terça-feira, 4 de julho de 2017

Nós não humanizamos o capitalismo; foi o capitalismo quem nos humanizou

A imagem pode conter: texto







A imagem pode conter: texto






Nós não humanizamos o capitalismo; foi o capitalismo quem nos humanizou
Graças à acumulação de capital, o trabalho infantil foi abolido e a jornada de trabalho, reduzida





Sempre que há um feriado prolongado, várias pessoas dizem que foram os sindicatos e as intervenções do governo que "humanizaram o capitalismo" ao nos dar a jornada de trabalho de 8 horas, a semana de cinco dias de trabalho, a abolição do trabalho infantil e tudo mais.
Infelizmente, essas pessoas inverteram as relações de causa e efeito.
Não fomos nós que humanizamos o capitalismo; foi o capitalismo que nos humanizou.  A riqueza produzida pelo capitalismo nos permitiu satisfazer nossas demandas humanitárias de maneiras que não eram nem sequer sonháveis em outras épocas, quando todos os seres humanos viviam, diariamente, no limiar da sobrevivência.
Era absolutamente impossível trabalhar apenas 8 horas por dia, ter uma semana de trabalho de apenas 40 horas, e abrir mão do trabalho infantil quando as condições materiais que permitem esse luxo ainda não existiam. Ao contrário do que alguns gostam de imaginar, os trabalhadores não trabalhavam longas jornadas e as crianças não trabalhavam desde muito cedo porque os empregadores apontavam uma arma para suas cabeças. Igualmente, eles não trabalhavam tanto só porque gostavam de laborar por longas, duras e desconfortáveis horas.
Eles, assim como nós, teriam preferido trabalhar menos, ganhar mais, e usufruir melhores condições de trabalho.  No entanto, quando o capital — ferramentas tecnológicas, maquinários de alta produção, e de meios de transporte rápidos e eficientes —  é escasso, a produtividade é baixa.  Sendo a produtividade baixa, os salários inevitavelmente também serão baixos.  Sendo assim, para se alimentar toda uma família, serão necessárias várias horas de trabalho e muito mais pessoas trabalhando.
Cuidando de si próprio
Como Ludwig Von Mises nunca se cansou de repetir, foi a acumulação de capital o que tornou o trabalho mais produtivo. 
Capital é tudo aquilo que aumenta a produtividade e, em última instância, o padrão de vida de uma sociedade. Capital são todos os fatores de produção — como ferramentas, maquinários, edificações, meios de transporte etc. — que tornam o trabalho humano mais eficiente e produtivo. 
Capital, em termos físicos, são os ativos físicos das empresas e indústrias.  São as instalações, os maquinários, os estoques e os equipamentos de escritório de uma fábrica ou de uma empresa qualquer.
Trabalhar menos e produzir mais é o resultado direto da acumulação de capital. Assim como um trator multiplica enormemente a produção agrícola em relação a uma enxada, o uso de máquinas e equipamentos modernos multiplica enormemente a produtividade dos trabalhadores — e, consequentemente, seus salários e sua qualidade de vida.
Foi a acumulação de capital ocorrida ao longo dos séculos o que permitiu que os trabalhadores produzissem mais com menos horas de trabalho. Em decorrência disso, eles passaram a poder alimentar a si próprios e a seus familiares — bem como educar seus filhos — ao mesmo tempo em que trabalhavam menos horas.
Nos países ricos, em que os trabalhadores possuem uma grande quantidade de maquinários e bens de capital tecnológicos à sua disposição, tais trabalhadores tendem a ser mais produtivos. Sendo assim, eles podem se dar ao luxo de trabalhar menos horas.  Já nos países ainda em desenvolvimento, que não usufruem de bens de capital abundantes e de qualidade para seus trabalhadores — o que faz com que eles sejam menos produtivos —, não há alternativa senão trabalhar mais para produzir o mesmo tanto que um trabalhador de um país desenvolvido.
Os salários dos trabalhadores dependem de sua produtividade e do valor daquilo que produzem para os consumidores. Quando trabalhadores têm mais e melhores bens de capital com os quais trabalhar, sua mão-de-obra se torna mais produtiva. E quando os consumidores demandam aquilo que eles produzem, seus salários, por causa da maior produtividade, podem aumentar.
Quando os proprietários do capital — isto é, os donos dos meios de produção — têm de concorrer pela mão-de-obra, eles têm de oferecer maiores salários para atrair essa mão-de-obra mais produtiva, retirando-a de seus concorrentes.  A consequência é que mais e melhores bens de capital levam a maiores salários, e isso permite que mais famílias possam sobreviver sem ter de colocar seus filhos para trabalhar, e que mais trabalhadores e empresas possam reduzir as horas de trabalho e a jornada semanal.
E todo esse processo já estava a pleno vigor antes de qualquer tipo de sindicalização ou de regulamentações governamentais sobre a jornada de trabalho. A linha de tendência de queda nas horas de trabalho não foi alterada quando sindicalizações e regulamentações governamentais começaram a aparecer.





Horas semanais de trabalho na indústria, 1830-1997; a cada regulamentação que surge, a tendência de queda não é alterada
O economista Robert Whaples observa que a jornada semanal média vem caindo progressivamente desde os anos 1830.
Em 1938, quando o então presidente americano Franklin Roosevelt assinou a Fair Labor Standards Act (FLSA), uma lei que estipulava a jornada semanal máxima em 40 horas, tal lei já era praticamente desnecessária.  Ao longo do século anterior, as forças de mercado já haviam derrubado a jornada semanal média nas indústrias, de quase 70 horas para apenas 50 horas.  Em outras indústrias, a jornada era ainda menor.  Em 1930, por exemplo, operários das ferrovias trabalhavam uma media de 42,9 horas por semana.  Já os carvoeiros trabalhavam uma média de apenas 27 horas. (Confira os números aqui).
Henry Ford implantou uma jornada semanal de 40 horas em 1926 porque ele acreditava que consumidores com mais tempo livre iriam comprar mais produtos.  Outras grandes empresas fizeram o mesmo.  Apenas um ano depois, 262 grandes empresas já haviam adotado uma semana de trabalho de 5 dias.  Pela primeira vez na história, as pessoas estavam usufruindo fins de semana livres.
Mais de 80% dos historiadores econômicos já aceitam a idéia de que "a redução na jornada de trabalho semanal nas indústrias americanas antes da Grande Depressão deveu-se majoritariamente ao crescimento econômico e aos aumentos salariais gerados por esse crescimento econômico.  Outras forças tiveram um papel apenas secundário.  Por exemplo, dois terços dos historiadores econômicos rejeitam a proposta de que os esforços dos sindicatos foram a principal causa da queda na jornada de trabalho antes da Grande Depressão.
E essa tendência de queda nas horas de trabalho pode ser observada com ainda mais intensidade no que diz respeito ao trabalho infantil.
No início do século XIX, crianças trabalhavam ou na agricultura familiar ou nas fábricas.  Em ambos os casos, as famílias necessitavam dessa contribuição do salário da criança para sobreviver.
O historiador Steven Mintz, especialista em trabalho infantil, observa que os salários de crianças entre 10 e 15 anos de idade "frequentemente representavam 20% da renda da família e podiam significar a diferença entre bem-estar e privação".  Como também disse Mintz, "nessa economia cooperativa familiar, as decisões essenciais [...] se baseavam nas necessidades da família e não na escolha individual".
É claro que se os pais daquela época fossem capazes de sobreviver sem ter de colocar seus filhos para trabalhar, eles teriam feito isso, como demonstrado pela relativa ausência de trabalho infantil entre as famílias mais ricas da época.  O problema é que a maioria dos pais simplesmente não podia se dar a esse luxo.
Quando uma demanda menor é algo bom
Evidências de que foi a acumulação de capital, e não legislações, que reduziram o trabalho infantil e a jornada de trabalho foram compiladas pelo historiador Clark Nardinelli, que mostra o contínuo declínio das horas de trabalho infantil nas fábricas britânicas de algodão e de linho nas duas décadas anteriores à promulgação do Factory Act de 1833 [que limitava a 10 horas por dia o trabalho infantil em fábricas], bem como o contínuo declínio no trabalho infantil total nas fábricas de seda até 1890, muito embora as leis de trabalho infantil não se aplicassem à indústria da seda.
Conjuntamente, todos esses dados fornecem evidências do papel da elevação dos salários reais, permitida pelo capitalismo, como a causa da redução do trabalho infantil ao longo do século.  Mesmo crianças que trabalhavam na agricultura viram suas funções diminuírem à medida que maquinários agrícolas de maior qualidade reduziram a necessidade do uso de mão-de-obra infantil e aumentaram a produtividade, o que permitiu que proprietários de terra contratassem mão-de-obra de fora da família.
Sim, não há dúvidas de que as condições nas quais as crianças trabalhavam nas fábricas (e ainda o fazem nos locais mais pobres do mundo) eram desagradáveis e desumanas para os nossos padrões atuais; mas a vida no campo, trabalhando na lavoura, certamente não era melhor. Provavelmente, era pior. Se levarmos em conta a maior renda familiar e o maior acesso a recursos, principalmente remédios, disponíveis à recém-formada mão-de-obra industrial urbana, a vida era, no geral, melhor para crianças que trabalhavam nas fábricas do que para crianças que trabalhavam na lavoura na geração anterior.
A conclusão de Nardinelli merece ser citada:
A crescente renda real observada na Grã-Bretanha do século XIX foi a mais importante força responsável por retirar as crianças das fábricas têxteis após 1835. As crianças trabalhavam nas fábricas porque suas famílias eram pobres; à medida que a renda das famílias aumentou, a mão-de-obra infantil diminuiu.  Com efeito, à medida que a renda de uma determinada família aumentava, seus filhos começavam a trabalhar em idades mais avançadas do que seus irmãos mais velhos. 
Aquela bem conhecida preocupação vitoriana com as crianças surgiu, em grande parte, como um reflexo da renda crescente.  Era de se esperar que, graças ao crescente aumento da renda na última metade do século XIX, a quantidade de mão-de-obra infantil nas fábricas têxteis teria declinado sem qualquer legislação a respeito.
É certo que as leis tiveram algum efeito em dar um empurrão ao processo, mas a "mais importante força" continua sendo o aumento na renda real produzido pelo capitalismo e pela industrialização.
Contrariamente à alegação de seus críticos, não foi o capitalismo quem criou a desagradável mão-de-obra infantil. Esse tipo de trabalho sempre existiu nas famílias e no campo. E não por uma questão de maldade, mas sim de necessidade econômica. O que obrigou agricultores a colocar seus filhos para trabalhar foi o fato de que, como a produtividade era baixa, tais pessoas simplesmente tinham de trabalhar 70-80 horas por semana se quisessem produzir o suficiente para comer. 
Foi o capitalismo e a acumulação de capital gerada pelo capitalismo quem permitiu o desaparecimento do trabalho infantil entre as massas pela primeira vez na história da humanidade, ainda que ele tenha, à primeira vista, tornado o trabalho infantil mais visível ao movê-lo do campo para as fábricas.
Se o problema fosse de tão fácil resolução, então tudo o que aqueles países do Terceiro Mundo — cuja população, inclusive crianças, ainda trabalha muitas horas por semana — têm de fazer para acabar com a pobreza, enriquecer e usufruir mais horas de lazer é criar leis. 
A sociedade supera o ego
Por tudo isso, é válido perguntar por que se tornou uma espécie de senso comum acreditar que foram leis estatais que aboliram o trabalho infantil, as longas jornadas e a semana de sete dias de trabalho. Meu palpite é que tal raciocínio provavelmente é reflexo da nosso viés intelectual e evolutivo, o qual nos leva a acreditar que de fato temos o poder de controlar o mundo social à nossa volta.
É mais fácil, bem como mais moralmente satisfatório, acreditar que fomos nós que intencionalmente abolimos algo desagradável ao simplesmente nos posicionarmos contra ele. Não é fácil aceitarmos que o responsável por tudo foi um processo que não controlamos diretamente.
Adicionalmente, parece ser uma tendência que leis contra um comportamento antigo que julgamos ser moralmente repreensível adquiram uma aura de santidade quando as práticas em questão já majoritariamente desapareceram, fazendo com que os poucos exemplos ainda remanescentes sejam ainda mais repreensíveis.  Isso certamente é válido para alto enfoque dado ao trabalho infantil ao mesmo tempo em que este foi rapidamente desaparecendo ao redor do mundo, por causa da cada vez menor necessidade de renda infantil para complementar a renda de uma família minimamente estruturada.
É mais fácil legislar contra uma prática cuja necessidade econômica, ou mesmo conveniência, já não existe mais. Leis proibindo o trabalho infantil e longas jornadas de trabalho só foram possíveis de ser implantadas quando as famílias não mais necessitavam daquelas horas extras de trabalho para sobreviver e propiciar uma vida melhor para si próprias e para seus filhos.
O real crédito pelo declínio do trabalho infantil e das longas jornadas de trabalho se deve ao capitalismo e aos mercados concorrenciais, os quais permitiram a acumulação e o crescimento do capital, o qual aumentou a produtividade da mão-de-obra e enriqueceu tanto os capitalistas quanto os trabalhadores.  Pessoas mais ricas podem se dar ao luxo de trabalhar menos e viver melhor.
Sindicatos e governos não humanizaram o capitalismo. Foi o capitalismo quem criou as condições que permitiram que cada vez mais pessoas vivessem vidas verdadeiramente humanas.
_______________________________
Leia também:
______________________________
Steve Horwitz é professor de economia na St. Lawrence University e autor do livro Microfoundations and Macroeconomics: An Austrian Perspective.
Julian Adorney é diretor de marketing da Peacekeeper, um aplicativo de smartphone que oferece uma alternativa para serviços de emergência.  É também historiador econômico, tendo como base a economia austríaca.  Já publicou nos sites do Ludwig von Mises Institute do EUA, Townhall, e The Hill.

==========================================
AMIGO/A , VAI LÁ NO YOUTUBE E DÁ UM LIKE E TAMBÉM SE INSCREVA NO CANAL ! OBRIGADO !É LÁ NO YOUTUBE . MUITO GRATO !

https://www.youtube.com/watch?v=ZM28TK6FznE&t=11s

https://www.youtube.com/watch?v=-tJykFs8nwA
https://www.youtube.com/watch?v=vLcd4TCyMJo
https://www.youtube.com/watch?v=TmRHn0ZK6jA
https://www.youtube.com/watch?v=BsdbNKzRd2c





 
                                https://www.youtube.com/watch?v=_NMBSyNVdPA

Seu padrão de vida hoje é muito maior do que o de um magnata americano há 100 anos

Seu padrão de vida hoje é muito maior do que o de um magnata americano há 100 anos
































  



























































Sim, você é hoje mais rico que um Rockefeller em 1915 



Morreu, no dia 20 de março de 2017, o bilionário David Rockefeller. Ele era o último neto vivo do magnata John D. Rockefeller, fundador da Standard Oil. Tinha 101 anos de idade. 











 



























Por ocasião de sua morte, a revista The Atlantic fez uma excelente reportagem descrevendo como eram as condições de vida nos EUA em 1915, ano em que David Rockefeller nasceu. Tomando por base o padrão de vida usufruído por uma pessoa de classe média hoje, as condições de vida há 100 anos, mesmo para um magnata, eram sombrias, extenuantes, perigosas e, por que não?, pobres.
(Para você ter uma ideia, em 1924, o filho de 16 anos do então presidente americano Calvin Coolidge faleceu em decorrência de uma bolha infeccionada em seu dedo do pé, machucado este que ele adquiriu ao jogar tênis no jardim da Casa Branca.)
Com isso em mente, eis uma pergunta que eu sempre faço em várias ocasiões, e que sempre gera reações controversas em meus interlocutores: qual seria a quantidade mínima de dinheiro que você exigiria para abrir mão de tudo o que você tem hoje, voltar no tempo e viver a vida de John D. Rockefeller em 1915?
Ou, colocando de outra maneira, se você vivesse em 1915 com um bilhão de dólares em sua conta bancária, você acha que teria o mesmo conforto e o mesmo padrão de vida que você tem hoje, com sua renda atual? Você acha que esta volumosa quantia de dinheiro seria capaz de garantir a você, em 1915, bens e serviços de alta qualidade, de modo a fazer com que você seja indiferente entre manter sua vida hoje, em 2017, ou viver como um Rockefeller em 1915?
Pense bem. Sem pressa. E com cuidado.
Comecemos pelo lado mais ameno e menos importante
Se você fosse um bilionário americano em 1915, você poderia, obviamente, adquirir imóveis de primeira. Você poderia ter um apartamente na Quinta Avenida, em Nova York, ou uma casa de praia em frente ao Oceano Pacífico, em Los Angeles, ou mesmo ter a sua própria ilha tropical em qualquer lugar do mundo (ou ter os três ao mesmo tempo).
Mas, quando você fosse viajar de Manhattan para a Califórnia, você levaria dias (em seu trem particular) e teria de atravessar vários terrenos inóspitos, sem muita opção de lugar para pernoite e sem a certeza de que haverá restaurantes no caminho (ou seja, você teria de separar quilos de comida apenas para a sua viagem de dias). E, se essa viagem fosse feita durante os escaldantes meses de verão, você não teria ar condicionado em seu vagão. Muito menos teria qualquer opção de entretenimento a bordo.
E, embora você talvez tivesse ar condicionado em sua casa em Nova York, vários dos locais aos quais você iria — escritórios, restaurantes, cinema, teatro — não teriam este luxo. E, no rigoroso inverno, praticamente não haveria calefação.
Viajar para a Europa levaria, provavelmente, mais de uma semana. Para ir além da Europa, várias semanas.
Quer enviar com urgência uma encomenda de Nova York para Los Angeles em apenas um dia? Lamento. Impossível.
Você também não poderia nem ouvir rádio (a primeira transmissão de rádio só ocorreu em 1920) e nem ver televisão (só a partir de 1935). Você, no entanto, poderia ter uma vitrola de última geração. (Não era estéreo, porém. E creio que mesmo os atuais adoradores do vinil iriam preferir ouvir música de um CD à musica tocada por uma vitrola de 1915). Obviamente, você não poderia baixar na internet as músicas que quisesse.
Também não havia muitas opções de filmes aos quais assistir. Você poderia, de fato, construir sua própria sala de cinema em sua mansão, mas não haveria muito material a ser visto. E, caso conseguisse que alguém estúdio de Hollywood vendesse para você alguma película, esta seria muda e em preto e branco. (Hoje, você pode baixar gratuitamente vários filmes pela internet, ou mesmo pagar Netflix ou Amazon Prime para ter acesso a outros filmes e séries).
Você teria um telefone, mas ele seria fixado à parede. (Não, você não teria nem Skype e nem chamadas via WhatsApp).
Você também teria uma limusine de luxo (ou o equivalente da época), mas as chances de ela quebrar durante um passeio pela cidade (com motorista) seriam muito maiores que as chances de o seu carro atual enguiçar quando você está indo para a academia de ginástica, para o cinema, ou para a aula de ioga. E, com a limusine enguiçada, você pacientemente teria de esperar, no banco traseiro, o seu chofer tentar consertar a máquina de improviso, sem poder telefonar ou mandar mensagem para ninguém avisando que irá se atrasar para um eventual compromisso.
Mesmo quando estivesse em sua residência em Manhattan, se você fosse acometido de um súbito desejo por uma culinária mais específica, como comida tailandesa, vietnamita ou do Oriente Médio, você estaria sem sorte: é improvável que seu chef tivesse a mais mínima ideia de como fazer isso. Nem mesmo havia restaurantes com essas opções em Nova York.
E, ainda que você tivesse o dinheiro para, no inverno de 1915, abastecer sua despensa em Nova York com frutas, mesmo para um bilionário como você tal extravagância não valeria a pena. A logística necessária para fazer com que as frutas chegassem a Nova York ainda frescas seria cara demais.
Sua conexão wi-fi seria dolorosamente lenta — opa, espera: não existia isso. Mas, pouco importa, pois você nem sequer teria um computador (ou um smartphone ou um tablet) e uma internet.
Você, de fato, poderia comprar todos os livros, enciclopédias e jornais científicos da época, bem como todas as revistas semanárias e jornais diários. (Haveria muita dificuldade para guardar todos eles, mas isso é o de menos.) No entanto, o seu acesso à informação, mesmo você sendo um bilionário, dificilmente seria maior e melhor que o acesso que qualquer cidadão munido de um smartphone e uma conexão à internet possui hoje.
Para começar, você não teria acesso instantâneo às notícias. Estas chegariam a você, na melhor das hipóteses, com um dia de atraso. Se fosse um evento ocorrido na Europa, a informação poderia vir com mais de uma semana de atraso. Adicionalmente, você não teria nada sob demanda. (Hoje, ao simples deslizar de um dedo, você tem acesso a toda e qualquer informação que queira, bem como a milhares de livros e filmes que podem ser lidos e vistos a qualquer momento. Pode também assistir, gratuitamente, a vários telejornais.)
Você poderia comprar o mais chique e refinado relógio suíço da época, mas mesmo ele não conseguiria manter as horas de maneira tão acurada como faz qualquer relógio barato de hoje (isso sem nem mencionar o relógio do seu smartphone, que está sempre atualizado).
Coisas mais sérias e graves
Mesmo a melhor e mais avançada medicina da época era horrível para os padrões de hoje: tudo era muito mais doloroso e muito menos eficaz (lembre-se do jovem filho do presidente Coolidge). Antibióticos simplesmente não estavam disponíveis. Disfunção erétil? Distúrbio bipolar? Aprenda a viver com isso. Essa era a única opção.
A mulher tinha muito mais chances de morrer durante o trabalho de parto. E o bebê, muito mais chances de não sobreviver após o parto. Mesmo tendo sobrevivido ao parto, a criança tinha muito menos chances de sobreviver à infância, uma vez que a cura para as várias doenças infantis ainda não havia sido descoberta. Paralisia infantil, tuberculose, difteria, tétano, coqueluche, meningite, pneumonia, rubéola, sarampo, varicela, hepatite etc. — tudo isso poderia levar à morte prematura de uma criança.
(Atualmente, não apenas a mortalidade infantil despencou em decorrência da invenção de remédios e vacinas para todas as doenças acima, como ainda fetos com problemas pulmonares recebem uma injeção intra-uterina e o problema é resolvido instantaneamente. Nos últimos 100 anos, a expectativa de vida aumentou 36 anos.)
Igualmente, por mais que você adorasse o seu labrador, a sua riqueza não seria capaz de comprar para ele todos os cuidados veterinários que hoje são rotina em todos os lares que possuem um cachorro. Ele não viveria muito.
Você poderia pagar um bom dentista, mas os serviços que ele seria capaz de fazer não eram nada invejáveis pelos padrões de hoje. E eram extremamente dolorosos. Ademais, a escova de dentes como conhecemos só surgiu em 1938. (Você poderia, no entanto, comprar as melhores dentaduras da época tão logo seus dentes apodrecessem e caíssem).
Se suas vistas ficassem ruins, o máximo que você poderia fazer seria contratar um bom oftalmologista para lhe fazer óculos. Tem catarata ou glaucoma? Que azar. Apenas se acostume com isso. (Hoje, você cura a sua catarata com um laser pela manhã e, à tarde, já sai do hospital e volta para casa.)
Métodos anticoncepcionais eram primitivos: não apenas eram bem menos confiáveis e eficazes, como também reduziam quase que por completo o prazer. Nada comparável à eficácia dos vários, baratos e altamente disponíveis métodos anticoncepcionais atuais.
Conclusão
Honestamente, eu não me sinto nem remotamente tentado a abandonar 2017 e me tornar um bilionário em 1915. Isso significa que eu, um simples professor universitário, sou hoje, pelos padrões de 1915, mais do que um bilionário. Significa que, pelo menos dadas as minhas preferências, sou hoje materialmente mais rico que John D. Rockefeller em 1915.
E se, como creio ser o caso, minhas preferências não forem atípicas, então praticamente cada indivíduo de classe média é hoje mais rico do que era o americano mais rico do país há 100 anos.
O que nos leva à grande constatação: todos esses avanços materiais criados pelo capitalismo resultaram primordialmente no benefício do cidadão comum. Essas conquistas disponibilizaram para as massas confortos, luxos e conveniências que não foram usufruídos nem sequer pelos bilionários de antigamente.
Uma porção desproporcional dos benefícios do capitalismo, do livre mercado, da inovação, da invenção de novos produtos, do comércio e dos avanços tecnológicos foi direcionada para o cidadão comum. E ainda há que vitupere tal arranjo.




=====================================================


AMIGO/A , VAI LÁ NO YOUTUBE E DÁ UM LIKE E 
TAMBÉM SE INSCREVA NO CANAL ! 
OBRIGADO !É LÁ NO YOUTUBE . MUITO GRATO !

https://www.youtube.com/watch?v=ZM28TK6FznE&t=11s



https://www.youtube.com/watch?v=-tJykFs8nwA



https://www.youtube.com/watch?v=vLcd4TCyMJo



https://www.youtube.com/watch?v=TmRHn0ZK6jA



https://www.youtube.com/watch?v=BsdbNKzRd2c




                                                       https://www.youtube.com/watch?v=_NMBSyNVdPA




sexta-feira, 30 de junho de 2017

DOUTRINAÇÃO COMUNISTA NAS ESCOLAS

Prova de história do 5º ano gera polêmica sobre conteúdo ideológico em escola de Pelotas 
Prova de história do 5º ano gera polêmica sobre conteúdo ideológico em escola de Pelotas
Prova de história do 5º ano gera polêmica sobre conteúdo ideológico em escola de Pelotas
Prova de história do 5º ano gera polêmica sobre conteúdo ideológico em escola de Pelotas
Prova de história do 5º ano gera polêmica sobre conteúdo ideológico em escola de Pelotas
img-4405.jpg

facebook.jpg


Mãe de aluna considera que questões não foram colocadas de forma apropriada para crianças de 10 anos. Escola diz que material está de acordo com diretrizes do MEC.Por Daniel Favero, G1 RS28/06/2017 15h13  Atualizado 29/06/2017 15h13
19366355-10155452368938637-5451327882955571347-n.jpgProva questionada por pais de uma aluna (Foto: Arquivo Pessoal) O conteúdo de uma prova de história aplicada contra alunos da quinta série de uma escola particular de Pelotas, na Região Sul do Rio Grande do Sul, chamou atenção dos pais de uma das alunas, que consideraram o teste inadequado para crianças de 10 anos. Fotos do teste foram postadas nas redes sociais, e geraram indagação sobre a abordagem do conteúdo didático e o que consideram ser um excesso de doutrinação ideológica. A escola nega que o objetivo tenha sido esse.A prova de história apresenta questões sobre a Consolidação das Leis do Trabalho, desigualdade salarial e as reformas previdenciária e trabalhista. Os alunos tinham que responder a perguntas interpretando as charges."Achei muito descarada a questão política, não tinha conteúdo de história na prova, tinha um viés ideológico bem explícito", afirma a funcionária pública Janaína Mesquita, de 34 anos, mãe de uma das alunas."O que mais me incomoda é que essa prova parece que diz que a criança não é capaz de responder uma pergunta direta, de realmente aprender história e responder o que sabe (...) Como é que ela vai desenvolver uma escrita, elaboração de respostas, catar tudo lá no cérebro se não tem chance?", indaga uma pessoa nos comentários da postagem nas redes sociais.Uma das charges mostra um homem jogando uma carteira de trabalho no lixo, seguida de uma questão de múltipla escolha. "A charge faz referência à atual reforma trabalhista proposta pelo governo. Qual a opinião do chargista sobre ela?". A resposta correta era "ela seria péssima para os trabalhadores, por isso ele está jogando-a no lixo".Para Janaína, o conteúdo é inadequado para crianças de 9 a 10 anos idade, uma vez que as crianças não tinham margem de interpretação. Além disso, ela acredita que, com essa idade, os alunos ainda não tinham maturidade para fazer uma reflexão apropriada sobre o tema, e acabam tomando o conteúdo como verdade. "Um adolescente de 16, 17 ou 18 anos vai no site da Câmara buscar informação, mas uma criança não vai buscar a reforma trabalhista e levar ela impressa para questionar com o professor (...) Tu coloca uma ideia na cabeça das crianças, que não é bem isso, e explicar os pormenores é difícil, então eles ficam com aquilo como se fosse uma coisa ruim", analisa Janaina, citando outras referências que o professor já havia feito sobre mudanças na carga horária propostas pela reforma trabalhista.
19366108-10155452368853637-7348758188109017281-n.jpgProva abordou o tema da reforma trabalhista em tramitação no Congresso (Foto: Arquivo Pessoal)Em outro trecho da prova, uma charge exibe um homem ao lado de um saco grande de dinheiro, oferecendo uma pequena bolsa para o um trabalhador, ao lado de outra imagem, de greve. A resposta considerada correta ao analisar as duas imagens é "os trabalhadores, por receberem baixos salários, entram em greve".Em outra questão sobre a função dos sindicatos, a resposta considerada correta é "defender os interesses dos trabalhadores".Janaina diz que postou as imagens no Facebook, e que recebeu o apoio de diversos pais. "Podem ter pais que tenham concordado com o conteúdo, mas muita gente me adicionou e prestou apoio", conta.
facebook.jpgPai compartilhou prova em seu perfilna internet (Foto: Reprodução/Facebook) Ela teve uma reunião com a direção da escola, e ouviu que o conteúdo estava de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Educação. Mas, ao mesmo tempo, considera que, apesar de ser baseada no livro didático, a prova representou muito da opinião do professor."Se ele [o professor] tem uma posição, ele tem o direito de ter, mas cobrar isso em uma prova para crianças é errado, porque se tu discorda, pode rodar [repetir] de ano", afirma."A CLT foi criada no governo Vargas [Getúlio], isso é história, mas o que foi pedido é mais uma questão de opinião (....) A charge do empreendedor como malvado explorador e o trabalhador como pobre coitado", diz Janaína, ao relatar uma questão ideológica que ela percebeu no conteúdo cobrado dos alunos.Mas não foram todos que viram problemas no conteúdo. "Não entendo como inadequado, não achei fora de contexto, acho que o conteúdo estava adequado. Pode ter conotação com viés político para alguns pais, mas não foi algo direcionado, acho que foi bem abordado", diz a professora universitária Idel Milani, que tem uma filha em uma das turmas de 5º ano, e que fez a prova. Escola diz que pais também devem educar A escola, por sua vez, diz que apenas uma das 90 famílias de alunos de 5º ano reclamou do conteúdo. A instituição acrescenta que convidou a família para conversar, que as colocações feitas pela mãe foram ouvidas, e será dada atenção ao tema.De acordo com a diretora administrativa da escola, Mônica Botelho, os pais também devem participar da educação dos filhos em casa.Por meio de nota, a escola diz que incentiva os alunos a serem cidadãos críticos e participativos desde cedo. "Para nós, o aluno deve ser sempre protagonista de seu próprio aprendizado. A interação com colegas, com professores e com os ambientes é o eixo articulador desta aprendizagem". A prova, conforme a escola, avaliou os conhecimentos ensinados em sala de aula sobre o trabalho durante a República, Império, Colônia e as conquistas dos trabalhadores na atualidade, em acordo com o material didático.
 img-4405.jpgMaterial, segundo a escola, está de acordo com as diretrizes do MEC (Foto: Divulgação/Escola Santa Mônica)"A Escola Santa Mônica utiliza o Sistema Positivo de Ensino (SPE), adotado por escolas de todo o Brasil. O SPE é constantemente atualizado por um centro de pesquisas próprio, no qual especialistas analisam vivências de sala de aula e pesquisam ferramentas de ensino que ampliam o aprendizado. O resultado desse trabalho compõem livros didáticos, livros digitais, softwares educativos e o Portal Educacional. Portanto, o conteúdo de 5º ano do ensino fundamental trabalhado na avaliação não foi sugerido pela escola, e sim elaborado por um grupo de especialistas no qual a escola confia", explica a nota.Conforme a escola, é respeitada a limitação de faixa etária dos estudantes na abordagem dos assuntos."A proposta e intenção da avaliação foi de ir ao encontro do conteúdo desenvolvido em sala de aula, com questões objetivas e dissertativas, ambas de interpretação das imagens apresentadas. A habilidade de interpretação entra em todos os componentes curriculares da nossa escola, desde a educação infantil. Esta habilidade e competência vai sendo desenvolvida e aprimorada, se ajustando a faixa etária dos alunos ao longo dos anos. Prova disso é que mais de 97% dos alunos foram aprovados nesta avaliação. Nossos alunos são expostos a diversas visões de mundo ao longo da sua formação e isso é fundamental para que eles possa fazer suas próprias escolhas ao longo da vida", finaliza o comunicado. O G1 também procurou o MEC, que se manifestou por meio de nota. Confira na íntegra:"As instituições privadas de educação básica são regidas, de acordo com a LDB [Lei de Diretrizes e Bases], nos artigos 17 e 18, pelos sistemas municipais ou estaduais/Distrito Federal. A mesma LDB, no artigo 4, também deixa clara que é dever do Estado a educação escolar pública, garantido, entre outros pontos, o material didático-escolar. Diante disso, não existe nenhuma diretriz do MEC para elaboração dos livros das escolas particulares ou sobre quais livros essas instituições devem usar. Cabem aos conselhos estaduais de Educação a fiscalização, supervisão e avaliação dos estabelecimentos particulares. No âmbito do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), somente são atendidas as escolas públicas".



  • ================================================================
  • ================================================================
  • ================================================================
  • AMIGO/A , VAI LÁ NO YOUTUBE E DÁ UM LIKE E TAMBÉM SE ESCREVA NO CANAL ! OBRIGADO !É LÁ NO YOUTUBE . MUITO GRATO !

===

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Como Cuba consegue índices de países desenvolvidos na saúde?

Como Cuba consegue índices de países desenvolvidos na saúde?

País tem dados que fazem inveja, mas possui infraestrutura deteriorada e sofre com falta de profissionais





Paciente com radiografia aguarda consulta na entrada do posto de saúde. Ver galeria de fotos
Paciente com radiografia aguarda consulta na entrada do posto de saúde.


Como Cuba consegue ter um sistema de saúde com índices comparáveis aos países desenvolvidos com um orçamento típico de uma região em desenvolvimento? O Governo caribenho sempre se vangloriou de fomentar e cuidar do serviço básico, gratuito e universal que oferece a sua população. No entanto, também há deficiências: infraestrutura deteriorada, constantemente avariada ou obsoleta e um déficit importante de médicos por motivos diversos, como a prioridade dada pelo Estado às missões médicas internacionais ou a incessante saída de especialistas que conseguem exilar-se. 


Uma das chaves para o sucesso cubano na saúde está no gasto destinado ao setor: 10,57% do PIB em 2015, muito acima de países como Estados Unidos, Alemanha, França e Espanha. Há quatro décadas, Cuba possuía um dos sistemas de atenção primária em saúde mais proativos do mundo, cujo pilar era uma infraestrutura composta por 452 postos de saúde, aliada à prioridade dada à medicina preventiva, à cobertura universal e ao acesso aos serviços médicos. Tudo isso pode explicar o porquê de muitos de seus indicadores serem equiparáveis aos de países muito mais ricos.
O outro lado são as clínicas exclusivas para turistas, governantes e altos mandatários. O Estado reserva os melhores hospitais, equipamentos e remédios para a elite do poder e para os estrangeiros, enquanto descuidam da qualidade do serviço prestado ao cubano comum, que é obrigado a depender do mercado negro ou do favor de seus familiares no exterior para conseguir qualquer tipo de medicamento.
“A situação se tornou insustentável neste país”, diz a paciente Odalys, que aguarda na entrada do Hospital Salvador Allende. “Não é só pela falta de especialistas, temos que trazer tudo de fora, acabo de sair para comprar uma lâmpada para ter luz no quarto. Pedi para trazerem de casa roupa de cama, toalhas e até papel higiênico. Faltam funcionários para levar as macas e vi uma família levar o filho doente até o quarto. A saúde é gratuita e universal, sim, mas descuidada e muito informal”, queixa-se.
“Cuba tem dois sistemas de saúde”, explica o médico Julio César Alfonzo. “Um para os cubanos, outro para os estrangeiros, que recebem um atendimento de maior qualidade, enquanto a população nacional tem de se conformar com instalações caindo aos pedaços, falta de remédios e equipamentos e falta de pessoal especializado, que é enviado ao exterior para gerar renda para Cuba". 

O lado B da saúde cubana são as clínicas exclusivas para turistas, governantes ou altos mandatários. O Estado reserva o melhor para a elite do poder e para os estrangeiros

Histórico

Em 1959, o país possuía apenas 6.000 médicos, já que metade emigrou depois da Revolução. A crise sanitária que se seguiu mostrou ao novo Governo a necessidade de formar profissionais em massa. Meio século mais tarde, em 2014, Cuba tinha 67,2 médicos para cada 10.000 habitantes, era o terceiro país do mundo nesse ranking, atrás apenas do Catar e de Mônaco. Apesar desses números, a qualidade da atenção primária, durante anos a pedra angular da saúde pública, viu-se afetada com uma redução em 62% da quantidade médicos de família, de 34.261 em 2009 para 12.842 em 2014, segundo dados do Departamento Nacional de Estatísticas e Informação (ONEI, na sigla em espanhol).
Ainda assim, segundo o relatório do Estado Mundial da Infância do Unicef, Cuba alcançou em 2015 uma taxa de mortalidade infantil abaixo de cinco por 1.000 nascidos, dado que coloca o país entre as primeiras 40 nações do mundo. O país caribenho também foi pioneiro em diversos avanços na medicina. Já em 1985 desenvolveu a primeira e única vacina contra a meningite B. Conseguiu novos tratamentos para combater a hepatite B, o pé diabético, o vitiligo e a psoríase. E desenvolveu uma vacina contra o câncer de pulmão, que está sendo testada nos Estados Unidos, e foi o primeiro país do planeta a eliminar a transmissão materno-infantil de HIV, conforme atesta a Organização Mundial da Saúde (OMS), também em 2015, confirmando a colocação do sistema de saúde cubano na vanguarda do continente americano e muito acima da média mundial.
Esses indicadores foram elogiados pela diretora da OMS, Margaret Chan, que qualificou o sistema sanitário cubano como exemplo a seguir por sua sustentabilidade, sua capacidade e seu espírito solidário na formação de profissionais em países com menos recursos ou na atuação em situações de emergência, como a epidemia de ebola na Libéria, Serra Leoa e Guiné em 2014, para onde Cuba enviou a Brigada Henry Reeves, tornando-se o maior fornecedor de ajuda especializada no combate ao vírus. Os cubanos também prestaram socorro no Paquistão após o terremoto de 2005 e na América Central depois da passagem dos furacões Mitch e George em 1998. Com o navio da Operação Milagre, iniciativa conjunta mantida por Cuba e Venezuela desde 2004, mais de dois milhões de pessoas de 35 países foram operadas gratuitamente de catarata e outras doenças nos olhos .

Uma das chaves para o sucesso cubano na saúde está no gasto destinado ao setor: 10,57% do PIB em 2015, muito acima de países como Estados Unidos, Alemanha, França e Espanha

“Exército de jalecos brancos”

Um “exército de jalecos brancos”, como dizia Fidel Castro, nasceu em 1960 quando uma brigada médica foi enviada ao Chile depois do terremoto que arrasou a cidade de Valdivia, deixando milhares de mortos. Desde então, o Estado cubano enviou mais de 300.000 profissionais em missões sanitárias, de acordo com a Agência Cubana de Notícias, que levaram ajuda a 158 países da América Latina, África e Ásia. Atualmente, Cuba está presente em 67 nações onde a saúde pública é deficitária, com mais de 50.000 médicos cubanos em diversos continentes. O Brasil foi um dos países que se beneficiou desses profissionais quando, em 2013, o Governo Federal lançou o programa Mais Médicos, com o objetivo de levar médicos para o interior do país.
O infectologista Salvador Silva participou de duas missões no exterior durante a última década: Haiti e Libéria. “Os médicos cubanos têm um senso muito arraigado de solidariedade e do Juramento de Hipócrates. Não se concebe nosso trabalho sem o apoio às missões no exterior. Nosso salário pode ser baixo e talvez nos empurre para o exterior, mas também dá orgulho ver que nosso trabalho é reconhecido em todo mundo, além de contribuir para nosso país”, declara.
Os médicos são a matéria-prima mais rentável de que dispõe o Governo de Havana. A cooperação em saúde constitui uma lucrativa ferramenta diplomática e tem sido um elemento essencial para o reconhecimento e o respeito internacional conquistados por Cuba nos últimos 50 anos, mas também se tornou uma das principais fontes de renda do país. Em 2014, totalizou mais de 8,2 bilhões de dólares, muito mais que o gerado pelo turismo internacional.
O envio de brigadas médicas é realizado mediante contratos específicos com cada país beneficiário. A missões enviadas à Venezuela, aliada próxima de Cuba, por exemplo, são parte de um intercâmbio bilateral que prevê o fornecimento estável de petróleo em troca da integração de mais de 35.000 profissionais cubanos à saúde pública venezuelana.
O negócio é tão grande que deixou os hospitais e postos de saúde com o mínimo de pessoal. Diante da necessidade de preparar mais profissionais, o Governo recorreu à educação de especialistas emergenciais, formando alunos em cursos mais curtos. “Estão graduando médicos em tempo recorde para suprir a demanda de exportação e isso tem sido feito em detrimento da qualidade da formação e da medicina de Cuba, que costumava ser de primeira linha. Isso está acontecendo desde que começou o programa na Venezuela, entre 2003 e 2004”, diz Julio César Alfonzo, médico cubano exilado e atual diretor da Solidaridad Sin Fronteras.

Cuba alcançou em 2015 uma taxa de mortalidade infantil abaixo de cinco por 1.000 nascidos, dado que a coloca entre as primeiras 40 nações do mundo
Os médicos preferem passar em média dois anos nas missões internacionais por razões profissionais, humanas e também econômicas: os salários pagos a quem vai ao exterior são muitíssimo mais altos do que os recebidos em Cuba, ainda que o participante das missões precise entregar ao Estado pelo menos 50% de sua renda, que varia em função das responsabilidades e dos plantões designados.
O salário exíguo na ilha, em média 50 dólares mensais, encorajou muitos profissionais a se juntar aos contingentes no exterior, onde recebem cerca de 1.000 dólares por mês, dependendo do país. Entre os que ficam, não é raro encontrar médicos trabalhando como taxistas, vendedores ou pedreiros em busca de uma alternativa para melhorar sua qualidade de vida.
Juan é motorista de táxi. Todos os dias, das seis da tarde até a meia-noite, dirige um Chevrolet dos anos cinquenta comprado meio a meio com o irmão. Mas Juan também é médico no hospital Hermanos Ameijeiras: “O salário é uma miséria. Somos obrigados a ganhar a vida por outros meios. Tenho colegas que vendem receitas a farmácias, que atendem em clínicas ilegais ou que ajudam como feirantes na barraca da família. É frustrante”, reconhece. “Parece que querem nos forçar a entrar para as missões internacionais, o verdadeiro negócio cubano”.
As missões médicas têm sido uma importante via de escape para os cubanos que pretendem desertar. Antes da reforma migratória de janeiro de 2013, que permite aos cubanos com passaporte e visto viajarem ao exterior, a principal rota de fuga era a Venezuela. Só em 2013 e 2014, mais de 3.000 médicos desertaram para os Estados Unidos aproveitando o Cuban Medical Professional Parole, programa de vistos especiais criado em 2006, durante o mandato de George W. Bush, para conceder asilo a profissionais da saúde, mas que também acabou fomentando a fuga de médicos e o descontentamento social na ilha.
Segundo a jornalista da emissora Al Jazeera, Lucia Newman, ex-correspondente da CNN em Havana, os médicos cubanos se queixam de não ter as mesmas oportunidades de viajar, participar de conferências e ler revistas especializadas, o que os impede de se manter atualizados sobre os últimos avanços da medicina como fazem seus colegas em outros países. E o embargo comercial imposto pelos EUA em 1960 inclui material bibliográfico e de informação técnico-científica sobre medicina. Também dificulta a participação de profissionais cubanos em cursos, conferências, eventos e outras formas de intercâmbio e atualização de conhecimentos. O problema vem também da impossibilidade de adquirir reagentes, peças de reposição para equipamentos de diagnóstico e tratamento, instrumentos médicos e todo tipo de medicamentos produzidos por empresas dos EUA ou suas subsidiárias em terceiros países, proibidas de fornecer ao setor de saúde cubano.


=========================

==================================
AMIGO/A , VAI LÁ NO YOUTUBE E DÁ UM LIKE E TAMBÉM SE ESCREVA NO CANAL ! OBRIGADO !É LÁ NO YOUTUBE . MUITO GRATO !


 
https://www.youtube.com/watch?v=BsdbNKzRd2c




 
https://www.youtube.com/watch?v=ZM28TK6FznE&t=11s




 
https://www.youtube.com/watch?v=-tJykFs8nwA



https://www.youtube.com/watch?v=vLcd4TCyMJo



https://www.youtube.com/watch?v=TmRHn0ZK6jA