segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O CALVINISMO UMA CRÍTICA

Achei este texto interessante :

Depravação Total da Humanidade: teoria desnecessária

Fui apresentado ao calvinismo em 1989 aos 15 anos de idade, quando não havia sequer 1 ano do meu novo nascimento, quando renasci a partir da vida de Deus que passou a habitar em mim. Embora não tivesse lido o Novo Testamento inteiro até aquele momento, as idéias calvinistas desde o princípio não me passavam a impressão de serem bíblicas. Sempre foi claro para mim pela a leitura dos Evangelhos que a salvação era um desejo e uma oferta de Deus para toda a humanidade, só que a maior parte dela a rejeita.

O calvinismo é um corpo teórico imbricado e labiríntico da Reforma Protestante criado para explicar o “simples” Evangelho, sistema tão contraditório e confuso que por tal razão acaba sendo a própria negação do Evangelho. É impossível para um calvinista se impuser com sua “doutrina” sem se contradizer. Nunca considerei o calvinismo bíblico. Após milhares de horas e anos a fio estudando tal sistema, comparando-o com a Bíblia, percebi que o calvinismo não somente não era bíblico, é antibíblico. A tentativa de explicar as Escrituras é a própria ininteligização delas. Tamanha é a capacidade desse sistema teórico para desfigurar o caráter de Deus conforme é descrito na Bíblia, que Ele se torna irreconhecível.

Criei tão grande repulsa pelo calvinismo que infelizmente não posso atender aos pedidos de amigos para que eu “pegue leve”, ou evite prosseguir tocando no assunto, a despeito de me relacionar bem com cristãos calvinistas. Mas há uma boa notícia: por hora é o último artigo que pretendo escrever nesta série. Quero clarificar, contudo que não combato pessoas e sim idéias, as idéias de João Calvino e de outros que as abraçaram.
   

O Que Significa Depravação Total?

“A Depravação Total é um dos assim-chamados cinco pontos do calvinismo. Segundo essa doutrina, o homem não regenerado é absolutamente escravo do pecado. Em virtude disto, ele é totalmente incapaz de exercer sua própria vontade livremente para salvar-se. Assim, no que diz respeito à salvação, este homem depende da obra de Deus, que deve vivificá-lo a fim de que possa crer em Cristo” (Wikipédia).  

Ainda segundo essa teoria o homem é incapaz até mesmo de responder positivamente ao chamado de Deus para a salvação. Não pode crer em Cristo se antes Deus não regenerá-lo para isto. Daí conclui que se alguns são salvos é porque Deus “soberanamente” escolheu alguns para salvar.  Esses são os eleitos. Já os não-eleitos ficam proibidos por Deus de crer em Cristo. Alguns versículos bíblicos são utilizados para sustentar tais explanações. 

Rm 3:9b–12: ...tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. 

Ef 2:1–3,5: Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. ... e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo – pela graça sois salvos -, ... 

6 Tt.3.3-5: Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo. 

Jo.6.44: Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no última dia 


Ainda de acordo com o calvinismo quando Deus converte um pecador, e o transfere para o estado de graça, Ele o liberta da sua escravidão natural do pecado, e, somente pela graça, o habilita a livremente querer e fazer aquilo que é espiritualmente bom. Mesmo assim, por causa de certas corrupções que permanecem, o homem redimido não faz o bem perfeitamente e nem deseja somente aquilo que é bom, mas também o que é mau. 

Cl.1.13: Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, ... 

Jo.8.36: Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. 

Fl.2.13: ... porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.

Rm.7.15,18,19,21,23: Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e, sim o que detesto. 
Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum: pois o querer o bem está em mim, não, porém, o efetuá-lo. 
Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. 
Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. 
... mas vejo nos meus membros outra lei que, guerreando contra a minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. 


O cristianismo é a única expressão de fé, ao contrário de todas as religiões, que afirma ser uma falácia a bondade natural do homem. O filósofo John Locke defendia que o homem nasce como uma tabula rasa, ou seja, em estado de inocência. Por seu turno Russeau, introduzindo a filosofia humanista, dizia que o homem nasce bom e este é corrompido pela sociedade. Semelhantemente, o islamismo expressa que todos os homens nascem puros, naturalmente bons, mas são desviados pelo ambiente. Já para o cristianismo e conforme afirma a Bíblia, o homem nasce em pecado e, não pode ser naturalmente bom. A Bíblia é única escritura a declarar a salvação pela fé e não por obras, sendo estas frutos daquela. 

É óbvio que a idéia do progresso moral do homem, como defende, por exemplo, o kardecismo, não se confirma na história. Com o crescimento de todas as modalidades de violência, o que se percebe é uma involução ou retrocesso moral. O homem não é naturalmente bom e sim pecador, como afirma a Bíblia e a história humana corrobora isto. Entre todas as noções a Bíblia é a única a estar com a razão. Não é opinião pessoal, os fatos atestam isto. Duvida? Você percebeu como a sua cidade está, a cada ano, mais insuportavelmente violenta, e como os noticiários estão cada vez mais banhados de sangue e corrupção?   


Somos Totalmente Depravados?

Que o homem é pecador por natureza é indubitável, defini-lo como imoral ou depravado cabe. Agora é possível afirmar que a humanidade é totalmente depravada como defende o calvinismo?

“Não há ninguém que faça o bem, ninguém que busque a Deus” é um tipo de literalismo que redunda em idéias equivocadas. Embora seja possível afirmar que os homens sejam depravados, é equivocado acrescentar o “totalmente”. Os calvinistas dizem que esse termo refere-se unicamente a “incapacidade total”, simplificação estranha tendo em foco a pesada carga conotativa que tal expressão carrega. O que quer que queira definir, a expressão “Depravação Total da Humanidade” é exagerada. 

Ninguém é totalmente depravado. Nem os maiores déspotas o foram. Em filmes e biografias descobrimos que mesmo Hitler dispensava um tratamento cortês às mulheres e crianças. Quando ele adentrava o banheiro, os colegas apagavam o cigarro em respeito e consideração ao “camarada” Hitler. Se fôssemos totalmente depravados cometeríamos o mal sem restrições, assassinaríamos, nos prostituiríamos, roubaríamos, cometeríamos estupros, gravaríamos filmes pornôs o tempo inteiro. Se a humanidade fosse totalmente depravada já teria chegado a extinção, alguém já teria apertado o botão que daria início a uma sucessão de lançamentos de arsenais nucleares.  Se fossemos totalmente depravados não existiria o humanitarismo. O que falar então dos que salvam vidas? Que a expressão “depravação total” vai além do necessário, é inquestionável.      

A (in)compreensão de que os homens são escravos ou estão mortos e portanto incapazes de responder de forma positiva ao chamado de Deus é outro equívoco. Os calvinistas confundem escravidão ou morte espiritual com escravidão e morte física. Estar espiritualmente escravo ou morto não significa zumbificação da consciência nesta existência. O ser humano claramente é capaz de fazer escolhas morais por que Deus imprimiu Sua lei na consciência de todos os homens, razão pela qual todos são indesculpáveis. O homem está capacitado a escolher o bem ou o mal, a negar ou confessar Cristo. 

Se fossemos totalmente depravados o apóstolo Paulo não teria dito que o “querer fazer o bem estava nele, porém não o efetuar”. Teria dito que “querer o mal e praticar o mal” estavam nele. Se fossemos totalmente depravados Jesus não teria dito que os homens “sendo maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos”. Teria dito que “sendo maus só sabem dar más coisas aos filhos”. 

Os textos como o de Romanos apenas mostram que o homem é pecador, em contraposição a Deus, que é santo. Mostram também a incapacidade do homem para salvar-se pelas obras, porque todas as nossas justiças são como “trapos de imundícia” diante de Deus (Is 64.6). 

Os calvinistas igualmente afirmam que se o homem tivesse o poder de escolha para aceitar ou rejeitar a salvação, isto daria a ele o mérito pela salvação em caso de sim à oferta divina. Seria um co-salvador com Cristo. Grave insanidade, uma vez que receber o dom da salvação implica exatamente em reconhecer a total incapacidade para salvar-se. Mais um argumento dispensável para afirmar que Deus ama alguns e os predestinou ao céu. Essa foi a idéia básica de Calvino que, entre aceitar que Deus ama a todos sem fazer acepção de ninguém, como afirmam as Escrituras, preferiu acorrentar-se a loucura: que Deus ama alguns e os salvou soberanamente, uma idéia claramente antibíblica e herética.   

Teríamos que mudar uma grande quantidade de versículos para que a Bíblia se ajustasse ao calvinismo. Por exemplo, o texto clássico da evangelização, João 3.16, teria que ficar assim: “Porque Deus amou alguns do mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que alguns pré-programados para nele crê não pereçam, mas tenham a vida eterna”.  


Porque o Livre Arbítrio é Necessário

Seria um crime Deus forçar alguns a irem para o céu a contragosto deles, assim como seria criminoso mandar para o inferno quem não desejasse ir para lá. A salvação é um dom, um presente de Deus e um dom só pode ser entregue a alguém disposto a recebê-lo. O convite divino “escolhei hoje a quem sirvais” (Js 24.15) perpassou os séculos e ecoou em todas as mentes. Só o poder de escolha (e o homem está claramente capacitado para isto) poderia gerar genuíno amor. 

Não há amor ou lealdade verdadeira quando uma mulher não resiste a um estupro, quando alguém se submete a fazer algo contemplando a ponta de uma faca ou a extremidade de uma arma, não há amor ou lealdade genuínos quando se serve a um regime tirano sob o medo da morte. Só o livre arbítrio seria o portal de entrada para o amor autêntico. Deus queria que o homem e os anjos tivessem o poder e a liberdade de escolha para amá-lo espontânea e livremente. Deus jamais desejou criar autômatos ou marionetes pré-programados em um software espiritual na eternidade passada para amá-lO. 

O livre arbítrio foi a porta de entrada do amor e também a porta de entrada do mal. Só o livre arbítrio explica a origem do mal. Deus não poderia ser responsabilizado pelo mal em Lúcifer, como afirma o hipercalvinismo, pois ele foi criado em perfeição, como registra Ezequiel 28.15. Nem culpabilizado pelo mal no homem, posto que, conforme Eclesiastes 7.29, Deus fez o homem reto, mas este se envolveu em muitas intrigas.

E para os calvinistas que dizem que o livre arbítrio só existiu até o Eden, ele prosseguiu em Caim conforme está registrado em Gn 4.7: 

“Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”.

O Livre Arbítrio é evidente e está expresso em Deuteronômio 11.26-28 assim: "Eis que, hoje, eu ponho diante de vós a benção e a maldição: a benção, quando cumprirdes os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que hoje vos ordeno; a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, mas desviardes do caminho que hoje vos ordeno...”


Os versículos de Deuteronômio 28.1,2;15 são semelhantes: "Se obedeceres à voz do Senhor teu Deus...todas as bênçãos virão sobre ti..." (b) "Mas se não deres ouvidos à voz do Senhor teu Deus...virão sobre ti todas estas maldições...” 

E para aqueles que acreditam que a liberdade de escolha fere a soberania divina, cito Jeremias 18.8-10: 

“Se a tal nação, porém, contra a qual falar se converter da sua maldade, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe. No momento em que falar de uma nação e de um reino, para edificar e para plantar, se fizer o mal diante dos meus olhos, não dando ouvidos à minha voz, então me arrependerei do bem que tinha falado que lhe faria”.


A Soberania Divina e O Livre Arbítrio Humano Não se Excluem Mutuamente

A soberania de Deus é sempre a palavra final. Benção para a obediência e juízo para a rebelião. Salvação para os que crêem e perdição eterna para os incrédulos. E benção ou juízo são condicionais ao nosso arrependimento ou obstinação pelo pecado. Salvação só em Cristo. Assim está determinado pela soberania divina e o homem não pode mudar isto. Lembra-se de Nínive destinada à destruição não o sendo porque se arrependeu?

E enfatizo: para que as idéias calvinistas prevaleçam, uma profusão de textos bíblicos precisaria ser modificada.


A Correta Compreensão da Predestinação 

Quero dizer que a predestinação existe nas Escrituras, entretanto não conforme a ótica calvinista. No Evangelho de Mateus capítulo 10, versículo 16, Jesus diz que “muitos são chamados, mas poucos escolhidos”. Ou seja, há um chamamento geral de Deus para a salvação, um convite a todas as pessoas para que venham a crer em Jesus Cristo como único salvador. Os poucos “escolhidos” são os que foram receptivos ao chamado divino e, portanto, eleitos, predestinados para a vida eterna. Deus já os conhecia antes da fundação do mundo (Rm 8.29,30; 1 Pe 1.1,2) e os conduziu a Jesus conforme João 6.44 que diz: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia”. 

Judas Iscariotes não foi predestinado por um decreto soberano divino (não seria tirano?) para trair Jesus, tanto que o Mestre não desistiu de recuperá-lo até o último minuto. Jesus não excluiu Judas da ceia mesmo sabendo que este iria traí-lo, e até o chamou de amigo. No alto da cruz, Jesus orou pelos “predestinados” a crucificá-lo ou pedir a Sua crucificação: “Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”.  E creio que essa oração foi atendida por Deus no dia de pentecostes quando cerca de 3 mil pessoas foram salvas. E foram porque Jesus orou, e creio que muitas daquelas pessoas estavam entre os que pediram a crucificação do Messias.


O Inferno: O Maior Louvor ao Livre-Arbítrio Humano

O inferno é o maior louvor ao livre-arbítrio humano. Não há nada mais lógico. Se alguém, com suas palavras ou atos, declarar: “Deus, deixe-me em paz!”, como fazem os luciferianos, satanistas e ateus, para exemplificar, Deus vai respeitar esse desejo. É como se Deus dissesse assim: “Seja feita a tua vontade! Criei o inferno para o diabo e seus anjos, mas se você quer ficar separado de mim eternamente, tai o inferno para você!” A soberania de Deus é solapada? De modo nenhum, porque a soberania de Deus já decretou qual é o único caminho para a entrada no céu: Jesus. Nenhum ser humano que queira entrar no paraíso conseguirá isto com os métodos da religião. Os que respondem positivamente ao chamamento divino e são predestinados para o céu são os que dizem para Deus: “Seja feita a tua vontade”. E a vontade de Deus é que “todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2.4), é que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pe 3.9). 


Sentença: A Predestinação Calvinista Difama o Caráter de Deus

A opção calvinista de que Deus tiranamente predeterminou quem seria salvo e quem iria passar a eternidade no inferno é indiscutivelmente a franksteinização das Escrituras, a difamação do caráter amoroso de Deus, e se alguém aceitá-la tem que, inescapável e forçosamante, aceitar que a Bíblia é contraditória. Tudo o que foi defendido nos últimos artigos é a única opção coerente. A teoria predestinalista precisa ser rejeitada e, melhor, denunciada como aberrante. 


Convite à Razão

Findo por hora minha saga anti-calvinista, podendo retomá-la se julgar necessário em qualquer tempo. Deixo claro que não estou combatendo os calvinistas. Entendo que são meus irmãos na fé. São salvos (exceto os que são crentes nominais), porém o erro deles é terem feito de Calvino um “papa infalível” e acreditar que foram salvos por terem sido selecionados como “favoritinhos” de Deus na eternidade passada. Não posso e me recuso a aceitar e respeitar um sistema teórico que transforma Deus em um Hitler divino, que selecionou a sua raça ariana espiritual na eternidade passada para a salvação, baseado numa injusta arbitrariedade, trazendo aos demais a “solução final” do tipo hitleriana: o inferno. Rejeito a idéia de que Deus é o autor de uma apartheid espiritual, que não ama a todos, que odeia a maioria e mostra isso enviando-os gratuitamente ao tormento eterno, que não deseja que  ímpio se arrependa, ao contrário, que se dane, que detém a autoria do mal, culpado pelo pecado daquele que o nega. 

Definitivamente, o “deus” de Calvino não está na Bíblia.

No entanto, ser anti-calvino não dá o direito a ninguém de me rotular de arminiano. Os arminianos também erram ao acreditarem que o crente pode perder o dom da salvação depois de recebê-lo. Compreendem mal à perseverança dos crentes, ou o “cair da graça”. Salvação não é algo que se conquista ou se perde por mérito ou demérito. Se assim fosse, a salvação seria pelas obras e não por fé. Todos os que são salvos perseveram na fé. E mesmo que se afastem temporariamente dos caminhos de Deus, como “filhos pródigos” voltam e se reconciliam com o Pai. Alguém rejeitar a salvação depois de recebê-la é algo estranho. Novo nascimento desfeito? Representação estética do grotesco! Como ficariam então os textos de Jo 5.24 e 10.27-29? Entendo que os apóstatas nunca foram salvos, embora tenham experimentado alguns benefícios de Cristo.

Nem calvinista, nem arminiano. Tenho plena certeza que os apóstolos condenariam as correntes teológicas e os rótulos separatistas. Sejamos apenas bíblicos!

Com efeito, um sistema religioso é desafiado. Tentar me enquadrar não funciona, sou um pensador livre dos esquemas prontos, norteado apenas pelas Escrituras. Pensamentos teológicos são retidos positivamente em minha mente somente em se coadunando com a “Palavra”. Severo? Sim, se julgar pertinente. Estou cansado da ética permissiva do aberrante e do medonho, blindadora do biblicamente aparente, todavia profano. Deus como um tipo de Hitler? Não me curvarei ao politicamente correto que declara herege o pseudocristão, mas que se cala diante do que confunde e divide o corpo de Cristo.  

Os que apontam para as esquisitices do calvinismo são acusados de antiintelectualismo. Em revanche, evidencio em minhas letras o pseudointelectualismo travestido de útil, mesmo que o caráter de Deus seja desfigurado, tornado irreconhecível. Não sou antiintelectualista, detesto a ignorância. Deus também, afinal, declarou que seu povo é destruído por falta de conhecimento. A ignorância - e o emocionalismo – é a mãe de muitos aliciados, mormente no cristianismo contemporâneo. 

Estou preparado para estar só, não nas idéias - posto que a maioria dos cristãos de todas as épocas sempre pensou de modo semelhante a mim - mas no enfrentamento do óbvio: não tocar no assunto. É uma maneira de curto-circuitar os efeitos de uma alucinação coletiva que ocasiona deslumbramento em alguns. Em mim prefiro a repulsa de um sistema teórico que torna em turbulência a objetividade bíblica.

Fica o convite ao leitor não discordante que reverbere esta mensagem aos vitimizados pelo terror dissuasivo para que vejam a sua servidão da asneira. Aos compactuantes com o que aqui é combatido que, a partir de uma avaliação intelectualmente honesta, elaborem uma compreensão revisionista e coadunante com as Escrituras. 


Conclusão

Finalizo com uma frase: só as Escrituras. Ironicamente originada na Reforma que concebeu algumas idéias combatidas aqui. A primeira das 5 solas, corretamente criada, mas negada na prática quando idolatricamente os escritos de Agostinho, Lutero e Calvino, além de confissões e catecismos sobrepõem-se em número de citações à própria Bíblia. Somente a leitura da Bíblia é suficiente para que, com os olhos da graça, entendamos as verdades reveladas por Deus. Sola Scriptura é uma necessidade mesmo. Seja muito cauteloso com teorias teológicas que querem enquadrar Deus, colocá-lO numa embalagem religiosa. As estranhas teologias como Graça Irresistível só estendida por Deus aos eleitos, Expiação Limitada, etc, precisam ser postas à prova para que saibamos se estão de acordo com a palavra de Deus ou não. Sigamos sempre o paradigma dos bereanos que procuravam saber se os ensinos de Paulo eram conforme às Escrituras. Você crê que Deus teria o prazer de destinar bilhões de pessoas ao inferno sem lhes permitir qualquer escolha? Mistério??? Isto é rebaixar o Pai celeste à categoria de ser humano vil. É impossível conciliar tais doutrinas com a Bíblia! Mantenha uma distância bem definida da irracionalidade! 

O leitor tem a oportunidade de exercitar seu livre arbítrio. Escolha a quem servir: ao deus Calvino ou ao Deus da Bíblia.

Em Cristo, que nos chamou para vivermos em liberdade, inclusive para discernirmos as doutrinas religiosas humanas feitas divinas, porém sendo contrárias as verdadeiras Doutrinas Escriturísticas.


Por Sandro Moraes


São Luís-MA/Brasil
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O que diz o calvinismo :

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 III.3- Eleitos e não eleitos.
Pelo decreto de Deus e para manifestação da sua glória, alguns homens e
alguns anjos são predestinados para a vida eterna1 e outros preordenados para a
morte eterna.2 Ref.:
1- I Tm 5.21; At 13. 48; Rm 8.29,30; Jo 10.27-29.
2- Mt 25.41; Rm 9. 22,23; Jd 4.
Síntese:
1- Uns são predestinados para salvação, outros preordenados para perdição.
2- A predestinação inclui homens e anjos.
A doutrina da predestinação escapa à compreensão humana, mas, a mim me
parece, é inegável à luz das Escrituras. Alguns antipredestinistas sustentam que a
eleição é somente para funções especiais, ofícios, ministérios, santificação ou
37 - Consultem “Eleitos de Deus” de R. C. Sproul, ECC, SP, 1998, 1ª Ed., cap. 6, Presciência e
Predestinação. O autor se vale de sua experiência de ex-arminiano nesta questão para expor com clareza a
predestinação.
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Deus preordena para a perdição
Os textos seguintes revelam-nos que o Supremo Criador e Salvador tanto
predestinou de antemão os que seriam chamados, justificados e regenerados quanto os
que não seriam chamados internamente e, portanto, ficariam privados da redenção ou
simplesmente deixados como vítimas eternas da queda, quer homens reprovados quer
anjos caídos:
Conjuro-te perante Deus, Cristo Jesus e os anjos eleitos, que guardes estes
conselhos, sem reprovação, nada fazendo com parcialidade ( I Tm 5.21). Aqui, Paulo
fala de “anjos eleitos” e, consequentemente, os que caíram eram reprovados.
Então o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim,
malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos ( Mt 25.41 ). Jesus
decreta a mesma destinação final de perdição eterna tanto aos homens “malditos” como
aos anjos reprovados.
Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu
poder, suportou com longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim
de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia,
que para a glória preparou de antemão ( Rm 9. 22,23 ). Alan Richardson entende que
esses “vasos de ira” são povos ou nações; e que Deus tem misericórdia de quem quer, e
também endurece a quem lhe apraz em termos de lideranças nacionais. Diz o referido
autor: Deus é Senhor das nações, e pertence inteiramente à sua vontade e graça que
esta ou aquela nação seja eleita ao serviço de seu propósito universal38. A nação que
Deus escolheu, com propósitos missionários, foi somente Israel. Esta, porém, cumprido
o seu papel, perdeu o “direito de Povo de Deus”. Hoje, a Igreja não se estrutura por
nações, mas se constitui de eleitos vocacionados de todas as raças, etnias e nações:
Depois destas coisas vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de
todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro,
vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e aclamavam em grande voz,
38 - Alan Richardson em “Introdução à Teologia do Novo Testamento”, ASTE, SP, 1ª Ed., 1966, pág. 273.
Ver todo os capítulos: O Eleito de Deus”, “Eleição e Graça” e “A Graça de Deus”, da pág. 270 a 282.

III.6- Predestinação dos fins e dos meios.
Assim como Deus destinou os eleitos para a glória, assim também, pelo eterno
e mui livre propósito da sua vontade, preordenou todos os meios conducentes a esse
fim1; os que, portanto, são eleitos, achando-se caídos em Adão, são remidos por
Cristo2, são eficazmente chamados para a fé em Cristo pelo seu Espírito, que opera
no tempo devido3; são justificados4, adotados5 santificados6 e guardados pelo seu
poder por meio da fé salvadora8. Além dos eleitos não há nenhum outro que seja
remido por Cristo, eficazmente chamado, justificado, adotado, santificado e salvo8.
Ref.:
1- Ef 2.10: II Ts 2.13; I Pe 1.2; Ef 1.4.
2- Rm 5.19; I Ts 5.9,10; Tt 2.14.
3- Rm 9.11; II Ts 2. 13,14; I Co 1.9.
4- Rm 8.30.
5- Ef 1.5.
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Predestinação: misericórdia e justiça.
III.7- Segundo o inescrutável conselho da sua própria vontade, pela qual ele
concede ou recusa misericórdia, como lhe apraz, para a glória do seu soberano poder
sobre as suas criaturas1; o resto dos homens, para louvor da sua gloriosa justiça2, foi
Deus servido não contemplar e ordená-los para a desonra e ira por causa dos seus
pecados3. Ref.:
1 Mt 11.25,26.
2 Ap 15.3,4.
3 Rm 2.8,9; II Ts 2.10-12; Rm 9. 14-22.
Síntese
Eleitos e réprobos estão sob a justiça divina; tudo para sua glória.
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 Todos os predestinados à salvação, e exclusivamente eles, são eficazmente
chamados. Deus não deixa os seus eleitos se perderem por falta de oportunidade de
crença no Salvador. Os que viveram antes do advento de Cristo, os que pertenceram ao
mundo gentílico, os que não foram alcançados diretamente pela pregação do Evangelho,
os que morreram na infância, os que possuíram debilidades mentais natas ou adquiridas,
se predestinados por Deus em Cristo Jesus, foram salvos. Cristo não começou a
salvação a partir de sua encarnação; ele é eternamente o Salvador e nele, desde toda a
eternidade, os seus redimidos estavam preordenados à remissão
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Nossa fortaleza é Deus.
XVII.2- Esta perseverança dos santos não depende do livre arbítrio deles,
mas da imutabilidade do decreto da eleição, procedente do livre e imutável amor
de Deus Pai1, da eficácia do mérito e intercessão de Jesus Cristo2, da permanência
do Espírito e da semente de Deus neles3, da natureza do pacto da graça4; de todas
estas coisas vêm a sua certeza e infalibilidade5. Ref.:
1- II Tm 2. 19; Jr 31. 3; Ef 1. 4,5; Jo 13. 1; Rm 8. 35-39.
2- Hb 10. 10,14; Jo 17. 11,24; Hb 7. 25; Hb 9. 12-15; Lc 22. 32.
3- Jo 14. 16,17; I Jo 2. 29; I Jo 3. 9.
4- Jr 32. 40; Hb 8. 10-12.
5- II Ts 3. 3; I Jo 2. 19; Jo 10. 28; I Ts 5. 23,24; Hb 6. 17-20.
Síntese
A perseverança não depende da capacidade humana nem de seu livre arbítrio.
A perseverança firma-se: na eleição eterna; na imutabilidade dos feitos de Deus; no
insondável amor divino; na mediação intercessória de Cristo; na permanência do
Espírito Santo no eleito regenerado; na semente de Deus no redimido; na natureza da
graça.
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e- A do Reformado Calvinista: Morrendo agora ou em qualquer momento, na
qualidade de eleito regenerado, concessão exclusiva de Deus, serei levado para o céu,
onde estarei eternamente com Jesus. Disso estou absolutamente convicto, pois a
salvação não foi opção pessoal, nem a mantenho por esforço próprio; o Redentor ma
concedeu, incondicionalmente, por sua inefável e infinita graça. A sentença de morte
que pesava sobre mim e sob a qual minha alma angustiava, o Pai celeste a fez recair em
seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo. Até a fé, que me leva à firme crença
naquele que por mim morreu, é dádiva de Deus. A graça atua no eleito para orientá-lo e
dirigi-lo na direção do Salvador: Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem
de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie ( Ef 2.8,9 ). Os que
Deus predestinou, a esses chamou, regenerou, justificou, salvou, concedeu-lhes a vida
eterna e glorificou (Rm 8.30).
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A PL 122 e a liberdade de Expressão

Visto que é uma questão controversa/polêmica quero deichar minha opinião aqui.

 Então vamos lá neste site aqui não tem nada de crente e defende a lei :

http://www.plc122.com.br/plc122-06/#axzz2KNK1rbGq

“Art. 8º Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares ou locais
semelhantes abertos ao público.
Pena: reclusão de um a três anos.
Parágrafo único: Incide nas mesmas penas aquele que impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público de pessoas com as características previstas no art. 1º desta Lei, sendo estas expressões e manifestações permitida às demais pessoas.” (NR)

Aqui já tem um problema, se dono de um bar por exemplo, acho que tenho o DIREITO de proibir tal manifestação, afinal o recinto é meu. Dois homossexuais frequentarem meu bar tudo ok, agora ficar se agarrando e/ou beijando já vai ferir princípios não só meus como da sociedade.
Não, não é natural homem beijar homem idem idem mulher com mulher.
A pouco tempo uma criança conhecida minha viu uma cena em um filme de dois homens se beijando arregalou os olhos e perguntou o que significava aquilo.Tivemos que chama-lo a parte e explicar tal procedimento que mesmo assim ele não entendeu direito.


“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.
Pena: reclusão de um a três anos e multa.”

Ora , um pastor pregando na Igreja que o homossexualidade é pecado já esta contrariando tal lei e consequentemente FERE a liberdade religiosa também.
Eu expressando minha opinião em um bar de bate papo o mesmo.
Isso fere os meus direitos sim, conforme preceitua o art. 5° de nossa Constituição Federal.

  Fique bem claro, não estou nem ai se o cara ou a cara quer se relacionar com outro,é um direito deles, só quero meus DIREITOS preservados.

 Eu tenho a opinião que a liberdade de pensar /se expressar  /escrever ,está acima de qualquer conceito ou preconceito ou seja lá o que mais. Acho que esse é um preço a se pagar para haver democracia.
 Eu nunca vou parar de lutar pela liberdade de pensamento e expressão , enfim , da democracia e assim não impor limites a ela (no que está implícito escutar o que não quero ou concordo).
Quanto ao Homossexualismo , Éssa é uma questão pertinente a sociedade e seus valores.
Quero ter o direito de ser contra tal prática e estou longe de ser agressivo ou  proibir que façam, cada um faz da vida o que quiser, só não quero é ser obrigado a ter que compactuar com essas coisas.Tomar uma mordaça imposta por lei.
Não posso ser a favor de legislação a favor de grupos em detrimento / perda de outros, a lei esta aí para ser feita e beneficiar a todos inclusive os homossexuais.
Hora, me sinto muito insultado quando vejo pessoas chamando crentes de bitolados, fanáticos, otários por darem o dízimo e etc, ofende minha moral e nem por isso eu quero calar a boca dos que teem estas opiniões  É livre a manifestação do pensamento e expressão é garantida por lei.
Nisso disse bem Voltaire :"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.", ou ainda “Liberdade é poder expressar a própria opinião e realizar a própria vontade sem a interferência de outros, nem a censura das leis” dito por Sebastião B. Travassos.
Como bem disse meu amigo Acauan :
" É muito fácil defender esta liberdade quando ela nos beneficia, quando garante a nós e aos nossos o direito de expressar nossos pensamentos e os pensamentos daqueles com os quais concordamos. Mas o verdadeiro compromisso com a Liberdade se define na defesa da expressão de idéias contrárias às nossas, na defesa da liberdade de expressão das idéias que combatemos.
Pois acreditamos que idéias ruins devem ser combatidas com idéias melhores, nunca com censura."


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Quanto a homossexualidade ser genética :

O que tenho visto por aí e me assuta muito, é que determinadas pessoas defendem posições onde a genética e a cultura moldam comportamentos a ponto de se livrarem da responsabilidade de seus atos e escolhas.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Os 10 grandes goleiros do Brasil


O futebol brasileiro está cada vez mais parecido com o europeu. As causas dessa mudança são principalmente: o êxodo dos nossos jogadores para o velho continente, a “estrutura profissional” implantada nas categorias de base, que se transformaram em linhas de produção de jogadores para o mercado europeu e a ênfase na condição física em detrimento da técnica e habilidade.
A posição de goleiro entretanto, melhorou em qualidade de forma espantosa nas últimas décadas. Eram raros os grandes goleiros do nosso futebol e agora temos o melhor do mundo. Íamos buscar goleiros argentinos e uruguaios e agora exportamos guarda-metas para o mundo inteiro.
Fiz a lista dos que considero serem os 10 grandes goleiros da história do futebol brasileiro. Alguns ainda estão jogando, outros eu vi jogar e há os que descobri pesquisando o assunto. A ordem da lista é alfabética, sem nenhuma pretensão de classificar os jogadores.


Barbosa


barbosa

Moacir Barbosa Nascimento é considerado o melhor goleiro a vestir a camisa do Vasco. Titular da seleção na Copa de 1950, foi acusado injustamente de ser o responsável pela derrota brasileira na final contra o Uruguai. Carregou esse fardo, durante o resto da vida. Sobre o fato escreveu Armando Nogueira:

“Certamente, a criatura mais injustiçada na história do futebol brasileiro. Era um goleiro magistral. Fazia milagres, desviando de mão trocada bolas envenenadas. O gol de Ghiggia, na final da Copa de 50, caiu-lhe como uma maldição. E quanto mais vejo o lance, mais o absolvo. Aquele jogo o Brasil perdeu na véspera.”

Barbosa faleceu em 2000.


Castilho


castilho

Carlos José Castilho é para muitos o maior goleiro da história do Fluminense. Diz a lenda que Castilho tinha uma sorte sobrenatural, daí o apelido de Leiteria ( alcunha comum às pessoas de sorte na época). Seu amor ao tricolor carioca era tanto, que chegou a amputar um pedaço do dedo, a fim de recuperar-se mais rapidamente de uma lesão.
Castilho suicidou-se em fevereiro de 1987.


Dida


DIDA X RAÍ

Nelson de Jesus Silva, o Dida, é especialista em defender pênaltis. Essa qualidade do goleiro já beneficiou o Timão e o Milan em várias oportunidades. Mas é claro que Dida possui outras qualidades que fazem dele, um dos grandes goleiros do Brasil e do mundo: excelente colocação, reflexos apurados e uma calma à prova de tudo.

Gilmar


 gilmar

Gilmar dos Santos Neves jogou em em dois times lendários: o poderoso Santos de Pelé e a seleção brasileira bi-campeã do mundo em 1958-1962. Também defendeu com sucesso o gol do Corinthians. Goleiro super-campeão, sendo considerado por muitos o maior da história do futebol brasileiro.


Júlio César




Quem diria que um dia, um goleiro brasileiro seria eleito o melhor do mundo? Pois Júlio César conseguiu essa proeza, atuando pela Inter de Milão. Mesmo que tenha falhado contra a Holanda na última Copa, creio que nossa seleção será defendida por Júlio César por muitos anos ainda.


Leão


leão_goleiro

Emerson Leão além de ter sido um excelente goleiro, também era um líder dentro de campo, sempre orientando seu time. Marrento, ao longo da carreira se envolveu em confusões e polêmicas. Foi durante dez anos, titular da seleção brasileira e disputou quatro Copas do Mundo.


Manga




Aílton Corrêa de Arruda, mais conhecido como Manga, é o maior goleiro da história do Botafogo. É ídolo também no Internacional e no Nacional de Montevidéu. Possuía uma agilidade fora do normal e realizava verdadeiros milagres debaixo das traves. Em certa ocasião, chegou a defender um escanteio, somente com uma mão.


Marcos




Marcos Roberto Silveira Reis, para os palmeirenses São Marcos, é um goleiro excepcional. Já fez verdadeiros milagres com a camisa do verdão. Jogador carismático, é um líder dentro de campo e um exemplo de amor a um clube.

Rogério Ceni




Além de ser um goleiro espetacular, Rogério Ceni possuí uma qualidade incomum para goleiros: é um magnífico cobrador de faltas. Devido à essa característica ímpar, tornou-se o goleiro com maior número de gols marcados da história.
Rogério é sinônimo de São Paulo e talvez seja o maior ídolo na história do tricolor paulista.


Taffarel




A história dos goleiros brasileiros pode ser dividida em dois períodos: AT e DT. Antes de Taffarel, nas várzeas do Brasil, o gol era destinado ao moleque ruim de bola, depois de Taffarel, o gol passou a ser uma posição almejada pela molecada. Antes de Taffarel, não havia mercado para goleiros brasileiros no exterior. Foi Taffarel quem abriu as portas da Europa para os nossos guarda-metas.
Antes de Taffarel, ficávamos sempre desconfiados com nossos goleiros na seleção, Taffarel foi essencial na conquista brasileira na Copa de 1990 1994. Se há um goleiro brasileiro que é referência na posição, esse goleiro é Cláudio André Mergen Taffarel.



"Maldito é o goleiro. No lugar onde ele pisa, nunca nasce grama".  Frase atribuída a Don Rose Cavaca, humorista carioca.

FONTE CLICK AQUI

Willian Lane Craig Debatendo


Com esse vídeo localiza-se os outros que dão prosseguimento ao debate.



https://www.youtube.com/watch?v=ALtK4u8tpYk&list=PLB07146E4DBD6C242 

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Como Cristo pode ser o único caminho para Deus?



WILLIAN LANE CRAIG

Como Cristo pode ser o único caminho para Deus?
William Lane Craig

Recentemente falei em uma grande universidade canadense sobre a existência de Deus. Após a palestra, uma estudante um pouco irada escreveu em seu cartão de comentários: ―estava lhe acompanhando até aquela coisa sobre Jesus. Deus não é o Deus cristão!‖
Atualmente, esta atitude é pervasiva na cultura ocidental. A maioria das pessoas admite de bom grado que Deus existe, mas em uma sociedade pluralista como a nossa, tornou-se politicamente incorreto clamar que Deus se revelou decisivamente em Jesus.
Entretanto isto é exatamente o que o Novo Testamento ensina claramente. Tomemos as cartas do apóstolo Paulo, por exemplo. Ele convida os gentios convertidos a se lembrarem da era pré-cristã: ―naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo‖ (Efésios 2.12)ii. O propósito dos primeiros capítulos das cartas de Paulo aos romanos é justamente mostrar que essa infeliz condição é a situação geral de toda a humanidade. Paulo explica que o poder e a divindade de Deus são conhecidos pela harmonia das coisas criadas que nos cercam e que os homens são indesculpáveis (1.20). Mais que isso, que Deus escreveu Sua lei moral no coração de todo homem, de modo que estes são moralmente responsáveis perante Ele (2.15). Embora Deus ofereça a vida eterna àquele que responder de forma apropriada à revelação de Deus na natureza e consciência, a triste verdade é que as pessoas ignoram Deus e zombam de Sua lei moral (1.21-32), em lugar de adorar e servir o Criador. A conclusão: todo homem está sob o poder do pecado (3.9-12). Pior, Paulo segue explicando que ninguém pode se redimir através de uma vida justa (3.19-20). Felizmente, contudo, Deus forneceu um meio de redenção: Jesus Cristo morreu pelos pecados da humanidade, satisfazendo, portanto, a justiça de Deus e possibilitando a reconciliação com Ele (3.21-6). Através de Sua morte propiciatória a salvação se tornou possível como um dom recebido pela fé.
A lógica do Novo Testamento é clara: a universalidade do pecado e a imparidade da morte propiciatória de Cristo implicam que não há salvação a não ser por Cristo. Como os apóstolos proclamaram, ―E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos‖ (Atos 4.12).
Esta doutrina particularista era tão escandalosa no politeísta Império Romano como o é hoje para a cultura ocidental. Por essa razão, os primeiros cristãos eram frequentemente perseguidos, torturados e mortos, já que eles se recusavam a adotar uma visão pluralista das religiões. Naquele tempo, contudo, à medida que o cristianismo cresceu e suplantou as religiões da Grécia e Roma, vindo a se tornar a religião oficial do Império Romano, o escândalo diminuiu. De fato, para pensadores medievais como Agostinho e Aquino, uma das marcas da verdadeira Igreja era sua catolicidade, isto é, sua universalidade. Para estes, era inconcebível que o grande edifício da Igreja Cristã (que abarcava toda a civilização) fosse fundado em uma mentira.
Essa doutrina desapareceu com a então chamada ―Expansão Marítima‖, que se refere aos três séculos de exploração e descobertas ocorridas entre 1450 e 1750. Através das expedições e viagens
de homens como Marco Polo, Cristóvão Colombo e Fernão de Magalhães, novas civilizações e mundos inteiros que nada sabiam da fé cristã foram descobertos. A percepção de que muito do mundo nunca tivera contato com o cristianismo teve dois grandes impactos sobre o pensamento religioso das pessoas. Primeiro, houve a tentativa de se relativizar as crenças religiosas. Parecia que, longe de ser uma religião universal, o cristianismo estava confinado à Europa ocidental, uma pequena porção do globo. Assim parecia que nenhuma religião particular poderia pretender ser válida universalmente. Cada sociedade parecia ter sua própria religião, adequada às suas próprias necessidades peculiares. Segundo, fez com que a assertiva cristã de que Cristo é o único meio de salvação parecesse limitada e cruel. Racionalistas iluministas como Voltaire insultaram seus coevos cristãos com o cenário de que milhões de chineses teriam ido para o inferno por não terem crido em Cristo, quando nem sequer tinham ouvido sobre Ele. Mesmo hoje, o influxo de imigrantes oriundos de ex-colônias para as nações ocidentais e os avanços nas telecomunicações que tem reduzido o mundo a uma aldeia global tem aumentado nossa percepção da diversidade religiosa da humanidade. Como resultado, o pluralismo religioso é hoje senso comum.
O problema colocado pela diversidade religiosa
Mas qual seria exatamente o problema colocado pela diversidade religiosa da humanidade? E para quem isto seria um problema? Quando alguém lê a literatura a esse respeito, o desafio recorrente parece recair sobre o particularismo cristão. O fenômeno da diversidade religiosa é utilizado para enunciar a verdade do pluralismo e o debate, então, prossegue para qual forma de pluralismo é mais plausível. Mas por que pensar que o particularismo cristão é indefensável em face da diversidade religiosa? Qual seria exatamente o problema?
Quando alguém examina os argumentos a favor do pluralismo, descobre que muitos deles são quase falácias lógicas exemplificadas em manuais. Por exemplo, é frequentemente argumentado que é arrogante e imoral sustentar qualquer doutrina religiosa particularista, porque o crente irá considerar todas as pessoas que discordam de sua própria religião como erradas. Este parece ser um exemplo simplório de falácia lógica conhecido como argumento ad hominem, que tenta invalidar uma posição atacando a pessoa que o defende. Isto é uma falácia porque a verdade de uma proposição independe das qualidades morais daquele que a defende. Mesmo se todos os cristãos particularistas forem arrogantes e imorais, não segue que a visão deles seja falsa. Não apenas isto, por que pensar que arrogância e imoralidade são necessariamente condições de um particularista? Suponhamos que eu tenha feito tudo que podia para descobrir a verdade religiosa sobre a realidade e estou convencido que o cristianismo é verdadeiro e, humildemente, professo a fé cristã como alguém que, sem merecer, recebe um presente de Deus. Sou, portanto, arrogante e imoral por acreditar naquilo que sinceramente penso ser verdade? Finalmente, e ainda mais fundamental, tal objeção é uma espada de dois gumes. Porque o pluralista também acredita que sua visão está certa e que todos os adeptos das tradições particularistas estão errados. Portanto, se sustentar uma visão da qual muitos outros discordam significa arrogância e imoralidade, então o próprio pluralista deveria estar convencido de sua arrogância e imoralidade.
Para dar outro exemplo, é frequentemente alegado que o particularismo cristão não pode estar correto porque religiões são culturalmente relativas. Por exemplo, se um cristão tivesse nascido no Paquistão, ele provavelmente seria muçulmano. Dessa forma, sua crença no cristianismo é falsa ou
injustificada. Mas, novamente, parece que estamos diante de outra falácia de livro-texto, chamada falácia genética. Tenta-se invalidar uma posição criticando o modo pelo qual a pessoa veio a sustentá-la. O fato de que suas crenças dependem de quando e onde você nasceu não tem relevância sobre a verdade da crença. Se você tivesse nascido na Grécia antiga, você provavelmente teria acreditado que o sol orbita a Terra; Isto implica que sua crença de que a Terra orbita o sol é, portanto, falsa ou injustificada? Evidentemente não? E, novamente, o pluralista puxa o tapete de debaixo de seus pés: tivesse o pluralista nascido no Paquistão, ele provavelmente seria um particularista religioso. Então, segundo sua própria análise, seu pluralismo é meramente o produto de ter nascido na sociedade ocidental do século XX e, portanto, falso e injustificado.
Assim, alguns dos argumentos contra o particularismo cristão frequentemente encontrados na literatura são ineficazes. Eles não são realmente o problema. Entretanto, creio que quando essas objeções são respondidas pelos defensores do particularismo cristão, então a real questão tende a emergir. Essa questão, penso, diz respeito ao destino dos incrédulos fora da própria tradição religiosa. O particularismo cristão despacha tais pessoas para o inferno, o que os pluralistas tomam como inescrupuloso.
Mas qual exatamente seria o problema aqui? Qual é a dificuldade em sustentar que salvação somente é possível através de Cristo? Seria simplesmente a alegação de que um Deus de amor não mandaria as pessoas para o inferno? Eu não acho. A Bíblia diz que Deus deseja a salvação de cada ser humano. ―Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento‖ (2Pedro 3.9). Ainda, ―o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade‖ (1Timóteo 2.4). Deus fala através do profeta Ezequiel:
―Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? — diz o SENHOR Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva? Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei. Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?‖ (Ez. 18.23,32; 33.11)
Aqui Deus literalmente suplica ao povo para se arrepender do curso de ação autodestrutivo que tomou e seja salvo. Então, de certo modo, o Deus bíblico não manda qualquer pessoa para o inferno. Ele deseja que todos sejam salvos e procura atrair todas as pessoas para Si. Se fizermos uma escolha livre e bem informada de rejeitar o sacrifício de Cristo pelos nossos pecados, então Deus não tem outra escolha senão nos dar o que merecemos. Deus não irá nos mandar para o inferno – mas nós nos mandaremos para lá. Nosso destino eterno está, pois, em nossas mãos. Onde nós passaremos a eternidade é uma questão de livre arbítrio. Os perdidos, assim, se auto-condenam; eles se apartam de Deus apesar do desejo e esforço dEle para os salvar – e Deus se angustia com a perda deles.
Agora o pluralista talvez admita que, dado o livre arbítrio, Deus não pode garantir que todos serão salvos. Algumas pessoas podem livremente se condenar a si mesmas rejeitando a oferta de salvação de Deus. Porém, ele talvez argumente, seria injustiça de Deus condenar tais pessoas eternamente. Porque mesmo terríveis pecados tais como aqueles dos torturadores nazistas nos campos de
concentração merecem apenas uma punição finita. Assim, o inferno, pelo menos, deveria ser uma espécie de purgatório, que duraria um tempo apropriado para cada pessoa até que fosse liberta e admitida no paraíso. Eventualmente o inferno ficaria vazio e o paraíso lotado. Então, ironicamente, o inferno é incompatível não apenas com o amor de Deus, mas com Sua justiça. A objeção assevera que Deus é injusto porque a punição não está de acordo com o crime.
Mas, novamente, isto não me parece ser o verdadeiro problema, porque a objeção falha em, pelo menos, dois aspectosiii:
(1) A objeção confunde cada pecado que nós cometemos com todos os pecados que nós cometemos. Poderíamos admitir que cada pecado individual que uma pessoa comete merece somente uma punição finita. Mas não seguiria daí que todos os pecados de uma pessoa tomados em conjunto implicariam em apenas uma punição finita. Se uma pessoa comete um número infinito de pecados, então a soma total de todos os pecados merece punição infinita. Logicamente ninguém comete um número infinito de pecados na vida terrena. Mas e depois da morte? À medida que os habitantes do inferno continuam odiando e rejeitando Deus, eles continuam pecando, adicionando sobre si mesmos mais culpa e punição; Em um sentido real, então, o inferno se auto perpetuaria. Em tal caso, cada pecado teria uma punição finita, mas porque o pecado seria eterno, assim seria a punição.
(2) Por que pensar que cada pecado tem apenas uma punição finita? Nós poderíamos admitir que pecados como roubar, mentir, adulterar, etc. tem apenas consequências finitas e, portanto, somente merecem uma punição finita. Mas, de certo modo, estes pecados não são o que separa alguém de Deus. Porque Cristo morreu por estes pecados. A pena por estes pecados foi paga. A pessoa tem apenas que aceitar Cristo como salvador para ser completamente livre e limpa destes pecados. Mas a recusa em aceitar Cristo e seu sacrifício parece ser um pecado de ordem completamente diferente. Porque este pecado repudia a providência de Deus para o pecado e decisivamente separa o homem de Deus e de Sua salvação. Rejeitar Cristo é rejeitar o próprio Deus. E à luz de quem Deus é, este é um pecado de gravidade e proporções infinitas e, portanto, plausivelmente merece infinita punição. Desse modo, nós não deveríamos pensar no inferno como sendo primariamente punição pelo conjunto de pecados de consequência finita que nós temos cometido, mas como a justa pena por um pecado de infinita consequência, a saber, a rejeição de Deus.
Mas talvez o problema seja que um Deus de amor não mandaria pessoas para o interno porque elas estavam mal informadas ou desinformadas sobre Jesus. Novamente, esta não me parece ser a raiz do problema. Porque, de acordo com a Bíblia, Deus não julga as pessoas que nunca ouviram sobre Cristo com base se eles colocaram a fé em Cristo. Deus os julga com base na Sua revelação geral na natureza e na consciência que eles tem. A proposta de Romanos 2.7 (―a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade‖) é uma proposta de salvação de boa fé. Isto não diz que as pessoas podem ser salvas à parte de Cristo. Pelo contrário, diz que os benefícios da morte propiciatória de Cristo poderiam ser aplicados a pessoas sem um conhecimento consciente de Cristo. Tais pessoas seriam similares a certas pessoas mencionadas no Velho Testamento, como Jó e Melquisedeque, que não tinham conhecimento consciente de Cristo e não eram sequer membros da aliança de Israel, mas claramente gozaram de um relacionamento pessoal com Deus. Similarmente, poderia haver Jós atualmente vivendo entre aquele percentual da
população do mundo que ainda não ouviu o Evangelho de Cristo.
Infelizmente, como vimos, o testemunho do Novo Testamento é que as pessoas não alcançam nem mesmo padrões muito baixos de revelação geral. Então, há pouco espaço para otimismo sobre existir muitos, ou mesmo um, que será salvo apenas através de sua resposta à revelação geral. Não obstante, resta o ponto de que a salvação é universalmente acessível para qualquer um que nunca ouviu o Evangelho através da revelação geral de Deus na natureza e na consciência. Assim o problema colocado pela diversidade religiosa não pode ser simplesmente que Deus não condenaria pessoas que estão desinformadas ou mal informadas sobre Jesus.
Pelo contrário, parece-me que o problema verdadeiro é esse: se Deus é onisciente, então Ele sabia quem aceitaria livremente o Evangelho e quem o rejeitaria. Mas, então, certamente questões muito difíceis emergem:
(i) Por que Deus não trouxe o Evangelho às pessoas que Ele sabia que iriam aceitar se ouvissem, mesmo tendo essas mesmas pessoas rejeitado a luz de revelação geral que elas tiveram?
Para ilustrar: imagine um índio norte americano antes da chegada de missionários cristãos. Vamos chamá-lo de Walking Bear. Vamos considerar que à medida que Walking Bear olha para o céu à noite e vê a beleza da natureza, ele sente que tudo isso foi criado por um Grande Espírito. Além disso, Walking Bear olha para seu próprio coração e sente a lei moral, dizendo a ele que todos os homens são irmãos feitos pelo Grande Espírito. Ele então percebe que nós deveríamos amar uns aos outros. Mas suponhamos que, em lugar de adorar o Grande Espírito e amar seus companheiros, Walking Bear ignora o Grande Espírito e cria totens de outros espíritos. Ao invés de amar seus companheiros, ele vive de forma egoísta e cruel. Em tal caso, Walking Bear seria justamente condenado diante de Deus, com base em sua falha em responder à revelação geral de Deus na consciência e natureza. Mas suponhamos agora que, tivessem os missionários chegado, Walking Bear teria acreditado no Evangelho e sido salvo! Neste caso, sua salvação ou condenação parecem ser o resultado de um azar. Não por sua culpa, ele apenas nasceu em uma época e lugar da história onde o Evangelho não estava disponível. Sua condenação é justa, mas um Deus de amor permitira que o destino eterno das pessoas dependesse de acidentes geográficos e históricos?
(ii) Mais que isso, por que Deus criou o mundo, quando Ele sabia que tantas pessoas não acreditariam no Evangelho e se perderiam?
(iii) Sendo ainda mais radical, por que Deus não criou um mundo no qual todos livremente cressem no Evangelho e fossem salvos?
O que o cristão particularista deveria responder a estas questões? O cristianismo torna Deus cruel e desamoroso?
O problema analisado
A fim de responder a estas questões será necessário examinar mais de perto a estrutura lógica problema em tela. O pluralista parece afirmar que é impossível para Deus ser onipotente e amoroso,
sendo que algumas pessoas nunca ouviram o Evangelho e estão perdidas, ou seja, as seguintes sentenças são logicamente inconsistentes.
1. Deus é onipotente e amoroso.
2. Algumas pessoas nunca ouviram o Evangelho e estão perdidas.
Porém, precisamos nos perguntar, por que pensar que (1) e (2) são logicamente incompatíveis? Afinal de contas, não há contradição explícita entre elas. Todavia, se o pluralista afirma que (1) e (2) são implicitamente contraditórias, ele deve estar assumindo algumas premissas que serviriam para explicitar esta contradição. A questão é, quais são essas premissas ocultas?
3. Se Deus é onipotente, Ele pode criar um mundo no qual todos ouvem o Evangelho e são livremente salvos.
4. Se Deus é amoroso, Ele prefere um mundo no qual todos ouvem o Evangelho e são livremente salvos.
Desde que, conforme (1), Deus é tanto onipotente como amoroso, segue que Ele tanto pode criar um mundo de salvação universal, como prefere tal mundo. Portanto, tal mundo existe, o que contradiz (2).
Condiremos (3). É provavelmente incontroverso que Deus poderia criar um mundo no qual todos ouvissem o Evangelho. Mas, desde que as pessoas sejam livres, não há garantias que todos em tal mundo seriam salvos. De fato, não há razão para pensar que o equilíbrio entre salvos e perdidos em tal mundo seria de alguma forma melhor que a situação no mundo em que vivemos! É possível que em qualquer mundo de pessoas com livre arbítrio que poderia ser criado por Deus algumas pessoas rejeitassem livremente a salvação pela graça e fossem condenadas. Logo, (3) não é necessariamente verdadeira, de modo que o argumento pluralista é falacioso.
Mas, e quanto a (4)? É necessariamente verdadeira? Suponhamos, em favor do argumento, que são viáveis para Deus mundos nos quais cada pessoa ouve o Evangelho e o aceita livremente. O fato de Deus ser amoroso O compele a preferir um destes mundos a um mundo no qual algumas pessoas não são salvas? Não necessariamente; porque mundos envolvendo salvação universal talvez tenham outras deficiências mais sérias que os tornam menos preferíveis. Por exemplo, suponhamos que os únicos mundos nos quais todos acreditam livremente no Evangelho e são salvos são mundos com apenas algumas pessoas – digamos, três ou quatro. Se Deus fosse criar alguma pessoa a mais, então, pelo menos uma delas teria livremente rejeitado Sua graça e estaria perdida. Deus deve preferir um desses mundos esparsamente povoados ao invés de um mundo no qual multidões acreditam no Evangelho e são salvas, ainda que isto implique que outras pessoas livremente rejeitem a graça e sejam condenadas? Isto está longe de ser óbvio. Desde que Deus dê graça suficiente para todas as pessoas que Ele criou, Ele não parece menos amoroso por preferir um mundo mais populoso, mesmo que isto implique que algumas pessoas resistam livremente a todo Seu esforço para salvá-las e sejam condenadas. Assim, a segunda hipótese pluralista também não é necessariamente verdadeira, de modo que o argumento é duplamente falacioso.
Então, nenhuma das suposições pluralistas parece ser necessariamente verdadeira. A menos que o pluralista possa sugerir outras premissas, não temos razão para pensar que (1) e (2) são logicamente incompatíveis.
Mas podemos levar o argumento adiante. Podemos mostrar positivamente que é inteiramente possível que Deus seja onipotente e amoroso e que diversas pessoas nunca ouçam o Evangelho e se percam. Tudo que precisamos fazer é encontrar uma sentença verdadeira que seja compatível com Deus sendo onipotente e amoroso e que compreenda ―algumas pessoas nunca ouviram o Evangelho e estão condenadas‖. Tal sentença pode ser formulada? Vamos ver.
Como um Deus bom e amoroso, Ele quer que o máximo de pessoas possível sejam salvas e o menor número se perca. Seu objetivo, pois, é atingir um equilíbrio ótimo, de modo a não criar mais perdidos que o necessário para alcançar um certo número de salvos. É possível que o mundo em que vivemos (que inclui o futuro, o presente e o passado) tenha tal equilíbrio. É possível que para criar a quantidade de pessoas que serão salvas, Deus também tenha criado uma quantidade de pessoas que estarão perdidas. É possível que Deus tivesse criado um mundo no qual poucas pessoas fossem para o inferno, mas onde poucas pessoas teriam ido para o céu. É possível que, a fim de alcançar uma multidão de santos, Deus tenha aceitado uma multidão de pecadores.
Pode ser objetado que um Deus amoroso não criaria pessoas que Ele sabia que estariam perdidas, mas que teriam sido salvas se elas tivessem ouvido o Evangelho. Mas como sabemos que existem tais pessoas? É razoável presumir que muitas pessoas que nunca ouviram o Evangelho não teriam acreditado no Evangelho, mesmo se tivessem ouvido. Suponhamos, então, que Deus providencialmente organizou o mundo de modo que todas as pessoas que nunca ouviram o Evangelho são precisamente estas pessoas. Neste caso, qualquer pessoa que nunca ouça e seja condenada, teria rejeitado o Evangelho e se perdido mesmo se o ouvisse. Ninguém poderia reclamar perante Deus no Dia do Julgamento ―tudo bem, Deus, não respondi à sua revelação geral na natureza e consciência! Mas se tivesse ouvido o Evangelho, teria acreditado!‖ Ao que Deus responderia ―não; eu sabia que mesmo se você tivesse ouvido o Evangelho, você não teria acreditado. Assim sendo, meu julgamento sobre você com base na natureza e na consciência não é nem injusto nem desamoroso.‖
Então, é possível que:
5. Deus criou um mundo no qual há um equilíbrio ótimo entre salvos e perdidos e aqueles que nunca ouviram o Evangelho e estão perdidos não teriam acreditado, mesmo se tivessem ouvido.
Desde que (5) seja possivelmente verdadeira, temos que não há incompatibilidade entre um Deus onipotente e amoroso e o fato de algumas pessoas nunca ouvirem o Evangelho e estarem condenadas.
Como base nisto, estamos preparados para oferecer possíveis respostas às três questões que levaram a esta investigação. Responderemos na ordem inversa:
(i) Por que Deus não criou um mundo no qual todos livremente cressem no Evangelho e fossem
salvos?
Resposta: Talvez não seja viável para Deus criar tal mundo. Se tal mundo fosse viável, Deus o teria criado. Mas, dado Seu desejo em criar criaturas livres, Deus teve que aceitar que algumas livremente rejeitassem a Ele e a todo Seu esforço para salvá-las e se perdessem.
(ii) Por que Deus criou o mundo, quando Ele sabia que tantas pessoas não acreditariam no Evangelho e se perderiam?
Resposta: Deus queria dividir Seu amor e companhia com as pessoas criadas. Ele sabia que isto significaria que muitos O rejeitariam e estariam perdidas. Mas Ele também sabia que muitos outros receberiam livremente Sua graça e seriam salvos. A felicidade e bem-aventurança daqueles que aceitassem Seu amor não poderia ser excluída por aqueles que livremente O desprezam. Pessoas que livremente rejeitam a Deus e ao Seu amor não seriam permitidas, de fato, a sustentar um poder de veto sobre um mundo que Deus pode livremente criar. Em Sua misericórdia, Deus providencialmente organizou um mundo para atingir um equilíbrio ótimo entre salvos e perdidos, maximizando o número daqueles que O aceitam livremente e minimizando o número daqueles que não.
(iii) Por que Deus não trouxe o Evangelho às pessoas que Ele sabia que iriam aceitar se ouvissem, mesmo tendo essas mesmas pessoas rejeitado a luz de revelação geral que elas tiveram?
Resposta: Não existem tais pessoas. Deus em Sua providência organizou o mundo de tal forma que quem responde ao Evangelho se o ouve, o ouve. O Deus soberano construiu a história humana de modo que o Evangelho se espalhasse a partir da Palestina no primeiro século. Ele colocou pessoas no caminho de quem acreditaria se ouvisse. Uma vez que o Evangelho alcança um povo, Deus providencialmente coloca ali pessoas que Ele sabia que responderiam ao ouvir. Em Seu amor e misericórdia, Deus assegura que ninguém que creria no Evangelho se ouvisse é nascido em um tempo e lugar na história em que não o fosse ouvir. Aqueles que não respondem à revelação geral de Deus na natureza e na consciência e nunca ouviram o Evangelho, não responderiam a ele mesmo se o ouvisse. Portanto, ninguém se perde por causa de fatores históricos ou geográficos. Qualquer que deseja ser salvo é salvo.
Essas são apenas respostas possíveis às questões colocadas. Mas, desde que elas são possíveis, não há incompatibilidade entre Deus ser onipotente e amoroso e algumas pessoas não ouvirem o Evangelho e estarem perdidas. Além disso, essas respostas são atraentes por também terem aparente respaldo bíblico. Em seu discurso aos filósofos atenienses reunidos no Areópago, Paulo declarou:
―O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais; de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós; pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos‖ (Atos 17.24-27)
Isto parece exatamente com as conclusões a que cheguei a partir de uma reflexão puramente
filosófica da questão!
Agora o pluralista pode conceder que haja compatibilidade lógica entre Deus ser onipotente e amoroso e algumas pessoas nunca ouvirem o Evangelho e estarem perdidas, mas insiste que estes dois fatos são, contudo, improváveis com relação um ao outro. Pessoas, no geral, parecem acreditar na religião da cultura na qual cresceram. Neste caso, o pluralista talvez argumente, é altamente provável que se muitos daqueles que nunca ouviram o Evangelho tivessem sido criados em uma cultura cristã, poderiam ter acreditado no Evangelho e sido salvos. Então, a hipótese que nós oferecemos é altamente improvável.
De fato seria fantasticamente improvável que em virtude apenas de casualidade todos aqueles que nunca ouviram o Evangelho e se perderam não acreditariam no evangelho mesmo se tivessem ouvido. Mas a hipótese não é essa. A hipótese é que um Deus providente é quem organizou o mundo. Dado um Deus dotado de conhecimento acerca de como cada pessoa iria livremente reagir a Sua graça em quaisquer circunstâncias, não é implausível que Deus tenha ordenado o mundo da maneira acima descrita. Tal mundo não teria, aparentemente, qualquer diferença de um mundo no qual as circunstâncias do nascimento de uma pessoa são casuais. O particularista pode concordar que pessoas geralmente adotam a religião de suas culturas e que se muitas das pessoas nascidas em culturas não-cristãs tivessem nascido em uma sociedade cristã, teriam se tornado nominalmente ou culturalmente cristãs. Mas isto não quer dizer que elas seriam salvas. É um simples fato empírico que não existem traçõs sociológicos ou psicológicos distintivos entre pessoas que se tornam cristãos e pessoas que não se tornam. Não há como predizer acuradamente, através de exames, em quais circunstâncias uma pessoa acreditaria em Cristo para se salvar. Desde que um mundo providencialmente ordenado por Deus pareceria exteriormente idêntico a um mundo no qual o nascimento é decorrente de acidentes histórico-geográficos, é difícil perceber como a hipótese que tenho defendido pode ser considerada como improvável sem uma demonstração de que a existência de um Deus dotado de conhecimento para tanto seja implausível. Não conheço tão persuasivas objeções.
A título de conclusão, portanto, pluralistas não tem se mostrado capazes de mostrar qualquer inconsistência lógica no particularismo cristão. Pelo contrário, conseguimos demonstrar que esta posição é logicamente coerente. Mais que isto, penso que tal visão é não apenas possível, mas plausível. Por conseqüência, a diversidade religiosa da humanidade não solapa o Evangelho cristão de que somente há salvação através de Cristo.
De fato, para aqueles de nós que são cristãos, penso que o que disse ajuda a colocar as missões cristãs em uma perspectiva adequada: é nosso dever como cristãos proclamar o Evangelho ao mundo todo, confiando que Deus ordenou providencialmente as coisas, para que, através de nós, as Boas Novas cheguem até as pessoas que Deus sabe que irão aceitá-las se ouvirem. Nossa compaixão para com as outras religiões do mundo é expressa, não fingindo que eles não estão perdidos sem Cristo, mas apoiando e nos esforçando para comunicar a eles a mensagem de vida de Cristo.
E para aqueles de nós que ainda não são Cristãos: você precisa se perguntar ―estou aqui meramente por acidente? É apenas pelo acaso que ouvi essa mensagem? Não há propósito ou razão para eu estar aqui? Ou poderia ser que Deus em Sua providência me atraiu para que eu livremente ouça as
Boas Novas do amor e da misericórdia de Deus, que se chegam até mim através de Cristo? Então, como vou responder? Ele me deu uma oportunidade. Irei me valer dela ou, novamente, virar minhas costas para Ele?‖ A decisão é com você.
Notas do tradutor
i Texto traduzido sem fins comerciais ou acadêmicos. O texto original How can Christ be the only Way to God pode ser acessado gratuitamente em http://www.reasonablefaith.org.
ii Todas as passagens bíblicas foram traduzidas para o português a partir da versão Almeida Revista e Atualizada da Sociedade Bíblica do Brasil.
iii A argumentação que se segue poderia ser simplificada se o autor utilizasse o real conceito de Pecado. Considerando-se Pecado como atitude de independência em relação a Deus inerente a todo ser humano, tem-se imediatamente uma transgressão com efeitos eternos. Há que se ressaltar, aquilo que se considera usualmente como pecados, é, neste sentido, apenas resultado da atitude do homem de agir segundo sua corrompida visão de bem e de mal.

TRADUÇÃO - Leandro Diniz Pereira

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