domingo, 26 de novembro de 2017

Não se engane, taxar os ricos não significa que eles irão pagar

Não se engane, taxar os ricos não significa que eles irão pagar


A questão dos impostos sobre riqueza, uma proposta política relativamente comum e intensamente apoiada – tendo no Brasil, como uma de suas maiores expositoras a ex-candidata à presidência Luciana Genro – como forma de reduzir as desigualdades e melhorar a distribuição de bens na sociedade é muito mais complexa do que pode parecer ao primeiro olhar.
A teoria é simples: cobrar impostos sobre quem tem mais irá aumentar a arrecadação do Estado, que poderá usar esse dinheiro para prover serviços públicos melhores ou redistribuí-lo entre a população, garantindo uma maior igualdade de riqueza. Mas esta perspectiva esconde alguns dos problemas gerados pela tributação progressiva.
Um estudo do think tank norte-americano Tax Foundation, um dos maiores e mais antigos centros de estudo dedicados à divulgação de pesquisas sobre efeitos de impostos na economia, demonstrou que impostos sobre patrimônio entre 0,5 e 2% para a camada mais rica da população traria uma diminuição de mais de 5% na média salarial dos Estados Unidos, uma diminuição de 6% do PIB, destruiria 1 milhão vagas de emprego e traria um ganho de somente 62 bilhões de dólares ao Estado – uma queda de 6% no PIB representaria cerca de 991 bilhões de dólares a menos na economia todos os anos. Essas estimativas foram feitas com base nas recomendações de Thomas Piketty, em O Capital no Século XXI.
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Thomas Piketty
Os estudiosos explicam que isso se deve a pelo menos um fator: os ricos não pagam essas taxas, de diversas maneiras.
“Piketty apresenta uma taxa sobre riqueza como sendo uma maneira bem orientada para reduzir a desigualdade. Isso seria supostamente tirar dos muito ricos sem atingir os pobres ou a classe média. Mas uma surpresa da análise quantitativa, em contraste, é que isso faria todo mundo mais pobre”, afirma Michael Schuyler, Doutor em Economia pela Universidade de Maryland e autor do estudo.
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As sugestões de Piketty dizem que os impostos sobre riqueza devem começar com taxas de 0,5%, para quem tem um patrimônio estimado em cerca 260 mil de dólares. Schuyler argumenta que isso englobaria várias pessoas de classe média que pouparam muito durante a vida a ponto de acumular um patrimônio nesse valor, mas que muitas vezes não tiram ganhos muito altos sobre esses bens.
Outros casos emblemáticos incluem pequenos fazendeiros, que apesar de terem bastante riqueza líquida acumulada, principalmente em terras, possuem um retorno muito baixo sobre esse capital, e pequenos empresários que reinvestem a grande maioria do lucro em sua empresa, tirando com uma margem mínima para si.
Assim, como muitas dessas pessoas, apesar de possuírem um patrimônio relativamente grande, não são ricas, seriam obrigadas a pouparem e investirem menos ou até mesmo vender grande parte de seus bens, como forma de se livrarem dessas taxas. Conforme o autor demonstra, para quem possui um ganho anual de 8% sobre seu capital, uma simples taxa de 1% sobre o patrimônio acumulado levaria a uma redução, em termos reais, de 12,5% no retorno anual desses investimentos; para retornos menores, os impostos podem ser ainda mais danosos.

Quem realmente paga os impostos

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Mas taxar os ricos tem um efeito ainda mais perverso. Eles não pagarão esses impostos, por mais que o governo tente forçá-los.
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Táticas de evasão fiscal são conhecidas há muitos anos – a mais famosa é transferir o patrimônio para paraísos fiscais, onde o dinheiro sofrerá menores tributações e, principalmente, ficará “anônimo”.
Mas paraísos fiscais são apenas a ponta do iceberg.
Warren Buffett já dizia que pagava menos impostos do que os faxineiros de seu escritório. E com certeza não está sozinho nessa. Existe uma gama de opções empregadas por milionários para diminuírem virtualmente seus ganhos e seus patrimônios.
Congelamento de ações, falso empréstimos, obras de arte superfaturadas, “presentes” no nome de familiares e até planos de aposentadoria de faixada são alguns exemplos de formas totalmente legais utilizadas por executivos que querem aumentar seus patrimônios ou seus ganhos sem precisarem pagar altos impostos por isso.
Nos Estados Unidos, por exemplo, os impostos afetam em maior intensidade um trabalhador médio do que um executivo do Top 400 (lista dos 400 mais ricos do país). Enquanto cerca de 23% da renda de um trabalhador vai para os fundos do governos, um milionário gasta em média entre 16 e 18% de sua renda com impostos, graças às brechas na lei que permitem escapar de alguns tipos de dedução fiscal. 
Já na França, país onde existem impostos sobre patrimônio similares aos estudados pela Tax Foundation, a situação é caótica. Existem pessoas aposentadas ganhando menos de 700 dólares mensais (menos de R$ 1800) pagando impostos sobre bens, como cita o jornal britânico The Telegraph.
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O aumento do preço da terra e de imóveis nos últimos anos acabou englobando fazendeiros pobres do país, que juridicamente são considerados “ricos”, apesar de seus rendimentos mensais estarem muito abaixo de um trabalhador médio. Gilles Carrez, presidente do comitê de finanças da Assembleia Nacional francesa, estima que devam existir “várias centenas, talvez milhares” de pessoas que pagam mais do que ganham em impostos – confirmando as expectativas da Tax Foundation.
Por outro lado, o jornal mostra também como até mesmo o presidente francês, François Hollande, vem utilizando mecanismo legais e brechas na legislação para pagar quase 7 vezes menos impostos sobre seu patrimônio.
Conforme a Tax Foundation revela em seu estudo, impostos sobre riqueza recaem fortemente sobre toda a população, incluindo os mais pobres, de diversas outras formas.
Com a ajuda de modelos matemáticos, Schuyler estimou que os 20% mais pobres poderiam sofrer um decréscimo médio de 7,3% em seus salários por conta da diminuição da atividade econômica, uma das consequências previstas para a taxação de riquezas.
Um outro efeito desses impostos seria uma espécie de repasse de parte do valor desses impostos aos consumidores.
“Qualquer economista irá te dizer que corporações não pagam impostos. Eles são repassados até os consumidores finais em forma de preços altos”, afirma Tom Giovanetti, presidente do Institute for Policy Innovation.
Assim, o consumidor final ficaria com a conta das altas taxas impostas no topo da pirâmide. Para piorar, o desaquecimento da economia também atuaria nessa questão: com menos players no mercado a tendência é que a oferta de bens e serviços diminua, consequentemente, aumentando os preços. 
Tais problemas também foram pesquisados pela Tax Foundation em seu relatório e apontam para aumentos de, em média, entre 11 e 12% no preço de serviços.

O último a sair, que apague a luz

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Syriza, partido de extrema-esquerda da Grécia
E quando os impostos se tornam pesados demais, mesmo com as brechas legais, os milionários podem recorrer a uma alternativa que pode custar muito caro à geração de empregos e o crescimento para seu país: o exílio.
Tomando novamente como exemplo a França, de Thomas Piketty, onde os impostos de renda podem chegar a 85% e existe forte tributação sobre o patrimônio e ganhos de capital, a situação mais uma vez converge para as expectativas da Tax Foundation.
Em 2013, um estudo conduzido pelo think tank francês Concorde concluiu que o país pode estar perdendo cerca de 1 milhão de postos de emprego, em decorrência da fuga de investidores do país. 
De acordo com o instituto, cerca de 3% dos mais de dois milhões de franceses que vivem no exterior são donos de empresas que empregam pelo menos 10 pessoas. Caso estes empreendedores estivessem hoje na França, existiriam mais 60 mil empresas gerando empregos no país, que gerariam cerca de 1 milhão de postos de trabalho a mais na economia.
Como conclui Schuyler, em seu relatório para a Tax Foundation, é impossível evitar que os empreendedores fujam. Segundo ele explica, para o governo contornar o problema de evasões fiscais dentro de seu país seria necessário um imensa investigação minuciosa, da vida e das propriedades de cada cidadão, cujos custos não compensariam o retorno. A nível mundial, seria totalmente insustentável.
Ele ainda acrescenta que, mesmo no cenário utópico descrito por Piketty, onde todos os governos adotassem políticas fiscais transparentes e taxassem patrimônios, caso os governos não tomassem medidas drásticas e insustentáveis de investigação, a evasão continuaria a existir e muitos ricaços continuariam pagando muito pouco – ou nada – perto do que deveriam.
Pro-Union Supporters Hold March At New York City Hall To Wall Street
Apesar desses problemas, o autor não nega que as propostas de Piketty sejam ineficientes em reduzirem a desigualdade, pelo contrário:
“As maiores perdas seriam para a classe média e para os pobres, e ocorreriam porque a taxação de riqueza levaria a menos empregos, menores salários e uma diminuição da oferta de bens e serviços. Em suma, a taxa sobre riqueza proposta por Piketty levaria sim, a uma redução da renda [dos mais ricos] e uma menor desigualdade de riqueza, mas ao custo de fazer todo mundo significativamente mais pobre”, conclui.
A prática ineficaz e prejudicial de taxar os mais ricos foi abandonada por diversos países nos últimos anos – como na Áustria , Dinamarca (1995), Alemanha (1997), Finlândia (2006), Luxemburgo (2006) e Suécia (2007). E os motivos são sempre os mesmos. Na Alemanha, o Bundesverfassungsgericht (Tribunal Constitucional Federal) declarou a medida ilegal justificando que “o imposto dá assim origem a um dilema: ou é ineficaz no combate à desigualdade, ou é confiscatório – e é por essas razões que os alemães escolheram eliminá-lo”. Ainda assim, a ideia ressurgiu com força nos últimos meses graças ao sucesso da obra de Piketty. Obama anunciou no tradicional discurso do Estado da União, há poucos dias, um plano que parte do pressuposto de aumentar os benefícios à classe médiaelevando os impostos dos mais abastados. A Grécia viu nesse final de semana a vitória da extrema-esquerda prometendo o mesmo discurso. Resta agora convencer os ricos.

Como cientistas brasileiros colonizaram o YouTube

Como cientistas brasileiros colonizaram o YouTube

Aline Ghilardi em campo
Image captionA paleontóloga Aline Ghilardi aproveita a pesquisa de campo para gravar os vídeos | imagem: reprodução YouTube
A pesquisadora Aline Ghilardi, 31, é uma paleontóloga "que segue o estereótipo" da profissão: busca entender como eram e como evoluíram os dinossauros, principalmente os que viviam no Brasil. Recentemente, recebeu ajuda de uma fonte incomum para localizar os restos de "arcossauros mesozoicos", como estas criaturas são chamadas no jargão da paleontologia. Fãs do canal que ela mantém no YouTube a alertaram para a presença de ossadas em algumas cacimbas (que é como são chamados os reservatórios naturais d'água) no interior pernambucano.
Ela e o marido, o também paleontólogo Tito Aureliano, são responsáveis pelo Colecionadores de Ossos, um de vários canais do YouTube surgidos nos últimos anos e que fazem sucesso explorando um filão da divulgação de conhecimentos científicos. Um tema contra-intuitivo no mundo virtual, supostamente dominado por conteúdo banal ou apelativo.
É possível encontrar uma boa lista dos principais canais de ciência do YouTube brasileiro no ScienceVlogs Brasil, uma página surgida em 2015 e que funciona como um "selo de qualidade" para os canais desta temática.
Vídeo no YouTube mostra pacote de pipocas em prensa hidráulicaDireito de imagemANDRÉ SHALDERS
Image captionO que acontece quando um pacote pipoca é colocado em uma prensa hidráulica | YouTube/reprodução
Há conteúdos para todos os gostos. Nos canais, é possível aprender sobre assuntos tão diversos e complexos quanto cladística (um sistema adotado na biologia para classificar os seres vivos); o paradoxo de Fermi (sobre o contato com civilizações alienígenas); e buracos negros, entre outros.
Os canais científicos, no entanto, estão longe de serem os mais populares do país (como o de Whindersson Nunes, com 24,7 milhões de inscritos).

Quem fala sobre o quê

Mas alguns atingem um público amplo. Entre os mais populares estão o Manual do Mundo (9,1 milhões de inscritos), o Nerdologia (1,8 milhão) e o Canal do Pirula(598 mil). Este último é batizado com o apelido do biólogo e doutor em zoologia pela USP Paulo Miranda Nascimento, que construiu sua audiência com vídeos longos sobre temas como evolução, meio ambiente, e religião.
Logo do Science Vlogs Brasil
Image captionO ScienceVlogs funciona como um "certificado" para os youtubers de ciência | imagem: YouTube / reprodução
Nos canais, é possível aprender sobre temas como astronomia e física (Space Today, Ciência Todo Dia, Primata Falante e o Ciência e Astronomia), biologia (Papo de Biólogo e Biologia Total) e até robótica (no canal Peixe Babel, da mineira Camila Laranjeira).
A divulgação científica é bem forte no YouTube fora do Brasil. Para quem tem um bom entendimento da língua inglesa, vale a pena olhar canais como o Veritasium, o SciShow e o SmarterEveryDay.

Nicho e super-nicho

"O YouTube tem canais de nicho, e tem os de super-nicho. O meu é de super-nicho. Tem mais de mil vídeos, e são todos de astronomia", diz o geofísico e doutor em geociências Sérgio Sacani, 42, do canal SpaceToday, dedicado à astronomia.
Segundo ele, a maioria dos inscritos do canal é de jovens adultos, e não necessariamente crianças.
"Por exemplo, se eu postar um vídeo hoje às duas da tarde, ninguém assiste. O pessoal que acompanha o meu canal já sabe que eu posto geralmente à noite, e é um público mais velho. É um público que trabalha. Então, durante o dia, eles não estão em casa para assistir vídeo", diz. Antes de criar um canal de YouTube, Sérgio mantinha um blog com o mesmo nome. Uma parte dos seguidores "migrou" para a plataforma de vídeos, diz Sacani, cujo trabalho "oficial" é com engenharia de petróleo.
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Image captionO engenheiro de petróleo e youtuber Sérgio Sacani | foto: André Shalders
O público também é mais velho no canal da paleontóloga Aline Ghirardi. A maior faixa de espectadores tem de 24 a 35 anos de idade, segundo ela.
"O YouTube pede para postarmos no começo da tarde, que é quando as crianças estão acessando o site. E hoje o maior público do YouTube é de crianças. Mas não necessariamente isso funciona para a gente da divulgação científica", diz Pedro Loos, 21, responsável pelo canal Ciência Todo Dia, que tem 257 mil inscritos. Ele começou a gravar, editar e publicar os próprios materiais ainda muito jovem, com 14 anos de idade. Naquela época, os envios eram sobre jogos eletrônicos.
Loos está concluindo o curso de Física na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Hoje, ele vive da renda gerada pelo canal e pretende manter o projeto depois de formado. Um dos vídeos mais populares do canal é sobre o paradoxo de Fermi, visto mais de 300 mil vezes.
Se o universo é tão antigo e vasto, é provável que existam várias civilizações alienígenas. Mas se é assim, porque é que nenhuma delas nunca fez contato conosco? Essa é a contradição batizada em homenagem ao físico Enrico Fermi (1901-1954), e que Loos aborda no vídeo.
Tecnologia e exatas
O designer Estevão Pessota, 29, costuma deixar a TV ligada no YouTube. O próprio mecanismo de sugestões do site cria uma "playlist" para ele com os últimos envios dos canais de ciência e tecnologia nos quais está inscrito. Ele conta que um dos primeiros canais a chamar a atenção foi o PressTube (cujo clássico são os vídeos de objetos sendo destruídos em uma prensa hidráulica). Depois, migrou para sites com mais substância.
Jovem assiste televisão
Image captionEstevão Pessota costuma assistir aos vídeos à noite, depois do trabalho | foto: André Shalders
Os canais "cabeçudos" não se resumem a páginas de ciências exatas, porém. O historiador e professor Davi Martins, por exemplo, usa o YouTube para acompanhar canais que tratam de psicologia (como o do psicanalista lacaniano e professor da USP Christian Dunker) e, claro, de história (como o Leitura ObrigaHistória).
"Há muita crítica na academia a alguns canais como o Nerdologia (que também trata de História). Mas os próprios acadêmicos da área raramente se propõem a fazer algo desse tipo", diz Martins.

"Sempre teve demanda, é só um novo meio"

Para o biólogo Paulo Jubilut, 37, não é correto dizer que o público brasileiro estava "carente" de conteúdos científicos. "Na realidade as pessoas já consumiam isto. Tinham acesso à divulgação científica por meio de jornais, revistas, TV. O que a internet fez foi criar uma nova forma de acesso. As pessoas são curiosas por natureza. Quem descobrir uma forma de atingir essa curiosidade vai fazer sucesso", diz ele.
Até 2011, Jubilut dava aulas de Biologia em um cursinho em Santa Catarina, onde mora. Acabou demitido depois de "brigar com uns alunos bagunceiros", segundo diz. Hoje, é responsável por uma página no Facebook que tem 3,3 milhões de curtidas. O canal no YouTube está com 1,1 milhão de inscritos.
Paulo Jubilut em vídeo no YouTube
Image captionO ex-professor de cursinhos Paulo Jubilut ensinando no YouTube | imagem: YouTube - reprodução
"Me tornei um produtor de conteúdo de Biologia. Hoje são 25 pessoas trabalhando no escritório", conta ele, que oferece videoaulas da disciplina e também presta consultoria para empresas. Embora o canal não se restrinja ao conteúdo didático, Jubilut recebeu recentemente o selo do YouTube Educação (ou YouTubeEdu). Trata-se de uma espécie de "certificado" que o site fornece para alguns produtores de conteúdos educativos.
Da prensa de Gutenberg a Carl Sagan
Se você era criança na década de 1990, é possível que se lembre do programa O Mundo de Beakman, que foi exibido no Brasil pela primeira vez de 1994 a 2002, pela TV Cultura. Na geração anterior, o astrônomo Carl Sagan fez sucesso com a série Cosmos. Co-produzida pela BBC, a série foi exibida no Brasil pela Rede Globo, em 1982. O ator Sílvio Navas dublava a voz de Sagan na versão brasileira.
Mas a história da divulgação científica é muito mais antiga: foi ainda nos séculos 16 e 17 que os cientistas começaram a abandonar o latim (a língua "oficial" da ciência da época) e passaram a publicar livros em línguas vernáculas (como inglês, italiano ou espanhol), que alcançavam um público mais amplo.
Considerado um dos pais do método científico, o astrônomo Galileu Galilei (1564-1642) foi também um dos primeiros a escrever um livro de ciência para leigos. A obra foi redigida em italiano e utilizava diálogos entre personagens para facilitar o entendimento.
Retrato a óleo de Galileu Galilei, assinado por Justus Suttermans
Image captionGalileu Galilei (1564-1642) foi um dos primeiros a escrever livros de ciência para o público leigo | imagem: National Maritime Museum - reprodução
Na década de 1740 o editor inglês John Newbery (1713-1767) já comercializava livros de divulgação científica voltados para crianças e adolescentes. Um deles chegou a vender 30 mil cópias, uma quantidade muito expressiva para a época.

Ausência do pai afeta a saúde dos filhos mais do que se imaginava, diz estudo

Ausência do pai afeta a saúde dos filhos mais do que se imaginava, diz estudo


Um estudo descobriu que um pai ausente – seja por morte, prisão ou divórcio – tem impacto em um importante componente do DNA ligado à longevidade.

Crianças que crescem sem um pai em casa têm telômeros mais curtos, diz um novo estudo. Os telômeros são as extremidades dos cromossomos, que impedem o seu desgaste e afetam a saúde e a longevidade – um tipo de relógio biológico, cujo encurtamento está associado a uma gama de problemas de saúde, incluindo a obesidade e a demência.
Os efeitos são mais significativos em crianças cujos pais morreram ou foram presos antes que elas completassem 5 anos. Crianças de 9 anos cujos pais estão ausentes têm telômeros com o comprimento 14% menor comparadas a crianças cujos pais moram com elas. Se a razão da ausência é que o pai já morreu, esse número sobre para 16%.
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As descobertas são ainda mais relevantes para os meninos, que são afetados 40% mais do que as meninas pela ausência do pai. Além disso, também são mais afetadas as crianças que têm tendências genéticas à ansiedade e à depressão.


O estudo diz ainda que uma renda familiar estável parece mitigar esse risco, sobretudo em crianças cujos pais se divorciaram – casos em que a diminuição dos telômeros pontua um percentual menor, de 6%. A diminuição da renda no lar da criança depois de um divórcio contribui com 95% do encurtamento dos telômeros, segundo o estudo.

A pesquisa

Publicado em julho no periódico Pediatrics, o estudo pesquisou cerca de 5 mil adolescentes nascidos entre 1998 e 2000 que fazem parte do projeto Estudo sobre as famílias frágeis e o bem-estar dos filhos, financiado pelo governo norte-americano.
Os pesquisadores entrevistaram mães e pais das crianças por ocasião do seu nascimento e quando os filhos completaram 1, 3, 5 e 9 anos. Aos 9, os pesquisadores coletaram amostras de DNA a partir da saliva das crianças.
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O cientista Daniel Notterman, do Departamento de Biologia Molecular da Universidade de Princeton, que é coautor do estudo, disse ao jornal Deseret Newsque a sua equipe já suspeitava que a ausência do pai teria algum efeito sobre os telômeros, mas não tanto quanto de fato a pesquisa revelou.
“Não conseguimos provar as razões para isso, mas temos especulações. As crianças precisam de pais: eles são muito importantes. Têm um papel econômico, mas também dão amor e atenção, estabilidade e coesão – e são modelos”, explicou Notterman. “É importante que os responsáveis pelas políticas públicas pensem em maneiras de diminuir esses efeitos adversos nas crianças”.

Com informações de Deseret News.

Presidente da EBC será denunciado por racismo contra Taís Araújo e filho

Presidente da EBC será denunciado por racismo contra Taís Araújo e filho

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação entrará com uma ação contra Laerte Rimoli


*Da Rede Brasil Atual
O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) pretende denunciar o presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), Laerte Rimoli, que compartilhou memes pelo Facebook debochando de declaração da atriz Taís Araujo, que recentemente afirmou que seu filho é vítima de racismo. Em uma das imagens compartilhadas por Rimoli, uma garotinha supostamente foge da atriz e de seu filho, acompanhado da frase “quando você percebe que é o filho da Taís Araújo na calçada”. Outra imagem com teor similar foi postada na última segunda-feira (20), Dia da Consciência Negra.
Em vídeo divulgado na semana passada, Taís Araujo participou de uma palestra intitulada “Como criar crianças doces em um país ácido”. E afirmou que “A cor do meu filho faz com que as pessoas mudem de calçada.”
Para a jornalista Renata Mielli, coordenadora do FNDC, as postagens de Rimoli são graves porque racismo, no Brasil, é crime. “E se tornam mais graves ainda por incompatíveis com a função de um gestor de comunicação pública, que deveria zelar pelo fim de todas as formas de discriminação, pelo respeito à diversidade e aos direitos humanos”, observa.
Segundo a coordenadora do fórum, o fato de Larte Rimoli dedicar parte de seu horário de expediente a tripudiar sobre assunto de extrema gravidade explica, em parte, o processo de desmonte da EBC e do desprezo do governo pela comunicação pública. “Racismo já é crime. Agora, praticado por um gestor de uma empresa pública de comunicação é totalmente absurdo. Nos causa profunda indignação. Vamos fazer o que estiver ao nosso alcance para denunciar e exigir que as medidas cabíveis sejam adotadas”, diz Renata.
A ação de Rimoli, que também é jornalista, ocorre dias depois de o apresentador da Rede Globo William Waack ter sido afastado pela emissora após a divulgação de vídeo em que é flagrado dando declarações racistas.
A coordenadora do FNDC diz que, se o Estado de direito estivesse em vigor no Brasil, Rimoli deveria já ter sido afastado das suas funções. “Como ele é um preposto de um governo golpista, que é conivente com práticas discriminatórias e racistas, não sei se sofrerá algum tipo de sanção.”
No início da tarde desta quarta-feira (22), Rimoli publicou em seu Facebook um pedido de desculpas a Taís e sua familia “por ter compartilhado um post inadequado em minha timeline”.