.
A lógica aristotélica precisou fazer uso de três conceitos básicos para tornar-se funcional: Premissa, Inferência e Argumento.

1. Uma Premissa é um enunciado com razões apresentadas para dar sustentação a uma afirmação, possibilitando construir argumentos para atingir uma conclusão.
Portanto, uma premissa é um indicador que, coordenado com outros, constitui um argumento que sustentará a conclusão.

2. Uma Inferência é uma operação intelectual que afirma a verdade de uma proposição por meio de sua ligação com premissas já reconhecidas como verdadeiras.
Assim, a inferência é uma operação lógica que liga as premissas, construindo o argumento que sustenta a conclusão.
A inferência faz uso do principio de causalidade, o qual afirma que tudo tem uma causa e efeito, uma conexão.

3. Argumento é uma seqüência de enunciados, um grupo de premissas ligadas por inferência, apresentando razões para sustentar uma afirmação.
Neste sentido, os argumentos podem ser simples ou complexos.
Um argumento simples possui poucas premissas, permitindo chegar à conclusão rapidamente.
Um argumento complexo é desenvolvido em etapas, cada qual composta por um conjunto de premissas e conclusões parciais, unindo as conclusões por inferência para chegar a um resultado final.
Além disto, os argumentos podem ser de natureza categórica ou hipotética.
O argumento categórico é formado por premissas aceitas como verdades dogmáticas, inquestionáveis.
O argumento hipotético é construído através de conjecturas, premissas que adotam verdades provisórias, trabalhando com probabilidades.


Silogismo e falácia.
No texto “Analíticos”, Aristóteles definiu uma proposição como “o discurso que afirma ou nega alguma coisa”, propondo termos como verdadeiros, criando a base da chamada lógica aristotélica.
Aristóteles estruturou a argumentação através de silogismos, propondo a busca da verdade por meio de operações intelectuais lógicas.
Um silogismo é um raciocínio que sempre demonstra a validade de uma conclusão, usando premissas tidas como verdadeiras para, por inferência, compor argumentos que permitiriam chegar à verdade.
Para alcançar este resultado, o silogismo utiliza pelo menos duas premissas.
Ao passo que as premissas podem ser universais ou particulares, afirmativas ou negativas, compondo por inferência um argumento ou conjunto de argumentos, permitindo chegar a uma conclusão valida, embora nem sempre verdadeira.

Um silogismo pode compor um raciocínio valido e verdadeiro, tal como no exemplo a seguir:

1. Todo homem é mortal. – Premissa universal afirmativa.
2. Sócrates é homem. – Premissa particular afirmativa.
3. Portanto, Sócrates é mortal. – Conclusão = Premissa Particular afirmativa.


No entanto, um silogismo também pode compor um raciocínio valido e não verdadeiro, como no exemplo que segue:

1. Os biscoitos são feitos de água e sal. – Premissa universal afirmativa.
2. O mar é feito de água e sal. – Premissa universal afirmativa.
3. Portanto, o mar é um grande biscoito. – Conclusão = Premissa universal afirmativa.


Nem mesmo um silogismo complexo escapa deste problema, pois também pode ser valido, apesar de não verdadeiro, tal como no exemplo que segue:

01. Deus é amor.
02. O amor é cego.
03. Steve Wonder é cego.
04. Portanto, Steve Wonder é Deus.
05. Disseram-me que sou ninguém.
06. Ninguém é perfeito.
07. Portanto, eu sou perfeito.
08. Só Deus é perfeito.
09. Portanto, eu sou Deus.
10. Se Steve Wonder é Deus, eu sou Steve Wonder.
11. Portanto, estou cego.

Enquanto o silogismo, cujo significado em grego é “reunir com o pensamento”, utiliza premissas bem definidas e que trabalham com a aceitação de afirmações tidas como verdadeiras, compondo raciocínios validos; a falácia expressa um argumento não valido, mas que aparenta se valido e verdadeiro.
A origem da falácia está fixada na antiguidade, inserindo-se na tradição dos sofistas gregos, extremamente vinculado com a retórica e a política.
Portanto, a falácia não é um argumento que deduz suas conclusões de premissas necessariamente validas ou verdadeiras, constituindo um raciocínio que, quando decomposto e analisado pela lógica, demonstra não ser valido devido a contradições internas, configurando um erro de construção lógica.
Em geral, a falácia procura se sustentar por meio de influências exteriores à sua própria demonstração, valendo-se de ambigüidades, duplos sentidos, apelo à emoção ou utilizando um argumento de autoridade descontextualizado.

Podemos pontuar os tipos de falácia mais comuns como:
1. “Argumentum ad populum”, que faz uso da popularidade do argumentador e apela à emoção.
2. “Argumentum ad baculum”, que apela ao poder detido pelo argumentador, fazendo uso da força para intimidar.
3. “Argumentum ad misericordiam”, um apelo à piedade, tentando despertar a compaixão.
4. “Argumentum ad hominem abusivo”, ataca diretamente uma pessoa, não suas idéias.
5. “Argumentum ad verecundiam”, usa a autoridade de alguém respeitando para validar uma afirmação.
6. “Argumento por acidente”, consiste em aplicar uma regra geral a um caso particular.
7. “Non causa pro”, estabelece ligação entre fatos distintos e sem qualquer relação concreta.
8. “Pergunta complexa”, consiste em uma pergunta que já sinaliza uma resposta.

Assim, a falácia fere duas regras básicas da lógica: o principio da não contradição e o principio do terceiro excluído.


Concluindo.
A aplicação da lógica ultrapassa o silogismo e as falácias, adentrando a construção e depuração conceitual e, conseqüentemente, a diferenciação entre argumentações.
É interessante notar que três conceitos vinculados decorrem da lógica aristotélica: dedução, indução e hipótese.
Concepções importantes para a lógica, mas também para a filosofia em sentido amplo e para a ciência.
Sem os quais a moderna ciência, tal como entendida hoje, nem sequer existiria.
A dedução constitui um método forma de verificação da verdade e validade das conclusões, partindo de premissas verdadeiras para chegar, pretensamente, a conclusões, igualmente, verdadeiras.
A dedução parte de premissas universalmente aceitas, consideradas como comprovadas, para analisar casos particulares, estabelecendo, por inferência, uma relação entre os argumentos, tentando evitar os mesmo erros do silogismo.
Enumera as premissas para construir cadeias de pensamento que permitam conclusões, em concordância com a realidade observável ou perceptível.
Ao contrário da dedução, a indução parte do particular para chegar ao universal ou a uma generalização, valendo-se da probabilidade.
O método típico das ciências naturais, onde as conclusões são induzidas pela probabilidade, muitas vezes se mostrando validas, embora nem sempre verdadeiras.
No entanto, permite criar modelos interpretativos que ajudam a sistematizar o conhecimento.
Já a hipótese está vinculada tanto com a dedução como com a indução, constitui a suposição de uma verdade, sugerida geralmente pela probabilidade fornecida pela indução.
Porém, a hipótese é analisada, embora também possa ser criada, pela dedução para comprovar sua validade, confirmando ou não sua verdade.


Para saber mais sobre o assunto.
COPI, Irving. Introdução à Lógica. São Paulo: Mestre Jou, 1981.
KENALE & KENALE. O desenvolvimento da lógica. Lisboa: Fundação Gunbenkian, 1996.
MORTARI, Cezar A. Introdução à lógica. São Paulo: Unesp, 2001.


Texto: Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.
Doutor em História Social pela FFLCH/USP.

Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Universidade de São Paulo.

CURIOSIDADE

MULHERES TÊM ORGASMOS MAIS INTENSOS QUANDO PARCEIRO É RICO














Por: Eduardo Mendes | Em: Notícias | 28 de novembro de 2014
orgasmo
Após interrogar estudantes universitárias sobre a sua vida sexual e as características de seus parceiros, os pesquisadores concluíram que quanto melhor o senso de humor do parceiro, mais chances elas têm de experimentar orgasmos intensos. Da mesma forma, o prazer também aumentaria de acordo com a autoestima e a renda familiar do homem.
Conduzida pelo psicólogo George Gallup, a pesquisa levantou detalhes como medidas, personalidade e aparência dos parceiros das entrevistadas. A intensidade dos orgasmos também se relacionava com a frequência com que o casal tinha sexo durante a semana e em quão atraída por seu parceiro a mulher se sentia.
Além disso, mulheres que começaram a vida sexual mais cedo revelaram ter tido mais parceiros e experimentado mais orgasmos. Elas também disseram estar mais satisfeita sexualmente com seus companheiros do que as demais.
“Nós identificamos uma série de traços — motivação, inteligência, foco e determinação — que previam quão frequentemente uma mulher iniciava relações sexuais. Além disso, o senso de humor do parceiro não apenas previa sua autoestima e renda familiar, mas também a propensão da mulher de iniciar o sexo, e quão frequentemente o casal fazia sexo e a frequência do orgasmo em relação a outros parceiros”, escreveram os pesquisadores.
Fonte: O Globo
eduardo
Eduardo Mendes
Editor do Testosterona. Um cara sossegado que precisa de pouco pra sobreviver: cerveja, mulher, futebol na TV, uma mesa de poker e as arquibancadas da Arena Corinthians.

domingo, 3 de julho de 2016

TÚMULO DE 2.400 ANOS DO FILÓSOFO GREGO ARISTÓTELES É ENCONTRADO EM ESTAGIRA, MACEDÔNIA

TÚMULO DE 2.400 ANOS DO FILÓSOFO GREGO ARISTÓTELES É ENCONTRADO EM ESTAGIRA, MACEDÔNIA

Qual a importância do filósofo da Grécia, Aristóteles, para o mundo através dos seus escritos sobre metafísica, política, ética, entre tantos outros?Descoberto o túmulo do filósofo grego Aristóteles Descoberto o túmulo do filósofo grego Aristóteles PUBLICIDADE
Se literalmente traduzida, a palavra grega 'filosofia' deve ser entendida como "amor à sabedoria", onde há o processo da busca do conhecimento voltado à origem ou existência da humanidade, sobre o que é a verdade absoluta ou o que são os princípios e valores estéticos e morais, bem como, do entendimento do que é mente e de como funciona a linguagem entre as pessoas.

O indivíduo que busca o autoconhecimento, sem idéias pré-concebidas, somente sendo direcionando pela realidade que o cerca e pela curiosidade, é chamado de filósofo.

E em questão de filosofia e filósofos, os gregos novamente são imbatíveis, uma vez, que o legado dos postulados, pensamentos e raciocínios filosóficos desses gregos da Grécia Antiga, influenciam a todas as sociedades até os dias atuais, sendo que não pode deixar de ser lembrado, comentado e estudado.

Um desses principais representantes helenistas foi Aristóteles, nascido na região de Estagira em 384 a.C e morreu na data de 322 a.C. em Chalcis, Evia. Vale ressaltar que os trabalhos de Aristóteles são muito representativos não só para a Grécia, mas para o mundo contemporâneo.


O filósofo foi aluno de ninguém menos do que Platão; por sua vez, foi o tutor ou uma espécie de mestre de Alexandre, o Grande, rei da Macedônia, que conquistou todo o mundo conhecido da época. Aristóteles marcou o seu tempo ao desenvolver escritos direcionados aos temas da física, drama, poesia, retórica, temas políticos, zoologia, biologia, entre outros estudos.

O que é mais significativo e importante aos amantes da Grécia e aos simpatizantes da filosofia e história, é que arqueólogos gregos que trabalham em Estagira, no centro da Macedônia, afirmaram, dias atrás, terem finalmente encontrado o que pode ser considerado o túmulo do filósofo grego Aristóteles.



O arqueólogo chefe da equipe, Kostas Sismanidis, fez questão de anunciar oficialmente foi que, de acordo com as escavações iniciadas no ano de 1996, o túmulo de fato é de Aristóteles, pois foram catalogadas conclusões de sobra para isso.

Anteriormente os pesquisadores acreditavam que o filósofo tinha sido enterrado em Chalcis, mas a equipe de arqueologistas, agora diz estar convicta do local exato, até mesmo porque, de acordo com 2 fontes literárias, os conterrâneos de Aristóteles em Estagira, muito provavelmente, levaram as cinzas do grego ilustre para a sua terra natal.

A tumba que possui uma abóboda arredondada e piso revestido de mármore, data do período helenístico, localizando-se no centro de Estagira, perto da Ágora (antigo local de comércio dos habitantes locais), tendo uma vista de 360 graus. Tudo indica que a tumba, ao ser construída isolada, isso lhe conferiu um caráter público ou aberta à visitação já naquela época.

Maiores detalhes revelam que o topo da cúpula tem uma altura de 10 metros com um andar quadrado ao redor de uma torre da época bizantina. Há ainda um caminho que conduz à entrada do túmulo destinado a todos aqueles que queriam conferir homenagens ao morto ali enterrado. Alguns outros objetos encontrados no local foram pedaços de cerâmica antigos e 50 moedas que eram dinheiro corrente da época do rei Alexandre, o grande.

Não tem como negar, que a Grécia encanta o mundo não só pela sua beleza geográfica natural, sedução, mitologia que povoa o imaginário das pessoas, mas também pelo conhecimento milenar legado à humanidade pelos seus filhos ilustres. Viva a Grécia!

FONTE : http://br.blastingnews.com/mundo/2016/05/tumulo-de-2-400-anos-do-filosofo-grego-aristoteles-e-encontrado-em-estagira-macedonia-00939849.html

Até onde é possível permitir que o direito seja instrumentalizado pela canalhice?

Até onde é possível permitir que o direito seja instrumentalizado pela canalhice?

"Um advogado que evidentemente está repleto da mais íntima convicção... que seu cliente lhe pagará bem." (Daumier - "Le Gens de Justice" - 1845)



Por Antonio Fernando Pinheiro Pedro


No lodaçal da política brasileira, a noção do que seja ética já sucumbiu.

Não escapa até mesmo a instituição mais nobre, que deveria primar pela correção na defesa das causas e das pessoas em busca de justiça: a advocacia.


O lodo petista chega à advocacia

A confusão entre engajamento ideológico e interesse econômico tomou conta de toda a máquina burocrática estatal nos governos de Lula e Dilma. Essa confusão está na origem dos escâncalos de corrupção petista e, também, na exacerbada defesa dos envolvidos por militantes partidários.

Se o equívoco, embora não justificável, pode ser compreendido entre leigos, em relação aos profissionais do direito é indesculpável. Assim ocorre com a lamentável imersão de bons colegas e bancas de renome, no lodaçal das boas intenções petistas... noticiada nos últimos anos.

Primeiro, apareceram notícias sobre escritórios que se tornaram a meca das atividades de governo geridas pela "companheirada no poder". Demandas canalizadas independente de assunto, grau ou especialização (afinal, para tudo se terceiriza e se contrata).

O fenômeno abrangeu misturas duvidosas, como a defesa de políticos junto à justiça eleitoral e, quando tornados dirigentes, em casos de crime de corrupção ou improbidade administrativa.

Ficaria isso no campo da relação da solidariedade entre companheiros se as defesas não fossem conectadas a polpudos contratos de prestação de serviços à administração nas quais os clientes estavam inseridos, envolvendo licitações e contratos de interesses destes com os próprios órgãos que dirigiam...

Conflitos de interesses, convergências e divergências, denúncias de honorários estratosféricos (e suspeitas de repasses idem), passaram a ser noticiados com frequência.

Depois dessa onda, veio outra denúncia: a "porta giratória" da indicação de "companheiros" (ou simpatizantes da "causa"), para os chamados quintos constitucionais da magistratura dos tribunais, como uma espécie de "premio por serviços prestados" (?), ou forma de reforçar a "blindagem" de líderes prestes a serem julgados pelo órgão correspondente.

A porta se estendeu para outros setores, como as agências reguladoras, estigmatizando jovens promessas, nomeadas para cargos públicos e precocemente enredadas nas notícias sobre ligações perigosas.

Então, como se já não bastasse, surgem noticiários sobre  contratação de escritórios ligados a este ou aquele magistrado, ou vinculado por parentesco a um ou outro gestor público. Contratos firmados com estatais e empreiteiras despencaram, coincidentemente, no mesmo período em que casos de interesse da "companheirada" emergiam do mar de lama, pescados pelo aparato judiciário.

Abordados diuturnamente pela mídia, amigos, filhos, parentes e contraparentes de cidadãos agregados a "todos e todas" postados no poder, com título de "ministro" ou outro similar de exercente em cargo público - apareceram intermediando causas, interesses, lobbies, em franca orgia de promiscuidades relacionais - orgias financiadas por estatais ou por empreiteiras de obras (cujo sentido "obrar" transcendeu aquele da construção civil...). 

Cedendo à pressão popular, a Justiça acionou sua máquina, projetando luz sobre malfeitos de toda ordem. Como resultado, "companheiros", amigos dos amigos, laranjas e prepostos, começaram a ser encarcerados ás pencas (sem apelação, ou melhor, com várias...).

Então, veio a derradeira onda, envolvendo padarias jurídicas de todo tamanho, encarregadas de passar o verniz da banca de grife sobre ligações perigosas com resultados alarmantes. Um verdadeiro mercado de lavanderias e aquecedores de moeda corrente com título acadêmico.

Corporações multinacionais, grandes estatais, projetos culturais, fundos de pensão,  fundos de investimentos e bancos... reputações destroçadas no moedor de carne humana das operações da Polícia Federal.

"Ofendidos, humilhados e endinheirados"


A reação não tardou a ocorrer.

Surgiram manifestos de toda ordem: de advogados contra juízes e promotores, de juízes e promotores contra advogados, de advogados contra advogados, "militontos" contra outros tontos e vice-e-versa.

Um espetáculo triste. Misérias morais expostas mutuamente...

De fato, roupas sujas lavadas a jato, não se limpam com manifestos impressos em papel. Afinal, o pano de fundo sempre foi e é a lamentável onda de favorecimentos e contratações transversas, por estatais, políticos e empreiteiras envolvidas em escândalos. 

A cada denúncia sobre contratações trianguladas de nobres prestadores de serviço por estatais e empreiteiras, para lavar propinas como honorários, choveram manifestos, desagravos, protestos e processos. Uma verdadeira infestação de acusações e desagravos.

Defensores dos "ofendidos e humilhados" pelas instituições republicanas que combatem a corrupção no Brasil, irromperam na sala da Justiça, com seus ternos bem cortados sob holofotes, marchando sobre um tapete vermelho de indignação, enquanto a ética sumia pela janela...

Recentemente, surgiu outra constrangedora novidade: com arrogância peculiar, dirigentes petistas informaram que "dinheiro não faltará" para a contratação de advogados de peso - "a nata da advocacia brasileira" - para formar uma "equipe de altíssimo nível e respeitabilíssimo curriculum", visando cuidar da defesa do ex-presidente Lula.

A ideia, segundo anotou Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, seria "formar um grupo sênior, com profissionais acostumados a fazer o enfrentamento midiático e político de casos de grande repercussão, além da parte jurídica". 

Seria isso uma "nata" ou uma bravata? 

Pergunto se essa forma de anúncio, absolutamente dinheirista (a questão monetária salta a cada linha da matéria), seria algo... ético... 

Pergunto se, diante de tamanha promiscuidade, subscrever manifestos e sair por aí arrogando a autoridade dos que se dão enorme importância, pode ser considerado algo eticamente aceitável.

A absoluta necessidade midiática de demonstrar que o dinheiro (às pencas), move a indignação,  é algo que moralmente se louve?

Por tudo que se viu, se vê, ouve e lê, o milk-shake de relações  espúrias entre estatais, empreiteiras, institutos, partidos, bancas e prestadores de serviços, interesses políticos, financeiros e de favorecimentos, é mais indigesto que qualquer cidadão de bem poderia suportar engolir sem vomitar... 

"Pois é, o Ministério Público disse coisas muito
desagradáveis a seu respeito.. Seria o caso de
deixar cair ao menos uma lágrima do olho. Isso
faria bem..."
(Daumier - 1845 - "Le Gens de Justice") 


É preciso se indignar para resgatar a ética!



Em respeito à profissão que amo, aos colegas que lutam e trabalham, dia e noite, para sustentar suas famílias com dignidade, cabe perguntar:    

1- Será que a miséria humana, a mesquinhez, a falta de princípios, a estreiteza ideológica, a falta de caráter e dignidade, chegou a tal nível baixeza que, ao fim e ao cabo, sobrou apenas... dinheiro? 

2- Em meio a toda essa lama, na qual chafurda a classe política brasileira, sustentada com o dinheiro do sofrido povo brasileiro - receber quantias de procedência tão ruim não gera um dilema moral?

3- Há quem possa afirmar-se bem sucedido, quando o alegado "sucesso" ocorre às custas da saúde, da dignidade, da educação, da segurança e do futuro da população mais pobre? A carga de contribuição fiscal indireta - inversamente proporcional à miséria em que vive a população espoliada pela corrupção, não afeta a consciência de quem fatura com o conflito? 

4- É ético fechar os olhos à  corrupção praticada pelo contratante, quando se está ciente que o dinheiro dos honorários pode ter sido auferido com a deseconomia, o desemprego, o sucateamento de empresas e bens públicos e a morte de pessoas deixadas à míngua nas filas dos postos de saúde, nas salas de espera da previdência, humilhada nos balcões de atendimento de serviços públicos sucateados? 

5- Aceitar receber quantias "nababescas" para servir de bonequinho de enfeite engravatado, ornando o bolo de lixo da corrupção, assado e sustentado com dinheiro roubado da nação brasileira... seria algo digno de se alardear?

6- DATA VENIA, no último caso relatado - da contratação "a peso de ouro" de um "dream team", é lúcido entender o sagrado ofício de garantir um direito de defesa necessita ser ostensivamente monetarizado? 

Não questiono a figura e a importância histórica e conceitual, da advocacia. Muito menos questiono a dignidade da profissão de advogado. Como advogado sei bem da dureza que é assumir casos  que causam antipatia popular, e a necessidade de ser bem remunerado por isso. 

Porém, a forma como tudo é divulgado, postado e transmitido, mídia afora, incluso por colegas,  por magistrados e procuradores, deveria ser motivo de preocupação, não apenas minha, mas de todos os organismos de representação e tutela da advocacia, do judiciário e do ministério público.

Muito profissional envolvido, talvez por se encontrar absolutamente deslumbrado com a oportunidade do próprio protagonismo, não se apercebe que, de tanto advogar para canalhas, termina por patrocinar a canalhice... 


Chicaneiros e manipuladores



Houve, até um tempor atrás - quando não se previa que a lama atingiria o próprio operador do direito em causa, um exagerado destaque para formas e posturas canalhas, arrogantes, que estimularam, no entanto, uma profunda distorção de valores na advocacia.

Essa postura, infelizmente, ainda vigora por aí... e alhures.

Há, também, uma instrumentalização nociva de princípios caros ao Direito, como se a função da norma jurídica fosse a de se prestar a qualquer tipo de interpretação que  proteja poderosos de plantão...

A canalhice não subsiste se não ocorrer simbioticamente. Daí a correspondência clara entre condutas que fariam até a "mulher de Cesar" corar.

De fato, se é cediço que não basta ser honesto, é preciso parecer ser - há quem ache inteligente não apenas não ser... como parecer que não é mesmo...

Essa postura canalha "oficial" integra o chamado "custo Brasil". Ela não apenas envolve corrupção - abrange também a insensibilidade social da burocracia, ciosa dos salários altos que recebe, somados a benefícios nababescos, temperados com aquela perversa sensação de impunidade.

Esta síndrome da arrogância afeta razoável parcela da Administração da Justiça, seja por conta da arbitrariedade recalcitrante, seja pela desonestidade (ainda que praticada por ínfima parcela), seja, também, pela morosidade incrementada pelo comodismo burocrático. Tudo isso contribui para fermentar o caldo de cultura da canalhice no direito nacional e elevar a chicana à categoria de patrimônio jurisprudencial.

Chicana é expediente utilizado pela parte em processo judicial, visando criar dificuldades com base em argumentos maliciosos e irrelevantes, abuso de recursos e uso de formalidades redundantes e dispensáveis.

Há uma certa tolerância no mundo jurídico para com a chicana, quando resulta de ato desesperado ou visa "ganhar tempo" na busca de elementos que realmente importem ao deslinde dos fatos. No entanto, quando a chicana visa desmoralizar as instituições, permitir o uso constante da má-fé,  garantir a manobra capciosa. Quando é utilizada como trapaça ou tramóia para obstar o efetivo cumprimento da lei ou obstruir a justiça, torna-se molecagem intolerável.

Essa molecagem parece estar sendo absorvida por parcela "contaminada" do judiciário nacional - e não raro  a mistura de arrogância, chicana e arbitrariedade engajada, termina por ocasionar estragos profundos no equilíbrio de poderes da república , esfarelando a credibilidade da Justiça.

Bravos e poucos magistrados, é certo, estão empenhados em romper com o círculo vicioso da incompetência, do populismo e da corrupção.  Não por outro motivo, têm sido ovacionados pela população.

Juristas que honram a história da advocacia também se mobilizam, alguns subscrevendo peças importantes para o deslinde de dilemas nacionais - como é o caso do impeachment da presidente petista. Estes também recebem o reconhecimento popular - e suportam estoicamente o achincalhe intentado pela matilha de defensores do malfeito governamental.

Na verdade, há um contraste entre o que sente a opinião pública e o que se opina a respeito desses mesmos magistrados e advogados nos círculos esquerdistas, nas rodinhas de poder e, pior, entre grande parcela de juristas articulados com o poder político e econômico nacional.

Esse contraste é sintomático de uma profunda distorção de valores. Distorção que revela o escárnio, transcende a militância, contraria a deontologia profissional, destrói currículos e mancha biografias.

O conflito, muitas vezes televisionado, reproduzido nas redes sociais, transmite um péssimo sinal para a sociedade. Sinaliza algo muito ruim, também para toda uma nova geração de profissionais. Passa a noção de que a razão do sucesso não está na advocacia digna ou no exercício honrado de um cargo público. Está, sim, na canalhice.

"Informam" certos operadores do direito, à opinião pública, que o cinismo é rentável e a podridão é socialmente aceitável.

Fazem os chicaneiros engajados, uso deliberado da venda que cega a justiça, dando à cegueira um sentido sórdido... para coonestar com peripécias doutrinárias mais afetas à mídia intestina que ao debate sério da causa do Estado Democrático de Direito.

A lama por eles produzida, se espraiou em vários eventos de repúdio ao impeachment e à prisão de políticos. Se reproduziu nas greves e assembleias estudantis, que promoveram e promovem o ódio e estimulam o desrespeito à Justiça.

Com efeito, manifestações desairosas a colegas que exercem o direito constitucional e moral de se indignar, não contribuem para o contraditório - apenas estimulam a canalhice.

Honoré Daumier: O derradeiro conselho de ex ministros sai pela janela, quando a República entra pela porta...


A propósito, os desenhos de Daumier não ilustram esse artigo por acaso. As gravuras nos remetem à farsa que termina ditando a triste realidade.

Há misérias engravatadas, ricas, eruditas e deslumbradas. Nem por isso, deixam de constituir misérias...


Há uma ética a ser seguida

A preocupação deste artigo não é vã. Ela encontra respaldo nas regras de conduta da advocacia.

Reza o Código de Ética da Advocacia Brasileira, art. 2o., VII,  que o advogado deverá abster-se de : 
"a) utilizar de influência indevida, em seu benefício ou do cliente;
b) patrocinar interesses ligados a outras atividades estranhas à advocacia, em que também atue;
c) vincular o seu nome a empreendimentos de cunho manifestamente duvidoso;
d) emprestar concurso aos que atentem contra a ética, a moral, a honestidade e a dignidade da pessoa humana."

Assim, antes dos desagravos de praxe, das acusações sobre o antes, o durante e o depois, dos debates inúteis sobre as origens de autoria dos favorecimentos entre tucanos e petistas, peemedebistas, pepistas e pecedobistas,  das defesas pomposas de escritórios, juristas, ministros e agregados... deveria todo o mundo jurídico, sem exceção, tomar vergonha na cara e, simplesmente, fazer silêncio. Reduzirem-se aos autos dos respectivos processos.

É certo, como vaticina Esopo, que todo tirano usa de um pretexto justo para exercer sua tirania.

Nesse sentido, tiranetes pululam nos escaninhos e mesas emboloradas do serviço público - como miniaturas do "Inspetor Javert", protagonizando arbitrariedades a título de promover a Justiça. No entanto, o combate às tiranias também não pode servir de pretexto à manutenção da injustiça.

Nesse sentido, é lamentável testemunhar (e moralmente ter que desmerecer), o esforço de articulação da companheirada engravatada, de juristas engajados, na defesa de uma esquerda que tem se comportado de maneira esquerda. Pior ainda quando a defesa se estende aos braços direitos dessa mesma esquerda...

Os arautos da canalhice bem remunerada deveriam calar a boca, para não expelir mais lixo sobre o já poluído lamaçal em que se encontram atoladas a Justiça e a Política brasileiras.

Não merece qualquer respeito, temor e muito menos admiração o que se testemunha hoje, nos debates  pretensamente "jurídicos", em torno das condutas de políticos corruptos, beneficiários da corrupção e suas mazelas junto à justiça criminal.

Pelo contrário, há de se registrar, com firmeza, o profundo desprezo a todo esse opróbrio, coberto de cinismos e posturas igualmente desprezíveis.

O destino é implacável. Queimará a todos na fogueira de suas próprias vaidades, tal qual o incinerador gera seu calor na autocombustão do lixo nele depositado.

Tout d'abord l'avocat! Le courage, pour un avocat, c'est l'essentiel, ce sans quoi le reste ne compte pas *  - ensinava Robert Badinter - o grande jurista e político socialista que lutou para abolir a pena capital na França.

Permanecerá, ao fim e ao cabo, o verdadeiro advogado. O profissional corajoso, heróico e batalhador.

Assim como nos escândalos anteriores, quanto aos canalhas, nada permanecerá gravado na história, apenas a cinza, o opróbrio e o esquecimento...



Nota: 
*Primeiro de tudo, o advogado! A coragem, no advogado, é essencial, caso contrário, o resto não importa...


Antonio Fernando Pinheiro Pedro

Antonio Fernando Pinheiro Pedro é advogado (USP), jornalista e consultor ambiental. Sócio diretor do escritório Pinheiro Pedro Advogados. Integrante do Green Economy Task Force da Câmara de Comércio Internacional, membro do Instituto dos Advogados Brasileiros – IAB e da Comissão Nacional de Direito Ambiental do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB.  É  Editor-Chefe do Portal Ambiente Legal e responsável pelo blog The Eagle View.


FONTE http://www.theeagleview.com.br/2016/02/quando-fogueira-das-vaidades-queima-lixo.html