quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Linguagens de programação para crianças: como ajudar seus filhos a escapar do 'analfabetismo do futuro'

Linguagens de programação para crianças: como ajudar seus filhos a escapar do 'analfabetismo do futuro'

Criança no computadorDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAdultos que não souberem programar a partir da nova geração podem ser 'analfabetos do século 21', segundo especialistas
Saber programar em um computador é considerada por especialistas da área de informática como a habilidade do século 21. E, para aprender os fundamentos da codificação desde cedo, já existem no mercado produtos e serviços direcionados especificamente ao público infantil (veja lista na parte final da reportagem).
São brinquedos, livros, sites e cursos que têm como objetivo introduzir as crianças aos conceitos básicos de programação. Há opções até para bebês irem se familiarizando com o mundo dos bits e bytes.
"Quanto mais cedo, mais fácil de assimilar", disse à BBC Brasil a britânica Stephanie Shirley, de 84 anos, um dos ícones da tecnologia da informação. Ela sugere que crianças a partir de dois anos já sejam apresentadas às idéias básicas por trás da programação.
"O alfabetismo digital é a habilidade do século 21 e as pessoas que não aprenderem hoje serão consideradas analfabetas no futuro", disse à BBC Brasil Shirley, na mesma semana em que recebeu o título de Dama Honorária das mãos da rainha Elizabeth 2ª, no Palácio de Buckingham, em Londres.
No Brasil, a informática não faz parte do currículo escolar obrigatório. Estamos atrás de países como Finlândia, Austrália, Inglaterra, Japão e Estônia, onde crianças com 6 e 7 anos de idade já entram em contato com os fundamentos de codificação.

Nativos digitais

Embora muitas crianças tenham facilidade em mexer em eletrônicos - os chamados "nativos digitais" como batizou o escritor americano Marc Prensky -, isso não significa que elas estejam preparadas para serem produtoras de tecnologia, mas apenas consumidoras.
"Jogar, digitar, mandar mensagens não torna alguém fluente em computação. As crianças, hoje em dia, tem familiaridade em usar as novas tecnologias, mas não em criá-las. É como se elas pudessem ler, mas não escrever", afirmou Mitchel Resnick, professor do MIT.
É preciso encarar com cautela, no entanto, sugestões como a de Shirley. A ideia não é impor um computador e códigos complexos a crianças, mas sim apresentar, de forma lúdica, a lógica da linguagem baseada em comandos.
O brasileiro Leo Burd, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), desenvolveu com Mitchel Resnick a plataforma online gratuita Scratch, para ensinar crianças a partir dos 6 anos a programar.
Criança com iPadDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionPara especialistas, saber programar será tão importante para a próxima geração quanto dominar uma língua
Segundo ele, brincadeiras simples podem apresentar conceitos de codificação com criatividade.
"A criança pode brincar de ser robô dando ordem uma para outra. Ela pode dar uma série de comandos para a mãe chegar até a geladeira: anda dois passos para a direita, depois dá dois passos e vira para a esquerda. Você está usando conceitos de programação sem necessariamente estar no computador", sugere.
O brasileiro alerta também para possíveis exageros na apresentação de códigos a crianças, fazendo uma analogia com andar de bicicleta - é muito mais fácil ensinar uma criança a pedalar do que um adulto.
"Mas você não vai ensinar um bebê a andar de bicicleta!", ressalta Burd. "Eu não o colocaria na frente de um computador", acrescenta.

Fluência em linguagens de código

Uma pesquisa conduzida pela Universidade Stanford, nos Estados Unidos, indicou que até 2030 a inteligência artificial estará, por exemplo, presente nos estudos das crianças, na forma como cuidamos de nossa saúde e até na organização do trânsito.
Sendo assim, saber programar será tão importante quanto o domínio de uma língua, independente de a pessoa trabalhar na área de informática, medicina ou direito, por exemplo.
"Aprender a ler e escrever é uma coisa importante para a vida das pessoas. Isso não significa que todo mundo que aprende a escrever será um escritor profissional. Mas é importante ganhar fluência", afirma Burd, do MIT.
"É preciso ter pelo menos um conhecimento mínimo de como as coisas funcionam no computador. Assim, você começa a ter ideia das limitações da máquina e como ela pode contribuir para a sua vida ou não. O computador deixou de ser apenas uma tela e um teclado. Está em tudo. São formas que a gente nem se dá conta."
Criança digitando no tecladoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionCursos e produtos ensinam crianças a partir de 3 anos os fundamentos da linguagem de código
Há exemplos de quem já vem aprendendo isso desde cedo, como a americana Emma Yang, que aos 12 anos criou um aplicativo para se comunicar com a avó que sofre de Alzheimer, ou o indiano Arjun Kumar, que aos 14 desenvolveu um app para os pais acompanharem online o trajeto do ônibus escolar de seus filhos.
"Na nossa sociedade não precisamos explicar por que a matemática é importante. Isso já está convencionado. É diferente da programação", ressalta Tiago Maluta, responsável pelo Programaê!, projeto da Fundação Lemann que, em parceria com o MIT, desde 2014 oferece apoio gratuito a professores das redes pública e privada no Brasil, disponibilizando em seu site planos de aula para ensinar a codificar.
"Usamos um termo mais abrangente que é o pensamento computacional, que envolve raciocínio lógico, trabalho em equipe, resolução de problemas, criatividade", afirma.
"Há uma prática transversal nas disciplinas. Tem um conceito que gostamos de usar, do MIT, que é o programar para aprender. Eu programo para aprender uma disciplina da escola. Tivemos o caso de um professor de educação física que estava usando os elementos de ângulo do Scratch para ensinar seus alunos", conta Maluta.

Programação para crianças faz 50 anos

A história das ferramentas de programação destinadas a crianças é menos recente do que muitos pensam. Neste ano, faz 50 anos que o primeiro projeto educacional do gênero, o Logo, foi lançado nos EUA. Ele se tornou conhecido pela produção de gráficos tartaruga, que consistem em desenhos vetoriais criados por meio de comandos.
A data está sendo lembrada pela ilustração do Google, o Doodle, com uma animação inspirada na linguagem Logo, o que já fez o termo "linguagens de programação para crianças" saltar para o topo das buscas da ferramenta.
A BBC Brasil colabora com sua busca reunindo sugestões no Brasil e no mundo de como apresentar os pequenos à programação.

Livros

Com Code Babies, o web designer nova-iorquino John Vanden-Heuvel fez um livro de abas com muitas cores e símbolos usados na programação para que seu filho recém-nascido se familiarizasse com esses padrões.
Assim, surgiu uma série que inclui títulos como HTML for Babies, CSS for Babies, JavaScript for Babies, Web Design for Babies e Web Colors. A linguagem visual também é utilizada em livros para crianças maiores, como C++ for Kids, Excel for Kids e ABC of the Web.
Por sua vez, a analista de sistemas finlandesa Linda Liukas escreveu o livro Hello Ruby para apresentar conceitos básicos de codificação a crianças a partir de 4 anos. O objetivo, segundo ela, não é tornar a criança uma programadora, mas sim despertar o interesse pelo tema e desmistificar sua complexidade com exemplos de comandos, sequências e repetições.
Na história, traduzida em 20 línguas, a pequena Ruby perde sua coleção de pedras preciosas e embarca numa aventura para encontrá-las. No caminho, tem a ajuda de um leopardo, androides, uma raposa e um pinguim.
Código de programaçãoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionJogos e até brincadeiras presenciais podem acostumar alunos à ideia de dizer ao computador o que fazer

Brinquedos e brincadeiras

Robot Turtles é um jogo de tabuleiro tradicional em que a criança atua como um programador - o adulto é o computador. As tartarugas devem coletar pedras preciosas seguindo uma sequência de instruções. Sem perceber, elas vão aprendendo sobre sequências, loops, condições e algoritmos, conceitos básicos da programação. Indicado a partir dos 3 anos.
Já o Baby Codipeia, um brinquedo indicado a partir dos 3 anos, consiste em uma centopeia interativa em que cada segmento tem um comando de movimento - a criança pode criar sequências e determinar metas.
No Ozobot, um robô do tamanho de um bombom segue as linhas desenhadas pela criança em um papel e interpreta cada cor. Assim, são dados, por exemplo, comandos de velocidade e direção. Também é possível criar jogos e estipular objetivos. O brinquedo, que já recebeu vários prêmios, é indicado para maiores de 6 anos.

Cursos

Em diversos países estão sendo inauguradas escolas que prometem ensinar crianças em idade escolar a codificar.
No Brasil, SuperGeeks, MadCode, CtrlPlay, Code4All e Happy Code são algumas das franquias que apostam no nicho. Muitas usam jogos já populares como Minecraft e Roblox para chamar a atenção de meninos e meninas.
"Nossa proposta é mais do que programação, é ser uma escola das habilidades da nova economia do século 21, isto é, incentivar raciocínio lógico, trabalho em equipe, resolução de problemas, empreendedorismo e criatividade", comenta Alexandre Jacobs, sócio da Happy Code, no Rio de Janeiro, que oferece cursos para crianças acima dos 6 anos.
A franquia conta com 77 unidades no país e um total de 3,5 mil alunos. A meta é chegar a 150 filiais no ano que vem.

Sites

Quem não quiser pagar um curso, pode buscar sites que oferecem plataformas gratuitas, como Hour of Code, Code.org, Pivot Animator e Scratch, do MIT, que permite ao usuário criar animações e jogos usando uma linguagem com blocos similares a Legos.
O Scratch já foi traduzido em 50 línguas, contabiliza 200 milhões de visitantes únicos por ano e deu origem ao ScratchJr para iPad.
Há também alguns sites direcionados às meninas, como Girls who Code, Black Girls Code e Made with Code, do Google.
Quase todos usam cores, personagens, elementos de jogos com interfaces simples de usar.

NÃO SEJA BRANCA !



Modelo liberiana recria campanhas 

famosas para debater a diversidade 

na moda





A modelo liberiana Deddeh Howad, que hoje vive 
em Los Angeles, 
recriou campanhas de marcas famosas como Gucci 
e Calvin Klein 
para falar sobre a falta de diversidade de modelos 
de todas as cores no mundo da moda.
Patrocinado:




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O projeto “Black Mirror” foi realizado em parceria com o fotógrafo 
Raffael Dickreuter.
“É hora de mais diversidade e modelos de todas as raças serem 
vistas”, escreveu ela em seu blog “Secret of DD”.
modelo negra campanha diversidade na moda (1)
Deddeh sempre se incomodou com o fato de ver poucas mulheres negras estampando grandes campanhas.
Na medida em que crescia, ela se perguntava por que as grandes 
marcas, como Gucci, Chanel, Louis Vuitton, Guess e tantas 
outras raramente pareciam usar uma modelo negra.
“E se eles o faziam, um pequeno grupo de modelos negras fazia 
um corte aqui e ali, mas esse grupo parece permanecer bastante 
idêntico por um longo período de tempo.”
modelo negra campanha diversidade na moda (2)
A modelo observa que mais visibilidade com igualdade para todas 
as raças ajudaria as pessoas a acreditarem em seu potencial.
“Espero que este projeto possa ajudar a


trazer consciência de volta para o lado

positivo dos negros. Infelizmente,

raramente somos mostrados sob uma

luz positiva na mídia, mas podemos ver

inúmeras vezes quando mais uma

pessoa negra é baleada ou presa.”
modelo negra campanha diversidade na moda (3)
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“Não muito tempo atrás aconteceu comigo de eu andar em várias 
agências de modelo e era imediatamente comparada a uma ou 
duas modelos negras que eles já tinham na lista.”
“Apesar de terem me dito nessas agências que eu tenho um olhar 
incrível e gostariam de me representar, eles já tinham uma modelo 
negra. Sem contar a abundância de modelos brancas. Parece que 
uma ou duas modelos negras na lista é suficiente para representar 
todas nós. Quando você diz isso, acredite em mim, parece bizarro.”
modelo negra campanha diversidade na moda (4)
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Deddeh compara a visibilidade desses comerciais a importância de 
eleger um primeiro presidente negro.
Para ela, a próxima geração pode somente se inspirar e alcançar 
as estrelas elas mesmas se acreditarem:
“Por essa razão, a diversidade nas campanhas é, em minha opinião, muito mais importante do que você deve pensar. O mesmo vale para a 
representação nos filmes e na política, mas essa é uma discussão 
diferente.”
modelo negra
campanha diversidade na moda (5)
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“Com este projeto Black Mirror, eu espero mostrar ao mundo que é hora de todos nós sermos vistos. Como Gisele Bündchen, Kate Moss ou Candice Swanepoel que viajam o mundo, fotografam as campanhas mais incríveis e vivem uma vida excitante para inspirar jovens garotas.”
“Vamos dar para a próxima geração algo em que acreditar.”
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A modelo conclui em seu blog: “Nós precisamos de diversidade de inspirações para todos nós.”

O que você achou da iniciativa da modelo? Compartilhe com os seus amigos!

Imagens: Fotógrafo Raffael Dickreuter

Proposta de cobrança de impostos sobre o vento avança na Câmara

Proposta de cobrança de impostos sobre o vento avança na Câmara

Uma Proposta de Emenda à Constituição surreal criada pelo socialista Heráclito Fortes (PSB-PI) – “boca mole” na planilha da Odebrecht – avançou esta semana na Câmara dos Deputados. A PEC 97/2015 determina que o vento seja estatizado e haja pagamento de impostos sobre o seu uso.
De acordo com a justificativa da proposta, os ventos são um “recurso que pertence a todo o povo brasileiro” e, portanto, “os parques eólicos que produzem energia elétrica a partir dos ventos (…) devem gerar compensação financeira” à União. Para viabilizar a cobrança de impostos sobre o vento, o projeto “transforma o potencial energético dos ventos em patrimônio da União, ensejando o pagamento de royalties pela sua exploração”.

heraclito
Deputado federal Heráclito Fortes (PSB-PI), o “boca mole”, autor da PEC 97/2015

O texto também determina que a renda da “participação governamental” sobre o vento “deverá ser distribuída na forma de compensação financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios onde ocorre a exploração da energia eólica, bem como a órgãos da administração direta da União”.
Criada em 2015, a PEC 97/2015 passou quase dois anos e meio parada na Câmara, mas foi retomada por outro socialista – Tadeu Alencar (PSB-PE) – em outubro. Em seu parecer como relator na “Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania” (CCJC) da Câmara, Tadeu afirmou que o uso do vento é uma “atividade econômica que afeta diretamente direitos do povo brasileiro” e “utiliza recursos naturais pertencentes ao conjunto da sociedade”, portanto, deve pagar “compensação financeira aos entes da federação”.


O parecer de Tadeu Alencar foi aprovado na CCJC na quarta-feira (06) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), determinou que seja criada uma comissão especial para analisar a proposta antes que seja encaminhada ao plenário da Câmara para votação.