segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Outro brasileiro condenado à morte é fuzilado. Desta vez, no Rio de Janeiro.



Outro brasileiro condenado à morte é fuzilado. Desta vez, 

no Rio de Janeiro.


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Ulisses da Costa Cancela, de 36 anos, alpinista, foi o mais novo brasileiro condenado ao fuzilamento. Ele não levou cocaína para a Indonésia. Seu destino era a cidade de Petrópolis, serra do Rio, acompanhado de sua esposa e um casal de primos. Ulisses não teve direito à fala de consternação de Dilma Rousseff, da Anistia Internacional, de Jean Willys, Luciana Genro, Jandira Feghali, de Marcelo Freixo, do PSOL e nem terá qualquer sinal de luto e respeito do país onde nasceu e morava. O alpinista pegou um retorno errado, enquanto vinha pela BR-116 (Rio-Teresópolis), e os traficantes dispararam 25 tiros, um deles pegou em sua cabeça e o matou. Ulisses foi julgado e condenado à morte por bandidos. Não teve direto a um padre, não virou tema de hashtag no Facebook, não pediu a ultima refeição, não lhe foi permitida uma despedida com sua esposa e nem teve direito à uma última escalada, seu hobby preferido. Na velocidade oposta de anos de roubo, incompetência, corrupção, populismo e demagogia a vida do homem que tinha nome de herói se apagou. A polícia vai pressionar o tráfico, que vai entregar um “boi de piranha”, geralmente um ‘menor de idade’, que ficará, na pior das hipóteses, 3 anos ‘preso’. Daqui a 60 anos, a esposa de Ulisses estará cumprindo sua sentença de sofrimento eterno, enquanto os assassinos podem estar milionários chefiando a mesma comunidade, ou terão virado parlamentares de algum partido, onde votarão por leis cada vez mais frouxas e coniventes com os criminosos.
Daqui a 7 dias, este colunista aposta, o nome de Ulisses permanecerá apenas nas estantes das livrarias, em forma de romance de Homero, porque este crime, bárbaro, sairá das manchetes. Não por culpa da imprensa, mas por culpa da banalização do ato. Em 7 dias, outro brasileiro já terá sido executado de forma tão brutal.  Existe algum país, que não esteja em guerra, onde o mesmo ato seria possível apenas pelo motorista ter errado o caminho?
Enquanto traficantes portam todos os tipos de armas, um cidadão comum não consegue comprar nem um revólver .38 enferrujado legalmente, porque o “estatuto do desarmamento” lhe ceifou tal direito.

(Atualização: 20/05/2015 – 7 dias depois, como eu havia dito: outro crime brutal/banal. http://oglobo.globo.com/rio/morre-ciclista-que-foi-esfaqueado-por-ladroes-enquanto-pedalava-na-lagoa-16209056)

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