domingo, 11 de fevereiro de 2018

Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas em Boletim de Jan/Fev de 2018,

Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas em Boletim de Jan/Fev de 2018, um dos mais renomados coletivos médico e científico do Brasil, com imenso reconhecimento internacional.
E agora, quem vai sanar os males já causados a milhões de crianças?
V Boletim Informativo
smcc 2018 Edição Janeiro/Fevereiro 2018
Órgão Oficial da Sociedade de
Medicina e Cirurgia de Campinas
Uma visão científica
sobre o assunto focada
exclusivamente nas crianças,
sem discriminação ou política
Realizamos na Sociedade de Medicina
e Cirurgia de Campinas (SMCC) o
“Fórum Ideologia de Gênero” - uma
reflexão diante do pensamento científico e
filosófico a respeito do conceito de gênero
aplicado às crianças em tenra idade e também
da abordagem terapêutica para os casos
de transtornos de gênero.
Este boletim é um resumo dos pensamentos
e estudos. É importante deixar
claro que este evento realizado em 02 de
Dezembro de 2017 não teve qualquer conotação
ideológica ou política, apenas
CIENTÍFICA, e limitou-se a discutir o tema
apenas na INFÂNCIA.
Psiquiatras e pediatras esclarecem e
aprofundam o tema, possibilitando construirmos
juntos, um posicionamento formal
da Instituição à luz da CIÊNCIA.
Dra. Fátima Bastos
Presidente da SMCC
Ideologia de gênero:
Isso não é assunto para criança!
O Evento Ideologia de Gênero
“Apresentando o pensamento de Judith Butler”
Associados esperavam um posicionamento oficial da
instituição a respeito da exposição de crianças em idade precoce
e em fase escolar às premissas da “Ideologia de Gênero” proposta
originalmente como fundamento filosófico por Judith Butler.
Por isso, o Fórum de Ideologia de Gênero.
A equipe de condução para a organização do evento contou
com Dra. Fátima Bastos, Presidente da instituição, Dra. Carmen
Sylvia Ribeiro, Diretora de Eventos, Dr. Marcelo Amade Camargo,
Diretor de Comunicação e Marketing, Dr. Júlio Cesar Narciso
Gomes, Diretor Científico, Dr. Jorge Carlos Machado Curi, Diretor
Científico Adjunto e Conselheiro do CFM, Dra. Silvia Helena Rondina
Mateus, Delegada da APM e Conselheira do CREMESP, Dra.
Giulietta Cucchiaro, Psiquiatra infantil e Dr. José Martins Filho.
Professor Emérito de Pediatria da UNICAMP.
A mesa redonda “SMCC frente a frente com a Ideologia de
Gênero” foi aberta aos profissionais da saúde. Dra. Giullieta
Judith Butler, filósofa americana, é considerada a principal
referência teórica na questão da Ideologia de Gênero, cuja
proposta central é DESCONSTRUIR ou SUBVERTER A IDENTIDADE
DE GÊNERO (Butler, 1990). Para ela, o mundo se baseia
numa “hegemonia opressora masculina”, cuja base fundadora
seria a instituição da heterossexualidade. Ela propõe que se derrube
essa hegemonia atacando-se a instituição da heterossexualidade
através da tomada da linguagem (que contém o masculino
e feminino) e da desconstrução da identidade de gênero. Para
essa desconstrução a proposta é destruir a noção da constância
de gênero e oferecer no lugar a oportunidade de vivenciar uma
multiplicação das possibilidades de gênero.
Esta teoria está baseada numa “leitura seletiva” de autores,
como a própria Butler reconhece, ou seja, suas ideias não representam
“o estado da arte” sobre os complexos temas abordados. A
dimensão biológica é pouco ou nada considerada e não é discutida
a possibilidade da transformação da relação homem/mulher no
sentido de se fomentar a sua complementaridade, tão sabiamente
representada pelo símbolo milenar do yin-yang. Pelo contrário,
neste ponto Butler convoca o feminismo para se concentrar na tarefa
de destruir a ideia, em si, do binarismo feminino/masculino.
Mais preocupante é a questão fundamental do livro: a desconstrução/
subversão da Identidade de Gênero através da
destruição da noção de Constância de Gênero. O conceito de
Constância de Gênero (Kohlberg, 1966), embora central para a
Dra. Carmen Sylvia Ribeiro
Mestre em Saúde Mental pela Faculdade
de Medicina da UNICAMP | Especialista
em Neurociências USP
Dra. Giulietta A. Cucchiaro
Psiquiatra Infantil Unicamp
Doutorado em Medicina Universidade de
Heidelberg – Alemanha | Pós-doutorado
(Epidemiologia e Saúde Mental Infantil) Unicamp
Cuchiaro, Psiquiatra infantil, abriu a mesa redonda apresentando
o tema “O pensamento de Judith Butler”, considerando as distorções
e subversões propostas pela autora em livro sobre sua
“ideologia”.
Dr. Alexandre Saadeh, Coordenador do Ambulatório de Identidade
de Gênero e Orientação Sexual do Instituto de Psiquiatria
da USP, apresentou a recente experiência do Ambulatório de
transtornos de Identidade de Gênero da USP ao atendimento e
acompanhamento de pacientes por equipe multiprofissional.
Já o Dr. José Martins Filho nos trouxe a palestra: “Cuidado,
Afeto e Limites. O Problema do Stress Tóxico Precoce Infantil”,
falando de sua importante experiência com crianças e o impacto
da exposição excessiva a informações, oferecendo elementos
que confundem e trazem efeito “tóxico”. A mesa redonda foi moderada
pelo Dr. Alexandre e contou também com a moderação
do professor convidado Dr. Paulo Dalgalarrondo, Coordenador
do ambulatório que assiste aos transtornos de Identidade de Gênero
na UNICAMP que fez questão de ressaltar a importância de
debates como este para esclarecer e diferenciar uma postura de
entendimento e cuidado à luz da ciência, evitando abordagens
preconceituosas que poderiam aumentar o grau de sofrimento
destes pacientes.
proposta de Butler, é apenas citado, mas não, explicado. Desta
forma não é colocado explicitamente que o que está sendo proposto
é uma interferência no desenvolvimento infantil. Segundo
Kohlberg, por volta dos 3 anos as crianças já se identificam com
um dos gêneros, mas somente por volta dos 5 anos elas assimilam
o conceito de que seu gênero permanecerá constante, independente
das circunstâncias. Considerando-se que 80% do desenvolvimento
do cérebro após o nascimento se dá até os 4 anos
de idade (Steinhausen, 1988), acreditamos que instituir práticas
artificiais que interfiram no desenvolvimento infantil nessa fase
teria o efeito de causar problemas nas crianças.
A identidade de gênero é um dos principais pilares da identidade
da criança e seu desenvolvimento ocorre de forma natural
e descomplicada na imensa maioria dos casos. Negar à criança
a auto evidência óbvia que ela constata observando seu próprio
corpo provavelmente seria perturbador e traumático.
Como profissionais que trabalham com crianças consideramos
que os princípios propostos por Butler, se aplicados durante
o desenvolvimento infantil, constituem uma forma de abuso. Devemos
proteger as crianças desse tipo de interferência para que
elas possam crescer livres e saudáveis.
Referências:
• Butler, J (1990) “Problemas de Gênero: Feminismo e
Subversão da Identidade”, Editora Civilização Brasileira
• Kohlberg, L (1966) “A cognitive-developmental
analysis of children’s sex role concepts and attitudes”. In
E.E. Maccoby (Org.), The development of sex differences.
Standford, CA: Standford University Press
• Steinhausen, HC (1988) In: “Psychische Stoerungen bei
Kindern und Jugendlichen” Urban & Schwarzenberg
02 V Boletim Informativo SMCC 2018
Deixem nossas crianças em Paz!
Disforia de gênero
Crianças devem ser livres para brincar e crescer. As famílias
têm o direito de pensar o que é melhor para seus filhos sem
tentar sugerir, influenciar ou decidir por eles o que é melhor.
Há que se respeitar o desenvolvimento infantil deixando à livre
demanda suas percepções sobre seu corpo e sobre a sociedade
que a cerca sem desconstruir ou induzir à problematização das
questões de Gênero, pois estas ofertas de informações contraditórias
causam confusão e podem trazer sérios danos ao bom desenvolvimento
das crianças.
Qualquer decisão sobre gênero deve ser particular e não deve
haver repressão e muito menos indução sobre estas questões às
crianças de tenra idade.
A sociedade deve ser orientada a entender que cada ser no
momento adequado e com maturidade, deve escolher e tomar
decisões sobre gênero amparado por conhecimento seguro e
Disforia de gênero diz respeito a uma incongruência
entre a percepção do corpo e a vivência da identidade de gênero de
um indivíduo. Ou seja, o indivíduo tem um corpo de macho, mas se
reconhece como fêmea, ou o contrário. Menos de 1% da população
apresenta essa manifestação. Ainda hoje é considerado diagnóstico
psiquiátrico, mas isso poderá mudar em breve, não sendo considerada
como doença, mas sim como variação. A abordagem diagnóstica
e acompanhamento devem iniciar na infância, por volta dos dois,
três anos de idade, e deve ser mantida ao longo de todo o desenvolvimento
com abordagem multiprofissional e interdisciplinar.
É preciso reconhecer que nem toda manifestação de variação
na auto-percepção gênero na infância é sinônimo de transexualidade.
Cerca de 75%-90% das crianças se identificam com o sexo
ao nascer, entre aquelas cuja orientação sexual futura é homossexual
ou bissexual.
Vale ressaltar que identidade de gênero é conceito diferente
de orientação sexual: a primeira diz respeito a auto-percepção
ou seja, como o sujeito se reconhece, homem ou mulher; já a
orientação sexual se refere à escolha do parceiro seja outro homem,
mulher ou os dois para satisfação de desejo sexual – orien-
Prof. Josė Martins Filho
Titular emérito de Pediatria da Unicamp
Membro titular da ACADEMIA BRASILEIRA
de PEDIATRIA
Dr. Alexandre Saadeh
Coordenador do Ambulatório de Identidade
de Gênero e Orientação Sexual do Instituto
de Psiquiatria da USP
profissional sobre todas as implicações físicas, genéticas, fenotípicas,
hormonais e emocionais. Induzir à confusão de Gênero
para crianças pequenas sob o pretexto ilusório de desconstruir
preconceitos não parece uma boa estratégia. Ao contrário pode
repercutir negativamente sobre a auto percepção destas crianças
e prejudicar seu desenvolvimento.
O afeto, o carinho, e a presença dos pais são fundamentais para o
bom desenvolvimento neuropsicológico e físico. Desconstruir preconceitos
deve ser embasado por boas referências da família sobre
conceitos como altruísmo empatia e generosidade. Isto sim repercutirá
positivamente sobre uma sociedade que aceita as diferenças.
A família educa e forma. A escola escolariza e intelectualiza.
Por esta razão é fundamental que cada instituição faça seu papel
com clareza, é imprescindível que respeitem, estejam atentos e
cuidem bem das crianças. Isso SIM é fundamental para qualquer
escolha que vão enfrentar adiante.
tação nada mais é que a escolha de parceria.
O acompanhamento e tratamento envolve precisão diagnóstica.
Na infância nada deve ser feito além da observação até o início da
puberdade (estágio Tanner 2), quando poderia-se optar, dependendo
das circunstâncias, pelo bloqueio do eixo hipotálamo-hipófise
até os 16 anos de idade, quando seria indicada a hormonioterapia
específica para as mudanças corporais desejadas.
No Brasil ainda não temos nenhuma Resolução Normativa
definitiva para acompanhamento de crianças e adolescentes.
Existem resoluções somente para adultos, que estabelecem a importância
do acompanhamento psicológico e psiquiátrico por no
mínimo dois anos. Além desses, um criterioso acompanhamento
endocrinológico para, somente ao final de todo este seguimento,
ser realizada a cirurgia de redesignação sexual.
O acompanhamento por equipe especializada diminui o sofrimento
da família e da criança, na infância e ao longo de seu
desenvolvimento. Pode prevenir comportamentos nocivos
como fenômenos de automutilação, e poderia reduzir riscos de
tentativas de suicídio na adolescência e na vida adulta, diminui o
isolamento social o ostracismo e melhora a inclusão social.
Estudos sugerem que a disforia de gênero possui uma base
etiológica biológica que sugere que origem está na formação da
área cerebral responsável pela identidade de gênero, ainda durante
a gestação. Mas não podemos nos esquecer de que valores
culturais e morais acabam influenciando e impactando no potencial
de inserção social, profissional e familiar dessas pessoas.
V Boletim Informativo SMCC 2018 03
O médico é autor de vários livros. Entre eles “Quem cuidará das crianças? A difícil
tarefa de educar os filhos hoje”; “O nascimento e a família. Alegrias, surpresas e
preocupações”; “A criança terceirizada. Os descaminhos das relações familiares no
mundo contemporâneo” e “Cuidado, afeto e limites. Uma combinação possível” em
parceria com Ivan Capellato.
A Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas
(SMCC), entidade representativa de seus médicos associados
em Campinas e Região vem a público manifestar
sua posição institucional a respeito do tema “Ideologia de
Gênero” exclusivamente no que tange os aspectos desta
discussão envolvendo as CRIANÇAS.
A SMCC promoveu um Fórum com diversos e renomados
especialistas médicos em 02/12/2017 para abordar, do ponto
de vista científico, o processo de desenvolvimento da identidade
de gênero das crianças na primeira infância. O debate
foi rico em referências científicas e citações bibliográficas
além de importantes reflexões de profissionais experientes.
Este posicionamento está embasado nas conclusões
deste evento e nas subsequentes consultas
a sociedades de especialidades e
literatura médico-cientifica. Ou seja,
trata-se de conhecimento baseado
em EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAs e
não abrange opiniões pessoais
de qualquer natureza.
A ciência aponta que falar
precocemente sobre gênero
com crianças pode ser prejudicial
ao desenvolvimento delas,
uma vez que não estão preparadas
nem física, nem emocionalmente
para refletirem sobre o tema.
O cérebro tem um tempo natural
de desenvolvimento para o aprendizado
e a tomada de decisões. Até dois ou três anos
de idade os neurônios se reproduzem numa velocidade
muito grande, nessa fase a criança aprende, toma decisões
e começa a entender o mundo externo. Neurologicamente,
afirma-se que cerca de 85% do cérebro se forma até os 5
anos de idade.
Nesse período, os especialistas e trabalhos científicos
sobre desenvolvimento infantil reforçam que é preciso
deixar as crianças livres e respeitar a sua evolução, física e
emocional. Além disso, durante toda a infância, os pequenos
ainda estão aperfeiçoando suas habilidades de comunicação
verbal e corporal e entendendo como expressar
seus sentimento.
Qualquer decisão sobre gênero deve ser própria e depois
que o amadurecimento chegar. Durante a infância, as crianças
devem ser estimuladas a brincar, serem felizes e se expressarem
como elas quiserem, sem que isso represente ser
menino ou menina. Não havendo repressão e nem indução
quanto à identidade de gênero.
Este posicionamento, de forma alguma, tira das famílias
o direito de pensar o que é melhor para seus filhos. Porém,
esta interferência não deve tentar sugerir, influenciar ou decidir
por eles, apenas servir de referência.
Portanto, a Sociedade se posiciona contraria -
mente à ideia que as discussões sobre gênero devam
fazer parte de projetos pedagógicos durante a educação
infantil. Pelo contrário, a discussão de identidade de gênero
não deve ser apresentada à criança de forma alguma
durante a infância.
Após a infância, o jovem já terá desenvolvimento
e maturidade em grau
compatível com a complexidade do
tema e aí sim estará apto a refletir
e argumentar sobre o que deseja
para si.
Este posicionamento é direcionado
à médicos e também
para pais, responsáveis, educadores
e profissionais ligados a
promoção e supervisão da educação
dos menores.
A SMCC acredita que, durante a
infância, o afeto, o acolhimento, o carinho
e a presença dos pais são fundamentais
para um desenvolvimento natural
e saudável. Cuidar bem das crianças, isso sim é
fundamental!
Adicionalmente, este documento ainda afirma que não
se deve criminalizar qualquer decisão nem deixar de respeitar
e ajudar os indivíduos.
Os pediatras e psiquiatras devem estar preparados para
orientar as famílias quanto às questões de gênero. Ao observar
comportamentos diferenciados, cabe ao profissional,
acolher e ajudar a família a transpor as dificuldades, angústia,
a perceber e entender o que está acontecendo com seus
filhos e como eles estão lidando com isso.
Ouvir as crianças e não criar debates precoces é fundamental
para se trabalhar bem com a questão, acompanhando-
as e guiando-as para um desenvolvimento saudável e
respeitoso, sem bullying e sem repressão. Este sim é o papel
dos pais e profissionais.
MANIFESTO IDEOLOG IA DE GÊNERO
04 V Boletim Informativo SMCC 2018A BÍBLIA TINHA RAZÃO!
E quem afirma isso é a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas em Boletim de Jan/Fev de 2018, um dos mais renomados coletivos médico e científico do Brasil, com imenso reconhecimento internacional.
É ciência! Leia e divulgue!
E agora, quem vai sanar os males já causados a milhões de crianças?
V Boletim Informativo
smcc 2018 Edição Janeiro/Fevereiro 2018
Órgão Oficial da Sociedade de
Medicina e Cirurgia de Campinas
Uma visão científica
sobre o assunto focada
exclusivamente nas crianças,
sem discriminação ou política
Realizamos na Sociedade de Medicina
e Cirurgia de Campinas (SMCC) o
“Fórum Ideologia de Gênero” - uma
reflexão diante do pensamento científico e
filosófico a respeito do conceito de gênero
aplicado às crianças em tenra idade e também
da abordagem terapêutica para os casos
de transtornos de gênero.
Este boletim é um resumo dos pensamentos
e estudos. É importante deixar
claro que este evento realizado em 02 de
Dezembro de 2017 não teve qualquer conotação
ideológica ou política, apenas
CIENTÍFICA, e limitou-se a discutir o tema
apenas na INFÂNCIA.
Psiquiatras e pediatras esclarecem e
aprofundam o tema, possibilitando construirmos
juntos, um posicionamento formal
da Instituição à luz da CIÊNCIA.
Dra. Fátima Bastos
Presidente da SMCC
Ideologia de gênero:
Isso não é assunto para criança!
O Evento Ideologia de Gênero
“Apresentando o pensamento de Judith Butler”
Associados esperavam um posicionamento oficial da
instituição a respeito da exposição de crianças em idade precoce
e em fase escolar às premissas da “Ideologia de Gênero” proposta
originalmente como fundamento filosófico por Judith Butler.
Por isso, o Fórum de Ideologia de Gênero.
A equipe de condução para a organização do evento contou
com Dra. Fátima Bastos, Presidente da instituição, Dra. Carmen
Sylvia Ribeiro, Diretora de Eventos, Dr. Marcelo Amade Camargo,
Diretor de Comunicação e Marketing, Dr. Júlio Cesar Narciso
Gomes, Diretor Científico, Dr. Jorge Carlos Machado Curi, Diretor
Científico Adjunto e Conselheiro do CFM, Dra. Silvia Helena Rondina
Mateus, Delegada da APM e Conselheira do CREMESP, Dra.
Giulietta Cucchiaro, Psiquiatra infantil e Dr. José Martins Filho.
Professor Emérito de Pediatria da UNICAMP.
A mesa redonda “SMCC frente a frente com a Ideologia de
Gênero” foi aberta aos profissionais da saúde. Dra. Giullieta
Judith Butler, filósofa americana, é considerada a principal
referência teórica na questão da Ideologia de Gênero, cuja
proposta central é DESCONSTRUIR ou SUBVERTER A IDENTIDADE
DE GÊNERO (Butler, 1990). Para ela, o mundo se baseia
numa “hegemonia opressora masculina”, cuja base fundadora
seria a instituição da heterossexualidade. Ela propõe que se derrube
essa hegemonia atacando-se a instituição da heterossexualidade
através da tomada da linguagem (que contém o masculino
e feminino) e da desconstrução da identidade de gênero. Para
essa desconstrução a proposta é destruir a noção da constância
de gênero e oferecer no lugar a oportunidade de vivenciar uma
multiplicação das possibilidades de gênero.
Esta teoria está baseada numa “leitura seletiva” de autores,
como a própria Butler reconhece, ou seja, suas ideias não representam
“o estado da arte” sobre os complexos temas abordados. A
dimensão biológica é pouco ou nada considerada e não é discutida
a possibilidade da transformação da relação homem/mulher no
sentido de se fomentar a sua complementaridade, tão sabiamente
representada pelo símbolo milenar do yin-yang. Pelo contrário,
neste ponto Butler convoca o feminismo para se concentrar na tarefa
de destruir a ideia, em si, do binarismo feminino/masculino.
Mais preocupante é a questão fundamental do livro: a desconstrução/
subversão da Identidade de Gênero através da
destruição da noção de Constância de Gênero. O conceito de
Constância de Gênero (Kohlberg, 1966), embora central para a
Dra. Carmen Sylvia Ribeiro
Mestre em Saúde Mental pela Faculdade
de Medicina da UNICAMP | Especialista
em Neurociências USP
Dra. Giulietta A. Cucchiaro
Psiquiatra Infantil Unicamp
Doutorado em Medicina Universidade de
Heidelberg – Alemanha | Pós-doutorado
(Epidemiologia e Saúde Mental Infantil) Unicamp
Cuchiaro, Psiquiatra infantil, abriu a mesa redonda apresentando
o tema “O pensamento de Judith Butler”, considerando as distorções
e subversões propostas pela autora em livro sobre sua
“ideologia”.
Dr. Alexandre Saadeh, Coordenador do Ambulatório de Identidade
de Gênero e Orientação Sexual do Instituto de Psiquiatria
da USP, apresentou a recente experiência do Ambulatório de
transtornos de Identidade de Gênero da USP ao atendimento e
acompanhamento de pacientes por equipe multiprofissional.
Já o Dr. José Martins Filho nos trouxe a palestra: “Cuidado,
Afeto e Limites. O Problema do Stress Tóxico Precoce Infantil”,
falando de sua importante experiência com crianças e o impacto
da exposição excessiva a informações, oferecendo elementos
que confundem e trazem efeito “tóxico”. A mesa redonda foi moderada
pelo Dr. Alexandre e contou também com a moderação
do professor convidado Dr. Paulo Dalgalarrondo, Coordenador
do ambulatório que assiste aos transtornos de Identidade de Gênero
na UNICAMP que fez questão de ressaltar a importância de
debates como este para esclarecer e diferenciar uma postura de
entendimento e cuidado à luz da ciência, evitando abordagens
preconceituosas que poderiam aumentar o grau de sofrimento
destes pacientes.
proposta de Butler, é apenas citado, mas não, explicado. Desta
forma não é colocado explicitamente que o que está sendo proposto
é uma interferência no desenvolvimento infantil. Segundo
Kohlberg, por volta dos 3 anos as crianças já se identificam com
um dos gêneros, mas somente por volta dos 5 anos elas assimilam
o conceito de que seu gênero permanecerá constante, independente
das circunstâncias. Considerando-se que 80% do desenvolvimento
do cérebro após o nascimento se dá até os 4 anos
de idade (Steinhausen, 1988), acreditamos que instituir práticas
artificiais que interfiram no desenvolvimento infantil nessa fase
teria o efeito de causar problemas nas crianças.
A identidade de gênero é um dos principais pilares da identidade
da criança e seu desenvolvimento ocorre de forma natural
e descomplicada na imensa maioria dos casos. Negar à criança
a auto evidência óbvia que ela constata observando seu próprio
corpo provavelmente seria perturbador e traumático.
Como profissionais que trabalham com crianças consideramos
que os princípios propostos por Butler, se aplicados durante
o desenvolvimento infantil, constituem uma forma de abuso. Devemos
proteger as crianças desse tipo de interferência para que
elas possam crescer livres e saudáveis.
Referências:
• Butler, J (1990) “Problemas de Gênero: Feminismo e
Subversão da Identidade”, Editora Civilização Brasileira
• Kohlberg, L (1966) “A cognitive-developmental
analysis of children’s sex role concepts and attitudes”. In
E.E. Maccoby (Org.), The development of sex differences.
Standford, CA: Standford University Press
• Steinhausen, HC (1988) In: “Psychische Stoerungen bei
Kindern und Jugendlichen” Urban & Schwarzenberg
02 V Boletim Informativo SMCC 2018
Deixem nossas crianças em Paz!
Disforia de gênero
Crianças devem ser livres para brincar e crescer. As famílias
têm o direito de pensar o que é melhor para seus filhos sem
tentar sugerir, influenciar ou decidir por eles o que é melhor.
Há que se respeitar o desenvolvimento infantil deixando à livre
demanda suas percepções sobre seu corpo e sobre a sociedade
que a cerca sem desconstruir ou induzir à problematização das
questões de Gênero, pois estas ofertas de informações contraditórias
causam confusão e podem trazer sérios danos ao bom desenvolvimento
das crianças.
Qualquer decisão sobre gênero deve ser particular e não deve
haver repressão e muito menos indução sobre estas questões às
crianças de tenra idade.
A sociedade deve ser orientada a entender que cada ser no
momento adequado e com maturidade, deve escolher e tomar
decisões sobre gênero amparado por conhecimento seguro e
Disforia de gênero diz respeito a uma incongruência
entre a percepção do corpo e a vivência da identidade de gênero de
um indivíduo. Ou seja, o indivíduo tem um corpo de macho, mas se
reconhece como fêmea, ou o contrário. Menos de 1% da população
apresenta essa manifestação. Ainda hoje é considerado diagnóstico
psiquiátrico, mas isso poderá mudar em breve, não sendo considerada
como doença, mas sim como variação. A abordagem diagnóstica
e acompanhamento devem iniciar na infância, por volta dos dois,
três anos de idade, e deve ser mantida ao longo de todo o desenvolvimento
com abordagem multiprofissional e interdisciplinar.
É preciso reconhecer que nem toda manifestação de variação
na auto-percepção gênero na infância é sinônimo de transexualidade.
Cerca de 75%-90% das crianças se identificam com o sexo
ao nascer, entre aquelas cuja orientação sexual futura é homossexual
ou bissexual.
Vale ressaltar que identidade de gênero é conceito diferente
de orientação sexual: a primeira diz respeito a auto-percepção
ou seja, como o sujeito se reconhece, homem ou mulher; já a
orientação sexual se refere à escolha do parceiro seja outro homem,
mulher ou os dois para satisfação de desejo sexual – orien-
Prof. Josė Martins Filho
Titular emérito de Pediatria da Unicamp
Membro titular da ACADEMIA BRASILEIRA
de PEDIATRIA
Dr. Alexandre Saadeh
Coordenador do Ambulatório de Identidade
de Gênero e Orientação Sexual do Instituto
de Psiquiatria da USP
profissional sobre todas as implicações físicas, genéticas, fenotípicas,
hormonais e emocionais. Induzir à confusão de Gênero
para crianças pequenas sob o pretexto ilusório de desconstruir
preconceitos não parece uma boa estratégia. Ao contrário pode
repercutir negativamente sobre a auto percepção destas crianças
e prejudicar seu desenvolvimento.
O afeto, o carinho, e a presença dos pais são fundamentais para o
bom desenvolvimento neuropsicológico e físico. Desconstruir preconceitos
deve ser embasado por boas referências da família sobre
conceitos como altruísmo empatia e generosidade. Isto sim repercutirá
positivamente sobre uma sociedade que aceita as diferenças.
A família educa e forma. A escola escolariza e intelectualiza.
Por esta razão é fundamental que cada instituição faça seu papel
com clareza, é imprescindível que respeitem, estejam atentos e
cuidem bem das crianças. Isso SIM é fundamental para qualquer
escolha que vão enfrentar adiante.
tação nada mais é que a escolha de parceria.
O acompanhamento e tratamento envolve precisão diagnóstica.
Na infância nada deve ser feito além da observação até o início da
puberdade (estágio Tanner 2), quando poderia-se optar, dependendo
das circunstâncias, pelo bloqueio do eixo hipotálamo-hipófise
até os 16 anos de idade, quando seria indicada a hormonioterapia
específica para as mudanças corporais desejadas.
No Brasil ainda não temos nenhuma Resolução Normativa
definitiva para acompanhamento de crianças e adolescentes.
Existem resoluções somente para adultos, que estabelecem a importância
do acompanhamento psicológico e psiquiátrico por no
mínimo dois anos. Além desses, um criterioso acompanhamento
endocrinológico para, somente ao final de todo este seguimento,
ser realizada a cirurgia de redesignação sexual.
O acompanhamento por equipe especializada diminui o sofrimento
da família e da criança, na infância e ao longo de seu
desenvolvimento. Pode prevenir comportamentos nocivos
como fenômenos de automutilação, e poderia reduzir riscos de
tentativas de suicídio na adolescência e na vida adulta, diminui o
isolamento social o ostracismo e melhora a inclusão social.
Estudos sugerem que a disforia de gênero possui uma base
etiológica biológica que sugere que origem está na formação da
área cerebral responsável pela identidade de gênero, ainda durante
a gestação. Mas não podemos nos esquecer de que valores
culturais e morais acabam influenciando e impactando no potencial
de inserção social, profissional e familiar dessas pessoas.
V Boletim Informativo SMCC 2018 03
O médico é autor de vários livros. Entre eles “Quem cuidará das crianças? A difícil
tarefa de educar os filhos hoje”; “O nascimento e a família. Alegrias, surpresas e
preocupações”; “A criança terceirizada. Os descaminhos das relações familiares no
mundo contemporâneo” e “Cuidado, afeto e limites. Uma combinação possível” em
parceria com Ivan Capellato.
A Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas
(SMCC), entidade representativa de seus médicos associados
em Campinas e Região vem a público manifestar
sua posição institucional a respeito do tema “Ideologia de
Gênero” exclusivamente no que tange os aspectos desta
discussão envolvendo as CRIANÇAS.
A SMCC promoveu um Fórum com diversos e renomados
especialistas médicos em 02/12/2017 para abordar, do ponto
de vista científico, o processo de desenvolvimento da identidade
de gênero das crianças na primeira infância. O debate
foi rico em referências científicas e citações bibliográficas
além de importantes reflexões de profissionais experientes.
Este posicionamento está embasado nas conclusões
deste evento e nas subsequentes consultas
a sociedades de especialidades e
literatura médico-cientifica. Ou seja,
trata-se de conhecimento baseado
em EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAs e
não abrange opiniões pessoais
de qualquer natureza.
A ciência aponta que falar
precocemente sobre gênero
com crianças pode ser prejudicial
ao desenvolvimento delas,
uma vez que não estão preparadas
nem física, nem emocionalmente
para refletirem sobre o tema.
O cérebro tem um tempo natural
de desenvolvimento para o aprendizado
e a tomada de decisões. Até dois ou três anos
de idade os neurônios se reproduzem numa velocidade
muito grande, nessa fase a criança aprende, toma decisões
e começa a entender o mundo externo. Neurologicamente,
afirma-se que cerca de 85% do cérebro se forma até os 5
anos de idade.
Nesse período, os especialistas e trabalhos científicos
sobre desenvolvimento infantil reforçam que é preciso
deixar as crianças livres e respeitar a sua evolução, física e
emocional. Além disso, durante toda a infância, os pequenos
ainda estão aperfeiçoando suas habilidades de comunicação
verbal e corporal e entendendo como expressar
seus sentimento.
Qualquer decisão sobre gênero deve ser própria e depois
que o amadurecimento chegar. Durante a infância, as crianças
devem ser estimuladas a brincar, serem felizes e se expressarem
como elas quiserem, sem que isso represente ser
menino ou menina. Não havendo repressão e nem indução
quanto à identidade de gênero.
Este posicionamento, de forma alguma, tira das famílias
o direito de pensar o que é melhor para seus filhos. Porém,
esta interferência não deve tentar sugerir, influenciar ou decidir
por eles, apenas servir de referência.
Portanto, a Sociedade se posiciona contraria -
mente à ideia que as discussões sobre gênero devam
fazer parte de projetos pedagógicos durante a educação
infantil. Pelo contrário, a discussão de identidade de gênero
não deve ser apresentada à criança de forma alguma
durante a infância.
Após a infância, o jovem já terá desenvolvimento
e maturidade em grau
compatível com a complexidade do
tema e aí sim estará apto a refletir
e argumentar sobre o que deseja
para si.
Este posicionamento é direcionado
à médicos e também
para pais, responsáveis, educadores
e profissionais ligados a
promoção e supervisão da educação
dos menores.
A SMCC acredita que, durante a
infância, o afeto, o acolhimento, o carinho
e a presença dos pais são fundamentais
para um desenvolvimento natural
e saudável. Cuidar bem das crianças, isso sim é
fundamental!
Adicionalmente, este documento ainda afirma que não
se deve criminalizar qualquer decisão nem deixar de respeitar
e ajudar os indivíduos.
Os pediatras e psiquiatras devem estar preparados para
orientar as famílias quanto às questões de gênero. Ao observar
comportamentos diferenciados, cabe ao profissional,
acolher e ajudar a família a transpor as dificuldades, angústia,
a perceber e entender o que está acontecendo com seus
filhos e como eles estão lidando com isso.
Ouvir as crianças e não criar debates precoces é fundamental
para se trabalhar bem com a questão, acompanhando-
as e guiando-as para um desenvolvimento saudável e
respeitoso, sem bullying e sem repressão. Este sim é o papel
dos pais e profissionais.
MANIFESTO IDEOLOG IA DE GÊNERO
04 V Boletim Informativo SMCC 2018


sábado, 3 de fevereiro de 2018

Roqueiros são mais inteligentes, afirma estudo


Roqueiros são mais inteligentes, afirma estudo



Roqueiros são mais inteligentes, afirma estudo



A ciência sempre provando aquilo que a gente já está cabeludo de saber: uma pesquisa divulgada pela University of Warwick, da Inglaterra concluiu que jovens que escutam rock são talentosos e geralmente pessoas brilhantes. Segundo a pesquisa da universidade, as pessoas mais inteligentes escutam rock n’ roll para lidar com as pressões associadas a serem seres humanos talentosos.
Ainda hoje o rock é bastante rotulado como estilo musical inadequado, geralmente associado a drogas, mas não é que dizem alguns cientistas e pesquisadores, como desta universidade inglesa.
Sexo, drogas e rock and roll, este jargão popular surgiu devido a década de 1960, quando o gênero musical estava muito atrelado ao ativismo político. Naquele tempo, por estarem bastante envolvidos como força contraditória ao conservadorismo, os artistas ficaram bastante expostos pela mídia, então eram descobertos inúmeros casos de artistas envolvidos com o uso de drogas. Mas é claro, isso não significa que as drogas estavam exclusivamente ligadas ao rock and roll, existiam vários outros artistas, de vários outros estilos envolvidos. O proprio Mick Jagger disse uma vez que era quase inevitável não envolver-se com as drogas na Europa e nos Estados Unidos. Por conta disso, hoje o rock é bastante rotulado como estilo musical inadequado.
Para provar que a pesquisa não está incorreta, vamos a alguns exemplos de roqueiros que estão nos mais altos pilares da escala educacional:
  1. Bryan Keith Holland, vocalista da banda de rock californiana Offspring, é mestre em biologia molecular.
  2. Freddie Mercury tinha formação superior em Design Gráfico.
  3. Bryan May, guitarrista do Queen formou-se em Ciências Físicas e Matemática Imperial, em Londres. Em 2007 ele concluiu seu doutorado em astronomia, recentemente contribuiu para a chegada da sonda New Horisons em Plutão.
  4. Todos os integrantes da banda brasileira Engenheiros do Havaí são formados em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Humberto Gessing (vocal) e Carlos Maltz (baterista) montaram a banda durante uma greve de professores. O nome da banda é uma piada sobre o estilo dos arquitetos.
  5. John Lennon era formado em Artes Gráficas pelo Liverpool Institute of Arts, de Liverpool.
  6. Bruce Dickinson, líder do Iron Maiden, além de piloto de avião, é historiador. Em 2011 ele recebeu título Honoris de doutorado pela Universidade Queen Mary College, de Londres, pela sua contribuição à indústria musical.
Entre vários outros exemplos que também são bastante conhecidos no mundo do Rock.

Portanto a partir de agora, quando vir um roqueiro por aí, não o rotule com base em informações precedentes. Certamente poderá estar diante uma figura brilhante, alguém talentoso e que poderá fazer a diferença no mundo com seus estudos, não somente pela música.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

6 razões por que tantas mulheres questionam o movimento feminista

Confesso que escrever um texto sobre feminismo e os porquês de não me identificar com o movimento soa um pouco estranho para mim. Logo eu, que fui trabalhar aos 15 anos fazendo bicos, entrei cedo na faculdade, arrumei um trabalho no primeiro ano e estou há quase 14 anos no mercado financeiro, sendo que em boa parte deles trabalhei em bancos e corretoras, ambientes majoritariamente masculinos. Eu sempre achei que feminismo fosse sobre ir atrás dos seus sonhos, querer os mesmos direitos e deveres que os homens, provar por competência que não somos menos capacitadas que ninguém e podemos desempenhar as mais variadas funções. Sexo frágil? My ass!!
Só que eu estava enganada. Muito enganada.
O movimento feminista teve início com as sufragistas no final do século XIX e ganhou mais relevância no começo do século XX, na Inglaterra. Na época, era notório que elas trabalhavam mais e ganhavam menos, não podiam votar e estavam constantemente sujeitas a abusos sexuais. Enxergando essas disparidades, as mulheres inglesas começaram a fazer protestos em várias cidades, especialmente na capital. O foco principal se tornou o direito ao voto, mas o movimento acabou sendo muito mais do que isso.
No Brasil, boa parte das reivindicações pelo direito ao voto feminino partiu de homens. Sim! Em 1891, quando o Congresso Nacional começou a discutir o assunto, o constituinte Almeida Nogueira pediu que fossem revistas as condições de voto, considerando que a constituição não proibia distintamente o voto feminino. No ano seguinte, 31 constituintes assinaram a emenda de Saldanha Marinho, que estendia a todas as brasileiras o direito de votar. Dois homens que viriam a ser Presidentes da República foram a favor disso: Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca. Nomes importantes como Rui Barbosa, Barão do Rio Branco e Godofredo Lamounier também apoiaram o movimento. Mesmo com esse esforço inicial, foram pouco mais de três décadas desde o início das discussões para que o Brasil finalmente cedesse às mulheres o direito ao voto, em 1932.
Esse espírito das sufragistas me representa. Direitos e deveres iguais, sem vitimismo, em busca de uma sociedade que escute seus cidadãos, sejam eles quem forem, dando às mulheres o status de ser humano do qual nunca deveriam ter sido privadas. Se vocês resolverem checar meus textos antigos, verão que me considerava uma feminista. Já tomei muitos tombos, aprendi bastante com os erros e, acreditem, a convivência diária no meio masculino me tornou mais forte, menos fresca e, claro, até menos sensível. Para mim, ser feminista era simplesmente isso: ser mulher, segura, madura, não ter medo de nenhum desafio e não levar desaforo para casa, sem enxergar os homens como inimigos. E por que me desiludi tanto com o movimento?
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1. Não é um movimento sobre igualdade.

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Tenho certeza que boa parte das mulheres que leram esse primeiro item pensaram: “essa não sabe nada do que fala, pois o contrário de machismo não é feminismo e, sim, femismo”. Eu sei, cara colega, mas você já viu declarações de grupos feministas ultimamente? Então talvez tenha reparado que, cada vez mais, prega-se um ódio irracional contra os homens – todos eles –, culpando-os por seus fracassos, problemas e frustrações. O que seria o feminismo de verdade, no meu entendimento? Lutar por direitos e DEVERES iguais, onde somos colocadas em pé de igualdade na execução de tarefas, mas também lembrando que há diferenças naturais entre homens e mulheres e que não há problema algum nisso. Não adianta lutar por igualdade de salários, por exemplo, sem entender que para isso é preciso ter a mesma produtividade. Estou dizendo que mulheres são menos capazes, então? NÃO! É claro que não. Mas concordam que, se mulheres sempre ganhassem menos que homens, então as empresas só contratariam mulheres? Concordam que muitas mulheres optam por carreiras que são, por natureza, menos rentáveis?
Além disso, muitas acham normal colocar as mulheres na vida política, que sabemos ser um setor com baixa participação feminina, através de cotas. Cotas? Por acaso isso significa haver mais igualdade ou simplesmente, a partir disso, os partidos terão que achar qualquer mulher que se interesse, mas não realmente quem tenha vocação e disposição para a política? Houve ainda o caso de uma vereadora de Porto Alegre, Fernanda Melchiona, que conseguiu aprovar cota de 20% para mulheres em vagas no Uber. Onde é que isso representa igualdade? Se a empresa não achar mulheres suficientes para preencher as vagas – que estão lá para serem preenchidas por quem for capacitado, independentemente de ser homem ou mulher – terão que DEMITIR homens e se encaixar na determinação. Não é fantástico? Um movimento que luta por igualdade e causa desemprego. Nunca vou entender isso.

2. Meu corpo, minhas regras. Seu corpo… minhas regras.

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Como liberal que sou – movimento onde a pauta feminista esteve sempre em voga, já que acreditamos na liberdade de expressão do indivíduo seja ele quem for -, vale a máxima de que cada um deve fazer o que quiser, desde que não atrapalhe ou interfira na liberdade do outro. O que quero dizer com isso? Não me importo que alguém pratique sua religião, por exemplo, mas não quero que tentem me catequizar. Simples. O movimento feminista resolveu tomar o monopólio das virtudes das mulheres e decidir o que é melhor para a vida de cada uma delas ao redor do mundo. Se você sair dessa cartilha, ah, minha cara, você é machista e oprimida pelo patriarcado sem saber.
Vejamos: uma mulher que queira ser mãe e abdica de sua profissão. O que você acha disso? Novamente, como liberal, eu não tenho que achar nada. A vida não é minha, certo? Para as feministas, no entanto, isso está errado. Ser mãe, abdicar da carreira, cuidar dos filhos e até mesmo ter um certo gosto por roupas mais recatadas é tido como algo abominável. Ora, se o lugar da mulher é ONDE ELA QUISER, ela não poderia ESCOLHER o que quiser? Ou só vale quando for algo que o movimento julgue como certo? Mulheres que decidem expor seus corpos em revistas masculinas, por exemplo, são abominadas. Dizem que isso objetifica a mulher. Alguém as obrigou a fazer isso? Não que eu saiba. Entretanto, quando alguma mulher que elas dizem quebrar o padrão de beleza imposto pela sociedade faz exatamente a mesma coisa – posa nua para revistas masculinas –, aí se torna “empoderamento” feminino. Um peso e duas medidas? No movimento feminista, quase sempre você verá isso.
Outra coisa que me incomoda muito é o desejo quase orgástico de querer quebrar o tal padrão de beleza, impondo aos outros aquilo que você acha que é bonito. Quantas e quantas vezes somos bombardeados com fotos de mulheres com pelos embaixo do braço, dizendo que isso é um protesto contra o machismo, contra o padrão de beleza e, de novo, empoderamento da mulher?? Ou seja, você não pode nem ter uma OPINIÃO sobre aquilo, não pode achar feio, como você poderia achar feio qualquer tipo de roupa, cabelo ou atitude. Não. A opinião não nos pertence mais, de acordo com este movimento. E se você achar feio, ora, você só pode ser machista.
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3. O ódio contra os homens.

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Você, mulher que está lendo esse artigo. Você deve ter, no mínimo, um desses homens à sua volta: pai, irmão, sobrinho, filho, avô, namorado ou marido. Como você se sentiria se alguém lhe dissesse que todos eles são potenciais estupradores? Pois é. Dá náuseas, não dá? Pois o movimento feminista quer que você acredite que todo homem pode estuprar uma mulher a qualquer hora, basta ter hora certa e lugar certo, basta ter uma oportunidade. Seriam as mulheres, então, providas de uma bondade divina que não faz parte da natureza masculina? Ou será que tem gente má e gente boa em qualquer lugar, qualquer ambiente, qualquer meio social, de qualquer sexo e de qualquer orientação sexual? Atacar todos os homens como uma unidade do mal, pronta a dar o bote a qualquer momento é simplesmente fomentar o ódio a pessoas que fazem, queiram elas ou não, parte da nossa vida.
É preciso lutar diariamente contra abusos e estupros, que infelizmente ainda são um grande problema aqui e no mundo todo, sem dúvida! Estou nessa luta. Mas culpar TODOS os homens por isso, ainda afirmando que há uma cultura do estupro? Por acaso alguém à sua volta acha isso normal? Algum amigo seu já te contou, num papo informal, que estuprou uma mulher e todo mundo achou isso ok? Ou conhece alguém que acha natural uma mulher ser agredida? Provavelmente não. E se conhece, ele não é representante da maioria, por mais que muitas mulheres queiram encaixar isso em suas narrativas. E aí vêm os falsos relatos de abusos, tudo para tentar fazer parecer que homens são a pior coisa do mundo. Onde é que isso ajuda, de verdade, a luta das mulheres contra assédios, abusos e estupros? Já presenciei casos em que homens foram expostos como assediadores ou até estupradores e isso não era verdade. Quem repara o dano feito a ele e sua família?

4. A histeria coletiva.

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Quase toda semana somos surpreendidos (embora isso já não seja mais surpresa) por notícias de empresas que são achincalhadas por grupos de feministas. O caso mais recente aconteceu com uma barbearia. Uma mulher resolveu cortar o cabelo lá e, ao ser informada de que só atendiam homens, deu o maior chilique, dizendo que era feminista e aquilo era um absurdo, ser discriminada em pleno século XXI. Como feminista é mais corajosa pelas redes sociais, juntou as amigas na página da barbearia no Facebook para denegrir a imagem da empresa. O detalhe? Ela não foi maltratada, o estabelecimento pertence a uma mulher (empoderamento para mim é empreender nesse Brasil de loucos) e o estabelecimento é ESPECIALIZADO em serviços para homens. Qual é o problema, gente? Tantos lugares são especializados em serviços para mulheres e ninguém reclama! Onde está o sentido da vida dessa menina em tentar denegrir a imagem da barbearia? Em vez de focarem nos problemas de verdade, preferem achar machismo em tudo e sair por aí vociferando palavras de ordem.

5. A recusa ao direito de defesa e punição severa.

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Mulheres deveriam, antes de mais nada, ter o direito de se defender. Entretanto, o movimento feminista, que geralmente se posiciona à esquerda, é contra o armamento da população, incluindo as mulheres. Tenho spray de pimenta na bolsa, fiz artes marciais durante boa parte da minha vida, aprendi a atirar, ainda com 15 anos, com meu avô e garanto a vocês que estranho algum entrará na minha casa sem consequências. Por incrível que pareça, feministas veem problemas nesse meu perfil, acham até mesmo que se trata de discurso de ódio. Onde está a lógica?
Em relação à punição, tentam a todo custo criminalizar até cantadas banais na rua, como se um assobio fosse assédio (embora seja um ato de extremo mau gosto). Mas na hora de punir estupradores, não querem nada que soe “extremista”, como a redução da maioridade penal, por exemplo. E quantos homens menores de idade praticam este ato terrível contra mulheres??? Seriam eles oprimidos pela sociedade, incapazes de entender o que estavam fazendo? O mais engraçado é pensar que movimentos feministas julgam que crianças possam começar a fazer tratamento de mudança de sexo, mas não podem ser responsabilizados por atos hediondos como um estupro ou assassinato.
Novamente, a lógica foi passear e não voltou.

6. O esquecimento das verdadeiras oprimidas.

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Como vocês sabem, milhares e milhares de mulheres sofrem nas mãos de homens e de uma sociedade injusta e desigual no mundo árabe. São crianças, adolescentes, mulheres, mães, irmãs, avós, tias e sobrinhas que sofrem DE VERDADE. São coisas tão absurdas que, como mulher – aliás, como ser humano -, me embrulham o estômago só de pensar. Mulheres são açoitadas, apedrejadas, sofrem estupros coletivos, são obrigadas a casar com seus estupradores, as casadas que sofrem estupros são presas e até condenadas à morte, crianças sofrem mutilação genital, são obrigadas a casar com homens bem mais velhos, algumas morrem na “noite de núpcias”, quando, na verdade, são estupradas, são deformadas com ácido, mortas pelos próprios parentes para defender a honra, entre várias e várias barbaridades que, só de escrever para esse artigo, me dá vontade de gritar. Onde estão as feministas para lutar pelo direito dessas mulheres? Tente falar sobre isso e será chamado de islamofóbico. Em nome do multiculturalismo, as mulheres que se dizem defensoras dos direitos femininos simplesmente ignoram a realidade do outro lado do mundo, algumas até mesmo defendendo que não podemos interferir na cultura alheia. Então, me explique, como é que fazer protestos com os seios à mostra, pelos embaixo do braço, encenações artísticas com introdução dos mais variados objetos em seus corpos, ajuda ALGUMA mulher a qualquer coisa? Ou será que eu estou maluca e isso realmente tem algum sentido?
Um caso bem recente que mostra a hipocrisia desses movimentos aconteceu na Marcha das Mulheres, que tomou conta dos EUA na semana passada. Uma das fundadoras do movimento, colocada no site oficial da Marcha como “co-chair”, é Linda Sarsour, muçulmana nascida no Brooklyn, NY, e defensora da Sharia, a Lei Islâmica. Podem conferir seus tweets e verão que, para ela, o direito das mulheres é secundário quando se tem outros direitos garantidos pelo Estado. Em um deles, ela diz que ninguém deveria ligar para o direito de dirigir. Na Arábia Saudita, há licença-maternidade paga por dez meses! Isso é muito mais importante. Ela diz também que “você saberá quanto estiver sob a Sharia quando os juros de seu cartão de crédito e empréstimos tiverem sumido”. Ou seja, o problema do mundo é o capitalismo, mas não uma lei radical islâmica que subjuga as mulheres e comete os atos mais bárbaros contra elas.
Tente protestar na Arábia Saudita. Tente. Só não garanto que você voltará para contar a história.

Conclusão

Não me descrever mais como feminista não muda meu ponto de vista em relação à luta pelos direitos e deveres das mulheres, pelo nosso espaço na sociedade, para mostrar que mulheres podem ser absolutamente tudo o que quiserem. Machismo existe sim! Mas a luta contra ele não pode ser pautada pelo ódio aos homens, à família, às escolhas individuais de cada uma. Hoje, depois de muita reflexão sobre o assunto, me intitulo apenas uma mulher liberal, que pode incentivar outras mulheres a enfrentar qualquer desafio que tiverem, sem medo e sem abaixar a cabeça. Eu não preciso do feminismo, mas o feminismo precisa de mim para, quem sabe um dia, lutar pelo direito das mulheres no mundo todo, sem restrição e sem fanatismos típicos de gente frustrada e sem amor.
Vem ser liberal comigo?
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Irã detém 29 mulheres por retirarem véu em públicoCampanha de protesto 'Quartas-feiras Brancas' exige mais liberdades individuais

Irã detém 29 mulheres por retirarem véu em públicoCampanha de protesto 'Quartas-feiras Brancas' 
exige mais liberdades individuais 
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TEERÃ — A polícia iraniana informou na quinta-feira que deteve 29 mulheres que retiraram seus véus em público, em protesto contra a lei de 1983 que torna seu uso obrigatório. De acordo com as autoridades iranianas, as mulheres detidas fazem parte de uma campanha conhecida como "Quartas-feiras Brancas", em que mulheres retiram seus véus.


 

Imagens recentes mostram que os atos normalmente são feitos em lugares de grande circulação, com manifestantes subindo em plataformas, retirando a peça do vestuário e agitando o tecido no ar. Numa delas, uma mulher religiosa, de véu e chador (o traje negro que vai até os pés), apoia as manifestantes acenando ela própria com um lenço.
A agência de notícias semioficial Tasnin, ligada à Guarda Revolucionária, acusa o movimento de ter sido incentivado por canais de TV de fora do país, que transmitiriam a convocação das "Quartas Brancas" ilegalmente, via satélite. Uma jornalista e ativista radicada nos Estados Unidos, Masih Alinejad, iniciou a campanha em 2017. Masih, que trabalha para a emissora do governo americano Voz da América, negou, em entrevista ao jornal britânico "The Guardian", que receba fundos de governos estrangeiros para a campanha.
A agência Tasnin, no entanto, não especificou o intervalo entre as detenções nem o local em que foram realizadas. Mulheres que mostram o cabelo em público no país podem ser detidas por até dois meses ou pagar uma fiança equivalente US$ 25. O procurador-geral do Irã, Mohammad Jafar Montazeri, descreveu os atos como "infantis" e motivados por ativistas "de fora do país".
Apesar da reação da linha-dura, o tema tem sido debatido inclusive no Parlamento iraniano. De acordo com outra agência de notícias, a Ilna, uma deputada, Soheila Jolodarzadeh, disse em plenário que os protestos são consequência de restrições prolongadas. "Eles estão acontecendo por causa de uma abordagem errada da nossa parte", afirmou ela. "Nós impusemos restrições às mulheres, restrições desnecessárias. É por isso que as meninas estão colocando seus lenços em bastões."

A lei imposta pela República Islâmica em 1983 para o uso obrigatório do véu seguiu política oposta à da dinastia dos Pahlevi, derrubada na revolução de 1979, que proibiu o uso do véu pelas mulheres nos anos 1930. A proibição afastava da vida pública, incluindo das escolas e universidades, mulheres de famílias religiosas, em geral mais pobres. A proibição foi relaxada durante o regime do xá Mohammad Reza Pahlevi (1941-1979), mas o uso do véu ainda era visto como um empecilho à ascensão social.



Leia mais: https://oglobo.globo.com/mundo/ira-detem-29-mulheres-por-retirarem-veu-em-publico-22356973#ixzz55xWPpcF9 
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