quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Karl Marx racista




















COM VOCÊS KARL MARX:
"Assim pois, a Índia não podia deixar de escapar ao seu destino de ser conquistada e toda história passada, supondo que tenha existido tal história, é a sucessão das conquistas sofridas por ela. A sociedade hindu carece por completo de história, ou pelo menos de história conhecida. O que chamam de história da Índia não é mais que a história dos sucessivos invasores que fundaram seus impérios sobre a base passiva desta sociedade imutável que não lhes oferecia nenhuma resistência. Não se trata, portanto de se a Inglaterra tinha ou não direito de conquistar a Índia, senão de se preferimos uma Índia conquistada pelos turcos, pelos persas, ou pelos russos a uma Índia conquistada pelos britânicos." (pág. 506-507)
“Não podemos esquecer que estas idílicas comunidades aldeãs, por muito inofensivas que possam parecer, foram sempre o sólido alicerce do despotismo oriental, confinara o espírito humano ao quadro mais estreito possível, fazendo dele o instrumento dócil da superstição, escravizando-o sob o peso de regras tradicionais, privando-o de toda a energia histórica. [ ...] Quaisquer que possam ter sido os crimes da Inglaterra, ela foi o instrumento inconsciente da história ao provocar essa revolução.” (MARX, 1982, pág. 517-518).
Fontes, respectivamente: MARX, Karl. “Resultados futuros da dominação britânica na Índia”/ “A dominação britânica na Índia”. . In: MARX & ENGELS. Obras escolhidas. Tomo I. Lisboa, Edições Avante! / Moscou, Edições Progresso, 1982.
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Marx racista... Aquilo que ninguém te contou.
A 13 de Agosto de 1866, Karl Marx escreveu a seguinte carta ao noivo de sua filha Laura, um cubano chamado Paul Lafargue: “Você permitir-me-á fazer-lhe as seguintes observações 1º Se quer continuar as suas relações com minha filha terá que reconsiderar o seu modo de fazer a corte. Sabem bem que não há compromisso definitivo, que tudo é provisório; mas mesmo que ela fosse sua prometida em devida forma, não deveria esquecer-se que se trata de um assunto a longo prazo. Por isso, a intimidade excessiva está completamente deslocada, tendo-se em conta que os noivos terão de habitar a mesma cidade por um período necessariamente prolongado de purgatório e rudes provas (...). A meu juízo, o amor verdadeiro manifesta-se na reserva, na modéstia e, inclusivamente, na timidez do amante perante o seu ídolo, não na liberdade da paixão e nas manifestações de uma familiaridade precoce. Se você defende o seu TEMPERAMENTO CRIOLO, é meu dever interpor a minha razão entre esse temperamento e a minha filha (...). 2.º Antes de estabelecer definitivamente suas relações com Laura necessito de sérias explicações sobre a sua situação económica. A minha filha supõe que estou ao corrente dos seus assuntos. Está enganada. Não coloquei ainda este assunto na mesa porque, a meu ver, essa iniciativa deveria ter sido tomada por si. Você sabe bem que sacrifiquei toda a minha fortuna nas lutas revolucionárias. Não me arrependo nada disso. Se tivesse que recomeçar a minha vida faria o mesmo (...). Porém, em tudo o que esteja nas minhas mãos, quero livrar a minha filha dos escolhos com que se defrontou a sua mãe” FONTE: “Estudo preliminar” que Manuel Perez Ledesma fez anteriormente à edição espanhola de ‘El derecho a la pereza’ de Paul Lafargue (Editorial Fundamentos, Madrid, 1991).http://www.ocomuneiro.com/nr11_03_carlos.html#_ftn1
Mpenzi Rocha
A 13 de Agosto de 1866, Karl Marx escreveu a seguinte carta ao noivo de sua filha Laura, um cubano chamado Paul Lafargue:
“Você permitir-me-á fazer-lhe as seguintes observações
1º Se quer continuar as suas relações com minha filha terá que reconsiderar o seu modo de fazer a corte. Sabem bem que não há compromisso definitivo, que tudo é provisório; mas mesmo que ela fosse sua prometida em devida forma, não deveria esquecer-se que se trata de um assunto a longo prazo. Por isso, a intimidade excessiva está completamente deslocada, tendo-se em conta que os noivos terão de habitar a mesma cidade por um período necessariamente prolongado de purgatório e rudes provas (...). A meu juízo, o amor verdadeiro manifesta-se na reserva, na modéstia e, inclusivamente, na timidez do amante perante o seu ídolo, não na liberdade da paixão e nas manifestações de uma familiaridade precoce. Se você defende o seu TEMPERAMENTO CRIOLO, é meu dever interpor a minha razão entre esse temperamento e a minha filha (...).
2.º Antes de estabelecer definitivamente suas relações com Laura necessito de sérias explicações sobre a sua situação económica.
A minha filha supõe que estou ao corrente dos seus assuntos. Está enganada. Não coloquei ainda este assunto na mesa porque, a meu ver, essa iniciativa deveria ter sido tomada por si. Você sabe bem que sacrifiquei toda a minha fortuna nas lutas revolucionárias. Não me arrependo nada disso. Se tivesse que recomeçar a minha vida faria o mesmo (...). Porém, em tudo o que esteja nas minhas mãos, quero livrar a minha filha dos escolhos com que se defrontou a sua mãe”
FONTE: “Estudo preliminar” que Manuel Perez Ledesma fez anteriormente à edição espanhola de ‘El derecho a la pereza’ de Paul Lafargue (Editorial Fundamentos, Madrid, 1991).
http://www.ocomuneiro.com/nr11_03_carlos.html#_ftn1
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Karl Marx é o herói de alguns líderes sindicalistas e organizações de direitos civis, inclusive aqueles que organizaram o recente protesto contra a legislação de imigração que foi proposta nos EUA. É fácil ser marxista para alguém que não leu o que Marx escreveu. A maioria das pessoas que leram concorda que as predições de Marx acerca do capitalismo demonstraram estar totalmente erradas.
O que a maioria das pessoas não sabe é que Marx era totalmente racista e anti-semita. Ele não dava importância aos mexicanos. Com relação à anexação da Califórnia depois da guerra entre o México e os Estados Unidos, Marx escreveu: “Sem violência, não dá para se chegar a realizar nada na historia”. Então ele diz: “Será que é falta de sorte que a magnífica Califórnia tenha sido tomada dos preguiçosos mexicanos que não sabiam o que fazer com ela?” Friedrich Engels, co-autor com Marx do Manifesto do Partido Comunista, acrescentou: “Nos Estados Unidos, testemunhamos a conquista do México e nos alegramos com isso. É para o interesse de seu próprio desenvolvimento que o México seja colocado sob a tutela dos Estados Unidos”. Pode-se achar muitas das idéias de Marx num livro escrito pelo ex-comunista Nathaniel Weyl, intitulado “Karl Marx, Racist” (1979).
Numa carta de julho de 1862 para Engels, em referência a Ferdinand Lassalle, seu competidor político socialista, Marx escreveu: “…é agora completamente evidente para mim que, como provam a formação de seu crânio e seus cabelos, ele descende dos negros do Egito, presumindo que sua mãe ou avó não tinha cruzado com um preto. Ora, essa união de judaísmo e germanismo com uma substância negra básica deve produzir um produto peculiar. A impertinência do camarada é também característica dos pretos”.
Engels também tinha muitas das convicções filosóficas raciais de Marx. Em 1887, Paul Lafargue, que era o genro de Marx, havia se candidatado a uma vaga num distrito de Paris que continha um zoológico. Engels afirmou que Paul tinha “um oitavo ou um décimo de sangue de preto”. Numa carta de abril de 1887 para a esposa de Paul, Engels escreveu: “Estando em sua qualidade como preto, um grau mais próximo do resto do reino animal do que o resto de nós, ele é sem dúvida alguma o representante mais adequado desse distrito”.
Marx e Engels tinham em comum uma idéia muito comum em toda a historia da humanidade até hoje: a idéia de que algumas pessoas são dotadas com inteligência e sabedoria superior, e foram nomeadas para impor à força essa sabedoria nas massas.
Dr. Walter E. Williams é um americano negro, professor de economia na Universidade George Mason em Fairfax, Va, EUA.
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Fatos indesejáveis sobre a biografia de Marx
Por André,
Karl Marx nasceu no ano de 1818 e morreu em 1883, num enterro com apenas 7 pessoas; teórico do comunismo e ideólogo de revoluções pelo mundo afora que marcaram o curso da História. Sua família era intelectual, burguesa e judia. Três características às quais Marx não era muito chegado.
- Se não fosse o dinheiro capitalista de seu companheiro intelectual, Engels, Marx não teria escrito boa parte do que escreveu. A crítica mais feroz à burguesia não existiria sem o dinheiro do suor dos proletários empregados por Engels.
- A família de Marx também não era pobre e Marx aguardou ansiosamente a morte dos pais para pôr as mãos na herança.
- Marx teve um filho fora de seu matrimônio com sua empregada - Helene Demuth (exploração do proletariado?), cuja qual não recebeu um centavo pela vida de trabalho e o qual nunca reconheceu, sendo posteriormente entregue para a adoção.
Engels e Marx tinham uma amizade tão fiel que assumiu o filho bastardo de Marx.
Esses aspectos são descritos com requinte de detalhe pelas biografias de Marx a seguir (embora críticas, todas "favoráveis" a Marx):
HUNT, Tristram. Comunista de Casaca — A Vida Revolucionária de Friedrich Engels. São Paulo: ed. Record, 2010.
JOHNSON, Paul. Intellectuals. New York: ed. Harper & Row, 1989.
MCLELLAN, David. Karl Marx: vida e pensamento. São Paulo: ed. Vozes, 1990.
WHEEN, Francis. Karl Marx. São Paulo: ed. Record, 2001.
- Enquanto adolescente, Marx foi satanista, escrevendo poemas sobre a temática.
Bibliografia que documenta o fato:
WILSON, Edmund. Rumo à estação Finlândia. São Paulo: ed. Companhia das Letras, 1987.
WURMBRAND, Richard. Era Karl Marx um satanista?
- Karl Marx fez declarações racistas, antissemitas e favoráveis ao holocausto revolucionário.
Exemplos:
"In The Magyar Struggle" (1849)
"There is no country in Europe which does not have in some corner or other one or several fragments of peoples, the remnants of a former population that was suppressed and held in bondage by the nation which later became the main vehicle for historical development.
These relics of nations, mercilessly trampled down by the passage of history, as Hegel expressed it, this ethnic trash always became fanatical standard bearers of counterrevolution and remain so until their complete extirpation or loss of their national character, just as their whole existence in general is itself a protest against a great historical revolution.
Such in Scotland are the Gaels …
Such in France are the Bretons…
Such in Spain are the Basques. "
“Everywhere the forward-looking class, the carrier of progress, the bourgeoisie, was German or Magyar.
The Slavs found it difficult to develop a bourgeoisie, the South Slavs were only very partially able to do so.
Along with the bourgeoisie, industrial strength, capital, was in German or Magyar hands.
As German education developed, the Slavs also came under the intellectual tutelage of the Germans, even deep in Croatia.
The same thing took place, only later and therefore on a smaller scale in Hungary, where the Magyars together with the Germans assumed intellectual and commercial leadership....”
“Then for a moment the Slavic counterrevolution with all its barbarism will engulf the Austrian monarchy and the camarilla will find out what kind of allies it has.
But with the first victorious uprising of the French proletariat...the Germans and Magyars in Austria will become free and will take bloody revenge on the Slavic barbarians.
The general war which will then break out will explode this Slavic league and these petty, bull-headed nations will be destroyed so that nothing is left of them but their names. "
“The next world war will cause not only reactionary classes and dynasties but also entire reactionary peoples to disappear from the Earth.
And that too would be progress.”
Artigo (parte)
“Democratic Panslavism” (1849)
“We repeat: Except for the Poles, the Russians and at best the Slavs in Turkey, noSlavic people has a future, for the simple reason that all other Slavs lack the most basic historic, geographic, political and industrial prerequisites for independence and vitality.”
"Nós repetimos: Exceto para os polacos, os russos e na melhor das hipótes os eslavos na Turquia, nenhum povo eslavo tem futuro, pela simples razão de que para todos os outros eslavos falta-lhes os pré-requisitos básicos, históricos, geográficos, políticos e industriais para terem vigor e independência;"
Karl Marx
First Published: in the New York Daily Tribune of March 22, 1853 and republished in the People’s Paper of April 16, 1853;
" Society is undergoing a silent revolution, which must be submitted to, and which takes no more notice of the human existences it breaks down than an earthquake regards the houses it subverts.
The classes and the races, too weak to master the new conditions of life, must give way. "
"We have no compassion and we ask no compassion from you. When our turn comes, we shall not make excuses for the terror." - "Não temos compaixão e não pedimos compaixão a vocês. Quando nossa vez chegar, não pediremos desculpas pelo terror." - artigo para a Neue Rheinische Zeitung, em 19 de maio de 1849
Bibliografia que atesta o fato:
A "Neue Rheinische Zeitung", a "Nova Gazeta Renana", jornal diário de Marx na Alemanha, contém grande parte de seu material racista. Praticamente todo o material pode ser encontrado em
http://www.marxists.org/archive/
- Marx distorceu deliberadamente premissas da Filosofia hegeliana, conforme seu agrado:
"No caso marxista, a falsidade das premissas é mais evidente. Quando Marx escreve sobre Hegel, a distorção é tão grave que seus honestos editores não podem evitar aperceber-se do fato e expressá-lo cautelosamente. Os editores dos Fruhschriften [Escritos de Juventude] de Karl Marx (Kroner, 1955), especialmente Siegfried Landshut, dizem o seguinte sobre o estudo feito por Marx da Filosofia do direito de Hegel: "Ao equivocar-se deliberadamente sobre Hegel, se nos é dado falar dessas maneira, Marx transforma todos os conceitos que Hegel concebeu como predicados da ideia em enunciados sobre fatos" (pp. xxv-xxvi). Com este meu jeito selvagem de homem que não gosta de matar pessoas para divertir a intelectualidade, afirmo categoricamente que Marx era um charlatão intelectual deliberado. Com isso, pretendia sustentar uma ideologia que lhe permitisse apoiar a violência contra seres humanos afetando indignação moral" (VOEGELIN, 2008, p. 83)
- Marx suportava a ideia de promover a revolução à custa do sangue alheio (lumpemproletariado, camponeses, burgueses etc. etc.). Mostrei isso com riqueza de evidência no texto O Vermelho Sangue da Revolução Comunista.
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O VELHO MARX
15
domingo
jun 2014
Posted by Alessandro Barreta Garcia in Educação, Família, História,Política
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citação Marx,comunismo, falsificador,marxismo, pensador diabólico
O que podemos dizer a respeito do velho Karl Marx? Um aprendiz de acadêmico? Um pseudocientista? Um imaginável jornalista? Talvez nada disso. O velho Marx era na realidade um persistente antissemita, um antiburguês,burguês. O velho Marx era com toda certeza um pensador diabólico, e certamente não poupou esforços para destruir a sociedade. A classe proletária para Marx deveria destruir todas as outras, e deveria por fim a história. Pela sua lógica deveria por fim a ele mesmo.
Marx ficou famoso por retratar o proletário e suas condições de trabalho, contudo, Marx nunca viu ou conversou com um proletário pessoalmente. Marx nunca pisou em uma fábrica, nunca esteve em um local de manufatura, nunca presenciou um trabalho industrial. Marx é uma fraude. Ademais, estar entre proletários não era uma ideia atraente para o velho Marx. Por ironia, Marx preferia a classe média, seria odiado pela Marilena Chauí.
Além de utilizar fontes desatualizadas, mutiladas, adulteradas e deturpadas de Engels, o velho Marx foi mesmo um brilhante falsificador. Alterou declarações de Gladstone e Adam Smith, sendo que a totalidade do capitulo 8 do Capital é uma falsificação do começo ao fim. O velho Marx é uma praga, uma epidemia no cérebro dos idiotas úteis.
Marx, além de falsificador era um homem extremamente violento, sua personalidade forte lhe proporcionou toda sua raiva contra o burguês, muito embora o próprio Marx também fosse um. Marx brigava com todos os seus amigos, além é claro, de dominá-los friamente. Marx se inclinava ao terrorismo e a violência, tese indiscutível em sua “obra”. Além de violento, Marx tinha uma inabilidade surpreendente para lidar com dinheiro, essa característica lhe atribuía aversão aos credores. Marx era um explorador, sua empregada nunca recebeu um centavo em salários. Além de não pagar sua empregada, Marx traiu sua esposa com sua serva dos afazeres domésticos, não contente, Marx nunca reconhecer seu filho com esta. Marx explorou sua família, e principalmente seu melhor amigo Engels. Marx praticamente nunca trabalhou, a não ser, esporadicamente como “jornalista”. Para finalizar, Marx era um racista, chamava seu genro, Paul Lafargue, de “Negrinho” e “Gorila”. Marx sempre tratou mal todos aqueles que se candidatavam a companheiros de suas filhas. Por fim, Marx é uma das grandes enfermidades da sociedade, ele é um demônio a ser exorcizado.
Bibliografia consultada
JOHNSON, P. Os intelectuais. Tradução de: André Luiz Barros da Silva, – Rio de Janeiro: Imago Ed, 1990.
REALE, G, e ANTISERI, D. História da filosofia, 5: do romantismo ao empiriocriticismo. São Paulo: Paulus, 2005.
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Ideias de Botequim: Marx e Engels, racistas?
Por Renato Pompeu
O que teria levado Engels a escrever, num artigo de 1849, que entre todos os povos do Império Austro-Húngaro “há apenas três que foram portadores do progresso, que desempenharam um papel ativo na história e que ainda conservam a sua vitalidade: os alemães, os poloneses e os húngaros. Por essa razão eles agora são revolucionários. A vocação principal de todas as outras raças e povos, grandes e pequenas, é de perecer no holocausto revolucionário”, e a postular, em carta a A. H. Starkenburg, “vemos nas condições econômicas o que, em última instância, condiciona o desenvolvimento.
Por si mesma, no entanto, a raça é um fator econômico”? E por que Marx não só achava que a classe operária “germânica” da Alemanha era superior, por exemplo, à classe operária francesa, como também exaltou todas as revoluções que aconteceram no século 19, na Europa, mas não mencionou nenhuma vez a revolução haitiana, em que os escravos negros derrotaram as tropas francesas, acabaram com a escravidão e se instauraram como povo independente?
Segundo o livro O marxismo e a questão racial – Karl Marx e Friedrich Engels frente ao racismo e a escravidão, do intelectual cubano Carlos Moore, septuagenário que saiu de seu país nos anos 1960 e está radicado na Bahia, depois de ter vivido em vários países das Américas, Europa e África, tendo sido em Cuba acusado de trabalhar para a CIA e condenado por isso, embora tenha lá voltado para se tratar de câncer, nos anos 1990, tudo isso se deve a que Marx e Engels não estiveram alheios às concepções racistas vigentes em sua época entre os “cientistas sociais” europeus.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Jineteiras: amor, sexo & dinheiro nas ruas de Cuba - Parte 2 Continuação










Continuação

Jineteiras: amor, sexo & dinheiro nas ruas de Cuba

Parte - 2











* * *
Uma nota lingüística: aprender uma língua é fazer mil cálculos mentais em um segundo. Por exemplo, quando o cara disse que eu tinha gasto tudo em homem, eu pensei em dizer apenas “fui fraco”. Quase falei "fue flaco", mas "flaco" em espanhol quer dizer “magro” e não “fraco”. Dizer “fui magro” teria realmente destruído meu diálogo. O correto teria sido dizer "fue débil", mas eu não sabia disso naquele milésimo de segundo.
Pensei em português “fui fraco”, traduzi para "fue flaco", concluí que não sabia se a tradução era correta e decidi transmitir a mesma idéia de modo mais simples e disse: "nadie lo sabe, es mi secreto." Toda essa cadeia de raciocínio aconteceu ao mesmo tempo em que eu respirava e abaixava a cabeça. Ele respondeu "se lo ve en su cara" e foi-se embora, se achando o gostosão. Coitadinho.
* * *
Meus amigos cubanos que testemunharam o contrajineteio, ao vivo e sem aviso prévio, tiveram que se conter para não rir. Alguns se afastaram pra não me entregar com suas risadas. Muitos até hoje não acreditam que tive a cara-de-pau de inventar uma história dessas e, mais ainda, declamá-la com os olhos cheios d’água e apertando o ombro da vítima. Pois podem acreditar: meu pau, minha memória, minha voz, minha força física, todos esses vacilões já falharam comigo uma vez ou outra. Minha cara-de-pau, pelo contrário, nunca me deixou na mão.
Depois de ver o contrajineteio em ação, Cándido, um dos maiores caras-de-pau que já conheci, fez esse enorme elogio: Alexandre, já podes se considerar um havaneiro honorário!



Vaidade.

Jacques e sua jineteira

Alguns jineteiros até oferecem putas, do mesmo modo como oferecem charutos, mas são duas coisas diferentes: jineteira não é puta, puta não é jineteira. Puta é quem transa por dinheiro. Uma jineteira, se cobrar por sexo, não é mais jineteira: é puta.
Rosa, a dona da casa onde estou, não cansa de me advertir contra as implacáveis jineteiras. Morre de medo de eu trazer uma jineteira pra casa e ela fugir com meu dinheiro, meu passaporte e meu computador – e talvez minha honra. Conta uma história de horror atrás da outra, casos exemplares de estrangeiros bobos que sofreram nas mãos de cubanas perversas. Por exemplo, o pobre e inocente francês Jacques e sua malvada jineteira Adela.
Jacques era francês, setenta anos, empresário. Vinha a Cuba três ou quatro vezes por ano, sempre por um mês. Em uma de suas viagens, apaixonou-se por Adela, uma sinuosa mulata cubana de vinte e poucos:
Você não imagina, Alexandre, como o homem era devotado! Fazia tudo por ela! Cada vez que vinha da França, trazia uma mala de roupas, perfumes, comidas exóticas, presentes. Mandava cem euros por mês. Comprou um computador pra ela. Levava Adela para os melhores restaurantes de Havana – e ela ainda dava um jeito de conseguir comissão em cima do coitadinho. Nesse meio tempo, enquanto ele estava na França, ela aproveitava pra dar pra todos os homens da cidade. Um absurdo! Até que arranjou um outro turista e não quis mais saber dele. Jacques ficou aqui semanas, de coração partido, chorando no meu ombro! Pobrezinho!
Mas quem estava jineteando quem?



Balé.
Rosa ficava horrorizada de ver Adela se gabando para as amigas cubanas do velho francês broxa que lhe mandava cem euros por mês, mas fico imaginando outra conversa:
Vocês não sabem como é fácil! Pra começar, mando uma merreca por mês pra ela ficar feliz, praticamente o preço de um jantar em Paris. Então, antes de embarcar pra Cuba, minha secretária passa em uma liquidação qualquer e compra umas roupas, alguns perfumes, meia dúzia de sucreries, uns espelhinhos, e pronto. Vocês precisam ver a cara dela quando abre a mala. Parece que é um tesouro. Depois, a gente transa a noite toda. E ela não é que nem essas putas frias fedidas do Bois de Bologne, não. Ela faz com amor, com calor, com ardor. Sério, mulher latina é o máximo, vocês deviam arranjar uma também. Quem diria que, depois dos setenta, eu ainda teria uma mulher dessas!
Se Adela só se aproximou de Jacques atrás dos seus euros, Jacques também só se aproximou de Adela atrás de sua sensualidade latina, de sua juventude quente, de sua bunda de mulata. Qualquer relação humana, desde parceria comercial até amizade, só funciona quando ambas as partes estão obtendo algo que desejam. É sempre ida e volta. Senão, caímos naquela falácia tão brasileira de achar que existe corrupto sem corruptor, homossexual passivo sem ativo.
Mas Alexandre, responde Rosa, e as semanas que ele ficou aqui desolado, chorando no meu ouvido?
Olha, das duas uma: ou ele enganou a si mesmo, esqueceu as regras do jogo e se deixou acreditar em amor verdadeiro a essa altura do campeonato ou, mais provável, foi apenas a dor normal do pé na bunda. Quem nunca perdeu ninguém? O outro turista deveria ser mais novo, mais bonito, mais rico, menos broxa. Eu bateria no ombro de Jacques e diria: calma, velho, na próxima esquina tem outra cubana quente, gostosa e precisando dos seus euros. Bola pra frente e Viagra na veia.
Tenho uma amiga brasileira que diz sinceramente não entender porque cargas d’água ela sairia com um homem que não pagasse tudo. Pra ela, isso não faz o menor sentido. Ora, se for pra eu mesma pagar, saio sozinha ou com minhas amigas.
Em Cuba, seria tachada de jineteira. No Brasil, é somente uma mulher à moda antiga.



Catedral.

Somos todos jineteiros

Agora, finalmente, sei como se sente uma mulher bonita.
Sei como é a sensação de não poder andar daqui até ali sem ser abordado por alguém que não conheço, de intenções duvidosas. Sei como é a sensação de não poder sentar quieto num banco de praça ou num bar sem alguém sentar do meu lado de papinho-furado, perguntando quem sou, o que faço ali, qual é meu signo. Sei como é a sensação de ter que decidir em meio segundo se é apenas um cubano extrovertido com quem quero bater-papo ou se é um jineteiro pentelho que quero despachar. Sei como é a sensação canalha, mas tentadora, de calcular se consigo tirar dele o que quero (no meu caso, umas dicas interessantes; no dela, um drinque, um almoço) sem ter de necessariamente lhe dar o que ele quer (meus dólares, um beijinho, sexo).
Ser uma mulher bonita é ser jineteada todo dia.
Quando abordo uma cubana na biblioteca pra saber o que está estudando, poxa, que interessante, quer tomar um café comigo ali na esquina?, quem sabe me deixar beijar seus pés?, qual a diferença disso pro cubano que me aborda na rua, pergunta de que país eu sou, Brasil, que legal, adoro o Brasil, você quer charutos?, por que não vamos pro restaurante do meu amigo aqui perto conversar?
A mulher que se aproxima de um turista porque vê nele uma fonte possível de dinheiro fácil é diferente do turista que se aproxima da nativa porque vê nela uma fonte possível de sexo fácil? Quem é o jineteiro? Quem está jineteando quem? Quem está enganando quem? Tem alguém enganando alguém?
Somos todos jineteiros.



Guarda.
* * *
Essa crônica faz parte do meu ebook Radical Rebelde Revolucionário: Crônicas Cubanas, à venda no meu site. Todas as fotos desse post são minhas e a maioria está no livro. Confere lá.
Venceremos.

publicado em 07 de Novembro de 2012, 22:02




File
alex castro é. por enquanto. em breve, nem isso. // esse é um texto de ficção. // se gostou, assine minha newsletter e receba meus novos textos por email.

Jineteiras: amor, sexo & dinheiro nas ruas de Cuba -- Parte 1


Jineteiras: amor, sexo & dinheiro nas ruas de Cuba



Jineteiras: amor, sexo & dinheiro nas ruas de Cuba

Cuba é um dos lugares mais únicos do mundo. Talvez o fenômeno humano mais interessante da ilha, entre tantos, seja o jineterismo.
Ché.
Afinal, o que são os jineteiros? Amigos carentes? Camelôs? Namoradas interesseiras? Putas? Tudo? Nada? Tico-tico no fubá?

O valor do dinheiro

Dos cubanos que abordam turistas nas ruas, alguns são apenas latinos extrovertidos querendo bater papo com estrangeiros e, no processo, faturar um almoço. Muitos, entretanto, são jineteiros profissionais.
Não se pode andar cinco metros em Cuba sem ser abordado. Perguntam de onde você é, puxam conversa, são super-simpáticos. Daqui a pouco, começam os pedidos: paga um almoço?, tem aspirina?, me dá seus sapatos?, e daí pra baixo.
Muitas vezes, depois de horas me amolecendo, investindo seu tempo, trabalhando duro, o cubano inspeciona os bolsos e diz: poxa, não tenho nada, você me daria vinte pesos pra uma cervejinha?, vinte pesos pro táxi de volta pra casa?, etc.
E, vejam só, eu sei que o cara não é meu amigo. Todo o tempo que passou comigo foi só pensando no meu dinheiro. E, mesmo assim, sinto uma pena imensa. Sabe por quê? Porque vinte pesos são dois reais. Dois reais, colega. Dois reaizinhos. Dá vontade de dizer: caramba, esse tempo todo que você investiu e só quer dois reais? Toma quatro e não se fala mais nisso!
Não há melhor ilustração da pobreza generalizada em Cuba. O malandro pensa que está me enganando e, pelo contrário, mesmo se arrancar de mim o dobro do que queria, eu é que me sinto um explorador. E, infelizmente, nem mesmo esses quatro reais eu posso dar, senão ele me recomenda aos seus colegas como um pato fácil e, em cinco minutos, estou rodeado por um enxame de pidões.
Esse povo, tão instruído e tão saudável, outrora tão orgulhoso de seu papel na política mundial, hoje se vende por um prato de comida.
De todas as pequenas e grandes tragédias de Cuba, essa é a que mais me entristece.
Béisbol.

Tipos de jineteiros e seus truques

É impressionante a quantidade de perguntas pessoais que um cubano consegue fazer a um completo estranho na rua. Querem saber de onde sou, quanto tempo fico, o que estou fazendo aqui, onde estou hospedado, quanto calço, tudo. Essa última não é um exemplo aleatório: eles já estão pensando em pedir meus sapatos. A primeira coisa que me pediram foram minhas havaianas. Literalmente, teve fila.
Dos vinte cubanos que me abordam por dia, uns cinco querem apenas conversar. Não pedem nada. Depois de alguns minutos, se despedem e vão viver suas vidas. São apenas latinos extrovertidos, carentes e curiosos. Os outros quinze são jineteiros.
Grosso modo, existem jineteiros comerciais e sexuais: os que querem vender produtos e os que vendem o corpo alheio. Quando são incompetentes ou desesperados, já vão logo se oferecendo:
Cohiba legítimo? Trocar dólares? Uma cubana caliente?
(Não sei quem cai no papo desses caras. Teria que ser muito burro. O governo, por exemplo, só permite que saiam do país até 23 charutos sem certificado de comprovação. Para mais que isso, você precisa ter um documento oficial de uma loja autorizada. Senão, o pessoal da alfândega vai fumar todos os seus habanos.)
Os jineteiros diretos são os menos problemáticos. Vendedor de rua querendo engrupir turista existe no mundo inteiro. Nem tomam muito do seu tempo. Você diz não umas cinco vezes (sim, são insistentes) e eles já vão embora: afinal, há muitos outros patos na rua.
Só.
Os bons jineteiros não pedem nada na hora. Não querem colocá-lo na defensiva. Batem papo, contam sua vida, trocam telefone, marcam de se encontrar outro dia. Talvez se ofereçam pra levá-lo a um bom restaurante que só cubanos conhecem, a algum lugar turístico interessante fora dos guias, a um show de música cubana, a um lugar onde você pode comprar charutos a preço de fábrica, a uma casa particular mais barata que a sua. Naturalmente, se você quiser pagar um almoço no tal restaurante, ou o ingresso para o show, ou dar um charuto, claro que não vão recusar a generosidade de um turista tão simpático.
O primeiro truque é o da comissão. Sempre que um cubano o leva a algum lugar, ele ganha algum. É a regra. Até aí, tudo bem. Acontece no mundo todo. O problema em Cuba é que a comissão não sai do bolso do estabelecimento, mas do turista. Quando você entra no restaurante com o simpático cubano que o recomendou, sua conta fica automaticamente 50% mais cara.
Em breve, entretanto, começam as histórias tristes. Não é fácil encontrar remédios em Cuba, por isso recomenda-se aos turistas que tragam tudo o que possam precisar. Eu gastei uns duzentos reais na farmácia antes de vir pra cá. Sabendo disso, os jineteiros inventam histórias sob medida: ah, você nem sabe, estou preocupado, minha avó está muito gripada, coitadinha, mas a farmácia do governo não tinha remédio pra gripe, não sei mais o que faço, meu deus... E o pobre turista, comovido pelas dificuldades do heróico povo cubano, o chama para ir a seu hotel e dá todo seu estoque de Naldecon, prontamente revendido por uma fortuna no mercado negro.
Tem também o que eu chamo de pedido póstumo: o sujeito olha pra baixo, quase corando de vergonha, com uma expressão torturada que parece dizer “coitado de mim por ter de pedir isso” e balbucia: me deixa esses sapatos quando for embora?, adoraria essas suas havaianas como lembrança dos nossos dias juntos, essa sua bolsa salvaria minha vida na escola, poderia deixar ela comigo?, puxa, aqui em Cuba não se encontra um cortador de charuto como o seu, etc. Afinal, na sua terra, lugar de riqueza e fartura, com certeza você pode comprar outro baratinho, até melhor, e eu ficaria com essa recordação tão linda da nossa amizade... Enquanto isso, uma solitária lágrima escorre por suas faces, brilhando sob o sol.
Se eu não fosse um cínico empedernido, cortaria meu coração. Nessas horas, eu sempre me lembro do que dizia minha santa avozinha: confie em todos, mas corte o baralho.
Capitólio.

Um dilema cubano

Naturalmente, a situação nunca é assim preto no branco.
Afinal, os cubanos realmente têm pouco acesso a bens de consumo como bolsas, sapatos, havaianas, etc. Se você fez um amigo aqui e pode deixar suas havaianas com ele, por que simplesmente não comprar outras por sete reais no Brasil? Os cubanos realmente ficam doentes e sofrem de maciça falta de remédios. O que custa dar um anti-histamínico pro seu amigo cubano?
Minha amiga Isabel passou três meses em Cuba, durante a filmagem de “Estorvo”. Recomendou que não trouxesse nada que não pudesse deixar pra trás. Minha outra amiga, Annie, no seu último dia em Cuba, passou na casa de uma amiga e deixou todo seu guarda-roupa. Voltou pra Nova Orleans literalmente com a roupa do corpo.
Para um estrangeiro em Cuba, talvez o maior dilema seja justamente este: como distinguir o jineteiro que o vê como uma fonte em potencial de aspirina para vender no mercado negro do cubano que ficou seu amigo e está precisando de algo pra aliviar a dor da sua avozinha?
Inveja.

Dionisio, um chileno malandro

Dionisio, um chileno estudando música aqui em Cuba, fica profundamente irritado com as abordagens na rua, as perguntas pessoais incessantes, as ofertas não-solicitadas. Se sente atacado, invadido, explorado. Não dá papo. Sai andando. Às vezes, se vira e pergunta, já de punho em riste: te conheço?! Com que direito me pergunta essas coisas?
Ele tinha reserva em uma casa particular, mas, quando chegou, estava alugada. O solícito dono da casa pediu mil desculpas e recomendou outra. Na segunda casa, Dionisio pagava quinze pesos conversíveis por dia (15 CUC = R$ 36): dez para a anfitriã e cinco de comissão para o dono da primeira casa. Ao longo dos dois meses em que Dionisio ficou em Havana, o cubano ganhou uma pequena fortuna (300 CUC = R$ 720, 36 vezes o salário mínimo) em recompensa pela falta de consideração de ter reserva com uma pessoa e alugar pra outra. Naturalmente, Dionisio só foi saber disso ao final da sua estadia, mas qualquer guia vagabundo sobre Cuba avisa sobre esse esquema já na primeira página.
Dionisio é uma figura típica. O homem se acha muito malandro e esperto (street-wise e street-smart, diz ele), reclama sem parar que todos em Cuba são exploradores e jineteiros (pô, colega, se não gostou de nada e não se sente bem, faça o que os cubanos não podem fazer e vá embora!), não se abre a novas amizades e não dá papo a nenhum cubano (claro, pois todos querem fazê-lo de otário!), reage agressivamente aos jineteiros que oferecem charutos na rua (quando bastava dizer não e pronto!), mas, no fim das contas, perdeu 300 CUC em um esquema que já era velho quando Lot hospedou Abraão em Sodoma.
Eu até entendo a agressividade de Dionisio. É exasperante saber que uma parte da população nos vê somente como máquinas de extrair dólares. No começo, eu também não dava papo para os malucos que me abordavam na rua. Agora, tento explicar a Dionisio que ele está perdendo uma parte importante da sua experiência cubana.
Annie me ensinou a ser mais aberto: se confio na minha capacidade de dizer não, posso dar papo pra qualquer um. Respondo a todas as perguntas, bato papo, pergunto sobre suas vidas, sento com eles nos parques ou no Malecón – a muralha à beira-mar que protege Havana das ondas dos furacões. E quando pedem algo que não posso ou quero dar, basta dizer não. Pronto. Ninguém precisa fechar a cara e ser grosso para não ser roubado. Annie foi muito mais assediada que ele, por ser mulher, loira, branca e gringa; nunca disse uma palavra rude a nenhum dos cubanos que tentaram exaustivamente explorá-la, e não caiu em um único golpe.
Em Cuba, pelo menos, a violência contra o turista praticamente inexiste. Existem pedidos e pedidos: se sou abordado em uma ruela escura do French Quarter ou de Copacabana por um sujeito mal-encarado que me pede vinte pratas, eu dou. Não tem nem conversa.
Os cubanos pedem, mas não há nenhuma ameaça implícita. Dionisio não entende essa enorme diferença.
Pescando.

Interlúdio etimológico: origem da palavra "jinetear"

O verbo "jinetear" vem de "jinete", duas palavras que também existem na língua portuguesa, mas com "g": "ginete" e "ginetear".
Segundo o Dicionário Houaiss, "ginete", palavra do século XIII, originalmente indicava um cavaleiro armado de lança e adaga e, mais tarde, por metonímia, passou a indicar também o próprio cavalo, mas na acepção de ser um cavalo de boa raça e bem-treinado - ou seja, que um ginete utilizaria. No sul do Brasil, a palavra é usada para indicar tanto um cavalo xucro como o cavaleiro bom de rédea que o monta.
Seguindo essa linha, o verbo "ginetear" significa tanto dar pinotes (do ponto de vista do cavalo) quanto sustentar-se na sela enquanto o cavalo dá pinotes, além de montar um cavalo arisco e cavalgá-lo com elegância. Ou seja, é uma expressão curiosa que poderia, teoricamente, dar origens a frases como: "o ginete tanto gineteou que o ginete não conseguiu gineteá-lo".
Em espanhol, de acordo com o Dicionário da Real Academia Espanhola, as palavras "jinete" e "jinetear" possuem os mesmos significados que em português, mas com duas adições especialmente para Cuba:
"realizar negócios ilícitos com estrangeiros para obter moeda forte" e "dito de uma mulher: exercer a prostituição com clientes estrangeiros"
Ou seja, a definição mais canônica da língua espanhola admite ambos os significados: tanto o homem malandro que vive de cambalachos quanto a mulher que vende seu corpo - mas sempre e somente para estrangeiros.
Quanto à variante cubana, não é difícil imaginar sua origem.
No romance Las Criadas de la Habana, Perez Sarduy narra um breve encontro sexual entre cliente e jineteira:
"quando trepava em cima deles era como se estivesse montando um cavalo e lhes dizia que ficassem tranquilinhos que agora era ela que iria começar a jinetear."
Assim como em português, a ambiguidade do termo também se mantém em Cuba: "jinetear" seria não apenas o cubano, como um cavalo xucro e indômito, guerreiro e rebelde, se recusando a ser montado e domesticado pelos yanquis imperialistas; e também, como no trecho de Perez Sarduy, o cubano malandro e escolarizado utilizando sua lábia, sua beleza, sua inteligência para "montar" nos gringos e conseguir deles tudo o que quer.
De qualquer modo, o jineterismo hoje tornou-se a metáfora por excelência das relações entre Cuba e o mundo exterior.
Chuva.

O contrajineteio

Depois de algumas semanas em Cuba, acabei desenvolvendo um método para espantar jineteiros: quando detecto os sinais inconfundíveis de que ele está prestes a dar o bote – olha pra baixo, parece que está sem-graça, procura algo nos bolsos e não encontra, hesita, jura amizade eterna, etc. – aplico imediatamente o contrajineteio. Olho pro lado, forço um bocejo pra encher os olhos d’água, me volto para a vítima, coloco a mão no seu ombro e digo, envergonhado e hesitante, mas olhando direto em seus olhos:
Como estou vendo que você é uma boa pessoa, vou te falar uma coisa. Não é fácil, viu? Tenho até vergonha, sei lá, mas já ficamos tão amigos tão rápido, acho que posso falar, não é? Você é o melhor amigo que eu fiz em Cuba! Mas é o seguinte: volto pro Brasil só na semana que vem e meu dinheiro acabou. Sério. Meu quarto já está pago e a passagem também, graças a deus, mas não tenho nem como comer até lá. Não sei o que fazer. Estou no limite do cartão, me sobraram uns três dólares e mais nada. Nada! E não conheço ninguém em Cuba, não tenho um amigo, só você, assim, agora, a gente já é amigo, não é? [Dou um aperto no seu ombro] Bem, você tem alguma coisa, qualquer coisa, que você possa me dar? Sei lá, dez, vinte, cinqüenta pesos, só pra eu me agüentar, depois eu te pago, te mando dinheiro do Brasil, te mando o dobro se quiser, mas estou realmente precisando e, puxa, nós ficamos tão amigos, não é? Você é meu melhor amigo!, etc.
Exemplo.
O contrajineteio poderia continuar ad eternum, mas termina rápido por falta de quorum. Nenhum dos meus amigões me deu nem um centavo, pagou um almoço ou mesmo sugeriu alternativas, tipo comprar minhas roupas por alguns pesos. Nada disso. Os mesmos que me juraram eterna amizade antes do bote foram os que correram mais rápido quando quem precisou de ajuda fui eu.
Eu sei o que você está pensando, ó leitor cínico de coração endurecido pela vida: você duvida que eu tenha cara-de-pau de aplicar o contrajineteio e duvida mais ainda que os jineteiros acreditem.
Bem, quanto à primeira objeção, só posso dizer que claramente você nunca andou comigo. Já sua segunda dúvida é mais interessante.
Veja bem, o objetivo do contrajineteio é só afugentar os malandros, não conseguir que me paguem um almoço. Não sei se acreditaram ou não: posso afirmar que todos, sem exceção, desapareceram em menos de dois minutos. Talvez tenham acreditado – não há ninguém mais fácil de enganar que um mentiroso. Talvez tenham somente se dado conta de que daquele mato não sairia coelho. Desde que sumam da minha frente, pouca diferença faz.
Quase todos ficaram sem graça, começaram a olhar pros lados, conferiram a hora, lembraram um compromisso, se desculparam, e tchau. Houve somente uma resposta interessante. Quando eu disse que não tinha mais nenhum dinheiro, o sujeito perguntou: gastou tudo com homem, né?
Eu baixei a cabeça e murmurei: ninguém sabe disso, é meu segredo...
E ele, com extremo desprezo e já me dando as costas: se vê na sua cara!
Fiquei rindo sozinho por uns cinco minutos.
Beijo.