segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Danilo Gentili ridiculariza mancada de Gleisi

Danilo Gentili ridiculariza mancada de Gleisi, que confundiu o torcedor Luca com Lula e pagou mico na web

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Gleisi Hoffmann passou vergonha ao confundir o torcedor italiano “Luca” com o ex-presidente Lula. Isso ficará marcado marcada como um dos grandes papelões de 2018.
Luca é um torcedor italiano que está em coma após ser agredido por torcidas organizadas. Por vários lugares do mundo, faixas são estendidas em sua homenagem, com dizeres como “Forza Luca”. Foi o que aconteceu no jogo do Bayern de Munique.
Lembre-se do post de Gleisi:
Depois de ser zoada na web, apagou o print.
Mas deu tempo para Danilo Gentili zoar o papelão de Gleisi.

Resumindo o kit de ferramentas de ciência


Aqui, vimos que um pouco de reflexão pode ajudar muito ao avaliar as mensagens científicas que surgem no seu caminho todos os dias - seja o logotipo saudável para o coração no seu pacote de cereais, ou uma notícia acerca de uma decisão do governo sobre a conservação costeira. Você pode chegar à ciência por detrás da propaganda, aplicando o que sabe sobre como a ciência funciona: como as ideias científicas são avaliadas e divulgadas, o caráter provisório inerente às ideias científicas, a natureza da controvérsia científica, e como a ciência é financiada. A própria ciência é simplesmente uma forma de aprender sobre o mundo natural, mas porque esse conhecimento é poderoso e afeta muitos aspetos de nossas vidas, identificar erros de interpretação e deturpações da ciência é uma parte fundamental de uma perspetiva científica sobre a vida.Mas isso não é tudo o que uma visão científica do mundo lhe vai proporcionar. Alguns aspetos do processo da ciência podem ser utilizados no seu dia a dia. Por exemplo, você pode usar o raciocínio científico, evidência, e ideias para resolver problemas quotidianos — tais como descobrir o que se passa com o seu carro testando uma hipótese sobre o problema de cada vez, da mesma forma que um cientista planeia uma experiência. De modo mais geral, uma visão científica do mundo pode ajudá-lo a manter e a aumentar a sua curiosidade sobre do mundo natural, e a valorizá-lo mais. Uma vista do Himalaia é certamente deslumbrante mas é ainda mais poderosa quando acompanhada da compreensão dos processos naturais que a cordilheira representa — 40 milhões de anos de placas a colidir, empurrando para cima os picos e expondo-os ao lento trabalho da erosão. O céu noturno é bonito, mas é fascinante quando se compreende a distância entre as estrelas e os eventos antigos que a sua luz representa. E um beija-flor é belo, mas torna-se inspirador quando se considera a velocidade estonteante das reações químicas dentro das células que fornecem energia ao bater rápido do seu coração. A ciência coloca a pergunta mais profunda de todas as perguntas sobre o mundo natural que nos rodeia: como é que o universo se tornou o que é hoje, e como é que vai ser amanhã? Este é um mistério incrível — mas que a ciência nos dá as ferramentas necessárias para entender e apreciar.

FONTE http://saberciencia.tecnico.ulisboa.pt/artigos/ciencia-kit-de-ferramentas-09.php

Grupo de 100 mulheres assina texto, publicado no “Le Monde”, afirmando sua rejeição a certo feminino que expressa “ódio aos homens”



Grupo de 100 mulheres assina texto, publicado no “Le Monde”, afirmando sua rejeição a certo feminino que expressa “ódio aos homens”.
Da Redação 

Ass%C3%A9dio-1.jpgEm texto publicado no “Le Monde”, um coletivo de 100 mulheres, incluindo Catherine Millet, Ingrid Caven e Catherine Deneuve, afirma sua rejeição a um certo feminismo que expressa um “ódio aos homens”.Ajude a Fórum a fazer a cobertura do julgamento do Lula. Clique aqui e saiba mais.Na sequência do caso de Weinstein, houve uma consciência legítima da violência sexual contra as mulheres, particularmente no local de trabalho onde alguns homens abusam do seu poder. Ela era necessária. Mas essa libertação do discurso torna hoje o seu oposto: somos intimadas a falar corretamente, silenciar o que incomoda e aquelas que se recusam a cumprir tais injunções são consideradas traidoras, cúmplices!Mas é característico do puritanismo pedir emprestado, em nome de um suposto bem geral, os argumentos da proteção das mulheres e sua emancipação para melhor vinculá-las ao status de vítimas eternas, coitadinhas sob a influência dos falocratas demoníacos, como nos bons velhos tempos da feitiçaria.Delações e acusaçõesDe fato, #metoo iniciou na imprensa e nas redes sociais uma campanha de denúncia e acusação pública de indivíduos que, sem ter a oportunidade de responder ou se defenderem, foram colocados exatamente no mesmo nível que os agressores sexuais. Esta justiça expeditiva já tem suas vítimas, homens impedidos do exercício de sua profissão, obrigados a demitir-se etc., quando seu único erro foi terem tocado um joelho, tentado roubar um beijo, falado sobre coisas “íntimas” em um jantar de negócios ou enviado mensagens sexualmente explícitas para uma mulher com a qual a atração não era recíproca.Essa febre de enviar “porcos” ao matadouro, longe de ajudar as mulheres a se emancipar, na verdade serve aos interesses dos inimigos da liberdade sexual, dos extremistas religiosos, dos piores reacionários e daqueles que acreditam, em nome de uma concepção substancial do bem e da moral vitoriana que o acompanha, que as mulheres são seres “à parte”, crianças com rosto de adulto, exigindo proteção.Diante disso, os homens são convocados a reconhecer a culpa e encontrar, no fundo de sua consciência retrospectiva, um “comportamento mal colocado” que eles poderiam ter tido dez, vinte ou trinta anos atrás, e dos quais eles deveriam se arrepender. É a confissão pública, a incursão de promotores autoproclamados na esfera privada, que instaura um certo clima de sociedade totalitária.A onda purificatória parece não ter limites. Aqui, censuramos um nu de Egon Schiele em um cartaz; ali pedimos a remoção de uma pintura de Balthus de um museu com base em que seria uma apologia à pedofilia; na confusão do homem e da obra, pedimos a proibição da retrospectiva Roman Polanski na Cinémathèque e obtivemos o adiamento daquela dedicada a Jean-Claude Brisseau. Uma acadêmica considera o filme de Michelangelo Antonioni Blow Up “misógino” e “inaceitável”. À luz deste revisionismo, John Ford (The Prisoner of the Desert), e até mesmo Nicolas Poussin (The Abduction of the Sabines) não estão numa situação melhor.Alguns editores já estão pedindo a algumas de nós que façamos nossos personagens masculinos menos “sexistas”, que falemos sobre sexualidade e amor com menos desmedida ou ainda que deixemos o “trauma sofrido pelas personagens femininas” mais óbvio! À beira do ridículo, um projeto de lei na Suécia quer impor um consentimento explicitamente notificado a qualquer candidato para relações sexuais! Só mais um esforço e dois adultos que quiserem dormir juntos deverão preencher via um “App” em seu telefone celular um documento em que as práticas que eles aceitam e aquelas que eles recusam serão devidamente listados.Indispensável liberdade de ofenderRuwen Ogien defendeu uma liberdade de ofender indispensável à criação artística. Do mesmo modo, defendemos a liberdade de importunar, indispensável à liberdade sexual. Somos hoje suficientemente conscientes para admitir que a pulsão sexual é por natureza ofensiva e selvagem, mas também somos suficientemente clarividentes para não confundir paquera desajeitada e assédio sexual.Acima de tudo, temos consciência que a pessoa humana não é monolítica: uma mulher pode, no mesmo dia, liderar uma equipe profissional e gostar de ser o objeto sexual de um homem, sem ser uma “vagabunda” ou uma vil cúmplice do patriarcado. Ela pode cuidar para que seu salário seja igual ao de um homem, mas não se sentir traumatizada para sempre por um esfregador no metrô, mesmo que isso seja considerado um delito. Ela pode até mesmo considerar isso como a expressão de uma grande miséria sexual, como um não evento.Como mulheres, não nos reconhecemos neste feminismo que, além da denúncia de abusos de poder, toma forma de ódio aos homens e à sexualidade. Acreditamos que a liberdade de dizer não a uma proposta sexual não existe sem a liberdade de importunar. E consideramos que é preciso saber responder a essa liberdade de importunar de outra forma que se encerrando no papel de presa.Para aquelas de nós que escolhemos ter filhos, sentimos que é mais sensato criar nossas filhas de modo que sejam suficientemente informadas e conscientes para viver suas vidas sem se deixar intimidar ou culpabilizar.Os acidentes que podem tocar o corpo de uma mulher não atingem necessariamente sua dignidade e não devem, por mais difíceis que possam ser, necessariamente torná-la uma vítima perpétua. Porque não somos redutíveis ao nosso corpo. Nossa liberdade interior é inviolável. E essa liberdade que estimamos não vem sem riscos ou responsabilidades.As redatoras deste texto são: Sarah Chiche (escritora, psicóloga clínica e psicanalista), Catherine Millet (crítica de arte, escritora), Catherine Robbe-Grillet (atriz e escritora), Peggy Sastre (autora, jornalista e tradutora), Abnousse Shalmani (escritora e jornalista).Assinam também: Kathy Alliou (curadora), Marie-Laure Bernadac (curadora geral honorária), Stephanie Blake (autora de livros infantis), Ingrid Caven (atriz e cantora), Catherine Deneuve (atriz), Gloria Friedmann (artista visual), Cécile Guilbert (escritora), Brigitte Jaques-Wajeman (diretora), Claudine Junien (geneticista), Brigitte Lahaie (atriz e apresentadora de rádio), Elisabeth Lévy (editora-chefe da Causeur), Joëlle Losfeld (editora) Sophie de Menthon (presidente do movimento ETHIC), Marie Sellier (autora, presidente da Société des gens de lettres).Foto: Creative Commons
FONTE :
https://www.revistaforum.com.br/2018/01/10/defendemos-liberdade-de-importunar-indispensavel-liberdade-sexual-leia-traducao-do-manifesto-de-intelectuais-e-artistas-francesas/

Cientistas confirmam: o universo não tem direção


Cientistas confirmam: 

o universo não tem direção

Por , em 24.09.2016

O universo não está girando ou se expandindo em qualquer direção em particular, de acordo com o teste mais rigoroso já feito.
Olhando para o céu à noite, vemos um universo irregular: planetas orbitando estrelas em sistemas solares, estrelas agrupadas em galáxias, que por sua vez formam enormes aglomerados de galáxias. Mas cosmólogos acreditam que esse efeito é apenas local: que, se olharmos em escalas suficientemente grandes, o universo é na verdade uniforme.


A grande maioria dos cálculos feitos sobre o nosso universo começam com a hipótese de que o universo é praticamente o mesmo, qualquer que seja a sua posição e em qualquer direção que você olhar.
Se, no entanto, o universo estivesse se expandindo preferencialmente numa direção, ou girando em torno de um eixo de uma forma semelhante à Terra em rotação, este pressuposto fundamental, e todos os cálculos que dependem dele, estaria errado.
Agora, cientistas da University College London e do Imperial College de Londres colocaram esta hipótese a prova através do teste mais rigoroso já feito, e descobriram que há apenas uma chance de 1 em 121.000 que o universo não seja o mesmo em todas as direções.

Luz mais antiga

Para fazer isso, eles usaram mapas da radiação cósmica de fundo em microondas (CMB): a luz mais antiga do universo, criada logo após o Big Bang. Os mapas foram produzidos utilizando medições da CMB tomada entre 2009 e 2013 pelo satélite Planck, da Agência Espacial Europeia, proporcionando uma imagem da intensidade e, pela primeira vez, a polarização (em essência, a orientação) da CMB em todo o céu.


Anteriormente, os cientistas já haviam procurado padrões no mapa CMB que pudessem sugerir um universo em rotação. O novo estudo considerou o maior número possível de universos com direções preferenciais ou rotações, e determinou os padrões que eles criariam na CMB.
Um universo que gira sobre um eixo, por exemplo, iria criar padrões em espiral, enquanto um universo em expansão em diferentes velocidades ao longo de diferentes eixos iria criar pontos quentes e frios alongados.
Stephen Feeney, do Departamento de Física no Imperial College, trabalhou com uma equipe liderada por Daniela Saadeh, do University College London, para procurar esses padrões na CMB observada. Os resultados mostram que nenhuma possibilidade analisada estava correta, e que o universo provavelmente não tem uma direção definida.

Cosmologia está segura

“Este trabalho é importante porque testa um dos pressupostos fundamentais em que quase todos os cálculos cosmológicos são baseados: que o universo é o mesmo em todas as direções. Se este pressuposto estivesse errado, e nosso universo girasse ou se estendesse em uma direção mais do que outra, teríamos de repensar a nossa imagem básica do universo”, avalia Feeney.
“Nós colocamos este pressuposto ao seu exame mais exigente, testando uma enorme variedade de giros e expansões que nunca foram considerados antes. Quando comparamos essas previsões com as últimas medições do satélite Planck, encontramos evidências de que o universo é o mesmo em todas as direções”, aponta.


Saadeh acrescenta: “Não podemos descartar a possibilidade completamente, mas nós calculamos as probabilidades de que o universo prefere uma direção em relação a outra em apenas 1 em 121.000. Estamos muito contentes que o nosso trabalho confirma o que a maioria dos cosmólogos acredita. Por agora, a cosmologia está segura”. [Phys.org] 

O PARADOXO DE OLBERS – POR QUE A NOITE É ESCURA?


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O PARADOXO DE OLBERS – POR QUE A NOITE É ESCURA?

por Renato da Silva Oliveira
 
Este texto foi desenvolvido a partir de anotações utilizadas numa palestra proferida por mim na Escola Municipal de Astrofísica de São Paulo, em meados dos anos 80. Procurei não evocar considerações matemáticas na parte principal do texto. Para os interessados, há apêndices com resumos de desenvolvimentos matemáticos que permitem justificar as afirmações do texto principal.
 
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“E Deus disse:  — Faça-se a luz!
E a luz se fez.
E Deus viu a luz, que era boa;
e Deus separou a luz das trevas.
E Deus chamou a luz de dia e
as trevas de noite.
E a tarde e a manhã foram do 1º dia.”
Gênesis

Olbers2
Heirich Wilhelm Olbers nasceu em 1758 na pequena cidade de Arbergen, na Alemanha.
Seus trabalhos como astrônomo incluem a elaboração de um novo método para a determinação das órbitas de cometas; a descoberta de 6 cometas, um dos quais leva seu nome; vários estudos sobre os planetas e a descoberta de 2 dos maiores asteróides: Palas e Vesta.
Nada mal para um astrônomo de sua época!
Mas o que o tornou mais conhecido não foi a difícil observação dos asteróides ou os sistemáticos estudos dos planetas. Nem a descoberta de cometas ou seu elaborado método para calcular-lhes as órbitas.
O que fez Olbers um nome conhecido até nossos dias entre os astrônomos foi uma singela pergunta que ele fez a si mesmo e para a qual nunca obteve uma resposta satisfatória:
Por quê a noite é escura?
UM UNIVERSO INFINITO E IMUTÁVEL
Nos tempos de Olbers era ideia corrente que o Universo fosse infinito e que fossem também infinitas as estrelas.
Espalhadas de maneira uniforme por todo o espaço, elas permaneceriam estáticas e imutáveis por toda a eternidade.
ViaLactea1
Imagem fotográfica de uma região da Via-Láctea.
Olbers, ao tentar responder a pergunta que se havia feito, percebeu que havia algo errado com essa idealização de Universo.
Se ele fosse infinito e imutável, as noites deveriam ser claras… muito… muito claras!
Infinitamente claras!
E, mais do que isso: Os dias também deveriam ser infinitamente claros!
Através de cálculos muito simples, Olbers concluiu que tanto as noites quanto os dias eram demasiadamente “escuros”.
Em suas tentativas para explicar a enorme discrepância entre seus cálculos e suas observações, Olbers fez várias suposições que, mais tarde se mostraram errôneas.
Por exemplo, ele imaginou que a luz da maioria das estrelas era absorvida por outras estrelas ou por matéria opaca existente entre as estrelas, e que, por isso, não chegava até nós. Isso não resolvia a questão, como chegou a pensar Olbers. Se assim fosse, as estrelas e a matéria opaca estariam recebendo energia luminosa e também iriam se aquecer até irradiarem, elas mesmas, tanta luz quanto estivessem recebendo. E, nesse caso, o céu inteiro deveria ser tão ou mais luminoso que a superfície do Sol!
Parte da Via-Láctea observada através de
um pequeno telescópio.
Havia um mistério muito mais profundo do que Olbers imaginava no fato de as noites e os dias serem tão “escuros”.
O UNIVERSO DE OLBERS
No início do século XIX era comum imaginar o Universo com as 7 características enumeradas abaixo. Nem sempre elas eram explicitadas, mas estavam sempre presentes, implícitas nas conjecturas dos astrônomos da época. Para eles, o Universo:
  • 1. Era INFINITO em extensão;
  • 2. Era ESTÁTICO, sem grandes movimentos em grande escala;
  • 3. Era HOMOGÊNEO, com infinitas estrelas distribuídas uniformemente por todo o espaço;
  • 4. Era ISOTRÓPICO, isto é, suas estrelas tinham brilhos parecidos em todas as regiões e para onde quer que olhássemos, o aspecto geral do Universo seria o mesmo.
  • 5. Era IMUTÁVEL, tendo suas características gerais inalteradas com o passar do tempo;
  • 6. Era EUCLIDIANO, isto é, em todos os lugares a geometria euclidiana seria válida: o Teorema de Pitágoras poderia ser aplicado em qualquer porção do espaço;
  • 7. Era FÍSICO, e não metafísico: as leis da Física valeriam em todo o Universo (e não apenas na Terra) e seriam sempre válidas, em quaisquer circunstâncias.
Mas, se existem infinitas estrelas espalhadas uniformemente pelo espaço, nós, aqui na Terra, deveríamos estar, a cada instante, recebendo a luz de todas elas simultaneamente!
Com esse modelo de Universo em mente, era absolutamente necessária uma oitava e indesejada característica: os dias e as noites deveriam ser infinitamente luminosos.
Como as noites são escuras e os dias são apenas suportavelmente claros, o modelo deveria estar errado.
Herman Bondi, um grande físico do século XX, chamou a essa inconsistência de “Paradoxo de Olbers” e mostrou que, até então, ele ainda não estava completamente solucionado.
É surpreendente como uma pergunta tão “infantil” pôde suscitar tantas outras questões e como a singela observação de que existem as noites e os dias pôde nos dar tantas respostas. Nesta, com em inúmeras outras vezes na história da Ciência, foi muito mais importante fazer a pergunta certa que encontrar a resposta para ela.
Vamos ver o que podemos mudar no modelo de Universo de Olbers para tentar deixá-lo coerente, eliminado o “paradoxo”.
UM UNIVERSO FINITO
Num Universo finito teremos uma quantidade finita de estrelas, de modo que, no máximo, estaríamos recebendo aqui na Terra a luz procedente de todas elas, mas não de infinitas estrelas.
Se supusermos que o Universo é finito, ele terá que ser muito pequeno para explicar a escuridão das noites e a fraca claridade dos dias.
Atualmente, acredita-se que o Universo é finito, mas não tão pequeno a ponto de justificar e explicar completamente o “paradoxo” de Olbers.
UM UNIVERSO (QUASE) VAZIO (NÃO HOMOGÊNEO)
Independentemente de o Universo ser finito ou infinito, se supusermos que a quantidade de estrelas é bem pequena, podemos resolver o “paradoxo”. Entretanto, a quantidade de estrelas teria que ser muito… muito pequena mesmo!
Os modelos de Universo atuais preveem que existam cerca de 10 bilhões de trilhões de estrelas irradiando energia sob forma luminosa. Só com isso, o céu deveria ser bem mais claro do que é.
UM UNIVERSO HIERÁRQUICO (NÃO HOMOGÊNEO)
Se a maioria das estrelas estiverem concentradas numa região do espaço, podemos explicar as noites e os dias. Nesse caso, a homogeneidade do Universo tem que ser abandonada, mas todas as observações já realizadas indicam que o Universo é, efetivamente, homogêneo em larga escala.
UM UNIVERSO CURVO (NÃO EUCLIDIANO)
Mesmo que não consideremos o Teorema de Pitágoras válido e o substituamos por outra regra, de outra geometria, o “paradoxo” não é eliminado. De nada adianta mudar a geometria do espaço.
UM UNIVERSO DINÂMICO (NÃO ESTÁTICO)
Na época de Olbers, a suposição de movimentos globais, em larga escala, no Universo, não implicava na solução do “paradoxo”.
Em 1848, Armand Hippolyte L. Fizeau (1819-1896) aplicou à Óptica os princípios que Christian Doppler (1803-1853) usara na acústica para explicar a mudança na freqüência do som emitido por corpos em movimento. O Efeito Doppler, aplicável ao som, podia ser, então, aplicado à luz.
Usando o Efeito Doppler-Fizeau podemos explicar a escuridão das noites supondo que a maioria das estrelas estão se afastando muito rapidamente de nós, de modo que a energia que elas emitem em nossa direção fica cada vez mais fraca.
UM UNIVERSO DE ESTRELAS ESTRANHAS (NÃO ISOTRÓPICO)
Se supusermos que a grande maioria das estrelas têm brilho muito menor que o do Sol, podemos ajeitar as coisas para que o céu seja escuro como o observamos.
Entretanto, o Sol é considerado pelos físicos com uma estrela típica. Isto é, se pudéssemos determinar as características de todas as estrelas, tirar uma média e fazer uma estrela com as características médias, ela seria muito parecida com o Sol.
Tanto os modelos teóricos quanto as observações indicam que as estrelas não são muito estranhas.
UM UNIVERSO JOVEM (NÃO IMUTÁVEL)
Se todas as estrelas forem muito jovens, pode ser que a luz das que estão mais distantes ainda não tenha chegado até nós.
O “paradoxo” poderia ser resolvido com esta suposição, porém as teorias sobre a evolução das estrelas mostra que a maioria delas é velha o suficiente para que já as vejamos brilhando no céu.
O Universo teria que ser muito mais jovem do que parece ser, com seus 15 bilhões de anos.
UM UNIVERSO METAFÍSICO
Talvez a maneira mais simples e mais eficiente de resolver o “paradoxo” de Olbers seja imaginar que as leis da física têm validade restrita à uma certa porção de espaço e num certo intervalo de tempo.
Qualquer coisa seria possível e natural. Nada seria de estranhar.
Apesar de ser muito mais eficiente, abrangente e completa essa forma de “driblar” o “paradoxo” de Olbers (e todos os demais paradoxos) é descartada pelos cientistas. Ela explica qualquer coisa; está de acordo com todas as observações já realizadas e com todas as que ainda serão feitas. Pena que não possamos tirar proveito dela.
A EXPLICAÇÃO “OFICIAL”
Os modernos modelos de Universo explicam a existência dos dias e das noites a partir de 3 pressupostos:
  • 1. Existe um número finito de estrelas no Universo;
  • 2. As estrelas “vivem” por um tempo limitado, isto é, elas não emitem radiação para sempre;
  • 3. Todo o Universo está se expandindo e a luz da maioria das estrelas sofre uma significativa perda de energia antes de chegar à Terra.
Este último pressuposto parece ser o principal responsável pela escuridão do céu noturno.
A solução para o “paradoxo” de Olbers só foi possível através dos modernos modelos cosmológicos. Entretanto, antes de obter respostas satisfatórias, foi preciso formular as perguntas certas.
Olbers não foi o primeiro a questionar-se sobre a escuridão da noite. Antes dele, vários outros físicos e astrônomos pensaram a respeito desse assunto: Thomas Digges (1576), William Gilbert (1600), Johannes Keppler (1610), Otto von Guericke (por volta de 1640), Edmund Halley (1721), Jean-Philip Loys de Cheseux (1744), e muitos outros.
Às vezes, o limite está bem ali, diante de nós, à nossa frente. Quase tropeçamos nele, mas é preciso saber olhar para poder vê-lo.
APÊNDICES
ESFERA CELESTE
Na Antiguidade, observando o céu, os povos Mesopotâmicos e Gregos imaginaram que a as estrelas se encontravam fixadas numa gigantesca esfera cristalina, a qual denominaram ESFERA CELESTE. Atualmente, apesar de sabermos que as estrelas estão a distâncias diversas de nós, podemos utilizar o conceito de Esfera Celeste dos antigos Gregos com pequenas modificações, tornando-o numa útil ferramenta matemática para representarmos as estrelas no céu.
olb Esfera Celeste
A Esfera Celeste é uma abstração muito simples, mas muito útil.
Assim, podemos definir Esfera Celeste (EC) como sendo uma esfera qualquer, de raio unitário e centro coincidente com o centro da Terra (EC Geocêntrica) ou com o olho do observador (EC Topocêntrica) na qual estão projetados radialmente todos os astros.
Para objetos celestes próximos, como a Lua ou mesmo os planetas, há diferenças significativas entre a EC Geocêntrica e a EC Topocêntrica (paralaxe).
Para as estrelas e demais objetos celestes distantes, ambas se identificam.
O conceito de Esfera Celeste pode ser útil a análise do Paradoxo de Olbers.
FLUXO LUMINOSO DE UMA ESTRELA
Uma estrela qualquer irradia uma certa quantidade E de energia luminosa num determinado intervalo de tempo Δt.
Define-se a Luminosidade (L) da estrela como sendo a razão entre E e Δt. A Luminosidade de uma estrela é, então, a quantidade total de energia irradiada por ela numa unidade de tempo.
olb fluxo-distancia
Define-se o Fluxo Luminoso (φ) de uma estrela a uma determinada distância (d) como sendo a quantidade de radiação que ela emite na unidade de tempo e que atravessa perpendicularmente uma área unitária.
O fluxo luminoso de uma estrela decai, portanto, com o quadrado da distância à estrela.
Se, a uma distância d o fluxo é φ1, a uma distância 2d o fluxo será φ2 = φ1/4, uma vez que a área a ser atravessada aumenta com o quadrado da distância.
Assim, por exemplo, o fluxo na superfície de uma estrela é, simplesmente, a sua luminosidade dividida pela sua área superficial.
A uma dada distância d da estrela, o fluxo φd será a a luminosidade L dividida pela área de uma esfera de raio d, que é a área total 4πd² a ser atravessada pela energia irradiada pela estrela.
DISTRIBUIÇÃO DE ESTRELAS
Num Universo homogêneo, em larga escala, a quantidade de estrelas (Nd) a uma distância d da Terra é proporcional ao quadrado dessa distância.
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Assim, podemos imaginar que, se:
  • a uma distância d existe uma camada esférica com N estrelas,
  • a uma distância 2d existe outra camada com 4N estrelas, e
  • a uma distância 3d existe outra camada com 9N estrelas, etc.
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FLUXO DE UMA CAMADA DE ESTRELAS E FLUXO TOTAL NA TERRA
Cada camada concêntrica de estrelas irradia uma certa quantidade de radiação em direção à Terra.
O fluxo φ de cada estrela é inversamente proporcional ao quadrado da distância d da camada à Terra.
A quantidade n de estrelas em cada camada é diretamente proporcional ao quadrado dessa mesma distância d.
olb estrelas-distancias2
Supondo que as estrelas, em larga escala, sejam estrelas médias (isto é, assumindo que as características reais das estrelas possam ser substituídas por características médias, de uma estrela média hipotética), podemos assumir suas luminosidades como equivalentes entre si.
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Assumindo que o Sol seja uma estrela típica, com características semelhantes à estrela média hipotética, podemos considerar a luminosidade LΘ do Sol como sendo a luminosidade média das estrelas.
Assumindo, ainda, que a distribuição espacial das estrelas seja homogênea, em larga escala, podemos expressa a quantidade de estrelas em cada casca esférica em função da densidade média volumétrica de estrelas no espaço, ρ*.
A partir disso, fica fácil calcular o fluxo total de cada casca esférica de estrelas e o fluxo total de todas as estrelas, de todas as cascas, sobre a Terra.
UNIVERSO FINITO DE RAIO r
O fluxo total ΦT de todas as camadas de estrelas sobre a Terra é dado pela somatória do fluxo de cada camada. Assim, num Universo de raio finito r, o fluxo ΦT é, também, finito e é dado simplesmente pelo produto da luminosidade média das estrelas (luminosidade do Sol, LΘ), pela densidade volumétrica média de estrelas no espaço, e pelo raio r.
OlbersFormula1
ESPAÇO NÃO EUCLIDIANO
Num espaço não euclidiano, o Teorema de Pitágoras original não é válido. A área da casca esférica não é dada por 4.π.r², mas sim por uma outra função A=f(r) que depende do raio r . Assim, as equações para o fluxo luminoso de uma estrela, para o volume de uma casca esférica de estrelas e para a quantidade de estrelas em cada casca têm que ser alteradas para:
OlbersFormula2
Reescrevendo, também, as equações para o fluxo de cada casca e para o fluxo total de todas as estrelas, de todas as cascas, sobre a Terra, vemos que elas não se alteram:
OlbersFormula3
OlbersFormula4
OlbersFormula5
PRINCÍPIO COSMOLÓGICO NÃO VÁLIDO
Se ele for, ao menos, localmente válido (e isso é observado!), então temos uma situação análoga à de um Universo finito de raio r. De qualquer forma, assim a Terra fica numa situação muito singular (Princípio Antrópico)!
EXISTE UM TEMPO UNIVERSAL
Supondo a existência de uma escala de tempo universal, podemos reescrever as equações vistas até aqui como funções do tempo, nessa escala.
OlbersFormula6
Imaginando um instante t0 , inicial, atualmente temos:
OlbersFormula7
OlbersFormula8
Assim, mesmo num Universo de raio r infinito, supondo que a idade do Universo (intervalo entre t0 e tatual) seja muito pequena (muito menor do que, acreditamos, de fato é) podemos ter um fluxo total sobre a Terra finito e compatível com o observado. Entretanto, a idade assumida paro o Universo é muito maior do que a necessária para evitar-se o Paradoxo de Olbers por este caminho.
UNIVERSO NÃO ESTACIONÁRIO (EXISTÊNCIA DE MOVIMENTO UNIVERSAL)
Supondo que todo o Universo seja dotado de movimento de expansão, todas as radiações eletromagnéticas são afetadas de modo a terem sua energia intrínseca reduzida. Supondo que as estrelas irradiem com uma freqüência média ν, a luminosidade média das estrelas pode ser reescrita como:
OlbersFormula9
Na equação acima, h é a constante de Planck.
Se todas as estrelas afastam-se da Terra a grandes velocidades, o desvio Doppler-Fizeau é significativo:
OlbersFormulaA
Nas equações acima, se v é a velocidade de expansão do Universo, o fluxo total sobre a Terra pode ser reescrito como:
OlbersFormulaB
Se ,  OlbersFormulaC  , então pode-se explicar o fluxo total observado e evitar o paradoxo.

FONTE http://www.asterdomus.com.br/asterdomus/o-paradoxo-de-olbers-por-que-a-noite-e-escura/